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domingo, 6 de março de 2016

Atenção

Atenção
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Preste atenção!
Poesia pode ser feita:
Com tinta,
Água,
E sabão,
Com açúcar,
Sal,
E limão,
Com rima,
Sem rima,
No chão,
É só prestar atenção:
E não ficar rimando com ão...
Que fica chato.
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Radyr Gonçalves

sábado, 9 de janeiro de 2016

A beleza do silêncio, a sinfonia da tristeza

Deslizo minhas mãos na tez macia do silêncio
A tristeza tem uma face tão sóbria
A melancolia tem uma casa tão fria
Mas os chás, as luzes pálidas, a cerração pelos vitrais,
As folhas mortas nos quintais
Deixam as coisas tão poéticas...
O silêncio e a tristeza
Passeiam sempre juntas
Na lembrança das danças
Nos gemidos dos gozos de outros janeiros
No vou, no voo, no fico
Nas músicas do Chico
No barulho nostálgico do chocalho
No vermelho encerado do assoalho
Na poesia tingida de sépia no velho sulfite sepultado na gaveta
A tristeza tem um charme
Uma chama
Uma nota de jazz
Que encanta
E aponta o porto
Que arruma a luz do quarto
Que faz da vida um novo parto
Para que se dê prosseguimento.
Antropofagicamente
comerás da minha pa/lavra/carne
mastigarás todos nervos e músculos
e matarás tua fome
esse desejo não tem nome
e me consome esta vontade
de ser devorada de verdade
pelos teus dentes de sede
pelos teus dedos de seda
pelos teus poros na rede
sem que até mesmo percebas
se o que tu comes é saudade


 Radyr Gonçalves de Araújo

Dramaticidade noturna


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Um poema drástico, dramático, gástrico, teimoso,
Escrevi, e deixei lá, secando no papel...
A noite corrói nossas lembranças...
Noite! Ladra miserável do sono do nosso corpo!
Algoz terrível no sono da nossa alma!
E a minha alma que não cala,
Que inerte, não move uma pedra,
Eu que já morri umas cem vezes e cá estou a contar histórias...
Já morri de amores em campos de amoras,
Já morri de dor em outro ponto, outra hora,
Já perdi o trem, o bem, o além, a eternidade,
Já morei nesse quintal, nessa paragem, nessa cidade,
Mas não canso de voltar...
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E no absurdo ensurdecedor desse silêncio mórbido,
Eu já tremi, temi, sofri, chorei, cai, dancei,
Ao som do farfalhar das folhas secas dos lírios...
Escrevi sobre as Iaras, as Marias e as castanheiras,
Sobre um amor que tanto amei,
Sobre os vícios e sobre as leis,
Sobre a liberdade que não existe no plano da realidade...
A liberdade é a música do imaginário...
Só é liberto, o louco,
O homem que faz do tudo um pouco,
Que grita até ficar rouco,
Que vai voando aonde quiser...
Noite! Fiel escudeira da morte!
Que tira do homem a sorte do sono...
Que o sacode exigindo que um pobre infeliz mortal,
Descubra a si,
E prove o sol e o sal do melancólico existir...
Que lança em rosto a mais profunda das intimidades...
Que faz-nos ver que é cara a liberdade,
E nos ensina que a liberdade é bem mais que sair por aí voando,
Pairando em nuvens de algodão,
Liberdade também é deitar no chão,
E dormir, como dormem os deuses enquanto escrevo,
Sobre a morte, sobre o samba, sobre o frevo.
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Radyr Gonçalves

sábado, 12 de dezembro de 2015

Madrugada incandescente


Cama ardente
Cadente lembrança
No céu da mente
Estrela destrambelhada
Que vai rascunhando o papel
De fatos até então esquecidos
No horizonte de insônias.
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Radyr Gonçalves