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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

reticente e duvidoso scrolling
rostos moleques
efemérides das vaidades
no amado templo das águas
cavalgáveis leds que se pensam águias
surdos e mudos
em seu âmago frenético
sem lençóis freáticos
nem freios
ou tréguas
...
postam acalentos amargos
indizivelmente cegos
críveis apostas
ao relento
politizadas
e nobres
?
scroll
scroll
scroll
...
sob crinas de éguas
a postos de falsos profetas
dispostos a crises e suas feras
apostos apóstolos
disputam um posto
conjugado póstumo
por pústulas efêmeras
...
o gado
pensa ser de verdade
os leds de suas mentes
entorpecidas
e lentas
entope-se
de inúteis
ferramentas
e metas
e tentam
...
o despertar violento
da consciência
em seu relógio
biológico digital
?
quase letalmente demora
o tempo-amálgama mora na areia
...
e o amor
anda lento
mas ainda ama
...
corre
o espelho
que se adorna
pelas ruas e esquinas
...
idas e vindas
quadrados
chorando
ao quadrado
...
espelho fatal
de vidas passadas
caminha iluminado
pelos leds
?
scroll
scroll
scroll
...
e a luz
vaga no vácuo
a seu livre arbítrio
e sua velocidade voa com tudo
contudo ela vai e volta
ouvindo
Led Zeppelin


Samantha B. S.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Poetas


poetas são magos
sonhadores soluçadores
transfiguram olhares em altares
subvertem flores em clamores serafins
de seus poemas são fiéis desenhadores
são corajosos amantes aviadores
nas asas do pensamento voam alto
não têm medo de altura
e muito menos
do asfalto
na alma
levam
o cosmo
em conjuntura
com sua leve loucura
desenham tudo em palavra
dos sentimentos cores lavram
e as derramam em léxica pintura
de seus versos são alfaiates
com a linha fina
da
emoção
doce e impuramente
ziguezagueiam
a costura
entre
razão
e
coração
tingem
o tecido opaco
de sua própria melancolia
no tom escarlate
de sua lírica
porém pobre
nobreza
poetas
servis sedutores
transformam o passado
e quaisquer futuras dores
em letras de beleza
e toda a infiel incerteza
no mais plausível
amor

Samantha B. S.

55


{Que imagem linda sempre foi imaginar o amor chegando, imaginar como você seria, o que faria quando nós nos víssemos pela primeira vez...}
Foi pela manhã. Foi uma manhã como qualquer outra dentro de um ambiente interno; algumas janelas não abriram, outras não fecharam... Então o ar era pleno, enchia pulmões, olhos e todo o ambiente em volta de sonhos oxigenados. As cortinas, mal desenhadas para as suas devidas janelas, não cobriam a realidade, a claridade do sol, quero dizer. Aquele sol que sempre esteve lá desde que nascemos... Acho que devia ser mais ou menos umas nove horas da manhã, talvez as horas fossem um pouco mais cedo ou bem mais tarde, não sei dizer exatamente; só sei dizer que eram 55 minutos passados de alguma hora entre o nascer do sol e a meia noite daquele mesmo instante.
{O sonho de amar é belo, a realidade de amar não; o amor rasga a existência em um milhão de pedaços até você se perder de si mesmo em tantos fragmentos.}
O eu olhou para o outro, o outro olhou para o eu. Eles se viram sem querer. O tempo parou. O tempo brilhou de repente, assim como um flash acontece pra uma fotografia. Então fiquei olhando, só olhando. O que mais eu poderia fazer enquanto sentia aquilo? Acho que até perdi a memória e acabei esquecendo meu nome... Na verdade acho que até me desencontrei de quem eu tinha sido. Até o meu pensamento parou. É como se a única coisa que eu ouvisse fosse silêncio. Não, não, acho que estava conseguindo ouvir as nossas almas sussurrando segredos inimagináveis...
{O amor nunca foi belo; quando ele chega, devasta tudo, vem se mostrando com toda a sua violência.}
E você ficou olhando e ouvindo meus silêncios. Seu olhar pode ter durado anos, ou talvez precisamente 55 segundos daquela manhã, com aquelas cortinas imprecisas, com aquelas janelas sem dono. E minha alma calada sorriu pra você.
{O amor é um dolo; não, o amor é um tolo que precisa de outro pra existir...}
E sua alma chorou de volta pra mim. E nós gargalhamos em vibrações de baixa frequência; ninguém pode ler os nossos silêncios em voz alta além de nós mesmos. Então conversamos em silêncio por quase meio século em uma pequena fração de tempo, 55 segundos.
{O amor é inseguro, ele chega chorando e pedindo colo e consolo com medo de morrer em um segundo...}
Então os segundos acabaram, as cortinas mal feitas foram abertas, as janelas foram quebradas. A conversa acabou. Sobraram o oxigênio do ar, a claridade daquele sol que sempre esteve lá desde que nascemos e nós; sim, você e eu sobramos. Sobreviventes da indecência silenciosa.
{O amor chega a ser quase o mundo. O amor se finge de morto...}
Se sobrar algum tempo depois do tempo, lembre-se de nós.
{O amor é mudo.}

