Mostrando postagens com marcador beatriz bajo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador beatriz bajo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

é preciso calar



.

é preciso calar os silêncios
inflamando as urgências

é preciso colar
as distâncias
é preciso colher
pra cada fome secreta
é preciso colher
o que plantou seu pé

cada calo é
escrito em língua morta

Beatriz Bajo



dele (tua)





devorar cristais para cintilar tempos
no ventre vitralizado de sais e sóis
a sós, carregados embaixo das unhas
que arranharam a brasa do peito
enraizado nas quadras quadradas
cegas certezas ressuscitando
outras águas
correntes como hinos soprados
pelos olhos mágicos de todas as portas
não abertas
ainda
umedecer as plantas dos pés
crescidas em solo dourado
país de mim, diretriz
rasgo o peito com a unha
suja de sol
solto a égua que cavalga sobre ele
danço sobre ele
e sou patrimônio tombado
preserve-me


Beatriz Bajo