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domingo, 6 de novembro de 2016

verbo morto
depois desse café
quantos virão
depois de mim
imortalizar a faca
e o queijo
a mão trêmula pelo
tempo esgarçado
a vulva ainda ardendo
em músculos e orações
quantos virão escarnar
o imagético gole
o hipotético escarro
depois desse café
uns centímetros a mais
da boca anunciarão
verbo ou carne
tanto faz o que já está
pretérito

by Luciane Lopes

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

e num movimento ambíguo
meu coração se ajoelha
é como se fosse um equívoco
um voto de castidade
ao contrário
uma égua que corre e solapa
enquanto nossos dentes
se estranham
minha anca cicatriza no solo

 Luciane Lopes

sábado, 4 de abril de 2015

eu senti fome
de mundo
mas já era tarde
...
eu senti então
náusea do mundo
como se fosse sábado
e eu estivesse atrasada
pra me embriagar
e chorar e trepar com
o primeiro homem que
me olhasse com a mesma
raiva do mundo


Luciane Lopes