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quinta-feira, 28 de maio de 2015

O Ocaso da Alma

 "Água" será lançado este sábado.
O ocaso da alma
O vazio que me amanhece
tarda,
arde
tarde.
Tu, Sol, te atrasas em horas
quando intenta levar-te a luz.
Caro amigo, o buraco em meu ser
já há muito fez-se aparecer!
Em ti tudo se renova
As dores de ontem se enuveam em auroras
Os pássaros da manhã
trazem consigo um sopro de vida tratado
O cheiro do café e o beijo da amada
renegam as trevas,
fazem em olvidada a elegia de outrora.
Mas meu ocaso é outro
Infindável
irrenovável
imutável
A noite segue a noite –
monotonia monocromática.
O meu fim não é efêmero,
a eternidade o carreia – e já começou!

do Gustavo Andreoli. Do livro "Água". Fonte : revista Babel

O Eu líquido


Nas ruas ando eu e o mundo
Ando só.
Olhos baixos, atentos
à tecnologia comprada,
prazer barato.
O sorriso, outrora vindo de dentro,
agora é exibicionista
fetichistas.
Sete fotos por dia
(uma para cada pecado) –
tua masturbação me enoja.
O fluxo frenético de dados
nos deixa à deriva, livres e perdidos.
Não escapo.
O sabor não mais me apraz
O sol e a a chuva dados a nós
me deixa com cara de merda.
O vento já não traz mais
a facilidade de viver.
Chegar agora de mãos vazias
e me leva a calma embora.
Dão-me um carvão em brasa
mas não sei se seguro
apago-o
solto-o
ou o engulo.

de Gustavo Andreoli

Do Livro "Água". Fonte : Revista Babel