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terça-feira, 19 de maio de 2015


Hoje chamaram um negro de macaco.
... Mas não me importo. Minha raça é branca.
Hoje xingaram uma mulher de puta.
... Mas não me importo. Não é alguém da minha família.
Hoje vi um idoso em pé no ônibus.
... Mas não me importo. Não mandei ele sair de casa.
Hoje maltrataram um animal.
... Mas não me importo. Não tenho bicho de estimação.
Hoje vi um pobre a pedir esmola.
...Mas não me importo. Graças a Deus, posso ter o que preciso.
Hoje uma jovem vestida de vermelho foi agredida.
... Mas não me importo. Eu nem gosto dessa cor.
Hoje vi uma pessoa descrente.
Ah.. sim! Eu me importo. Vou levá-la à igreja orar comigo.
No meio da rua
este choque:
a vida vai acabar
e nunca mais eu vou atravessar
esta rua

deste mesmo jeito.

Sirlei Fernandes

segunda-feira, 12 de março de 2012

Versos de dor


Enquanto você dormia...
Escrevi esses versos de adeus
Rasguei suas recordações
Rasguei minhas ilusões
Enquanto você dormia...
Vi que seus beijos não
eram só meus.

Enquanto você dormia
Dilacerei meu peito
Chorei um amor desfeito
E esses versos num
Papel molhado
São lágrimas de um
coração despedaçado.

Enquanto você dormia
Meu sonho desmoronou
Revirei seu mundo
O meu foi ao fundo
Enquanto você dormia...
Sorriu e outro nome chamou.

Sirlei Passolongo

Gosto de gente


Gente
Que sente
Que chore
sorria
Reclame
Ame

Gente que fala
Que rala
Que grita
Agita
Bonita
Na alma
E no coração

Gente
Que ajude
Que grude
acompanhe
Que ouça
Louca
que
Tenha amor
Pelo amigo
Seja abrigo
Nas horas de dor

Gente
Que sente
E mesmo distante
seja consciente
Gentilmente presente
Na vida da gente.
Gente como VOCÊ!

Sirlei L. Passolongo

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

menina do Brasil

Era uma menina linda


Olhos cheios de esperança

Queria pouco da vida

Apenas uma criança

Era uma menina sapeca

Revestida de alegria

Só desejava uma boneca

Pra lhe fazer companhia

Era uma menina pura

Sonhava os contos de fadas

Alma cheia de ternura

Ainda brincava de mãos dadas

Era menina faceira

Coração doce e apaixonado

Só pensava em brincadeira

Vivia num mundo encantado

Era menina tão bela

Sorriso cheio de amor

Sonhava ser cinderela

Desabrochava em flor

Era menina da favela

Pés no chão, sonhos na lua

Triste sorte da bela

Só queria sair da rua

Era menina de tantos brasis

Filha do sertão e da cidade

Só queria ser feliz

Num lar sem frio e maldade

Era menina brasileira

Filha da desigualdade

Sonhava pra vida inteira

Apenas a felicidade

Era menina inocente

Acreditava nos homens

E tudo que tinha na mente

Era matar sua fome

Era menina esperança

Continuava a sonhar

Só queria ser criança

Sem fome poder brincar

Era menina do noticiário

Vendida por algum dinheiro

Por mais um salafrário

A um gringo estrangeiro

Era, agora, uma menina triste...

Sirlei L. Passolongo

segunda-feira, 16 de março de 2009

Asas dos Sonhos

Asas dos sonhos

Se eu fosse um artista
Queria tingir muitos vôos...
E cada desenho
Um vôo diferente...
Ah! Voar entre as nuvens
Sobre as montanhas na Primavera
Voar sobre as marés na aurora
Sobre as margaridas e azaléias
Voar até você
E te mostrar que a vida é bela
Que dos sonhos levantamos vôos
E da fé, tingimos de realidade
Nossa própria tela.

(Sirlei L. Passolongo )

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Menina do Brasil

Era uma menina linda
Olhos cheios de esperança
Queria pouco da vida
Apenas uma criança

Era uma menina sapeca
Revestida de alegria
Só desejava uma boneca
Pra lhe fazer companhia

Era uma menina pura
Sonhava os contos de fadas
Alma cheia de ternura
Ainda brincava de mãos dadas

Era menina faceira
Coração doce e apaixonado
Só pensava em brincadeira
Vivia num mundo encantado

Era menina tão bela
Sorriso cheio de amor
Sonhava ser cinderela
Desabrochava em flor

Era menina da favela
Pés no chão, sonhos na lua
Triste sorte da bela
Só queria sair da rua

Era menina de tantos brasis
Filha do sertão e da cidade
Só queria ser feliz
Num lar sem frio e maldade

Era menina brasileira
Filha da desigualdade
Sonhava pra vida inteira
Apenas a felicidade

Era menina inocente
Acreditava nos homens
E tudo que tinha na mente
Era matar sua fome



Era menina esperança
Continuava a sonhar
Só queria ser criança
Sem fome poder brincar

Era menina do noticiário
Vendida por algum dinheiro
Por mais um salafrário
A um gringo estrangeiro

Era, agora, uma menina triste...

Sirlei L. Passolongo

(postado originariamente no site "Opinião e Informação " )

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Luz

Existe uma luz
Uma luz divina
Que nos faz sorrir
Existe uma luz
Uma luz serena
Que nos ajuda a seguir

É uma luz intensa
Que nos aquece a alma
Uma luz que nos ilumina
diante de qualquer escuridão
que nos guia na multidão

Há uma luz que emana
Onde quer que vá
Em dias de inverno ou verão
Em dias de chuva ou sol

É uma luz que brilha
Por você existir
É uma luz sagrada
Basta olhar dentro de si
Ela está a sua espera
Pra te conduzir.

(Sirlei L. Passolongo)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Menino Falcão

Preste muita atenção
Na história que vou contar
é chocante, é real
Eu preciso gritar
No que se deu
o seu mal
Nem adianta chorar
Essa é a história cruel
De um menino falcão
Por isso, preste atenção
É história de dor e humilhação
Tudo que ele queria
Era um cantinho no céu
No céu da cidadania
Mas viveu jogado ao léu.
Mergulhado na hipocrisia
Sociedade coberta com véu
Filho da miséria esquecido
Da fome e do preconceito
Nunca viveu uma infância
Nunca teve outro jeito
A primeira coisa que aprendeu
foi segurar um arma
no passo que sucedeu
o pior já tava feito
Menino filho da rua
Filho da desigualdade
Não queria nada mais
Que viver com dignidade
Não encontrou noutro canto
Um lugar na sociedade
Hoje é o falcão
De muitas comunidades
Cresceu entre a fome e a maldade.
Mas não é passaro majestoso
É criança assustada
Tudo que desejava segurar
Não era metralhadora de rajada
Ele queria era estudar
Mas sua sorte foi cortada
Não voa sobre seus sonhos
Suas asas estão aparadas
Não tem direito a vida
Vivo ou morto, pouco importa
Não tem justiça que o proteja
Não respira, é esperança morta
Esse é o menino falcão
Do Brasil dos excluídos
Negro, branco, fuzilado
Nem queria ter nascido
Vive a ser desprezado
Sofre e chora esquecido
Não queria ser bandido
Pelo caos foi escolhido
Ele voa muito cedo
Quebrou as asas , nem tem nome
Acredita que noutro lado
Ao menos não morrerá de fome
Um menino Falcão
Nem nome, nem sobrenome
Não há luto em sua morte
É mais um corpo que some
Não a esperança pra sua sorte
Nunca chegará a ser um homem.
Sirlei Passolongo