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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

O Coração É




O meu coração é uma criança num balanço
Atinge alturas altíssimas
e na descida o frio na barriga
até encostar os pés no chão
espalhando folhas
e levantando nuvens de poeira

O meu coração é um feirante em dia de frio intenso
De repente, lá na esquina, uma velhinha aponta com
Sua capa de chuva e o seu passo leve
Um e outro, um e outro, ele espera paciente

O meu coração é um farmacêutico sem diploma
que distribui receitas para doenças incuráveis
com a convicção dos crentes ateus,
mas às vezes acerta que a febre vai passar

O meu coração é o incrível Hulk destransformado,
pegando aquele ônibus para uma outra cidade
com aquela mochila nas costas
e o monstro no espírito

Assionara Souza

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Influenza

Depois , você pega a Ilíada e segue reto até a Odisseia. Ali, você vai dar com o Troya's Horse ( bem na esquina ) : Peça um nausicaa. Normal. Se amarra no navio. Se segura. Mas deixa o olho aberto. Uns salpicados de onda fria no peito peludo. As imagens diagonais. Poseidon bem loke fazendo aqueles efeitos especiais . Não dê bola. Aperta o play : Véronique suave e triste, de um lirisminho tipo Ismália . Garantidíssimo, meu chapa. Vá por mim. Ai , e tudo num wislawês szymborskiano pra rebentar o coração . Love it soul much ! Coise Lá.

Avia !

Björks !


Assionara Souza

revista Gilda

sexta-feira, 10 de maio de 2019

nomorro



[assionara souza]


a paz é triste
atônita surdez
depois do seco estampido

passos curtos e cambaios
a mãe recolhe do varal
a roupa que o menino
não vai mais vestir

não estivesse ela àquela hora
limpando a festa suja na casa que não é sua
longe de sua vida real e do seu menino adorado
teria gritado: — vem pra casa, filho!
tem polícia no morro!

céu azul de abril
guarda desde sempre
este fatídico e recorrente encontro
entre a cabeça do menino
e o projétil fatal do assassino fardado

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Assionara Souza por ela mesma



Escrevo desde muito cedo. Na adolescência, já enviava textos a concursos literários e fui contemplada em alguns. Mas o primeiro livro publicado é de 2005. Leio muito e tento acompanhar a produção literária e cultural contemporânea. Minha produção é motivada tanto por experiências que vivo no meu cotidiano quanto por minha relação com outras artes. A música, por exemplo, me ajuda muito a produzir literatura.

Meus personagens são pessoas que poderiam passar despercebidas se transitassem na realidade. Gosto de enxergar luminosidades em figuras aparentemente apagadas e sem brilho. Interesso-me por anônimos e talvez eles estejam presentes em minha obra como uma forma de chamar atenção para a beleza que se revela quando ninguém está olhando.

Os bons autores me influenciam; tanto poetas quanto prosadores. Acho que a literatura é uma arte que não se deixa baratear. Se o livro é ruim ele pode até fazer um sucesso quando publicado, mas não resiste muito. Eu levo isso em consideração quando escrevo. Me inspiro em nomes como Osman Lins, Julio Cortazar, Virginia Woolf, Maguerite Duras, Wislawa Szymborska e os russos todos. São muitos.

Sobre o mercado editorial brasileiro, penso que precisa melhorar muito. As feiras e a crítica estão todas centralizadas em obras escritas por homens, não acho que seja necessário abrir cotas para mulheres, mas pelo menos dar visibilidade ao trabalho de autoras que estão produzindo muito e obras excelentes, mas que não chegam aos leitores como deveriam. Só precisavam chegar aos leitores, pois a partir daí a qualidade da obra iria garantir sua permanência; é dessa abertura que precisamos.

Assionara Souza

fonte : http://sites.uem.br/cedoc-lafep/indice-de-escritoras/letra-a/assionara-souza/assionara-por-ela-mesma

Narcisyou




Então é suficiente olhar o poema na página e pensar:
Que poema estrondoso
Que poema estúpido de louco
De onde vem essa coisa toda que se chama poema?
Ah, talvez daquela rua
Um garoto atravessando
Ele tem um lenço azul no bolso
E fica parecendo o rabo de um gato
Os cabelos esvoaçam
Ele fez isso de propósito
Não! Espera, não é daí que vem
Talvez seja mesmo desse pouco espaço para o coração
De repente ele começa a explodir demais
E ninguém consegue dormir direito
Ou por isso mesmo, dorme-se demais
A cidade sonolenta
Os três correndo feito loucos
E quando ela cansa, põe as mãos nos joelhos e sorri
Jules e Jim também é o seu filme preferido?
É o meu!
Que coincidência
Que coicidência eu ter olhado por um tempo longo
E ter pensado:
Estranho, quanto mais eu olho, mais gosto
Não era só um poema numa página?
Aliás, naquela manhã — já faz tempo
Seu rosto de criança refletido no lago
Todos prontos para partir e você ali
Nesse exato momento: o poema



