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sábado, 16 de abril de 2016

OS POETAS ANTONIO THADEU WOJCIECHOWSKI, MARCOS PRADO E SERGIO VIRALOBOS, ENTRAM FINALMENTE NO ÚLTIMO CICLO DO INFERNO. COMPOSTO DE 4 GIROS: CAÍNA, DOS TRAIDORES DE FAMILIARES; ANTENORA, DOS TRAIDORES DA PÁTRIA; TOLOMÉIA, DOS TRAIDORES DE AMIGOS; E JUDECA, DOS TRAIDORES DE SEUS BENFEITORES.

(...)
“Isto é Caína- presídio dos detentos de maiores sentenças,
os traidores do próprio sangue –em louvor a quem lhe deu o nome.”
Passamos a outro Giro caminhando sobre as águas espessas .
“Estes, aos inimigos de seu país, disseram: Invadam! Tomem!”
Prosseguíamos lentamente quando nos deparamos com uma cena dantesca:
uma cabeça mordendo outra cabeça com ganas de quem morreu de fome.
-Meu Deus! O que é isso? Acaso vejo a própria besta?
VOCÊ SUPORTA ME VER REPASSAR A DOR QUE ME LEVOU À LOUCURA?
Indagou, limpando a boca na cabeleira do crânio de miolos à fresca.
SOU CONDE UGOLINO, QUEM DEVORO E NÃO VALE MAIS QUE UM CURA,
ATIROU A MIM E MEUS FILHOS SEM PÃO NEM ÁGUA NA MASMORRA.
NÃO CHOREI, PETRIFICADO: ELES SIM, NA CELA ESCURA.
“EM SEUS OLHOS, PAI, NÃO VEJO QUEM NOS SOCORRA”.
BALBUCIOU O CAÇULA. NADA RESPONDI POR UM DIA E UMA NOITE INTEIRA.
O DESESPERO , MAIS QUE A FOME, DEIXAVA-NOS À FEIÇÃO DE BORRA.
“PAI, COMA A NOSSA CARNE PARA QUE RETORNEMOS À FONTE PRIMEIRA.
SEGUREI AS LÁGRIMAS COM O SILENCIO QUE INVADIU NOSSO CATRE,
EU ERA UMA AMPULHETA SENTINDO A VIDA DE MEUS FILHOS ESCAPANDO COMO AREIA
PEDI A MORTE, MAS ELA NÃO QUIS QUE FOSSE ANTES O MEU ABATE.
AO QUARTO DIA O PRIMOGÊNITO MORREU, PEDINDO:
“NÃO DEIXE NOSSAS VIDAS À MERCÊ DESSE ARREMATE!”
VI TAL VOCÊ ME VÊ AGORA, MEUS QUATRO FILHOS, DO QUINTO
AO SEXTO DIA, UM A UM IREM TOMBANDO
SOFRI MUITO ATÉ FICAR CEGO.CHAMAVA POR ELES, NADA OUVINDO.
POR FIM, MEU CORPO AO JEJUM CEDEU O MANDO.
Ugolino , fechou a conversa, arreganhou a dentuça
E cravou-a na nuca do algoz, estraçalhando.
(...)
Dante Alighieri em livre-adaptação de Antonio Thadeu Wojciechowski, Marcos Prado e Sergio Viralobos.

...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

begônias silvestre


o sumiço da sua silhueta amiga
fez meu perfil baixar a cabeça
as cores da tarde, cinzas cinzas
as luzes da noite, negras negras
desaparecer não é pra qualquer um
só você, misto de mistério e dúvida
pode estar em lugar nenhum
e ainda me tocar, por música
Marcos Prado

(1961-1996)

sábado, 13 de abril de 2013

a mentira é a melhor é a melhor amiga das artes
nela, gelatinosa, as glosas seculares
minúcias de paisagens inexistentes
um coração onde cabe um milhão diferentes


dondoca de agora, amanhã de coturno
segue sempre os passos de um antigo perjuro
a arte imita a arte que imita tudo
e é profunda, é verdade, bem no fundo


mas somos piores que os pintores de florença
ridículos comparados aos poetas de provença
michelângelo cagaria em cima de nossas estátuas
bethoven se limparia com as nossas pautas


que é a nossa dança diante de um delírio índio?
que é um soco nosso perto de um clay vindo?
por que, se finda é a arte, continuar mentindo?
repetir o que se repetiu de novo se repetindo?


Marcos Prado de Oliveira (Curitiba, 15 de Dezembro de 1961 – 31 de Dezembro de 1996) foi um poeta, músico, ator, jornalista e agitador cultural brasileiro.

sábado, 6 de agosto de 2011

Por teres ido tão longe
embora sem ter fugido
parece não teres ido

e longe é como ontem

como estás fora da vista
a minha imagem de ti
que já está fora de si

Segue a tua pista.

Marcos Prado

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

por teres ido tão longe
embora sem ter fugido
parece não teres ido

e hoje é como se ontem

como estás fora da vista
a minha imagem de ti
que já está fora de si

segue a tua pista.

Marcos Prado