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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A DIVISÃO DE CRISTO



Dividamos o mundo em duas partes iguais:
uma para portugueses, outra para espanhóis.
Vêm quinhentos mil escravos no bojo das naus:
a metade morreu na viagem do oceano.
Dividamos o mundo entre as pátrias.
Vêm quinhentos mil escravos no bojo das guerras:
a metade morreu nos campos de batalha.
Dividamos o mundo entre as máquinas:
Vêm quinhentos mil escravos no bojo das fábricas,
a metade morreu na escuridão, sem ar.
Não dividamos o mundo.
Dividamos Cristo:
todos ressuscitarão iguais.

(poema de Jorge de Lima, (1893/1953), do livro Tempo e Eternidade (1935) feito em parceria com Murilo Mendes sob o lema Restauremos a Poesia em Cristo.


Fonte : Rubens Jardim

sábado, 23 de abril de 2016

Essa pavana é para uma defunta
infanta, bem-amada, ungida e santa,
e que foi encerrada num profundo
sepulcro recoberto pelos ramos
de salgueiros silvestres para nunca
ser retirada desse leito estranho
em que repousa ouvindo essa pavana
recomeçada sempre sem descanso,
sem consolo, através dos desenganos,
dos reveses e obstáculos da vida,
das ventanias que se insurgem contra
a chama inapagada, a eterna chama
que anima esta defunta infanta ungida
e bem-amada e para sempre santa.

(Jorge de Lima .do Livro de Sonetos.Alagoas. )

HOMENAGEM AO POETA JORGE DE LIMA(nascido em 23 de abril de 1893 e morto em 15 de novembro de 1953)