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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Descompassando Passos



(Sonia Cancine)

Eu queria uma ode qualquer
que viesse avivar letras adágio
- buquê incubo
mesmo que mal escrito -

Do pescoço nu, uma gota solta
[suficiente] para embebedar-te
e me transbordar.

E surgiu do nada?

Talvez sim talvez não.

Diz-me que vem
me descompassar
a beira do mar.

Num vaivém
desmancha-me
e me leva e traz
gingando-me
como flor ao vento.

Ricocheteando
meu Ser
fingindo ser
o canto que encarna
fluxo e refluxo das marés
de quem festeja o Sol
festeja a Lua
e me olha na rua

ao me tocar e ao deixar-me assim
entre os retrós de linhas torcidas
alinhavadas na luta desatinada.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Candelabro…


(Sonia Cancine)
.
Ouço...

Em dias que escorrem pugna
“una música brutal”
ante (dor insuportável) de ansiar morrer
nas caixinhas delicadas uma duvida:
Homessa...

Ouço músicas e aproveito dádivas do Sol
na vivenda ilhéu, meu “beat” estrangeiro
de devaneios aspirantes camembert.

Outrora, aqui estrangeira
já vi o que inda não vivi
e senti o que jamais verei
de biografia por vezes euforia
difícil é viver e mais ainda saber.

Que nem candelabro de ouro puro
careço de luz e pétalas de flores
de hastes e de botões
na sombra a descansar...

Numa haste quero um botão e uma flor
obra batida que se fará lâmpadas

Conforme o que me foi apontado no Monte.

Assim, quando me olho sem velas aquecendo este ínfimo...

Sinto medo das verdades, das intuições e do escuro.