 Assionara Souza


Um breve instante




Tomo um chá enquanto escrevo
O resto de tudo o mais
Dilui-se na ilusão dos dias
Ontem, por exemplo, choveu
E fez frio as horas todas em que não estivemos juntas
Pensei em ti enquanto olhava a mendiga de minha rua
Encolher-se num canto onde o vento machuca menos
Pensei no quanto amo tuas mãos de amarrar nuvens
Quando o moço viciado em crack me apresentou o papel da receita
E pediu que lhe inteirasse o dinheiro para a compra do remédio
Chorei muito e odiei o mundo
Ao ler a notícia da menina encontrada morta
Com marcas de estupro e o coração arrancado
Lembrei do quanto amo teu abraço mar em torno da ilha de minha tristeza
E meu tanto querer voou ao teu encontro
Minha alma valsou feito o violinista de Chagall
à volta de tua figura
Será que você sentiu
Esse meu beijo-pensamento, ontem às seis da tarde?
Ah, deixa-me dizer que isso não é romantismo
Não tenho ilusões de casamentos
Nem grandes festas
Em que todos os presentes esqueçam
Por algumas horas
Que chove e faz frio
Que o vento violenta a mendiga de minha rua
Que o garoto sonha com a química que o destrói
Que pelos caminhos de crianças de dez anos
Rondam homens maus que lhe arrancarão a vida, a alma e o coração
Não mais escrevo poemas, meu bem
Sentir e dizer o que sinto
É tudo o que sei e faço
Com o desejo único de que em algum momento
Meus olhos barcos avistem
Ainda que por um breve instante
Esses teus olhos horizontes
Antes que se feche a noite, o sono e o sonho




Assionara Souza

Tarot




Vou confessar, querida
Tenho isso de gostar dos loucos
Observo de longe o jeito que eles comem com os olhos
Com você foi assim
Esse esmalte vermelho sempre em dia
Esse passado colado no álbum com cantoneiras e papel vegetal
Quero a receita completa
Desde o suspense antes do desfecho da trama
O disparo, teu olho assustado pra câmera
Por trás da palavra pêssego
corre um rio espesso
Mordo a palavra pêssego
E as comportas desabam — uma cidade inteira vem abaixo
Corremos, corremos para bem longe do set de filmagens
Vida real é um cão dormindo no silêncio da tarde de um domingo



Assionara Souza

A Mulher de Lot




Um passo atrás
Enquanto a cidade desaba
Todos correndo
Um tumulto dos diabos
O filho, a filha, o marido
A vizinha da frente — com quem o infeliz tem fornicado
Há mais de cinco anos embaixo de seu nariz
Como se ela não soubesse
Como se ela não tivesse visto de tudo nessa vida
Ele perguntando se a camisa vermelha
— Aquela com um só bolso no lado direito?
— Sim. Essa mesma.
Se a camisa vermelha não estava limpa e bem passada
E o filho indo no mesmo caminho
Tratando-a feito lixo
— A mãe não sabe pronunciar a palavra “estultícia”. Tenta, mãe!
Estúpidos todos
Até a filha, que ela tanto ensinou
Agora andava com um centurião
Um centurião!
Maior desgosto para uma mãe
E depois dessa correria toda
Quando arrumassem pouso
Adivinhem quem prepararia o jantar?
Não teve a menor dúvida
Mirou a cidade em chamas
Uma sensação incrível
Deixar de ser uma mulher de pedra
Seu corpo inteiro puro sal rebrilhando ao sol

Assionara Souza

Espelho meu




Estávamos na sala eu e minha mãe
[Agora é que percebo que ela manteve os cabelos longos
Somente até aquele dia]
Eu lia a história de Branca de Neve
Virando as páginas assim que as personagens do
Disquinho azul alcançavam a última linha
— Terminar de ouvir me antecipava a vontade de ouvir de novo —
Mal sabia que alimentava naquele gesto
O pequeno monstro do desejo incontrolável
Minha mãe fazia acabamentos na bainha de uma saia xadrez
O carro parou na frente de casa com uma freada brusca
Olhamo-nos com a mudez sincera dos que sabem que
As cenas do próximo capítulo vêm para abalar o coração
Bateram palmas lá fora
Ela largou a costura
Eu desliguei o disquinho
E toda a paz de nossas tardes
Foi varrida pelo vendaval da notícia que o homem trouxe
Sempre que ouço a história de Branca de Neve
Esbarro naquele ponto em que o caçador
Arranca o coração de um cervo

