– queres enquadrar-me?
se queres enquadrar-me
ao meu tempo de hoje
o agora, saiba então,
sofro de inquieta gula de vida
tenho vírus de irreverência adquirida
do tempo interior tenho dose letal
não tente aprisionar-me em seus fantasmas
em suas análises de janelas estreitas
eu existo além do tato
eu tenho nome, caminheiro, rebeldia
minha cidadania é a inspiração da poesia
sou mágica metamorfose de um dia
a essência do que ainda não foi criado
não tente enquadrar-me
me chame de vida, luminoso e perdido
ponto de energia
na reta oposta da circunferência
sou ângulo aberto convexo hipotenuso
circunferência com linhas retas e pontos picados
côncavo e convexo,
encaixe sem proporções exatas
o verso que virou reverso
meu nome é tempestade,
o vento cristalino nos olhos da brisa
a calmaria que navega o barco
a utopia de galeano
a dialética de marx
o desejo do faminto
o comunhão dos desunidos
reta, retina, choro, resina, sina, rima
registram no cartório,
a soma de tudo isso,
helder molina
algum menino travesso, filho das colinas.
Helder Molina
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terça-feira, 9 de março de 2010
É noite na cidade
noite
a cidade adormeceu
a pesada mão do silêncio amordaçou as casas, e as almas
a noite extrema, o silencio reina
o vento varre os vestígios da presença humana
pelos becos, vielas, na boca dos nauseabundos
a noite vai, vadia, cambaleante, ziguezagueante
no céu a lua sorri, matreira,
conhece os segredos da noite
os segredos dos notívagos,
a confissão dos embriagados
as vontades incógnitas
alguns vigiam a madrugada, desafiam,
parceiros da boemia, cantadores de poesias,
percorrendo a escuridão,
cantando o amor e a solidão
deixam seu rastros de cantos e encantos
parceiros da noite
passarela dos líricos
devaneios dos apaixonados
alamedas dos boêmios
noites de conhaques, vinhos, cachaças
licores, amores, odores,
onde desfilam os profetas delirantes,
noite extrema, o silencio reina
o vento do amanhecer traz a algazarra,
a noite vadia se esvai
dia extremo.
Helder Molina
a cidade adormeceu
a pesada mão do silêncio amordaçou as casas, e as almas
a noite extrema, o silencio reina
o vento varre os vestígios da presença humana
pelos becos, vielas, na boca dos nauseabundos
a noite vai, vadia, cambaleante, ziguezagueante
no céu a lua sorri, matreira,
conhece os segredos da noite
os segredos dos notívagos,
a confissão dos embriagados
as vontades incógnitas
alguns vigiam a madrugada, desafiam,
parceiros da boemia, cantadores de poesias,
percorrendo a escuridão,
cantando o amor e a solidão
deixam seu rastros de cantos e encantos
parceiros da noite
passarela dos líricos
devaneios dos apaixonados
alamedas dos boêmios
noites de conhaques, vinhos, cachaças
licores, amores, odores,
onde desfilam os profetas delirantes,
noite extrema, o silencio reina
o vento do amanhecer traz a algazarra,
a noite vadia se esvai
dia extremo.
Helder Molina
A peste sem cor
a história das sociedades documenta
pestes diversas
dizimaram populações
enfraqueceram nações,
esvaziaram comunidades,
cidades, corações.
peste cinzenta,
com tanta virulência e intensidade
projetaram sombras
no imaginário coletivo da humanidade
no cenário de hoje
uma outra peste se avizinha
a peste sem cor,
travestida de indiferença
intolerância
neutraliza sentimentos
dilui saberes
afeta prazeres
peste sem cor
nos aprisiona nos espaços privados
nos induz ao individualismo
ao imediatismo
nos torna escravos da competição
deixa seqüelas, apagam memórias
nos torna alienados, conformados,
acomodados
Helder Molina
pestes diversas
dizimaram populações
enfraqueceram nações,
esvaziaram comunidades,
cidades, corações.
peste cinzenta,
com tanta virulência e intensidade
projetaram sombras
no imaginário coletivo da humanidade
no cenário de hoje
uma outra peste se avizinha
a peste sem cor,
travestida de indiferença
intolerância
neutraliza sentimentos
dilui saberes
afeta prazeres
peste sem cor
nos aprisiona nos espaços privados
nos induz ao individualismo
ao imediatismo
nos torna escravos da competição
deixa seqüelas, apagam memórias
nos torna alienados, conformados,
acomodados
Helder Molina
A peste sem cor . ii
provoca redução da oxigenação dos tecidos
nos rouba as energias, dificultando as trocas
assassina a solidariedade
anestesia os sentidos e as emoções
reprime os desejos, esvazia a solidariedade
peste sem cor, ou peste cinzenta
nos torna apolíticos,
ideologicamente neutros
cidadãos do não lugar
a peste cinzenta já invadiu nosso lugar
detectamos seus vírus nas relações pessoais
procura-se um antídoto
peste sem cor ou cinzenta?
peste burguesa, capitalista, egoísta.
