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terça-feira, 3 de julho de 2018

Djanho, o Diabo de Curitiba




Dentro dos túneis secretos
Há tesouros raros e discretos,
Que são guardados por uma criatura
Com alma braba, obscura e dura!

O nome dele é Djanho,
Um ser muito estranho!
Nas noites de Lua cheia
Sua alma se incendia

E ele vira um homem de terno
Com jeito falso e fraterno
No Largo da Ordem cheio de bares
Ele sai dos túneis e respira outro ares

Seduz mulheres para depois faze-las chorar
De saudades, sob a luz do Luar !
O Djanho é amigo do famoso vampiro
E da Polaquinha com seu doce suspiro!

O Djanho bebe da fonte proibida
Do Cavalo Babão perto da praça
Ele deixa a fada perdida
E, totalmente, sem graça!

O Djanho faz o jacaré do Parque Barigui
Devorar cachorros abandonados e carentes
Como se ele mesmo não estivesse ali
No meio das pessoas inocentes !

Não tenha medo do Djanho, pois a luz sempre vence
Ele mora nos subterrâneos da capital paranaense.
Luciana do Rocio Mallon


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Casal Com Muitos Filhos é Sinal de Que Não Tem Internet Em Casa



Nos anos 80, quando eu era criança, toda a vez que minha mãe via um casal com muitos filhos, logo dizia:
- Coitados destes pobrezinhos, têm muitos filhos por não ter televisão em casa.
Assim, indaguei:
- Mãe, a televisão não deixa as pessoas terem muitos bebês?
- Por que?
Ela respondeu:
- Porque a televisão distrai e a pessoa não pensa em fazer sacanagem.
Quando cresci mais um pouco, logo associei a gíria sacanagem ao sexo. Mas, notei que as cenas de relações carnais aumentavam na televisão. Assim, refleti:
- As pessoas que possuem televisão têm menos filhos, pois fazem menos sexo. Afinal, com tantas cenas quentes na tela, os casais devem ficar enjoados de assistir ao ato pecaminoso e nem ficam com vontade de partir para a ignorância.
Naquela época, tinha um programa chamado TV Mulher, onde a sexóloga Marta Suplicy esclarecia dúvidas sexuais e uma vez assisti a um depoimento dela falando de pílulas anticoncepcionais. Porém, raciocinei:
- Para que remédio para evitar filhos se já existe televisão?
O tempo passou, eu cresci e veio a moda da Internet. Minhas amigas casadas começaram a reclamar que os maridos passavam mais tempo na Rede Mundial de Computadores do que tendo momentos íntimos com elas. Naquele instante pensei:
- Seria a Internet um novo tipo de anticoncepcional?
Estes dias, eu estava dentro do ônibus. Quando vi, pela janela, uma catadora de papel com seus cinco filhos. Como um raio, uma adolescente, que estava dentro do coletivo comentou:
- Nossa, a mulher tem cinco filhos!
- Com certeza esta não tem Internet em casa.

Luciana do Rocio Mallon


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Desabafo da Kombi



Sou uma Kombi, um veículo a motor
Que já presenciou histórias de amor
E promessas de esperança e felicidade,
Que se transformaram em realidade!

Mas, reza a lenda que neste ano
Através de um triste plano
Debaixo do molhado pano

Minha figura irá desaparecer
Isso causa depressão no meu ser!
Mas, deixarei saudades nas pessoas
Das caronas nas chuvas e garoas!

Sempre fui mais do que uma simples van...
Muito mais do que uma vaidosa perua
Eu acordava vários seres pela manhã
Quando aparecia na esburacada rua!

Já fui a fase REM do homem do sonho
E musa do tio da pamonha cheirosa
Que acabava com um choro tristonho
Através da música maravilhosa!

Transportei hippies, ciganos e atores
Num teatro móvel e itinerante!
Já fui pintada de todas as cores
Quando virei um cenário elegante!

Já fui altar de casamento
Com todo o sentimento!
Um automóvel assim, não acaba com o tempo

Já fui Kombi escolar
Com alma infantil
Pintei em todo o lugar
O mundo de rosa e anil!

Em Catanduvas, virei biblioteca
No projeto: Viajando Pela Leitura
Li contos para a menina sapeca,
Que me retribuiu com ternura!