Samantha B. S.



terça-feira, 29 de setembro de 2015

DEVIR



esqueço das várias que fui aos poucos,
o devir vem brutalmente
sem nitidez
rasgando os espectros entorpecentes
das possibilidades
do infinito

sinto meu corpo desvanecer e reintegrar-se
e lembro que
o espaço
é só uma questão de tempo,
um detalhe...
minha mente existe

já imaginei que pudesse brincar com os anjos
e tocar a placidez dos planetas
com um sorriso,
e trazer a luz de um metal precioso
nos gametas,
e declamar um poema incandescente
com um só beijo...
como um tapa na cara
da morte
e nos relógios atômicos que desenham as linhas
de nossa humana
imperfeição

houve um tempo que
acreditei na indecência
do céu e das estrelas...
com tantas constelações
não poderia haver tanta
solidão e violência

desvencilhei-me de amarras
e armadilhas;
escalei um poço escuro arrebentando as vísceras
do tempo
e deixando seus pedaços pelas pedras escorregadias...

não tive medo do desfalecimento
do ser
solucei de saber-me só em trilhas
que pensara que só eu conhecia

reli linhas escritas
displicentemente largadas no lodo
como se valessem todos
os choros,
como cartas indesejáveis sem destinatários
pelas horas infatigáveis que impõem
o seu próprio fim

temi perder meus pensamentos que fugiam,
não os tinha seguros
quando tinha pensamentos demais

enamorei-me da paz do silêncio
que mostra nuances invisíveis
do impossível

enquanto decifrava imagens em mim
indecifráveis,
vasculhava meu coração e sangrava
aquela coragem absurda
de acreditar
e de sentir-se
completamente minha...

sentir é um pequeno momento
de lucidez,
amar é sorver-se e reencontrar-se
no caos de ser várias
ao mesmo tempo;
de sermos nós
no tempo que há

minha mente ainda resiste
ao nada...
meu coração ainda insiste
em fazer morada
no templo do infinito...


Samantha B. S.

sábado, 22 de agosto de 2015

Hiato


a vida
desenrola fatos
e eu
abro abismos e espasmos
em espaços internos
eu
deslizo por caminhos anímicos
e a vida
plural
desiste em hiatos sísmicos:
saídas corrompidas por infernos
a vida
anda na contramão das sinas
e eu
perdida
abro-me para os lados
perco-me
cínica
dos sons e do sol
no silêncio da cisma que antecede
a escuridão de saber-se
só
fujo
dos sonhos
mas nunca em vão
com eles vão os nãos
que
os sonhos
dão
finjo
ser mais forte
do que o orvalho
beijando o brilho
de uma flor de aço
sim
eu
faço e falho...
a vida
mergulha em mim
e me olha
eu
abraço feridas inesquecidas
invisíveis
invisível,
escondo-me da fogueira
da insensata juíza:
a vida só me mostra
da vida
cicatrizes...
a vida
e seus matizes
desenrolo-os em tentativas
sem expectativas ou saudades
sem asas ou pontes
eu
vivo
a vida
sem saída...
sem depois
nem antes

