Mostrando postagens com marcador rodrigo mebs. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rodrigo mebs. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

lobo em pele de lua




pastor de estrelas
nos campos da lira

o poeta se espanta
e se inspira

desgarradas cadentes
são sempre bem vindas

poemas são mesmo
estrelas caídas

rodrigo mebs

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

outra coisa



rastro de quase
resto de pouco
coisa que se sabe coisa
coisa de louco
coisa de gente
coisa que se torna ausente
coisa que sente só e tão somente
coisa alguma
amor talvez
quem sabe?
rastro de astro que me atravessa
estrela que me marca a testa
besta que se sabe bela
que se sabe ela
toda
fera
ao tempo que me rasga em mil
partes que se somam nulas
lembranças de um céu anil


rodrigo mebs >>>

terça-feira, 4 de agosto de 2015

certeza não cabe a ninguém
a natureza da dúvida e da fé
é o medo que a vida tem
que a morte acorde mais cedo
e seja  eterna também

rodrigo mebs



frutafarta.blogspot.com 
bala perdida
tiro certo no escuro
errado foi o muro
que adiou nosso futuro


rodrigo mebs

sábado, 23 de maio de 2015

letras celestiais

caído do céu poema azul
ácido pássaro
abatido de gozo e riso
banido do paraíso
ferido em tombo preciso
letra de fado
ritmo de samba
soar colorido
feito blues
de branco tingido
que deus me prove
vai que o céu é mais ao sul
e deus me love
e deus me livre
de ser eu
a besta do após calipso
vai que eu sei
que viro a mesa
luso-afro-brasileira
de madeira nobre
expondo os restos coloniais
desta nação de hipócritas
mostrando o rastros
desta história corrompida
vai que sei
não estou só
e não é só meu esse nó
e esse bom gosto
na língua.

rodrigo mebs


humanicice


eu sei
que você sabe que eu sei
que essa tal
insanidade
já é lei nessa cidade

afinal antes dos fins de semana
e feriados nacionais
o que emana
não irmana

eu sei
que você sabe que eu sei
que essa tal
insanidade
agora é lei necessidade

afinal antes dos fins de semana
e dos periódicos semanais
palavra é só
o que engana

eu sei
que você sabe que eu sei
que essa tal
insanidade
já é unanimidade

afinal antes do fins de semana
e das cinzas dos carnavais
é tudo carne
e grana

eu sei até de mais
que todos os anos
antes dos dias santos
somos menos humanos
que os animais


rodrigo mebs

quarta-feira, 17 de março de 2010

cantando de galo



que pensa que letra

que leia que linha

que linha que veia

que sangue de vinha

palavra que lava

que lavra sozinha

pulsando na lira

que mira que tinha

que rima que canta

que tanta que minha

palavra que alvo

que salvo da rinha .
 
Rodrigo Mebs
http://www.frutafarta.blogspot.com/

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Desagosto

noutro dia um cão raivoso
espumando versos pela boca,
disse sol à nuvem louca
e o inverno inverso, rigoroso,
fez-se ainda mais intenso!
punhal de gelo na carne pouca,
que racha, sangra e estanca
entre a pele e a roupa.
mas, o andarilho lindo e asqueroso,
como brilho de amor, imenso,
ainda trilha as ruas sujas
nas cidades do que eu penso.

Rodrigo Mebs

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Cadela que ladra... rouba

cadela que ladra ... rouba

morde
tudo quando pode
furta cores das abóbodas celestes,
celeumas dos que pescam estrelas
com seus anzóis minguantes
e suas almas crescentes
pelo céu, itinerantes.

abocanha um sol que arde
ainda que seja noite
que seja tarde
que a manhã te açoite

se esconde
atrás de tua concisa consciência
debaixo da tua aparente sonolência.

subtrai as rimas do teu destino
confunde teus passos, tuas letras
oculta teu nome
te aparta alma e corpo

dilacera tua carne feito fera
suga do teu sangue açúcar
da tua dor ela faz música
e dança em meio a teus restos
catando entre teus ossos
toda poesia possível
que a impossível
possivelmente
irá te extrair mais adiante.

Rodrigo Mebs

Vendo o que se Vende

profunda ferida, fenda
esgarçada entre as pernas
da porca e manca mesa de boate.
fissura, fístula num canto da boca
do Rio de fevereiro, que te abate
no que te rouba a vida, mas não te mata.
o que não mata, que se engorde na TV,
violando a inocente violência que se vê.
que se mate esta ciência, lentamente.
que se note esta nota de loucura
soando escura e muito, muito rente.

Rodrigo Mebs
http://www.frutafarta.blogspot.com

sábado, 24 de outubro de 2009

Letras Celestiais

caído do céu poema azul
ácido pássaro
abatido de gozo e riso
banido do paraíso
ferido em tombo preciso
letra de fado
ritmo de samba
soar colorido
feito blues
de branco tingido
que deus me prove
vai que o céu é mais ao sul
e deus me love
e deus me livre
de ser eu
a besta do após calipso
vai que eu sei
que viro a mesa
luso-afro-brasileira
de madeira nobre
expondo os restos coloniais
desta nação de hipócritas
mostrando o rastros
desta história corrompida
vai que sei
não estou só
e não é só meu esse nó
e esse bom gosto
na língua.

rodrigo mebs

visite: http://frutafarta.blogspot.com

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Desterro

Imagens passam como póstumas
obras de um cinéfilo desvairado entre os anjos
estrelas de sangue e luz brotam da tela
quanto se tange o inatingível
quando se tinge o intangível
e o possível é só coincidência
ou lembrança destas bestas que me cercam
ciência só já não me explica
imagens lavram o poema
e a palavra fogo
trança os olhos de quem pensa
pensando o quê mero poema
palavrinhas são areias
destas praias tão estranhas
pensando o quê mero poeta
que entre folhas entre galhos sóis e sombras
caminha um monge nada casto
enquanto uma lua virgem e nua
lhe adorna a testa
pensando o quê mero palhaço
que entre montanhas verdes e dunas
o monge claro escorre quase líquido
e carrega em seus braços uma sereia de sal
e suas pegadas profundas e largas
são lagoas e mais lagoas de mágoas
imagens varam a retina
e a escrita cristalina já não existe em meio ao sangue
a areia então vermelha vira mangue
e quem sabe entre os carangueijos albatrozes e abutres
haverá um deus pra traduzi-las

Rodrigo Mebs