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segunda-feira, 18 de maio de 2020

Chorando (Porto) Alegre




O Bar Alasca finou-se
na esquina da Osvaldo Aranha.

Fiquei órfão
de álcool & utopias.

Trattorias saíram a trote.

Restaram saudades
ao sugo & carbonara.

O Teatro Um virou sauna
os cinemas, templos & bingos.

Sobrou pouco, quase nada...

A cidade-espelho
reflete-se, agora,
em minha desesperança.

Ricardo Mainieri

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Lapso

A memória
é um patrimônio.

Pessoal & intransferível.

Enquanto o Alzheimer

não bate à porta...

Ricardo Mainieri

sábado, 16 de setembro de 2017

Embate


Dizia
o sábio:

que venha o logos
sua luz clarificante.

surja logo
antes que a razão
submerja

o místico
ouvia calado

apalpava signos
decifrava sonhos
sentado em transe

ambos se foram

apenas um deles
se deu conta disso




 Ricardo Mainieri       

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Nihil

         


Nada
vazio pleno.

Nada na mente
só mente nada.

Oco
sem recheio.

Cheio de nada.




 Ricardo Mainieri     

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Fechado



Vidros embaciados
Enclausura do medo
Suores apressados
Uma novela, um enredo
Sentado em minha solidão
O tempo passa... Comovente
Pela janela... Nada, escuridão
A história de muita gente
Contei o tempo que passa
Lá fora algum falarido
Querer sair da brasa que me assa
Lamento da hora de ter nascido
Triste visão
Por dentro sofro, vidros embaciados
Por fora desabafo chorando
Fechado de punhos serrados
Implorando... Implorando...
Enclausura do amor
Nem a lua me visita
Nem o cheiro de uma flor
A mente já não acredita
Vontade de estar com ela
Desejo de te ter menina modesta
Vontade de partir o vidro, quebrar a janela
Procurar o tempo que me resta





Ricardo Mainieri