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domingo, 18 de outubro de 2009

Submerso...

Sem mais cansar-se...

Assim, mais adiante, digo a mim mesmo para hoje ouvir...

Enquanto árvore e sorriso de polvo, entre recifes de sonhos...

Pois o fundo se expressa onde sem mais pressa existe-se...

Nas razões sem luz, nos mundos nascidos na escuridão profunda...

Distantes do que se sabe por consciência...

Onde não se sabe, onde multidões semiológicas aproximam-se e afastam-se...

Sais de logos são partículas na fluidez do imenso...

E o movimento entorna, revolto com toda a intensidade por onde quer que exista...

E no inteiro de seu som, recortam-se pedaços de silêncio profundo...

Onde movem-se uma infinidade de céus...

As criaturas incomunicáveis em presença fazem-se todas uma...

Assim, submerso posso experimentar as imagens que se criam...

Na imensidão de instantes...

Onde em cada recorte do silêncio, em cada fragmento de silêncio está uma pintura...

Em ânimo próprio, tais fragmentos do silêncio autorecortam-se e unem-se...

Sempre de modo inusitado...

Há em cada uma de suas partes o desvio do entendimento...

E a percepção nas profundezas afóticas, se apresenta...







MOSIAH SCHAULE

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Dia Outonal...

Haviam alguns velhos...
No meio do aldeião...
Todos com carapuças...
Alguns meio símios...

Um deles andava por entre vasos ornamentais...
Confundindo-se, ele mesmo, com as lamparinas ilusórias...
Os demais, o viam apenas no seu pigarrear...
Outros dos velhos, faziam das marteladas em pedregulhos uma espécie de dentada memorável, onde saboreavam o passado...

Mais que ferramentas...
Os martelos tornavam-se órgãos vitais em seus punhos....
Abaixo de seus super cílios abriam-se cabanas diminuídas
Onde moravam em suas lembranças...

Mesmo suas lembranças...
Desembocavam num pensamento inexistente...
Eram reflexos furtivos, de devaneios extintos no passado...
Projetados agora em um evento ilusório...

Assim...
De suas orelhas um tanto quanto deformadas...
Saíam violões...
Tocando melodias tristes...
Melancólicas e úmidas...
Onde podia-se associar idéias, como alguém que diz:

“- Ontem, todos os meus problemas pareciam tão distantes...
Eu acredito no ontem...”

Eram cordas moles...
Que saindo do violão desciam na água...
Em poços artesianos...
Onde pombos sossegados amoleciam também...

Por horas...
Não conseguiam permanecer nem dentro, nem fora das casas...
As vezes, não sabiam existir...
Porém, também não sabiam não existir...

Eram como visões...
Visões deles próprios...
Que nos gramados secos...
Costuravam seu sono...

MOsiah Schaule
sob a luz das Trevas

Submerso

Sem mais cansar-se...
Assim mais adiante digo-me a mim mesmo para hoje ouvir...
Enquanto árvore e sorriso de polvo, entre recifes de sonhos...
Pois o fundo se expressa onde sem mais pressa existe-se...
Nas razões sem luz, nos mundos nascidos na escuridão profunda...
Distantes do que se sabe por consciência...
Onde não se sabe, onde multidões semiológicas aproximam-se e afastam-se...
Sais de logos são partículas na fluidez do imenso...
E o movimento que entorna, revolto com toda a intensidade por onde quer que exista...
E no inteiro de seu som, recortam-se pedaços de silencio profundo...
Onde movem-se uma infinidade de céus...
As criaturas incomunicáveis em presença fazem-se todas uma...
Assim, submerso posso experimentar as imagens que se criam...
Na imensidão de instantes...
Onde em cada recorte do silêncio, em cada fragmento de silêncio está uma pintura...
Em animo próprio, tais fragmentos do silêncio se auto-recortam e unem-se...
Sempre de modo inusitado...
Há em cada uma de suas partes o desvio do entendimento...
E a percepção nas profundezas afóticas se apresenta...

Mosiah Schaule

...À Porta que por Onde Não se Sabe...

A porta que por onde não se sabe...


A porta se abria...
E não via-se ninguém lá dentro...
Lá fora...
Também não havia ninguém que abria a porta...
Mas via-se alguém dentro da casa...
Mesmo sem ninguém estar lá...

