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domingo, 16 de julho de 2017

cultivo a flor do deserto
num coração de pedra
dessa rocha não sai leite

sai sim suor

Júlio Alves

sábado, 7 de janeiro de 2017

sou filho da fruta
uma semente
me pariu


Júlio Alves

domingo, 6 de novembro de 2016

Júlio Alves

o sorriso franco era tão largo

que não passou pela porta da ironia

sábado, 1 de outubro de 2016

fiquei naquela esquina
feito um despacho
com um buquê de flores inodoras
roubadas do condomínio próximo
uma garrafa pet de vinho barato
já pela metade ou menos ainda
o gosto de corno na boca
e agora chove do céu e olhos
faz quatro horas e somado aos seis meses
que te espero nesta maldita cruzada
fui



 Júlio Alves

domingo, 26 de junho de 2016

combinamos
de comandar
a galáxia
esquecemos
que éramos
apenas
estrelas

cadentes

JulioAlves

sexta-feira, 20 de novembro de 2015



quando desfizer
o nó
desta vida
perderei

a linha

Júlio Alves

faço da poesia
minha magia
negra
só pra ver
se há vida
além
das palavras
firmadas como

chapa branca

Júlio Alves

sábado, 10 de outubro de 2015

Júlio Alves

ela leu / eu recriei
nunca mais
vai / vamos
esquecer
daquelas coisas
que juntos colocamos vida
tempo de inventar
língua era o olho
mão dizia cheiro
paladar carnívoro
de gente viva
e se
mexendo no prato
da nossa cama
nossos corpos
servidos
e agora não somos fim
nem todo dia é banquete
mas aquele pão aquecido

tem seu valor
Júlio Alves

saí por aí
por distração
foi tão leve este ir
que quando percebi
tinha perdido meu corpo

em alguma esquina

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Caraá



ser do avesso
é ter a capacidade
de viver
com o antagonismo
nas tripas
algo que se expele
todo dia
contudo
amanhã
ele terá
nascido
diferente
é preciso
botar
no amanhã
o peso
do agora

Júlio Alves



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Júlio Alves

preso num bule
café forte
foge pelo bico
os frascos convivem em paz com os compridos
sei tão pouco
(contradição: entre tanto e pouco)
do que desconfio
(deixar de acreditar)
que posso afirmar
(sendo um idiota convicto)
a dúvida depende da fé
(um credo de um ateu/não há deus)
nisto acredito
acre

dito

segunda-feira, 8 de junho de 2015


sociedade agora é cibernética
o indivíduo fechado em si
no seu casulo
se crê falando ao mundo
a expressão antiga:
estava falando com os meus botões
é tão presente hoje
um clique num ícone
define uma vontade

um sentimento

Júlio Alves

e
nasce desejo
de voar
em dura
e
pesada pedra
delírio cria
atrito no ar
pra sair do chão
pedra muda pra cascalho
até virar pó
e voa
pô e aí

Júlio Alves



foi o que deu
misturar
eu com tu
tu não era eu
igualmente
eu nem ao menos
parecia com tu
mais mesmo assim
essa mescla estranha
deu esse fruto
que chamam
de nos
olha que coisa mais linda

olha amor

Júlio Alves

foi depois da trigésima
milionésima vez
depois de repetir
por dois bilhões
de vezes
um dia
aprendi
dia inteiro
vivido com intensidade
destrói rapidamente
esta carcaça
um segundo
ouvindo um assovio
que silvo tão suave
esse segundo
me trouxe milênios
de desapego

 Júlio Alves

sábado, 30 de maio de 2015

jornalista



jornalista
é todo cheio de laudas
matemático
de números
químicos
de fórmulas
médicos
de profilaxias
professores
de conteúdo
lixeiro
corre atrás de todos os restos
maquiador de funerária
põe um sorriso na cara da morte
coveiro
enterra rindo
atores pornô
fazem só papai-mamãe
na vida cotidiana
vida
continua
vestida
de indecentes

morais

Júlio Alves

segunda-feira, 4 de maio de 2015


sou muito menos
da metade
do que penso
num quarto
de lua qualquer
completo
a tua astronômica falta
uivo um lamento incompleto
num semitom inaudível
bocarra aberta grito
ao redor ouvidos moucos
ao menos desabafo
deixo vazar a pressão
uma válvula de escape
entra em ação

canto para lua inteira

Júlio Alves.Porto Alegre ·

sábado, 20 de setembro de 2014

Júlio Alves
tenho um mal-humor
que me faz feliz
essa ditadura de estar alegre
não me prende
há dias que acordo feliz
certas noites festivas
entristeço
bem solto

rio

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

morar em apartamento
é dividir dores apartadas
em paredes apertadas
é ouvir brigas
por motivos
quaisquer
e gemidos
gritados
por pequenas
coisas
incrustradas
saltos que vão e vem
num toc toc toc toc
pra lá
pra cá
uns sobre os outros
sem pressão de corpos
um som que invade
é a descarga
no meio da madrugada
alguém se alivia

Julio Alves 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014


escrevi minhas insônias
depois relendo anotações
percebi todas foram feitas
quando estava sobre tua cama
descobrindo vida fora da minha



 Júlio Alves