Mostrando postagens com marcador maurélio machado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador maurélio machado. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de outubro de 2019

COLETÂNEA DE HAIKAIS




Repentinamente
o sol se arrefeceu
e se pôs a chorar.
*
Na curva do rio
os sonhos do passado
adormecidos.
*
Frágil borboleta
bebendo amargo fel
de flores fenecidas.
*
Ribombam trovões
Estrelas se refugiam
no escuro céu.
*
Barcos de papel
Navegantes dos mares
de nossa infância.
*
Tristemente só
Abrasada pelo sol
Obstinada flor.
*
Raros vagalumes
Luzes que se apagam
ao nascer do sol
*
Ribombam os trovões
no horizonte azul
Aves peregrinas.
*
Sob sol causticante
as cigarras encantadas
em sonoros cantos.
*
No pisca-pisca
de estranhos vagalumes
Sorrisos de verão.
*
Formigas batalham
Enquanto cantam cigarras
Trabalho e arte.
*
O mar em prantos
Lança as ondas na praia
Lacrimejam rochas.
*
Branda primavera
desabrochar de flores
na manhã raiada
*
Como lágrimas
Pétalas orvalhavam
Nos campos floridos
*
O canto alegre
faz da vida sinfonia
Canta passarinho.
*
Maria Fumaça
Rumando para o sertão
A matar saudades.
*
O sol da manhã
lambe os flocos de gelo
sobre os telhados.


(Maurélio Machado - SC/2010)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Vestida de flores


      


Naquela manhã o sol nascera tímido, a brisa apresentara-se amena, árvores desfolhadas mostravam sua beleza e os Ipês douravam a paisagem.

Jacatirões e Manacás da Serra, floresciam em explosão e raros perfumes, paparicados com os circulantes voos de borboletas multicolores.
Os campos floridos de diversas espécies de pequeninas flores coloriam e encantavam o cenário incomum.

Os habitantes respiravam os leves ares da estação.

Da ermida o badalar sonoro dos sinos anunciava a primeira santa missa dominical.

As andorinhas revoavam entre as torres da igrejinha e pousavam nos fios elétricos ainda umedecidos pelo orvalho.

O padre devidamente paramentado dava início ao santo ofício.

Meus pensamentos entorpecidos levaram minha alma ao passado... estava muito distante, no nosso quintal, brincando de roda contigo e com as crianças.

Em dado momento voltei à realidade: “Olhai os lírios do campo, como são belos, eles não trabalham e nem fiam. No entanto, nem Salomão em toda a sua gloria não se vestiu como qualquer um deles.”

A mente bloqueou novamente e senti alguém me conduzindo pela mão... então ouvi as amargas palavras: - convido os fiéis a conduzirem o caixão funerário à sua última morada.

Seguindo o féretro, as pessoas murmuravam frias e inaudíveis orações.

O canto triste de um sabiá parecia dar-te o último adeus.

Eu e nossos filhos estávamos velando por ti neste triste belo dia.
Estavas vestida de flores, ainda era inverno em nossos corações, mas tu sorrias iluminada, envolta de primavera.


Maurélio Machado