Não sabia-se o que era o que estava do lado de fora da porta...
Apenas via-se de dentro da casa que alguém estava lá fora...

Enquanto o ruído se fazia...
Ao abrir-se a velha porta...
Queria-se saber, de dentro da casa vazia, quem estaria mesmo lá dentro, através de uma ligeira observação pelo lado externo da casa, colocando-se a uma interpretação da expeculação de quem abre a velha porta, para em seguida, no vazio da casa, vista de fora para dentro, compreender quem está abrindo a porta, e vislumbrando a partir do vazio interno da casa o seu próprio vazio, ou a identidade do seu vazio...

Com a intersecção dos campos vazios...
Que vagueiam de um para o outro...
Pelo limiar do caxilho envelhecido da porta da casa...
Quem esta dentro da casa questiona-se sobre a internalidade de sua existência, devido a evasão contínua de uma permanência externa nos campos para além da porta, seja de dentro para fora ou de fora para dentro...

Pela porta, tentou-se compreender quem abria de fora para dentro, quando dentro se exteriorizando lá fora, mesmo sem dentro estar e mesmo sem fora estar, e nessa expectativa, a orientação dos de fora para dentro já invertia-se...

Quando lúcidos...
Da imensidão existencial...
Que configurava-se com a internalidade e externalidade do espaço...
Procuravam ver-se realmente do lado de fora da casa...
Antes mesmo de terem entrado...
Porém, com a percepção de que verdadeiramente haviam saído...

Mosiah Schaule
sob a luz das Trevas

As Visitas de Tardes

Quando as roseiras estavam suavemente secas...
Mas ainda com flores...
Somente algumas...

Simplesmente aquele antigo terreno era pequeno...
Porém de uma imensidão abstratamente física ...
Psíquicamente expansiva e acolhedora em seu silêncio devagar...

Apesar de não ser o domingo no interior da cidadela, dentro dos cercados do quintal dianteiro era mais sossegado do que o comum...
E o deitar suave do arvoredo calmo sobre a rua cinzenta dava sentido ao cinza dos pedregulhos...
Seu verdume não era apenas cor...sua cor não era apenas minha percepção...
Minha percepção não era mais percepção e percepção não era mais...

O que sossegava a viela em atemporalidade não era apenas percepção...
Tudo não estava em sí mesmo...
E assim assoviava-se...
Quanto mais calmo o dia era, mais suave o vento levava os pássaros...

Onde não havia ninguém, a fumaça de uma fogueira recente subia...
Era outro quintal, não o da casa, mas o da porta sem quintal...
Pelo outro lado da casa, onde a rua não se via, criava-se um quintal...
Onde nunca viu-se tal lugar...
Mas ele sempre esteve lá...
Todos o sabiam, todos os que ali nunca estiveram, mesmo pensando estar...
Mesmo percebendo estar...

Os dias que se faziam entre as festinhas de aniversário não aconteciam...
Mas todos ali adoravam provar os quitutes e refrescos das ternas festinhas da menina a qual todos atribuiam um percepção menor dos fenômenos naturais da existência...
A realidade se desfazia para sua clara percepção das tardes, dos ventos...
Tudo não passava de dissertações fugazes por entre o cotidiano dos que a criavam e de todos os que ali visitavam...

Pois hora ou outra viu-se por si mesmo, o tempo dalí onde não se contam horas, que ninguém passou de fato por aquelas festinhas e pela ternura da realidade própria da pequena aniversariante...

Nunca identificou-se, com a percepção dos demais, a qual conduz os demais, que não se percebe pela própria percepção a percepção de quem percebe de modo a não perceber as coisas...
A singularidade das relações psíquicas que dissipam-se dela, fazem-se de modo a não fazerem-se...
Distanciando-se de todas as tentativas de proximidades perceptíveis...

O fogão esquenta toda a casa...
Desde quando não havia o frio...
Pelos amontoados de calma, a doçura de sua infância floria em sí mesma, onde estendida por toda sua vivência estava...

A visão de uma realidade pelos que ali visitavam terminava em sí mesma...
Assim, tal doçura não era apenas o fruto de uma percepção limitada em sí ou no que ela pode conferir como real fora de sí...


Mosiah Schaule
sob a luz das Trevas