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quinta-feira, 25 de junho de 2020


 [... O banzo da província
cedeu ao underground
xintoísta? Ou está
injetado nas estações
tubo?...] 

Tímida Babilônia, Ricardo Pozzo

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Olímpia

Três velocistas rasgam a madrugada

Dois negros , um branco
Qual detém vantagem ?

Ofegantes , ultrapassam os cem
metros com obstáculos .

Destaca-se a técnica espontânea.

Aquele que está à frente divisa
a linha de chegada

Mas antes de cruzá-la, recebe
quatro medalhas de chumbo

nas costas

Ricardo Pozzo
revista Gilda

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Altamira


  

Na variável mais profunda, tanto
caçador quanto caça estão em fuga,

naipes numa orquestra de faros

não iluminados nem pelo satélite
pálido seduzido em seu magnético giro.

Melhor enxerga o que ouve aguçado

na floresta que assombra quem,
surpreendido,

mira o animal escolhido e a si

reconhece.



Ricardo Pozzo

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Nada novo, de novo


© by Ricardo Pozzo

É tensa a ordem da primeira
fila no front abarrotado
de almas esfaceladas
ao primeiro toque
do clarim

Ausência de sono,
ausência de fome;
cão que ladra morre

A qualquer momento,
o soar do segundo toque.

É erro a insistência
da coragem
desprovida de medo.
Averiguar
a equipagem
sabendo que ela
nada garante.

Segundo toque! Avante!

sábado, 13 de abril de 2019

Anti trocadilho para Baudrillard




A midia tece seu monologo numa linguagem emocional, cujo signo alfabético está nas entrelinhas dos hiper fatos.

Através do qual catequiza, e lucra.

Ricardo Pozzo

terça-feira, 22 de maio de 2018

ELA




Ela, sonâmbula ingênua, alimentando-se dos resíduos de pão recolhidos à tarde,
em seus passos, brisas suaves de grisálida emplumada em desalinho com o  vento,
digere antídotos contra seu próprio veneno;
depois de enxugar lágrimas de acetona, de enternecer seus sonhos,
de dissecar a fauna de seus sentidos, de esmorecer em falsos desatinos,
de esquecer seus primários instintos,
depois de estar no purgatório e não se enxergar Beatriz,
depois de reverter o espólio em simples cicatriz,
escalavra em suplício os intervalos do equilíbrio.

                                                              Ricardo Pozzo

sábado, 28 de outubro de 2017

Será, o Ego, um esfíncter psíquico entre o Isto [que Sou] e o Real? Sendo o Real um conceito de espaço e o Isto [que Sou] um conceito de tempo?


Ricardo Pozzo

domingo, 16 de abril de 2017

nestes dias chatos! chuviscos chatos! em que o mundo vira um chato no saco da galáxia.
aproveito o dia vinte e cinco de julho do presente ano e lembrar-vos -eis a máxima das máximas universais.
''O REAL É UM SÓ''

--- Ricardo Pozzo

sábado, 15 de abril de 2017

Gárgula


Dois haitianos dividem
o cachimbo
com a sinhazinha ecoville
na sarjeta, sob escombros
da senzala;

passo ao lado.

Na real, azumbizados
seduzidos pela pomba
giratória dominante,
vestida em sua melhor pele
cor de leite,
que dos negros jorra

entre seus lábios.


Ricardo Pozzo


domingo, 12 de fevereiro de 2017

A política hoje em dia, em todas as suas instâncias, sofre um processo crescente de carnavalização. Ou seja, é o simulacro do simulacro do simulacro, onde são seus atores, os ditos políticos profissionais, que parodiam o povo, o criticam e o ridicularizam.
A categorização da classe artística como vagabunda, sendo que é a arte, a partir dos elementos culturais, que constantemente redefine e critica a noção de identidade, é própria de um sistema carnavalizado pelo poder onde numa oficial democracia o voto do cidadão é deslegitimado.
A metáfora mais propícia da carnavalização política é um Rei Momo de uma província qualquer, que ao ser coroado, decreta a extinção do Carnaval.

Ricardo Pozzo
as almas vulgares se regozijam com escândalos alheios e os alimentam! Por exemplo, quando percebem alguém na rua, em sua fragilidade humana, sujo ou maltrapilho, e destacam esse detalhe, sem saber como nem porquê, e ridicularizam ou expõe esse ilustre desconhecido. Mas não esqueçam que, neste mundo onde cada vez mais tão poucos conseguem ver além do próprio umbigo, quem fala do outro fala mais de si do que do outro!
Ricardo Pozzo

Fonte : Escamandro

Altamira



Na variável mais profunda,
tanto caçador quanto caça
estão em fuga.

Naipes numa orquestra de faros,

iluminados nem pelo satélite pálido
seduzido, em seu magnético giro.

Melhor enxerga o que ouve
aguçado

na floresta que assombra quem,
surpreendido,

mira o animal escolhido
e a si reconhece.


Ricardo Pozzo
Creio que deva haver, no Paraíso cristão, um pálacio, símile àquele em que adentram os Einherjar, para as mulheres Mães, Avós e Bisavós que lutaram com todas as forças para proporcionar a seus filhos, netos e bisnetos o Amor, a Sabedoria e a Severidade e que assim possam ter a oportunidade da Escolha ao trilharem os intrínsecos e específicos ciclos da vida com o conhecimento das páginas do Livro do Sagrado.
Louvado Seja o Sublime, o Generoso!

