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domingo, 21 de junho de 2015

poemas à revelia

um verso que fosse o universo
e ao mesmo tempo nada
porque caminham juntos
de mãos dadas
perdidos quais andarilhos
de um trilho sem fim
fosse a autora feita de abismos
e não haveria dia
a noite trajada de negro
devoraria a multidão insone
que caminhão e não lhe sabe para onde
mas como pressentir a queda
e se livrar desse poço sem fundo
chamando mundo


 Rafael Walter, edição do autor, 2014

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Partidário da Barbárie




ou poema a ser esquecido pela crítica literária brasileira;
ou o porque da perseguição de minha pessoa em âmbito da Biblioteca Pública do Paraná, onde me criei leitor.

p/ todos aqueles que ousam duvidar da veracidade dos fatos,
p/ meus amigos poetas que não se calam.

“Curitiba, sua puta,
Toda aberta para o que vem de fora
quem irá denfendê-la agora?”
Canto Equânime, Adriano Smannioto


vamos papel em branco
contra uma cidade obscura
e cheia de perversidades vitalícias
de putas na esquina
e traficantes de drogas e muambas
vindas do paraguay, da bolívia e da china

cidade filhadaputa
que beija e lambe os pés de são paulo.
fadada a ser, eterna pequena província,
de Dalton e dos arquétipos
da repetição de sempre
que faz o mestre

vamos bater palminhas
mais uma vez em praça pública
para o que vem de fora
e esquecer a arqueologia
de tua poesia
tão desimportante para os teus
e para o resto

vamos nos fingir de burros
bem criados e encilhados,
e não olhar para os lados
esquecer os painéis de Poty despredados
pelos sem memória

que pensam que há algo novo
em pleno século XXI
se não a repetição cíclica
do caos que cria
e ninguém acredita

vamos ler o rascunho
que nunca foi passado a limpo,
mas que carrega os “grandes e bons”
da merda da indústria
do já podre mercado editorial brasileiro,
e não podemos esquecer
das páginas de necrofilia da arte

vamos acreditar no sr. Pereira
que propôs em seu primeiro ato
acabar com o arquivo geral
duvidando da pane,
com a fé cega na virtualidade do sistema,
que pode ir a merda
a qualquer hora

vamos premiar José Roberto Torero
na categoria de Contos
do Prêmio Paraná de Literatura 2012
o mesmo que ministrou oficina de crônicas
na Biblioteca Pública do Paraná em 2012
pobre contista copista da bíblia,
que nunca leu Bhagavad-Gita,
nem o livro Tao
quem dirá Confúcio

cidade pobre porca
que busca merda de fora
pois não digere o próprio alimento
regurgita a tua poesia
de aqui e agora
para bater palminhas mais uma vez
para o que vem de fora

e estender o tapete vermelho
para qualquer asno que venha
de mais de 400 km
para engendrar suas bostas
nas páginas do cândido
tão sujo e podre
que fede a estrume de longe

vergonha de jornal, que não serve
nem para limpar o anús
com sua grossa gramatura
em papel branco
para gastar mais dinheiro dos cofres públicos

vamos dar um diploma de trouxa
ao Pereirinha, pequeno grande mafioso
da nossa amada cidade
chamada Curitiba
que se reduz, ao seu cheiro de cu
como a cara das pessoas que te habitam
e saem as ruas pensando
com um jornal rascunho e cândido
embaixo do sovaco soado
que o mundo é bom em plena segunda-feira
e que vivem na melhor cidade do país

o destino de Curitiba,
é digerir seu próprio alimento
ou morrer intoxicada

Rafael Walter

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

base de dados


 Rafael Walter

te querem fazer um número
te querem fazer mais um
te querem redondo sem arestas
te querem foder como todos

primeiro te pedem uma moeda
depois um cigarro
e por último te levam a vida

te querem igual,
num mundo tão diferente

e não duvide,
pois a sorte pode não estar ao teu lado,
aí te fazem menos um.

como sempre,
o mundo segue com seus gráficos e estatísticas,

te enfiam a faca pelas costas
como se essa fosse
a natureza da vida
no jogo sanguinolento
da sobrevivência
te querem fazer mais um
que não pense
e faça tudo por impulso
como se a tensão
não estivesse sempre presente
e não se pudesse caminhar
na corda bamba, sem mostrar os dentes.

tudo que resta é tomar cicuta
num mundo
tão filha da puta.

sábado, 14 de abril de 2012

Noticiário de sempre

I



Que corta e serra,

e jorra o sangue

que não se estanca

e espanta

No noticiário de logo cedo

três tiros de arremedo

perfuram as vísceras do sujeito

Imerso em meio

a linha de combate




II



a cidade se espreguiça, e boceja seu dia

a água ferve para mais um café

o que bonde trafega sem direção...

o jornal é arremessado aos quintais

frescas as notícias de ontem




III



e se dissesse que tudo já foi dito e o resto é infinito e caos

e o nada já é matéria, o momento, o instante fugaz, agora para trás

e o mito já não é mais a caverna, mas a rua, o sangue escorrido

a morte morrida e estampada na primeira página,

a escorrer as vísceras já dilaceradas

e a vida consumida por um disparo

na arquitetura de pólvora e bala

e não há distinção de nada todos são todos, e cada é um,

o que havia era silêncios multiplicados a abismos e retissências

isso que corrói a alma, e a deixa cercada de espinhos numa paisagem perdida

e penso ainda que há algo de belo no trágico




Rafael Walter