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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

lacrimatório




olha seu moço meu poema começa meloso
como cana fita cana roxa cana preta e amarela
e se embola num lamento lameloso
e se evapora qual poeira de cores na tela

meu poema fagulha entre girândolas e labaredas
e outros demais relampejos
descarrega eletricidade aos despejos
no princípio ativo dos embrulhos das minhas sedas

meu poema desfaz nós e nódulos
e refaz rosas murchas e mudas
em madrigais de madrugada serenata

a lira da lua e todos os módulos
são estas letras negras que a ti desnudas
e termina refrando: ai, essa saudade que ingrata!

Felipe Rey

               

segunda-feira, 5 de outubro de 2015


cada falso poema
cada falso verso
cada falso verso
tem uma compensação
se tiver valor e precisão
além do tempo e do alvo
os subobjetivos ficam
quase revelados
de mãos
de dedos
pernas e corpos beijados



 Felipe Rey Rey 

 ‎POESIARTE

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

meu bom comportamento é ver



meu bom comportamento é ver vulvas como válvulas
sendo engrenagens engatadas a seduzir meus sentidos
sentidos ferventes efervescentes a mover coisas novas
que aparecem pelas noites foras ou dentros de outras feras

de outroras auroras que eu persigo em explicar realmente
despido de realejos e decências na mesa de jantares inóspitos
eu que sou um sabiá ressabiado que sabia sabia dos sábados
agora sou orgulhosa serpente dos sebos sebentos das estórias

que trovadores traficados de sílabas sibilam em mim tais motins
e tranquilamente indiferente eu assimilo em cada invento fomento
ideias e ideais que transpassam limites, labirintos e labirintites

dos ingênuos ingênios desse mundo que não entendem as vogais
primordiais que dão o ponto-de-partida na exatidão do delírio quotidiano
de beber todas as fontes de saberes e sabores onde nos levam ao além-mais


Felipe Rey