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domingo, 12 de julho de 2015

Um pouco de superfície


(Giovanni Chaim)

Sou poeta demais!
Se eu fosse menos poeta,
Poderia fazer poesias até melhores,
De um jeito mais certo.
Mas eu só carimbo o que sinto, nem penso.
Se eu fosse feito de aço,
Gravaria em meu metal,
A palavra: silencio.
Mas eu grito tanto... atoa.
Se eu estivesse de branco,
Eu estaria certo.
Mas eu estou de preto, eu estou errado.
(...)
Se eu fosse equilibrado,
Não cairia para nenhum dos lados,
Permaneceria reto.
Mas eu sou só incoerência e desequilíbrio.
Se eu fosse a água,
Seria a atração, e não o atraído,
O que trai, e não é traído.
Mas, apesar de transparente, sou sólido, não líquido.
(...)
É que se eu fosse de fevereiro, e não março,
Eu não seria o peixe,
Eu queria era ser o aquário...


Olha o que ela faz



(Giovanni Chaim)

Ela só tem o direito de criticar o meu poema,
Mas, não, ela se reveste, por si mesma, de outros direitos:
.ela ignora o poema.
.ela me olha.
.ela me mede.
.ela me pesa.
.ela me taxa.
.ela me rotula.
.ela me considera.
.ela me sentencia.
.e ela me condena.
Aí ela finca uma faca no meu fígado,
e me deixa ali, com a ferida aberta,
pros abutres e morcegos (não herbívoros)
se alimentarem de mim.
E vai embora.

Feliz...