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quarta-feira, 29 de maio de 2019

::: às seis :::




escrevo com força.
não quero a tortura dos pensamentos conexos...
a primeira letra teima em ficar maiúscula.
sinto raiva.
não gosto de maiúsculas!
escrever é mais que desabafo.
é o ar.
é vício.
adrenalina exposta e contida.
já estou ficando lógica...
expulso.
expurgo.
quero a catarse,
a exaustão do transe da escrita.
porque a tarde cai como o pano.
- e encerra-se o ato -
a hora dos suicidas,
dos loucos.
a hora dos anjos...
e do novo.
e de novo:
todos os dias a tarde vai......
e luzes de estrelas mortas pontuam o céu.
buzinas e carros,
e pessoas nos carros.
mais rápido.
mais pálido.
cachorro late.
a vidraça separa ruídos.
aranha presa no teto,
tece...
só tece.
quero só tecer no independer do tempo.
pinto o rosto.
máscaras caminham ao longe,
iguais e sempre.
ninguém me vê.
descalço as cores,
fico mais pura.
já é possível sumir no negro.
esfacela o furor...
o que resta é véu.
posso parar.
alma limpa!

paula quinaud

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

LIBERTAS QUAE SERA TAMEM




Ainda que se possa um povo inculto
Traçar primitivismo enquanto tento
Com classicismo insano solto ao vento,
De vez em quando vejo mero vulto,

Um morto que deveras insepulto
Não tem sequer merece algum alento,
E quando me proponho em sofrimento,
Tentando vez por outra ser adulto,

Negando a realidade, não concebo
Além desta aguardente que ora bebo,
Caminho sendo assim decerto tétrico,

Não uso qualquer ritmo demarcado,
O verso deve ser, pois liberado,
Jazendo há muito tempo o que era métrico...

meu querer, ido amor,
um dia pousou-me de lado.
no outro cantou, fez-se ninho...
no terceiro se foi, passarinho.

paula quinaud


domingo, 3 de setembro de 2017

às seis


escrevo com força.
não quero a tortura dos pensamentos conexos...
a primeira letra teima em ficar maiúscula.
sinto raiva.
não gosto de maiúsculas!
escrever é mais que desabafo.
é o ar.
é vício.
adrenalina exposta e contida.
já estou ficando lógica...
expulso.
expurgo.
quero a catarse,
a exaustão do transe da escrita.
porque a tarde cai como o pano.
- e encerra-se o ato -
a hora dos suicidas,
dos loucos.
a hora dos anjos...
e do novo.
e de novo:
todos os dias a tarde vai......
e luzes de estrelas mortas pontuam o céu.
buzinas e carros,
e pessoas nos carros.
mais rápido.
mais pálido.
cachorro late.
a vidraça separa ruídos.
aranha presa no teto,
tece...
só tece.
quero só tecer no independer do tempo.
pinto o rosto.
máscaras caminham ao longe,
iguais e sempre.
ninguém me vê.
descalço as cores,
fico mais pura.
já é possível sumir no negro.
esfacela o furor...
o que resta é véu.
posso parar.
alma limpa!

paula quinaud

tango


no escuro, só, num canto,
adentras meu cenário.
em vista, a aventura.
que importa o meu desejo,
me tomas pa’bailar.

começa a contra dança,
de início a contra tempo.
alinha-se o par.
afina-se improviso.
nos olhos o impreciso.
e o tempo a girar.

seguimos com passado.
de noite ao mar só rosas.
de dia amar só prosas.
e a mão presa na coxa.
enlaçam-se as notas,
relevam-se as penas.
há fogo em cada volta.
ninguém quer apagar.

e segue a meio dia,
tão velha melodia,
e quem para escutar?
avanço, tu recuas.
eu cresço e continuas,
a me tremer as pernas.
a me roubar o ar...

distraio e rodopio.
e muda o andamento,
desanda a evolução.
um ocho e de repente,
estou a sufocar.
reflito e troco o passo,
me levas pelo braço.
só ris.

diriges meu caminho.
tu dizes que conduz.
adestras movimento.
enquadras pensamento.
condenas a impostura.
controlas o equilíbrio.
com, junto, orquestrado.
percurso ensaiado.
transferes todo o peso,
eu fico rente ao chão.

atacas em falsete,
já quer variação.

aperta o compasso,
acirra a marcação:
andante,
imoderado.
por gênio,
atravessado.
não mais entrelaçado.
de duro a sincopado,
em ritmo binário.
requer compensação.
num tom tão agressivo,
me jogas para o alto.
eu caio assim tão fácil...

eis que então diz perto.
e a dama aqui já pensa.
a cena ali tão densa.
que já se fez duelo.
e tácito não mais.
sequencia interrompida.
mais crua que falida,
apruma-se o final.

e de tronco virado,
deslocas para a frente,
diz, louca, para o lado.
eu rodo em sua mão.
ocupas meu espaço,
teu corpo em novo eixo.
meu dorso encontra baixo,
eu saio a contra posto.
não somos mais um par.
só um.

acende-se a luz.
ninguém a aplaudir.

paula quinaud

www.dquina.blogspot.com/