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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Poemas Mal_Ditos



Um poeta em seu reino dos céus
Tem sempre esse inferno particular:
Se cortando na sutileza dos véus
Olha no olho do que há para revelar

Vê claro o que claramente oculto
É o mais escondido dos tesouros.
logo o acusam de estar em surto
ao dançar com a alma dos touros.

Chega de promessas do paraíso
repleto de prazeres artificiais.
Escrevo uma dor ácida e aviso:
sou o menos morto dos mortais!

Vestido com a ousadia nua:
Como flor de lótus nos funerais.
Quero a tinta que a beleza sua
E deitar vivo, aonde a vida jaz.

Julio Almada, Poemas Mal_

sábado, 12 de agosto de 2017

Modus Operandi



Se não és senhor de ti mesmo, ainda que sejas poderoso, dá-me pena e riso o teu poderio.
(Josemaría Escrivá)

Inventei outra dor. A de ontem era insuportável, estava aprisionada com seu destino de dias memoráveis, na cela pretensa da previsibilidade. Esperada. Morrerei de uma dor amorfa e estrangeira, distinta, incoerente. Uma dor homicida, que furará com olhar de desdém, as muitas que já senti.


Julio Urrutiaga Almada do Livro Caderno de Ontem

domingo, 28 de agosto de 2016


Quando pulsa meu coração
Repulsa
A pulsação
Quem seria eu
Se dissesse estar de acordo
Com tudo que houvesse
Se espelhado ousasse
Ser o esperado
E opaco
Reluzisse
No fim da tarde
Entre os trastes das vitrines?
Seria a Séria e desenxabida
Forma avessa aos suicidas
Ainda que eu só me matasse
Quando a morte
Me pegasse desavisado

Julio Urrutiaga Almada

domingo, 17 de janeiro de 2016

Ajenjo


Amanecer sin madrugada
Jaula sin ventanas
Enredarse rugoso de La inmensidad
Nao de un mareado
Jadeo interno de ecos
Orbitar difuso en La nada

Julio Urrutiaga Almada

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Poema Cego

Unha e carne
Tateiam a sombra
No arder da flor
De um bólido
Nascidos flamas
Frente ao
Fátuo do escárnio
O pestanejar dos
Espelhos quebrados
Diriam adeus
Às suas madrugadas
Leite da lua
Fre...quente
Farsa
Em tempo
Quem somos?
Três dias
Nos lábios:
Frescor da uva
Para forrar-nos
O céu da boca
Enquanto:
Uivarmos
Nos dias da tua fome
Desvairada!


Julio Urrutiaga Almada
Livro De Olho:embriagado

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Alquimia


Um poeta cozinheiro
Dado a fogueiras de hálitos
Doces
Titubeante e corriqueiro
Perdeu a vida
Não as flores
Suas mãos de luto
Perfumadas e findas
Cozerão tomate e alga
Na vertente marinha
Dando aos olhos do céu
Um mosaico de peixes suicidas.

Julio Urrutiaga Almada do livro Hora Tenaz

Testemunha


O Mar é o manto
Do choro lento
Do leve pranto
Da dor do tempo.

Julio Urrutiaga Almada do Livro Hora Tenaz

O que fez em mim o chocolate


“Metade dos nossos erros na vida nascem do fato de sentirmos quando devíamos pensar e pensarmos quando devíamos sentir.”
(J. Collins)

A sombra do que fomos não faz nem sombra. Na tez cinza, do rosto que posso lembrar, encaro o cotidiano da fotografia como um espelho. Espelho de bisturis e estiletes que te rouba o sorriso e a face, nesses dias em que a única maneira de suportar olhar para dentro, é fingir que só vês o que está la fora. Nesses dias em que me lembro: Aquele nosso futuro é coisa do passado.As cascas do tempo, a sombra das árvores, o doce maduro dos teus olhos que me ensinaram algo de mim mesmo.Morri muitas vezes, mas a única vida depois da morte, que me aguça a febre dos sentidos, era a turbulência plácida de roçar teu corpo pretendendo invadir com loucura, o som inexplicável de nosso silêncio.

Julio Urrutiaga Almada do Livro Caderno de Ontem


Saiba mais no Blog Beira do Caminho:

domingo, 6 de dezembro de 2015

Poemas Mal_Ditos


Um poeta em seu reino dos céus
Tem sempre esse inferno particular:
Se cortando na sutileza dos véus
Olha no olho do que há a revelar
Vê claro o que claramente oculto
É o mais escondido dos tesouros.
logo o acusam de estar em surto
ao dançar com a alma dos touros
.
Chega de promessas do paraíso
repleto de prazeres artificiais.
Escrevo uma dor ácida e aviso:
sou o menos morto dos mortais!
Vestido com a ousadia nua:
Como flor de lótus nos funerais.
Quero a tinta que a beleza sua
E deitar vivo, aonde a vida jaz.

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Mo sai co
Vejo a:
Taquicardia do Mundo.
Sinto a pinça do pulso:
Pulsa seu sangue fugitivo.
Como será seu último suspiro?
A pálpebra ensimesmada,
Um Barco à deriva,
Moído nos estalares de água:
Suando amora viva.
Julio Urrutiaga Almada do Livro Poemas Mal_Ditos

sábado, 14 de novembro de 2015

Logos


Reminiscências
Legíveis, são:
Remanescências
Na solidão.

Julio Urrutiaga Almada do livro Em um mapa sem cachorros

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Como somos


Infecundo nó, ou será fecundo, nas entranhas,
Da terra fascinante, presa a nós?
Corrente medula e somos sós,
Milhões de sóis pequenos esfriando.
A praia que farol longínquo
De asas arenosas, erguidas.
Verdes, são os olhos, que busco,
Nesse mar de asas arenosas.
A praia que lua transposta
Fonte de surpresas inacessíveis.
Águas ,crateras inexistentes, dos risos,
Na distância, de suspiros intransponíveis.
A praia que verso carrasco.
Areias emigram, assim quero
O mar , que deposite, os secretos
Mistérios, nos olhos que trago.
(1987)

Julio Urrutiaga Almada do Livro Instantâneo Enlace

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Borboletas


Não existe o esquecimento total: as pegadas impressas na alma são indestrutíveis.
(Thomas De Quincey)

Após a convulsão de corpos, feitos estrelas e redemoinhos, muito se perdeu: ou melhor: muito se deu por perdido: Um par de brincos não localizado na escuridão e nem depois do acender de todas as possíveis luzes: Perdidos ou escondendo-se. Imbuídos do desejo de poder decidir sobre seu destino: Permanecer entre os lençóis, viciados de carícias e lascívia, tornados portos de incineração da angústia. Borboletas: Pensei... As flores que voam sempre povoam nossa imaginação. Pensei havê-las visto: estilizadas nas femininas orelhas da mulher que amei. Ontem: Sexta-feira: Sepulcro da semana: os encontrei: Um par de brincos: borboletas? Não: laçarotes com pedras incrustadas. Adorno de um presente: o corpo dela amealhado a falta do meu.


Julio Urrutiaga Almada

do livro Caderno de Ontem