Assionara Souza

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Tenho planos com o cinema
Pensar se devo ou não
Agarrar tua mão
Depois que o filme começar
Sofro de antecipações
Desastres acumulados
Percebe esse "THE END"?
É flash forward fake
Para causar efeitos especiais
Sou toda trágica e sísifa
Mas meu humor combina
Com teu jeito de atirar
Na cara triste do tédio
Uma trupe paraguaya
No meio da noite
Conversamos um tanto
Enquanto cachorros
Tiram água do joelho
Marcando território
E gatos engolem engulhos
Esse filme inédito
Véronique: tuas duas faces
Esgotam minha bilheteria
Apuro os sentidos
Pra não deixar escapar
Um único detalhe
[da composição de personagem
Minha câmera subjetiva
Te olha sempre em close
Plano geral: cheguei depois
Você esperou, chovia
Aquela cena inesquecível
Interpretamos sem script
O roteiro segue
Uma, duas bicicletas
Parar no posto pra fazer xixi
"Vem sempre aqui?
Trabalha ou estuda?"
Acho tão original
Teu modo de burlar clichês
Me ensina?
Anota aí:
O destino é uma mão no escuro

E a certeza morna no coração

Assionara Souza

terça-feira, 13 de junho de 2017

Verônica, a moça loira que ajudava minha mãe nos serviços da casa, se apaixonou pelo Agenor, o pedreiro negro e batuta que veio construir um alpendre junto com meu pai. Agenor curtia Amado Batista. Vêronica curtia Amado Batista. E ele todo se exibia numas de Bruce Lee, quebrando dois tijolos com um golpe de mão. Verônica ria e suspirava. Não deu outra, rolou amor. Foi festa e fofoca em minha casa. Um casal pra durar. Nossa mãe botou fé, nosso pai ficou pasmado! Olhe isso! Esses dois. Que coisa, hein! Esse moreno é sedutor! E o namoro deu-se na calçada. Com radinho tocando Amado. Roupa limpa, passada, perfumada. Mão pretinha colada na mão galega. A gente rindo e correndo em volta do casal alegria geral da minha rua.

Mas o homem da esquina achou aquilo um escândalo. Veio com facão na mão, gritando esculhambações, um bafo brabo de cachaça tomar satisfação de nossa mãe e nosso pai. Como podiam aceitar aquilo numa casa de família. Os olhos vermelhos de ódio paralisaram a festa. Nossa mãe partiu pra cima. Vá-se daqui, bêbado sem vergonha. Cuide dos seus assuntos. Nosso pai, um tanto trêmulo, deu todo o apoio possível à fúria de minha mãe. E eu, que só tinha uma coleção com doze lápis de cores, vi o quanto é destrutivo enxergar em preto e branco.


Assionara Souza

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Se você faz de você uma bolha é uma coisa
Mas saiba que tem gente morrendo no apartamento ao lado
Talvez agora mesmo eles estejam fazendo "aquele" telefonema
Sobre como providenciar tudo e como deve ser a cerimônia
Uma prima já reservou passagem pra o próximo fim de semana
A filha mais nova não se conforma com isso, mesmo quando disseram que depois o quarto ficaria pra ela
E você aí deitada lendo Raymond Queneau como se nada
E uma outra coisa muito pior, sabe o que é?
Se você faz de uma outra pessoa sua própria bolha porque daí não tem mapa de navegação que segure essa onda

Assionara Souza





quinta-feira, 20 de abril de 2017

Sobre isso do suicídio e a série 13RW




Sobre isso do suicídio e a série 13RW. Acho que os limites abertos do que o corpo pode sentir empurram pra sensação de querer um copo mais cheio. Os jovens estão tendo pouca atenção hoje? E quando foi que os jovens tiveram alguma atenção? A questão toda acho que é a falência dos afetos. Esse querer que não se basta. Esse querer insuficiente. Distúrbios psíquicos gerados por ferramentas que aceleram a ansiedade num grau alucinado; efeitos colaterais de drogas que foram perscritas na infância para embotar a energia criativa das crianças e obrigá-las a suportar horas a fio em fileiras, dentro de um quadrado burro chamado sala de aula, empurrando conteúdos medíocres sem validade à vida prática, e as mãos sempre embaixo das carteiras com celular plugado a redes sociais e mídias que deturpam imagens e transtornam identidades. Ninguém cultua a curiosidade por mais de 5min. Ela é descortinada e novamente se entra num outro looping de ansiedade a ser saciada. Essa é a geração addicted. O próprio vício de assistir uma série no netflix compulsivamente e comentar, isso acelera a velocidade da mente. Os corpos não estão quase nunca no mesmo lugar em que a mente está. Por que não eliminar o corpo se ele é algo duro, quase imóvel, enquanto a mente viaja em páginas virtuais elaborando desejos no limite do impossível de serem saciados. O livro que mais impulsionou uma onda de suicídio no XIX foi Werther. E quem era esse garoto? Alguém que tinha tudo e sofria de um tédio inacreditável. O tédio acaba quando ele encontra alguma coisa que embora esteja a sua disposição ele não pode ter. Mas o não poder ter o enlouquece quando essa coisa/objeto/consumo/charlote passa às mãos de um outro e evidencia werther como insuficiente pra ele mesmo. A melhor frase que me vem agora é a do nelson rodrigues: jovens, envelheçam. Envelhecer é se aproximar do corpo. O que também não dá pra descartar é se essa alta taxa de suicídio (jovens entre 15 e 29, depois de acidentes de transito, morrem mais de suicídio), é um sintoma da alta onda de consumo fácil em que tudo, até o próprio sujeito, torna-se descartável. É preciso aprender a não ter. Lidar com a falta. E o suicídio, ah, Ismália... A romantização do suicídio é o fim dos belos suicidas. Sim, mas tem também isso de os adultos foderem com a infancia e a adolescencia e juventude e etc.

