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domingo, 9 de agosto de 2015


lascas metálicas dum sol de lata
esparramadas pel'um céu que duvida ser azul
onde lagarta a tarde vai deixando o casulo dia
pelas aberturas dos horizontes como ventres cortados

a lâminas asas da noite que vem alada e suave.

 Carlos Sousa

segunda-feira, 27 de abril de 2015


Carlos Sousa

lascas metálicas dum sol de lata
esparramadas pel'um céu que duvida ser azul
onde lagarta a tarde vai deixando o casulo dia
pelas aberturas dos horizontes como ventres cortados

a lâminas asas da noite que vem alada e suave.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012



lascas metálicas dum sol de lata
esparramadas pel'um céu que duvida ser azul
onde lagarta a tarde vai deixando o casulo dia
pelas aberturas dos horizontes como ventres cortados
a lâminas asas da noite que vem alada e suave.
 
Carlos Sousa
 

Homens Pássaros




a cidade sempre se refundando
das formas que geram e abrigam a algumas estranhas
aves em fios elétricos-calçadas-parapeitos
garimpam entre postes-sapatos-pneus
migalhas-pepitas-farelos e sol nas regiões postais.
investem certeiramente
aberturas adentro embaixo das marquises
buracos com mesas engorduradas de plástico
onde se fartam de casquinhas de pastel-elemento-químico-tóxico
queimado de azeite e fumaça oriental.
olhar ligeiro e atento
em varredura detecta na multidão monstro ofegante
potenciais clientes predadores algozes concorrentes vítimas
rota de fuga e mais alimento.
certa da ausência de observadores arrulham celulares
contratos de licitação para abastecimento ilícito
bocas que moem pedras para argamassa de calçamento do opulento postal
orientando o tráfego
uniformes e civis armados e flexíveis até os dentes.
participação lucro e produto
vão as aves estruturar e obrar na permanente refundação da cidade
posicionando-se em vôos curtos no sistema nervoso central
em sinapses ligeiras de gatilho cerebral

  Carlos Sousa



sábado, 9 de junho de 2012

Na ponta da evolução
apontam revoluções
transmutação sem trégua
visa água esgoto
oxigênio carbônico
ferida exposta na pele
fina do homem biônico
natureza trabalhando
matéria decomposta
e agora é perfumosa flor
o que antes era bosta.

Carlos Souza

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

lascas metálicas dum sol de lata

esparramadas pel'um céu que duvida ser azul

onde lagarta a tarde vai deixando o casulo dia

pelas aberturas dos horizontes como ventres cortados

a lâminas asas da noite que vem alada e suave.




Carlos Sousa
Po&Teias

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Homens Pássaros

a cidade sempre se refundando

das formas que geram e abrigam a algumas estranhas

aves em fios elétricos-calçadas-parapeitos

garimpam entre postes-sapatos-pneus

migalhas-pepitas-farelos e sol nas regiões postais.

investem certeiramente

aberturas adentro embaixo das marquises

buracos com mesas engorduradas de plástico

onde se fartam de casquinhas de pastel-elemento-químico-tóxico

queimado de azeite e fumaça oriental.

olhar ligeiro e atento

em varredura detecta na multidão monstro ofegante

potênciais clientes predadores algozes concorrentes vítimas

rota de fuga e mais alimento.

certa da ausência de observadores arrulham celulares

contratos de licitação para abastecimento ilícito

bocas que moem pedras para argamassa de calçamento do opulento postal

orientando o tráfego

uniformes e civis armados e flexíveis até os dentes.

participação lucro e produto

vão as aves estruturar e obrar na permanente refundação da cidade

posicionando-se em vôos curtos no sistema nervoso central

em sinapses ligeiras de gatilho cerebral


Carlos Sousa
po&teias

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ábaco

Jardins metálicos polinizados
A pólvora por abelhas
Mecânicas e borboletas
Metafóricas
Exalam a fúria
Dos dias em flor.



A cidade pela cinza
e o carbono
se sabe sodoma
somos a soma
séculos inscrustrados
no marco zero
das metrópolis
pólis sem teto
abrigados nas praças
indiferentes à óleo e raças
consomem-se fontes
fontes consomomem
caridades
a cinza e o carbono
o sal da sopa
caixas de leite
sopa e fé
catedrais chamam fiéis
humanos contam nos dedos
orgasmos lucros saldos
extratos benesses divinas
imbecis pacifistas
imbecis bélicos
pela cinza e carbono
nos pulmões e nos ares
contas do ábaco espaço
a trajetória da imbecilidade
digo, civilização.

Carlos Souza

Urbe

Jardins metálicos polinizados
A pólvora por abelhas
Mecânicas e borboletas
Metafóricas
Exalam a fúria
Dos dias em flor.

Carlos Souza

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Fugirei para onde
o mundo não tem fronteira,

onde toda nacionalidade festeira
só enterra brasileira
saindo da casa de câmbio
pagarei boa puta
que parta e suporta
de qualquer tamanho mastro
com ou sem bandeira
e serei passista ou pacifista
porque tudo vira nada
vira ouro
e tudo turista adora
beija quem for
com ou sem nome
tudo se fode,
tudo se come
Sempre barraco alaga
Sempre terra treme
tão sempre firme.

Vou ser pacifista no Rio de Janeiro
"Passifista" de Escola de Samba.

Carlos Sousa.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

no verão
em jarros de Barro
Moldados a raios de tempestade,
moedas de sol esperam colhe-las
nas bases do arco-íris.

Carlos Sousa

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Globalizado

Me veio de Nova Iorque
uma pulseira made in China
apelando para a paz no Oriente Médio
num bar de Curitiba me perguntaram
ao vê-la no meu pulso
-Cê simpatiza cas FARC ?

Carlos Sousa
Ventre na pálpebra
para ver a gente
verá?

Carlos Sousa

A Memória

Como desanimo e desestimulo
o é quando apaga-se
como os silêncios doloridos
em bares crepusculares abrindo
as portas da noite.

Carlos Sousa

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

JukeBox Quebrada

A memória com o desânimo
e desestimulo.O é quando
apaga-se
feito silêncios doloridos
em bares crepúsculares
abrindo as portas para a noite.

Carlos Sousa

terça-feira, 15 de julho de 2008

Era como se fosse

Era como se fosse
E era rimas tentáculares
Ventosas Bueiros borbulham esgotos
urbe ruge orações a deuses mecânicos
Em tempos cravados que Arranham-Céus
E cegam sol com luzes de alerta
Envolta em manto veludo cáustico
E entulho acústico
alastra-se em espaço
Engolindo horizontes
Avançando em vermelhos
Motores fibras e veias óticas.


Carlos Sousa

segunda-feira, 2 de junho de 2008


Após estancadaságuas

Tempestade furiosa
lagoa espelhas olhos contêm e vêem
céus

Dentro e no fundo de si
umidomundo fecunda marés.
Carlos Sousa
Infinita em lavas e ângulos

Quem a todos a tudo abraça

feito fúria sútil

Sutileza visceral, gentil e fatal

como loucura vital

equilibrando mundo em eixo

apoiado e feito de nada

mesma matéria contido

em frente e dentro do espelho.

Carlos Sousa

sexta-feira, 30 de maio de 2008

"pacifistas implantam dedos
a enumerarem os conflitos
em andamento no mundo
o mundo mesmo se conta
com um só dedo
na sala de emergência
eletrochoque prá reanimar
a consciência dos herois
cheque eltronico carregado
pra pagar a conta."
Carlos Sousa