Ricardo Pozzo

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Eu não bebo Coca-Cola


I

Ninguém enforcará Bush, e no fundo, ainda bem. Mais forcas e condenações, na altura desse campeonato, soam como maior retrocesso. O máximo que pode acontecer é ele terminar com mal de parkinson, alzheimer, ou naturalmente senil (sem tremedeiras e/ou esquecimentos, apenas senil; velhinho, capenga com o olhar perdido), fazendo um mea culpa sobre sua péssima jornada terrena. E junto com ele, tantos outros, e quem verdadeiramente os comanda. Mas também pode terminar com um tiro na nuca ou na fronte, afinal, nunca se sabe como "a grande gerência" faz para se desfazer de seus equívocos.

II

No entanto, num vídeo (link abaixo) da BBC, os algozes de SH aparecem encapuzados. Ora, tá certo que a ONU sequer aprovou a invasão no Iraque, mas como entidade ou país algum se levantou contra a monstruosidade cometida contra o monstro, me pareceu oficial sua execução. E se foi de caráter oficial, gostaria de saber o porquê dos capuzes? Algum deles teme ser reconhecido nas ruas? Eles, por algum acaso, fizeram algo errado? (...)

III

Também gostaria de saber porque não mostraram o momento do enforcamento... Aquela coisa toda das pernas tremerem até o pescoço do sujeito se dar conta que não tem mais jeito, mesmo, e a alma desistir de se debater. Isso é um perigo para as mentes mais férteis. Sei lá, mas pode aparecer gente pensando que SH talvez não tenha morrido, mas entrado num acordo de se fingir de morto no chão, passar o reveillon na Suécia, mudar de cara, e fazer papel de agente duplo ou triplo, doravante, para futuros terrores sob encomenda, como é do feitio das nações do primeiro mundo, que não querem perder seus primeiros postos.

VI

Ok, deixemos as mentes férteis de lado. Só acho que... sei lá... mas por favor, que não me falem mais em Natal, nem citem as palavras do Sublime Peregrino, porque a maioria sequer as entendeu. A hipocrisia é nosso dialeto, enquanto nação global, e heróis são aqueles que contornam suavemente as situações, de forma paliativa, até que surja realmente alguém disposto a colocá-las em verdadeiras práticas. Em momento algum da história, se tem notícia do Oriente Médio atacando verdadeiramente o Ocidente e suas esquisitices. E isso, deveras, me preocupa. Vai chegar o dia em que se apanhará por não se beber Coca-Cola.



Mas há quem beba:

 Ricardo a Pozzo

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dividida


entre os dias mornos
e os poentes incandescentes
despedi um sonho...
sem saber dizer adeus!
Ana Andrade
Convite a uma dança
Eis-me aqui
a contemplar encantos,
danças ao fogo cigano
Que brotam do teu
sorriso e tornam-me
lago e Narciso
em Ti.
Musa descarada,
mal sabes
a que cobra
deste asas.
Por quanto tempo
queres
te manter
ilesa?
Eu,
que já flertei medusas
sei, há mais perigos
em teu afeto franco
a despertar minha alma
a tudo que é sensível,
que tanto quanto
possa descrever
é apenas
tocar pássaros
de seda,
comer com
os olhos
banquetes
sobre a mesa.
Saiba,
o desejo é
armadilha estranha;
nos conduz
a jardins magníficos,
quais girassóis imprecisos
que tangem-se,
momentâneos,
e ruborizam
na fronte do sol.

( Ricardo Pozzo)

sábado, 17 de setembro de 2016

Ricardo Pozzo

Já Curitiba é uma farsa midiática, cuja burguesia, quase extinta, sofre do complexo do Barão do Serro Azul, reza para Deus, acende vela pro Diabo, mas mantêm-se neutra em tudo, menos na manutenção do próprio poder.
Matamos os índios, excluímos os negros, o que nos restou foi o sertanejo [mistura de negro, índio e português] mas do qual sentimos um certo acanhamento em pertencer.



terça-feira, 19 de julho de 2016

Barqueiro



Ilícito ás avessas
Juntando cacos
Arremessados
A qualquer direção
Aleatória

Sofrem menos os cansados
de sofrer?
Quem tem mais razões para
chorar?
Migram centenas de almas
Abandonadas ao espetáculo
Do desperdício.

Isolados pela falta de sentido
Cotidiano.
Paga-se sempre com míseras
três moedas.

É trajetória toda a diferença.



Ricardo Pozzo

O adormecido da esquina



Foi encontrado numa esquina
Em posição de ter sono agitado
Fome e frio não lhe despertam
Não tem em si mísera coberta
Foi encontrado numa esquina
Investimentos detrás os dentes
Fosse a sorte teria outra sina
Foi encontrado numa esquina
Com o peito inteiro crivado.



Ricardo Pozzo

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Uma Criança Arde nos Campos de Ñu Guassu



Há uma criança carbonizada;
o fogo evaporou a lágrima.
Ela tem não só o sangue guarany;
é negra, polaca, jogada por aí.
Quem verá o vento balançar a macega?
Ou crispar desconexa língua de fogo?
Vulto amontoado,
pequeno;

lentamente
alimentado com veneno,
[serve]
a generais covardes,
inatingíveis
e seus heteromorfos
dirigíveis
Quem verá o vento balançar a macega?
Ou crispar desconexa língua de fogo?
Em estreitas veias da urbe
a banhar-se em chorume,
o cadáver carbonizado
sob cobertor acinzentado.
Era aqui, era lá?
A República do Guairá?
Quem verá o vento balançar a macega?
Ou crispar desconexa língua de fogo?

Ricardo A Pozzo


2012


O mar retrocederá
o tempo
até que o fruto
da árvore "esquecimento"
perca seu sabor.
E nossa soberba,
que nos iguala
aos anjos rebelados,
e nossa insatisfação,
abalizada por
(psic) analistas
renomados,

sejam dissolvidas.

Ricardo A Pozzo