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domingo, 20 de agosto de 2017

SOU FELIZ


Sou feliz;
escrevo do jeito
que quero
e penso
o que bem entender.
(Não penso
o que quero:
que o pensamento
nos leve
para o incerto;
do contrário,
não é livre,
não é pensamento.)
Sou feliz
porque sou livre;
sou feliz
porque escrevo
do jeito que quero,
do jeito
que bem entender.
Sou feliz
porque o que escrevo
serve
para as pessoas,
as pessoas,
a quem quero servir.
(Um serviço
que não dá dinheiro,
mas um serviço
que não dá trabalho.)
Sou feliz
porque sou livre
para escrever
o que bem entender;
sou feliz
porque escrevo
do jeito que quero
e o jeito que quero
é do jeito
que as pessoas
querem me ver
a escrever.

Paulo Vallim 17.08.2017

OS DOIS TIPOS DE CU


Há dois tipos
de cu.
Os generalistas
expelem,
é verdade,
urina,
mas também
ovos.
(E não só:
além dos ovos
comuns,
úteis
para a alimentação
ou à reprodução,
expelem
esses cus
ovos de ouro,
e às vezes até
ovos
de colombo.)
Dos cus
especializados,
coisa diferente
não sai.

Paulo Vallim - 20.08.2017

OS VERBOS IRREGULARES


Em qualquer língua, creio,
o uso intenso
e constante
fez com que os verbos
mais conjugados
se tornassem
irregulares,
como o verbo ser.
Os verbos
mais conjugados.
Talvez por essa razão
em qualquer língua, creio,
o verbo amar
permaneça regular.
Paulo Vallim - 20.08.2017


sábado, 17 de junho de 2017

QUANDO EU NÃO VEJO A HORA


Quando eu não vejo a hora
e olho para o relógio,
o relógio só me diz:
calma, não tenha pressa;
tudo tem seu tempo.
Quando não vejo
a hora passar
e olho para o relógio,
o relógio só me diz:
apressa-se, você
perde muito tempo.
É o relógio
quem manda,
é o relógio
quem disciplina.
Mas o que o relógio
não sabe,
é que o relógio obedece
a um compasso
ditado pelo
Exército Mundial de Relógios.
(apenas as horas diferem,
mas os preciosos minutos
e segundos
são os mesmos;
os preciosos minutos
e segundos
é que contam)
Esse gigantesco exército
marcha na mesma passada,
mas esses relógios todos
não sabem
que diferem entre si:
uns são
mais antigos, pendulares,
e outros,
mais modernos:
a quartzo, bateria solar,
atômicos, digitais.
Esse gigantesco exército
é composto de relógios
que não sabem cada qual
o tempo
que vão durar:
a cada segundo,
há baixas e adesões
às suas fileiras.
Os relógios olham
para quem os olha
com um olhar
invariavelmente
severo;
o que os relógios
não conseguem olhar
é para a hora
que eles próprios indicam.
Os relógios,
sem espelhos, não conseguem
olhar para si mesmos;
os relógios olham apenas
para fora
e não conseguem
olhar
para seu dentro.
O que os relógios
não conseguem ver
é a própria hora.

Paulo Vallim - 17.06.2017

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A ALEGRIA DO POEMA


Nada como postar
um poema novo
na Internet.
(uma olhada básica
para ver
a repercussão)
Deixe um pouco
esse computador;
que o poema faça
a sua parte.
Paulo Vallim - 05/02/2017 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

PROCURO UMA NARRATIVA


Procuro
uma narrativa
que não seja
uma narrativa
da carochinha.
Para narrativa
da carochinha,
basta
uma verdadeira
narrativa
da carochinha.

Paulo Vallim - 01/01/2017

sábado, 3 de outubro de 2015