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sábado, 9 de maio de 2020

LARGUEAR



Quero alcançar-me, como quero
por minhas garras nas estrelas,
tê-las como amigas.
Desejo estar no mais profundo
do meu mundo e dos universos
que não vejo.
.
Almejo sonhar todos os sonhos,
levantar toda poeira,
banhar-me nas luas.
.
Então, depois de tudo...
virá o máximo.
Sem amarras, sem marcar o passo,
Sem limites ou fronteiras.
Fim de todas as barreiras
impostas pela realidade.
...............................
JULENI ANDRADE

http://juleniandradepoemas.blogspot.com/

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

QUANDO RETORNAR




Quando você voltar
do inferno,
será numa manhã
de domingo,
teremos as nuvens
acariciando
as copas da árvores
do quintal

Não perguntarei sobre a poeira
que trará nas solas dos sapatos.

Não falarei da falta que senti
de abraçar seu corpo esperado.

Teremos o céu
para alimentar
o resto de tudo
que estará
apertado
e guardado
no peito.

Quero, apenas, um sorriso...

Ouvir você cantar suavemente
e compartilhar outras histórias.

JULENI ANDRADE


sexta-feira, 27 de setembro de 2019

GENTE DE VERDADE



..............
Desde menina, mulher...
boneca, casinha, panelinha.
Recebeu a sina de rainha do lar...
da casa, da cria, da lida.
.
Desde os primórdios
da humana idade...
querem a mulher
de asas podadas,
de pés amarrados,
de boca fechada.
.
Poetas puseram-na
num altar...
irreal, inalcançável.
.
Mas,
a mulher
só pretende viver
em paridade...
Poder exercer
o direito de ser
gente de verdade.
.
JULENI ANDRADE


VÊ SE COMPREENDE



Tento ser meu próprio sol .
Pretendo iluminar-me...
-
Tenho mil planetas
girando
ao redor
da luz
-
que desprende da minha paciência.
-
Também,
dou voltas em volta
das voltas e das idas.
São tantas vidas
atrás do futuro.
-
Não quero o escuro!
Aturo o piscar de olhos
do meteorito atormentado
que passa sempre ao meu lado.
-
Tento ser meu,
somente.
-
Entende?
----------------
(JULENI ANDRADE)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Braços a frente e às costas,
imagens humanas, fazem-se divergência temporal.
Uma temporalidade, que inibe, restringe, absorve-se mal...
O tempo já não limita apenas horas e lugares.
Ele já penetra em nossas entranhas,
feito um velho conhecido, que sequer bate à porta.
Eis que nossa mente assusta-se, pois que não comporta,
o imenso ir e vir e o prosseguir que viaja além,
do que nosso corpo/casulo suporta...

A gente se medra, se esquiva.
A gente se degreda,
não tendo perspectiva...

Eu te peço perdão, meu companheiro,
Pelas tristes palavras que te digo.
Amigos sempre fomos; tempo inteiro.
Desde guris, revoltos sem castigo.

Vivendo sem temer, sem paradeiro.
Eu não tinha segredo algum contigo,
Juntos nós encarávamos vespeiro,
Não conhecemos medo, e nem perigo...

Mas, agora desculpe esse covarde,
Que não teve coragem de negar,
Pois bem sabes, se o peito mais nos arde,

É coisa bem difícil controlar,
E antes que tudo cegue e seja tarde,
Vou, tua amada prenda, namorar...

Juleni Andrade

CONTO DO LABIRINTO




Ícaro voava pelos escombros guardados no guardanapo sujo, ali mesmo na mesa redonda. Os cavaleiros sentiam uma estranha alegria, escutando outra vez o céu. Além da muralha havia a floresta de momentos, lá habitava a loucura.

De repente, o lago abriu-se e botou para fora o vazio. Vieram árvores, deuses, reis, rainhas, luas novas.

Mulheres encerraram o canto. Homens destilaram nódoas. O poder esmagou a espada e Ícaro pousou na toalha branca para absorver respostas.

JULENI ANDRADE

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Hoje em dia




por hora
basta-me o inflamável
ou o condenável

a mansidão
é máscara
encobre
as ranhuras

penduro o olhar
na fotografia

escoro sorrisos
em pedras

rego-me
com as águas
que passam
por baixo da velha ponte

por hora
basta-me o inenarrável
ou o contestável


 Juleni Andrade 


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

SONHO SUBURBANO



A língua se mexe toda, pelos becos...
pelas ruas e nos morros, a língua vive... sobrevida!
Nas garras da trama, existe uma mágoa...
mas a esperança insiste em não morrer.

Culturas, uma em cima e outra embaixo...
cores se misturam ao balanço do pano de fundo.
Cada mundo tem seu submundo, tem martelo
e papéis... as pipas voam, as grades ecoam.

Educação, cortina de fumaça. Na praça tem muito joio.
Em comboio, caveiras e ferro em brasa. Suor, sal, salário
mínimo. No máximo, Redentor assiste as quebradas.
Garganta e nó, extravasar é lei. Arte, sim.

Sonhar não custa o quanto custa engolir
os sapos. E o sonho suburbano ganhou a elite...
que elite? Aquela que balança ao som da batida
atrevida... e grita a indignação dos becos, ruas e morros.