Samantha B. S.

sábado, 1 de agosto de 2015

Perhaps


pode me chamar de tardia,
de vadia manhã cheia de heresia,
de fada de contos,
de hipocrisia e pranto,
de canto e loucura,
de bruxa e ninfa...
eu nunca fui minha!
pode me sentir
como uma brisa escaldante,
como as asas cínicas de um hierofante,
como o breu,
o fel,
o sol,
de repente azul,
num instante demorado
como o céu de abril,
como a dor de um blues...
eu nunca fui ré,
você nunca foi hell
a lua continua a mesma,
nua e branca,
às vezes vermelha,
perhaps amarela...
mas eu nunca fui sua!
nem ela!
sou aquela mesma rua que atropela
as tentativas de sua fuga
de si mesmo
e de mim
quando você finge de cor
que a saudade
não é de cor carmim,
e que o desejo
nunca foi algo
assim tão ruim...

Samantha B. S.

domingo, 21 de junho de 2015

COLÓQUIO CONTÉM-PORRA-NEO




loucura pouca é bobagem
ternura muita é chantagem

qual é a cissura?

vantagem


Samantha Beduschi Santana

DESAPRENDIZADO



se
si
consiga

te
ti
cantiga

nós
nos
com isso?

e
a voz?
vos consigo


Samantha Beduschi Santana

sábado, 13 de setembro de 2014

cybercultural

Samantha Beduschi Santana

the brain-dead hypnotized by information,
only able of rolling eyes through a surface,
clicking on windows that open,
just a matter on cyberspace,
just a matter of time
for their eyes to un-open
no knowledge that amplifies
the real being…
no love of sharing
no purpose in truly decomposing their mind,
texting blanks, living lies:
an arrow without a serpent,
a bow without its tongue
dripping poison of an un-life
the image lies on the weakness
of scrolling bars,
plagues of a lit screen,
they don’t let your body fly
they don’t let you slide your soul
to any side
but to misery
the fortress created with invisible bars:
just eyes and hands in torture
and a field of everything but

a whole screen of nothing.

domingo, 10 de agosto de 2014

É preferível ter as implicações negativas de ser sonhador (tipo quebrar a cara com pessoas de índole perversa e miudeira), do que as implicações negativas por ser malicioso. O malicioso atrai o complexo de Sísifo para si mesmo sem ajuda, é um tolo que devora o próprio figado e cumprimenta os sonhadores com bafo de bílis. Faço parte, sim, do clube dos sonhadores, dos Glauber Rocha da vida e de todos os netunianos que põe a cara para bater em nome de um objetivo maior. Assumo os tomates podres atirados da várzea e faço disso um suco de Almodóvar, em "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" (1988). Dito isso, carapuças vestidas, despeço-me sem culpas, sem remorsos, para continuar minha jornada com meu dæmon aristotélico.


[Das epifanias telefônicas. C/ Samantha, centaura-sábia ♥]

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Deserto de vazios

Sinto-me envolta em mantos rasgados
Que escondem o sagrado do que me resta,
Que protegem a carne já dilacerada,
Que guardam o tempo que ainda há em mim.
Quero despir-me e despedir-me
Das cascas que recobrem meu corpo,
Que de tão furadas pelas lanças do mundo,
Estão em lascas...
Já não servem mais de escudo,
Já não servem mais.
Por entre esses rasgos em mim espio os tornados
Dentro do deserto de vazios que criei e que carrego...
Nego tudo, desejo nada e fujo do meu castelo,
Que outrora era belo,
Mas que já não serve mais de morada,
Já não serve mais de refúgio,
Já não serve mais.
Fujo das ruínas enfeitiçadas pelo destino e por Cronos,
Que ainda se mantêm apesar do meu desatino e dos anos,
E dos ventos que sopram dos desencantos,
E dos prantos que chovo em mim de vez em quando.
As areias das minhas ampulhetas invisíveis
Flutuam em inaudíveis lamentos
E caem em tormentas imprevisíveis;
Formando intransponíveis dunas,
Barreiras que impedem minha fuga...
Desse castelo em ruínas inquebráveis
Nesse deserto de vazios que criei,
Que antes de cenário de tormentas e tornados era oásis,
Mas que já não serve mais de morada,
Já não serve mais de refúgio,

Já não serve mais...