Helder Molina
nos rouba as energias, dificultando as trocas
assassina a solidariedade
anestesia os sentidos e as emoções
reprime os desejos, esvazia a solidariedade
peste sem cor, ou peste cinzenta
nos torna apolíticos,
ideologicamente neutros
cidadãos do não lugar
a peste cinzenta já invadiu nosso lugar
detectamos seus vírus nas relações pessoais
procura-se um antídoto
peste sem cor ou cinzenta?
peste burguesa, capitalista, egoísta.
Helder Molina
Rio, museu aberto de história
rio, museu aberto de história
cidade monumento à memória
ponto de encontro: antigo chafariz,
ao lado do paço imperial,
local onde as lavadeiras se encontravam para lavar,
conversar, cantar e “tramar”.
seu roteiro é um poema vamos ao rio, antigo e presente!
rio monumento, de becos que cantam e encantam,
de vielas, favelas, geografia intensa e bela
dores de cidade partida,
contradições cortantes, traços fortes
de antigas e atuais feridas
rio antigo, passado vivo,
senzalas da opressão,
palco de resistências.
arena ecoante de sussurros,
de lamentos da escravidão.
rio história,capital colonial,
ruas impregnadas de marcas do presentes,
do passado, que revive e se faz memória.
museu aberto de tradições,
lendas, crenças, mitos, lutas,
identidades que não se apagam
negros, negras, índios,
donos da terra, dos mangues aterrados,
das matas destruídos,
dos morros removidos, da limpeza étnica,
dos índios dizimados, das culturas acorrentadas.
acervo atual de esperanças e lamentos,
que ecoam e não foram em vão.
ancestrais a caminhar pelas ruas de pedras,
quitandas, mercados, mercadores, pescadores,
homens vindos do mar.
Helder Molina
cidade monumento à memória
ponto de encontro: antigo chafariz,
ao lado do paço imperial,
local onde as lavadeiras se encontravam para lavar,
conversar, cantar e “tramar”.
seu roteiro é um poema vamos ao rio, antigo e presente!
rio monumento, de becos que cantam e encantam,
de vielas, favelas, geografia intensa e bela
dores de cidade partida,
contradições cortantes, traços fortes
de antigas e atuais feridas
rio antigo, passado vivo,
senzalas da opressão,
palco de resistências.
arena ecoante de sussurros,
de lamentos da escravidão.
rio história,capital colonial,
ruas impregnadas de marcas do presentes,
do passado, que revive e se faz memória.
museu aberto de tradições,
lendas, crenças, mitos, lutas,
identidades que não se apagam
negros, negras, índios,
donos da terra, dos mangues aterrados,
das matas destruídos,
dos morros removidos, da limpeza étnica,
dos índios dizimados, das culturas acorrentadas.
acervo atual de esperanças e lamentos,
que ecoam e não foram em vão.
ancestrais a caminhar pelas ruas de pedras,
quitandas, mercados, mercadores, pescadores,
homens vindos do mar.
Helder Molina
Rio, cidade monumento
rio imperial, republicano,
tropical, porões inundados de tantos ais,
onde o brasil tomou suas decisões.
rio centro, rio velho,
revisitado, amado, esquecido,
violentado, cantado, versado, proseado.
rio de janeiro, fevereiro e março,
a natureza fez régua e compasso,
aqui cidadania rima com esperança nos próximos passos.
vamos revisitar o rio antigo
praça xv que já foi pelourinho,
largo do passo, palco da abolição inventada
onde as chibatas sangravam a escravidão.
dos arcos dos teles,
onde o comércio das quitandas, do mercado,
de onde os barões guardavam
os frutos do trabalho escravo,
na igreja dos mercadores,
de devoção clandestina e reprovada
pela elite escravocrata e católica.