Assionara Souza

domingo, 9 de abril de 2017

Ah, o amor

Ah, o amor
Essa maçã mordida que escapou das mãos
Foi parar embaixo daquela cômoda
As formigas em fila devorando suas fibras
Num dia de faxina
Abrem-se as cortinas
Fastam-se os móveis
Suas sementinhas largadas
Os dedos buscam averiguar que fruta é aquela
Mas que importa?
E as mesmas mãos lançam pela janela o que restou do amor
Por sorte cai no jardim
Por sorte é um dia de chuva
Por sorte a semente afunda
Olha, brotou um raminho bem pequeno
O cão fuça, arranca com os dentes e depois cavouca a terra puxando as frágeis raízes
Mas era domingo e o jardineiro acordou aquele dia com uma disposição danada

Assionara Souza




segunda-feira, 6 de março de 2017

Pedra Papel Tesoura


Construiu uma cidade inteira de origami, cada pessoinha de seu círculo de inimizade _ com quem havia cortado relações _ ali representadas em papel, vivendo sua vidinha, sem lembrar que ele existia. Olhou por um longo tempo aquele mundinho, descalçou os sapatos e pisoteou delicadamente sua construção. Por dentro, o coração de pedra sabia que o papel era mais forte.

Assionara Sousa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Um poema lindo
Pousou no meu domingo
Dorme agora
Entre lençóis desarrumados
Saio do quarto devagarinho
Faço café: sem açúcar
Nenhum medo me assusta
A paz costura seus silêncios
Vou à janela olhar a rua
Lá no asfalto
Pessoas passam indiferentes
Carros deslizam impacientes
Mas é domingo
O poema sonha profundo
Com um mundo
Em que a segunda-feira
Seja uma senhora boa e feminista
_que tenha tudo
E não queira nada da vida

Assionara Souza

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

E la nave va...



Flutuando entre nuvens
Num céu febril de janeiro
Tudo contrário
Com exceção do amor
Esse que escorre das mãos
Enquanto a noite cai
E espalha seus cheiros
Abreviando os medos
E la nave va...
Vaporosa e concreta
Escultura de baleia
Em minha janela
Entre mil lampejos
Um olhar miope interroga
O mistério solto nas horas
Da luz lunar das esferas
Anjos hereges despencam
E la nave va...
Nada temos de nosso
A não ser a propensão à luta
Crianças dopadas
Ilusões do consumo
Resumo do que somos
Esgotada a euforia
Quedamo-nos perplexos
Dispostos a um outro destino
Distante
Sempre adiante

E la nave va...

Assionara Souza

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Das contradições compensatórias


Saber que elefantes são seres levíssimos
E que toda véspera é um dia abundante de signos
Põe-nos a postos com os pensamentos
Revisar e deixar que a água revire os sótãos dos dias
Em sequências de rotinas ergue-se a história de um homem
Mas os hábitos cultivados com o coração permanecem gravados com fogo
Afora isso,'somos soldados tolos
Percorrendo a selva dos gestos com espingardas moralistas
Um homem sai de manhã para o trabalho
Sua camisa limpa, as botas engraxadas
O relógio de pulso desperdiçando o tempo esquecido de amar

Assionara Souza



·
Ainda não consigo firmar os pés sobre a rocha
Sem ignorar a vacuidade
Ainda enxergo num corpo específico
A Forma escolhida entre todas as formas
A madeira queimada pelo fogo transmuta energias
E mesmo que dancem os átomos sob o lago de teu olhos
A luz, essa radiante luz, faz-me calar diante do mistério
Vivendo, portanto, essa vida em par com as possibilidades

Procuro milagres no andar trópego dos noctívagos que velam as últimas estrelas

Assionara Souza

domingo, 1 de janeiro de 2017

Assionara Souza


Deus te ousa