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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

iPhone 5





o besta
desembesta
ou quiçá, çá, çá
defenestra
na poeira das vaidades
bestas
e atuais, mais
que atuais

os ancestrais
cambalhoteiam
inutilmente
pra frente
pra trás
qual idiotas

os devotos
do black metal
dão saltos
camisas pretas
acham demais!

mas, ademais, existe a luz
no fim do túnel
da Tunísia
pour elise
eu faria tudo, tudo

coesão, coerência, clareza
o importante é ser feliz
na cama
o mais, é o amor
só o amor
que conhece o que é verdade

a verdade dói e mói e corrói e destrói
mas isso é bom e agradável
exceto ao platão

seja bem-vinda, ruidosa bofetada!
bate outra vez, coração!
a mão que balança o berço
envolve e cabe perfeita na masturbação

o ego rebelde não quer rebentar
diz que há os tais maiorais
déspotas e tarados
cheios de pênis eretos
no lugar dos pelos
glândulas invertidas

pelas barbas de netuno!
levantai, unamuno!
semeai a discórdia e a dúvida
entre os homens bicudos
jegues-justos-obtusos
cheios de hemorróidas
enfiados em ternos justos
absurdamente demodés

quem dera ser um peixe
para expor em riste a guelra média
ao anzol pontiagudo
imerso, babacamente
pelo babaca-mor

que o mundo acabe em buceta
de mulher tesa
para morrermos encharcados

felicidade é algo mais que uma maçã eletrônica.

Carlos Cruz - 20/12/2012

Hedionda Poesia Hodierna




estética
agita
se
extática

entretanto

entre tantos

estatística
cala
se
estática

entrementes

entre mentes

fanfarrões
aclamados
desfilam

despudorada
fanfarra
cacofônica

Carlos Cruz - 13/02/2013


sábado, 21 de fevereiro de 2009

A Faixa de Gaze

Alvejada, mas não perfurada. Atingida, mas não lesionada. Explodida, mas não estilhaçada. Transtornada, dilacerada, enlouquecida, a filha de Allah - o clemente, o misericordioso - empenhava-se em atar os pedaços do pequeno Ahmed, recolher ao causticado ventre exposto as vísceras esparramadas, unir aquilo que o míssil enviado pelos filhos de YaHVeH - o clemente, o misericordioso - havia desagregado, esperança desesperada e insana de genetriz. Por fim, desmoronada, vencida, a mulher lançou de si a rubra atadura, que revoluteou, antes de imergir no profundo, revolto mar de fogo, lágrimas, sangue. Não longe dali, uma sinagoga, um rabino lê a Torah.

Carlos Cruz - 29/01/2009

(Bar do Escritor- 05/02/09 )