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sexta-feira, 30 de agosto de 2019


METAMORFOSE

Ao virar a esquina do tempo
desgastado pela chuvas dos dias
assisto com estupefacção
à mudança que fere a existência

O Sol continua a nascer
nos locais onde os dias acordam
mas a luz já fere o olhar

As estrelas regressam na noite
pois não sabem escapar-se do céu
mas a sua presença é difusa
encoberta nas teias de fumos
e repelentes cortinas de gases

Os mares crescem no tempo
engrossados na indiferença aos sinais
que se espalham à vista de todos
e os ventos volteiam raivosos
como feras ululantes de dor
incitadas por maus tratos constantes

Os Homens fomentam discórdias
germinadas em intolerências crescentes
alimentadas pelos senhores da guerra
e as crianças choram com fome
nos desertos da indiferença humana
perante as tragédias alheias

Assistimos à metamorfose
da borboleta que foi este mundo
na crisálida que agora habitamos

A lagarta espreita no tempo ...

João Carlos Esteves        25 de janeiro de 2011 20:51
JCE 01/2011

sexta-feira, 31 de maio de 2019

GOTAS DE SILÊNCIO




Imerso na quietude da solidão
abraço a dureza do silêncio
para nele me encontrar,
para nele me perdoar

Oblívio sentimento de paz
serenidade incapaz
de ser contida nas palavras

Esquecimento dos momentos
de um tempo sem memória
escorraçados pela alma
fustigada
num virar costas ao passado
arrojado
e lamentado
pela perda
inominável

Sôfrego
saboreio o silêncio
gota a gota
inebriante
num adormecer dos sentidos
que me lava as cicatrizes
gravadas no meu ser

No silêncio das palavras
ouço o eco do teu querer

João Carlos Esteves