Samantha Beduschi Santana

terça-feira, 4 de março de 2014

QUEDA



caí
caí de onde
mora o cansaço
voar lasso
perdi o rumo
caí

voei em solo
perdi o sono
caí

caí no solo devasso
será que me levanto
ou durmo por aqui?
caí no sono

um passo na rota
do rumo saí
caí no traço
perdi o sonho

caí de volta
caí

caí
sem derrota
caí daqui do solo
pra logo ali

um abraço
no sol
dou um laço
no sonho
pra não cair

caí de um vôo tolo
pra um duo
caí do prumo
caí

caí no colo do sol


Samantha Beduschi Santana

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Temptrabdução Joy(se...)

*Temptrabdução Joy(se...)

(...) It was of a night,
late,
lang time agone,
in an auldstane eld,
when Adam was delvin and his madameen spinning watersilts,
when mulk mountynotty man was everybully
and the first leal ribberrobber
that ever had her ainway everybuddy
to his lovesaking eyes
and everybilly lived alove

with everybiddy else(...)

*James Joyce

(…) Era de uma noite,
tarde,
lango tempo idoatrás,
em uma memória longantiga,
quando Adão era cidadespaço e suas rodopiantes partículas madamás na águantiga,
quando o homem malíderreal era todobom
e a primeira leal gozadorroubadora
que sempre teve sua formentodos
aos olhosamantes dele
e todobode viviam sozinhamor
com todomunda mais (...)

*por Samantha Beduschi Santana

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

VIRÓTICA





viro aquilo
ou
viro isso

qualquer dia desses
viro árvore
a sorrir um quilômetro
de só isso
ou de aquiles

e viro o virar

da maçã à raiz
da raiz ao perigo

vou e volto
de mercúrio
termômetro
sem precisão

nem aviso
virar a virada
para o lado
contrário do ar

do chão à marte
da lua refletida no mar
à sorte de plutão

viro só riso a voar

viro semente
de presente
pra terra

viro tudo
que pressente
a atmosfera
de estar
virando

viro risco
que nada
em água corrente

viro riso
viro nada

viro serpente
que alimenta
a fera e o juízo

viro terra viva quente
viro gente

qualquer dia desses
viro paraíso

viro porta aberta
do piso
à aorta

se descoberta
puro prejuízo

e se for preciso
viro a mão
que o coração
comporta

viro sim
viro não

viro sorriso

pois o meu vício
é virar o aquilo
ou o isso
nisso
Samantha Beduschi Santana

sábado, 12 de janeiro de 2013

(IN)FELIZ ANIVERSÁRIO



‎
(IN)tensidade de presentes
desvendados
de dias idos, passados,
futuros sonhados por ninguém...

desembrulho os pacotes
de desencantos desferidos
ano após ano:
ausências
de ausências
de ausências...

só ficaram
transparências
de eu mesma
cada ano (IN)diferente

somente eu
em mim

de presente
de eu pra mim
me escorro
em uma só gota
de silêncio
em tom
karm(IN)
Samantha Beduschi Santana


INVERBO-IN-VERSO





eternizo-te
com a língua
que te molha
o verbo-verso

a língua
que molha
a língua
no inverbo
que eterniza
o verso

eternizo-te
com a língua
que te molha
um verbolhado

inverbo-te
no universo-língua
que molha
a língua
um verso molhado
Samantha Beduschi Santana

A DOR É VÍCIO





Dor, qual será teu ofício?
És flor carnívora que a alma devora,
Herança de Pandora,
Ou és disfarçado benefício?

A ti nos agarramos desde o início.
A dor por vir, a dor de agora,
A dor de amor, a dor de outrora;
Branda ou em chama sempre deixa resquício.

Não é de todo malefício
Contudo, a dor que se chora.
Após o ardor das lágrimas surge a aurora.
Desvendada então, a dor está: é vício!
Samantha Beduschi Santana