(Juleni Andrade)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Da amizade com o contraditório


não precisei imaginar o seu rosto
sob o sol
sobre a pétala perdida
da rosa jogada ao vento
mas no momento quase incerto
tive a impressão
de ver seu manto
sua voz chegou
bem antes da necessidade
de ouvi-la
aos poucos compreendi
o ânimo que absorve
a mente líquida
que por hora tem
rapidamente entendi
o senso da sua vida
e a astúcia
desperdiçada
na vala comum
da sinfonia
dos atolados
e mesmo assim
sabendo-lhe
posso dizer
gosto de você
e muitas vezes aguardo
por sua lira
e seu cantar
e sua intriga
e seu voejar
é um amor poético


Juleni Andrade

domingo, 22 de junho de 2014

Até o capim tem sentimentos

Até o capim tem sentimentos
Sinto. Os carrapatos sentem.
E como sente o cão danado!
É. O sentimento há até nos
vermes que farão da minha
carne o suco, o pó, o quase nada.
E daí que em cada aurora
pode acontece alvoradas,
as amenidades retomadas
ao gosto ou desgosto ou cio
ou qualquer tipo de esperneio.
A novidade para seu senso
que nem é tão bom ou ruim,
apenas assim tão comum...
é constatar que sentimento
não é algo exclusivo da sua
espécie maravilhosa, as feias
lombrigas do corpo mais viu
têm o sentir por natureza;
é reconhecer nas rasteiras
gramas sob as bostas dos
bois, cavalos, garças, porcos...
sentem, sente, sentem;
é compreender o simples
e interessante da vida...
sentimento não significa
a emoção perante o fato.
Ao olhar o seu olhar arregaçado
vejo o seu embrulhar da mente,
ao sentir o frio da hora...
não esboçando emoção
pela dor daqueles que ignora.

Juleni Andrade

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Libação


No meio das circunstâncias do aperto, água derramada
pelas vias faz o curso rumo à montanha que não saiu do lugar.
O amanhã não pertence aos distraídos! A boa nova chega...
em forma de boleto. Talvez um dia sejamos náufragos na secura.

Lavrada a terra é berço do vinho que derramamos
em louvor ao dia de ações das bolsas...
louças, cristais, metais e o couro do próximo.
Provavelmente sejamos navegantes do mar de lágrimas.

Dia a dia, por todo o sempre ou por enquanto...
sangue rola, sangue ferve, sangue vai e nas veias entupidas
do cáustico infortúnio de viver no bambo fio da navalha.

E, como é de costume: elevamos o olhar e levantamos as mãos
para agradecer a dádiva de poder desfrutar de toda a glória
do divino onipresente, onipotente, onisciente... dinheiro.


Juleni Andrade

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O quarto



Tábuas corridas acolhem pés desassossegados. O embalo de um tempo escorrido no azul caiado,contextura de um dividido entre os seus e o ser. Amparados, água, ar e absurdos e angústias saltam dos olhos pendurados na parede. A luz é representada citricamente, o espelho está sempre presente... um juiz cruel demais. Assentos esperando a calma que não chega. E a cama é pequeno detalhe, nau para navegar pela memória.

juleni Andrade

domingo, 19 de maio de 2013

Achegue




embaracei nas raízes
posto
à frente
da árvore de todos os problemas
no dilema da vida
cumprida à marteladas

foi só um susto
foi só um susto

pois sou feito de lâminas
e corto
e corto

você pode ver
nestes meus olhos
que não sou fácil
de adoçar

eu posso entender
mais de fracassos
do que de fiapos
de entristecer

então venha
bota suas mãos
nos meus espelhos
seremos mais fortes
que os cortes alheios

Juleni Andrade

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

SOLITÁRIA

À linha,
fia o dia.
Quando finda a linha,
foi-se o dia.
Vem, em desalinho,
a noite fria.
Acende o fogo
do cio...
Sozinha chia.
Espera mais linha
pra fiar outro dia.

JULENI ANDRADE
http://www.juleniandrade.blogspot.com

DAS MULETAS

Por um momento,
espalha-se a sídrome da manjedoura...
São lágrimas e sorrisos comovidos
em sintonia com as canções mais ternas.
.
Pra colorir o início de uma nova estação
e, pra acalmar toda comoção...
ao ouro, ao incenso e à mirra,
fazem alusão.
.
A mesa fica farta com iguarias típicas
e, o amor é trocado por presentes do mercado.
A manjedoura é lembrada em algumas
cenas de cera, plástico ou de outra qualquer coisa.
.
Logo, o foguetório chega
trazendo nos braços uma nova aurora...
É ano novo, que beleza!
Renovação de alguma coisa!
.
Atravessa-se um mês inteiro
pra cair na realidade...
mudou um ano por outro
e, a vida segue.
.
Chega o tempo de alimentar-se
com novas fantasias...
Vem as alegorias e enredos
ao som de baterias e folguedos.
.
O aniversariante de dezembro
é lembrado em outro festejo,
onde remememoram sua saga
de morrer e renascer inteiro.
.
Nesse vai e vem, de comovidas festas,
o ano passa corrido...
Da manjedora à cruz
tudo pra festa é motivo.
.
De repente, vejo que as verdades
tomam dimensões diferentes...
Tanta fé derramada,
nada de resolver problemas pendentes.
.
Vivem-se amparados em muletas...
os pobres almas, das crenças cativas.
Não querem as rédeas da vida...
preenchem lacunas com datas comemorativas.

JULENI ANDRADE
http://bandasdegaragem.uol.com.br/hotsite/?id_banda=30359