na igreja do rosário, de são benedito,
dos homens pretos, do sincretismo,
da escrava anastácia, da língua decepada
por ter voz ativa.
do primeiro banco, o do brasil (hoje centro cultural)
da primeira igreja de frente para o mar,
onde a santa candelária protegia
contra indesejáveis visitantes vindos pelo mar,
os monstros, os fantasmas, dragões
e outros perigos que habitavam
a cabeça do homem medieval
rio dos cortiços,
dos pobres livres, das casas coloniais,
dos botecos, dos bares e cafés,
onde literavam nossos poetas e escritores,
agitando os sentimentos abolicionistas
e republicanos.
rio da belle époque,
que bela época de sonhos liberais e capitalistas,
sangue índio e africano,
sonho europeu, orgulho parisiense,
alma brasileira, negro no trabalho,
elitista na opulência,
da avenida que derrubou os cortiços,
e virou central.
Helder Molina
tropical, porões inundados de tantos ais,
onde o brasil tomou suas decisões.
rio centro, rio velho,
revisitado, amado, esquecido,
violentado, cantado, versado, proseado.
rio de janeiro, fevereiro e março,
a natureza fez régua e compasso,
aqui cidadania rima com esperança nos próximos passos.
vamos revisitar o rio antigo
praça xv que já foi pelourinho,
largo do passo, palco da abolição inventada
onde as chibatas sangravam a escravidão.
dos arcos dos teles,
onde o comércio das quitandas, do mercado,
de onde os barões guardavam
os frutos do trabalho escravo,
na igreja dos mercadores,
de devoção clandestina e reprovada
pela elite escravocrata e católica.
na igreja do rosário, de são benedito,
dos homens pretos, do sincretismo,
da escrava anastácia, da língua decepada
por ter voz ativa.
do primeiro banco, o do brasil (hoje centro cultural)
da primeira igreja de frente para o mar,
onde a santa candelária protegia
contra indesejáveis visitantes vindos pelo mar,
os monstros, os fantasmas, dragões
e outros perigos que habitavam
a cabeça do homem medieval
rio dos cortiços,
dos pobres livres, das casas coloniais,
dos botecos, dos bares e cafés,
onde literavam nossos poetas e escritores,
agitando os sentimentos abolicionistas
e republicanos.
rio da belle époque,
que bela época de sonhos liberais e capitalistas,
sangue índio e africano,
sonho europeu, orgulho parisiense,
alma brasileira, negro no trabalho,
elitista na opulência,
da avenida que derrubou os cortiços,
e virou central.
Helder Molina
Papo histórico e chopp no amarelinho
– papo histórico e chopp no amarelinho
rio branco, amarelo, negro e índio.
vamos revisitar,
das belas letras à engenharia
de uma futura nação,
primeira universidade do brasil.
os lavradios, os inválidos,
e suas casas de antiguidades,
da feira do rio antigo,
da lapa com seus dutos
por onde corriam as águas para belas casas
dos agentes da dominação.
da praça dos pobres, dos desvalidos,
onde estacionavam as charretes das madames,
senhores e barões,
batizada de tiradentes para nos trazer
a memória que o ouro é moeda de mãos nobres.
por fim, o triângulo cultural,
a biblioteca real que é nacional,
do teatro das artes nobres, que é municipal,
e do museu das bellas artes.
e, embebidos de cultura e história,
cansados, sedentos, vamos tomar um chopp no amarelinho,
com um papo histórico,
daqueles sem colarinho.
assim, misturando poesia, cultura e história
Helder Molina
rio branco, amarelo, negro e índio.
vamos revisitar,
das belas letras à engenharia
de uma futura nação,
primeira universidade do brasil.
os lavradios, os inválidos,
e suas casas de antiguidades,
da feira do rio antigo,
da lapa com seus dutos
por onde corriam as águas para belas casas
dos agentes da dominação.
da praça dos pobres, dos desvalidos,
onde estacionavam as charretes das madames,
senhores e barões,
batizada de tiradentes para nos trazer
a memória que o ouro é moeda de mãos nobres.
por fim, o triângulo cultural,
a biblioteca real que é nacional,
do teatro das artes nobres, que é municipal,
e do museu das bellas artes.
e, embebidos de cultura e história,
cansados, sedentos, vamos tomar um chopp no amarelinho,
com um papo histórico,
daqueles sem colarinho.
assim, misturando poesia, cultura e história
Helder Molina
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