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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

DESTEMPERO



Quando me destempero,
alucino a lucidez,
suicido a insensatez,
mas se você se adiantar
eu ainda te espero.

Desordeno a ordem local,
liberto os entes livres,
aprisiono os seres cativos,
adoço a vida com sol e sal.

Faço plano o aclive,
entorto o meio da curva;
sinto a visão turva;
porém te aguardo,
até o ocaso da vida.


[gustavo drummond]

sábado, 9 de novembro de 2013

EU



Sem identidade conhecida,
um nome esquecido,
endereço incerto,
nômade, navegante.

Embora ame a vida,
a vida anda esperta,
ruma a céu aberto,
para mar desconhecido.

Mesmo sendo ameno,
mais do que antes,
nem sei sou pleno,
ao me fragmentar
em cacos obscenos,
em fatias de ar.


[gustavo drummond]MG

terça-feira, 11 de junho de 2013

POETA CEGO



Raro dom divinal,
descrevia oásis, horto,
jangadas, portos,
solitário, admirável,
versos intensos,
poética alucinada;
o poeta cego e negro
de verso branco, natural,
verso livre agradável,
ousadia, pouco senso,
gritava poemas,
suava poesia,
afrontava o sistema,
com sua rica ideologia,
metáforas agudas,
metáteses rudes,
alucinação fecunda;
via com a alma pura,
ações, atitudes,
lirismo que abunda.


[Gustavo Drummond]