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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

O Absurdo Banal



Não se dorme mais
para que o tempo pare,
os sonhos não nos atormentem
enquanto a angústia corrói.

Respira-se, é fato!
Mas não mais aquele ar de antes,
do anseio pelo eterno
da coragem de olhar pro sol.

O que ainda vive é um mecanismo
que oscila entre o neutro e o absurdo.
O rastejar nas possibilidades
repletas de "impossíveis..."

Morrer jamais será um fim
Claro que não! Sabemos
O mundo só se contenta
se observar a putrefação

E então alguém olha
aperta o nariz com as mãos
cheirando o hidratante da vez
E comenta: Que podridão!

Alessandro Jucá (15/12/2019)

terça-feira, 12 de julho de 2016

Amor de um novo dia



Meu amor, do teu sol me fortaleço
Teu olhar me traz luz todos os dias
Tua alma é a paz que nunca esqueço
Revivendo meu mundo de alegria 
Em tuas mãos eu encontro meu abrigo
Em teus braços me sinto mais liberto
E na força contida em seu sorriso
Vejo oásis por todo o meu deserto 
Diante do amor, agora eu canto
Em notas de paz, vida e alegria
Sentindo então o fim de um pranto 
Da vida cansada que eu vivia
Na ausência sentida em desencanto

Da noite que então já se fez dia 

Alessandro Jucá

sábado, 20 de julho de 2013

DOGMA

DOGMA

Quando sou dia
busco a claridade da lua
Adormeço antes de contemplá-la

Quando sou noite
Almejo ver o sol
mas me desfaço
antes do amanhecer

Porém à tarde
Que não é noite
Tampouco dia
Não quero ser

Eis o mistério da fé
Da ciência
ou de qualquer filosofia

Eis enfim
A santíssima
Humanidade


Alessandro Jucá 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Poema do sete -pele (poema anti-capital )

- BASEADO NO POEMA DE SETE FACES, DE DRUMMOND


Quando nasci, meu pai
Desses que compram
Disse: Vai Alessandro, (H)enrique.

Os carros olham os homens
Que as mulheres correm atrás
Dos homens, sem dúvida.
Dos carros, bem mais!

O ônibus passa lotado
Trinta e seis sentados, quarenta em pé
Para que tanta gente pobre, meu Deus?
Pergunta o zelador.
Porém meu patrão, não pergunta nada.

O homem de maquiagem
É sério, rico e metrossexual,
Fala pelos cotovelos,
Cheio de amigos interesseiros
O homem rico, que malha de maquiagem.

Meu Deus, porque te abandonamos?
Se sabíamos que tinha outro deus,
Se sabíamos que éramos trapos?

Mundo mundo gasto mundo
Se eu me chamasse Gastão,
Seria uma solução e não uma rima.
Mundo mundo gasto mundo
Mais gasto com meu cartão

Eu não devia falar,
mas este shopping,
este SPA,
botam este povo entretido como diabo.

Alessandro Jucá
http://mestressan.blogspot.com

sábado, 1 de agosto de 2009

Nem Sempre

Nem sempre encontro o ponto
Nem sempre sei ao certo
Nem sempre sou aberto
Nem sempre sigo tonto

Nem sempre “sempre encontro”
Nem sempre me confesso
Nem sempre faço o verso
Nem sempre estou pronto

Nem sempre sei o conto
Nem sempre fico perto
Nem sempre sou esperto
Nem sempre eu afronto

Nem sempre eu confronto
Nem sempre estou certo
Mas sempre “sempre” o verso
Fica pronto

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Estrada

(a um amigo)

Foi quando então

Ele desapareceu entre as estrelas

Ficando aqui dentro de nós

Todas as marcas de seu trabalho

E a dor é apenas uma etapa

Do grande aprendizado

O sofrimento

É o que nos dá polidez

E a alma dos que ficam continua

Porque essa era a sua luta

Manter-se aqui

Para quando estivesse lá

Permanecesse aceso

Em todas as mentes que buscam

O fim da estrada

E o começo da glória

Foi quando então

Ele desapareceu entre as estrelas

Alessandro Jucá

Inferno Astral

Ah, esse mundo distante!

Onde a arte é semente de tudo

Onde a flor reascende a poesia

E a vida é movida de amor

Sim, esse mundo esquecido

Que ascende o sonho da alma

E a dor revivida no tempo

Confundiu-se com o próprio temor

Mas se agora no inferno dos astros

Eu pressinto os dias de outrora

Com a luz que guiava meus passos

Vou embora!

Sim, eu volto...

Em um belo dia de agora

Alessandro Jucá

O Céu Olha pro Chão

O céu olha pro chão

É como se a estrela mais antiga

me olhasse intensa lá do alto

e nesse mesmo espaço, a vida

fitasse seus olhares no asfalto

o que pro céu talvez seja guarida

para mim talvez um cadafalso

e as coisas que eu via no cinema

me acenam suas cores da montanha

enquanto rezas recitadas em novenas

me envolvem em suas teias de aranha

o que pro céu resolve um teorema

para mim as chaves são estranhas

A origem do universo me fascina

E arte, criação que me alimenta

A beleza que atrai minha retina

Não se explica, se entende nem comenta

o que pro céu talvez seja uma sina

Para mim talvez o que se inventa

E assim eu sou feito de metade

Parte céu que me olha do infinito

Parte “chão” que sou eu, humanidade

Coração entre o mal e o bendito

O que pro céu talvez seja vaidade

Para mim talvez o mais bonito

Alessandro Jucá