Eu já fui igreja e templo
Agora, minha produção vai se acabar
Em 2013, em dezembro
Mas, minha magia ainda durará no ar.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda da Hermafrodita de Curitiba


                     
Na cidade de Curitiba, no século dezenove, havia um casal chamado José e Ana, que tinha o sonho de ter filhos gêmeos. Para realizar este sonho, a mulher foi até uma “curandeira” e falou:
- Meu sonho é ter um casal de gêmeos.
Deste jeito a feiticeira disse:
- Então você precisa fazer a seguinte simpatia:
- Consiga: uma vela azul e rosa, um punhado de feijão, um punhado de lentilha e um prato virgem.
- Numa noite de Lua Nova, pegue a velas rosa e azul e coloque-as num prato virgem. Mas, não deixe elas se grudarem. Depois coloque metade de lentilha e metade de feijão na frente das velas.
Assim, Ana tentou fazer a magia, mas como não achou lentilhas fez o ritual só com grãos de feijão. Porém, ela não reparou que as velas rosa e azul se grudaram.
Nove meses depois, nasceu um bebê. Porém, a parteira notou que a criança tinha os dois órgãos sexuais e avisou:
- Dona Ana, o bebê é saudável, mas tem um problema: ele tem os dois sexos.
A jovem exclamou:
- Como assim?!                                                
- Não são gêmeos?!
- Tem dois sexos?!                          
A parteira explicou:
- A criança é hermafrodita, pois é menino e menina ao mesmo tempo.
Deste jeito, a idosa mostrou o bebê nu à mulher, que se assustou e falou:
- Assim, precisamos de um nome que sirva tanto para homem quanto para mulher...
- Hum...
- O nome da criança será Darci.
- Com relação ás roupas, nada de azul e nada rosa. Pois, o bebê vestirá só cores neutras: bege, amarelo, branco, etc.
Então, a dona da casa mandou chamar a curandeira e pediu explicações:
- Eu paguei caro por uma simpatia que me dessem gêmeos de sexos diferentes: um menino e uma menina. Porém, fiquei grávida de um hermafrodita.
- O que deu errado?
A bruxa explicou:
- A senhora não fez nada fora das normas?
- Será que as velas grudaram?
- Usou feijão e lentilha?
Ana comentou:
- Bem, não achei lentilha, por isto só usei feijão.
- E eu acho que as velas grudaram uma na outra, sim.
A feiticeira comentou:
- Então, foi isto!
- Quando falta lentilha e as velhas se grudam, nasce uma criança hermafrodita.
A nova mãe se conformou com a explicação. Desta maneira, ela passou a mentir que ganhou um casal de gêmeos para a vizinhança. Por isto, ás vezes, ela vestia o bebê de menino, e, em outros momentos vestia o bebê de menina. Porém, as crianças nunca eram vistas juntas.
Darci cresceu sempre pensando que deveria usar roupas masculinas e femininas em dias alternados para não sofrer preconceito. Por isto, sua mãe sempre proibia esta criatura de freqüentar festas e de ter amigos.
Uma certa noite, este ser colocou sonífero na comida dos seus pais para poder ir a um baile. Desta maneira, Darci colocou seu melhor vestido e foi para o evento. Porém, três homens acharam este andrógeno bonito e começaram a assediá-lo. Por isto, Darci saiu da festa, mas os rapazes foram atrás. Até que numa rua deserta decidiram abusar da pobre criatura. Porém, os homens se assustaram ao ver que aquele ser tinha os dois sexos, saíram correndo e espalharam o boato pela cidade.
Assim, a casa de Darci foi alvo de pichação e protestos como:
- Fora, Darci, pois gente com dois sexos é coisa do diabo!
O preconceito foi tanto que, numa noite, Darci saiu vestido com uma metade do corpo de homem e outra metade do corpo de mulher, com uma cruz e um machado nas mãos, porém com uma arma na cintura. Deste jeito, este ser foi até a esquina de uma rua e se suicidou com um tiro no coração.
Por coincidência, a rua onde aconteceu esta tragédia, hoje, chama-se Cruz Machado para homenagear um escritor com este nome.
Depois da morte de Darci pessoas afirmaram ver, nesta rua, uma criatura, que metade tem roupa de homem e outra metade possui vestes de mulher. Reza a lenda que se você deixar, uma calcinha e uma cueca na esquina da Rua Cruz Machado, o espírito de Darci realiza o seu pedido.

Luciana do Rocio Mallon

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Qual foi a música que o lápis cantou para o apontador?
Resposta: Estou desapontado...
E a sua lâmina é tão grandeeeeeeee,
Que você tira casquinha de mim a todo instante

Quero sentir o aço de sua lâmina
Como se fosse uma guilhotina
Quero dar esta flâmula
Que sempre me desatina

Porque estou desapontado...
E a sua lâmina é tão grandeeeeeeee,
Que você tira casquinha de mim a todo instante.

Luciana Do Rocio Mallon​