Bertolt Brecht
Tradução: Paulo Cesar Lima de Souza
I
1
Quanto tempo
Duram as obras? Tanto quanto
Ainda não estão completadas.
Pois enquanto exigem trabalho
Não entram em decadência.
Convidando ao trabalho
Retribuindo a participação
Sua existência dura tanto quanto
Convidam e retribuem.
As úteis
Requerem gente
As artísticas
Têm lugar para a arte
As sábias
Requerem sabedoria
As duradouras
Estão sempre para ruir
As planejadas com grandeza
São incompletas.
Ainda imperfeitas
Como o muro que espera pela hera
(Ele foi incompleto
Há muito, antes de vir a hera, nu!)
Ainda pouco sólida
Como a máquina que é utilizada
Mas não satisfaz
Mas é promessa de uma melhor
Assim deve ser construída
A obra para durar
Como a máquina cheia de defeitos.
2
Assim também os jogos que inventamos
São incompletos, esperamos;
E os objetos que servem para jogar
O que são eles sem as marcas
De muitos dedos, aqueles lugares aparentemente danificados
Que produzem a nobreza da forma;
E também as palavras cujo sentido
Muitas vezes mudou
Com os que as usaram.
3
Nunca ir adiante sem primeiro
Voltar para checar a direção!
Os que perguntam são aqueles
A quem darás resposta, mas
Os que te ouvirão são aqueles
Que farão as perguntas.
Quem falará?
O que ainda não falou.
Quem entrará?
O que ainda não entrou.
Aqueles cuja posição parece insignificante
Quando se olha para eles
Estes são
Os poderosos de amanhã
Os que necessitam de ti, esses
Deverão ser o poder.
Quem dará duração às obras?
Os que viverão no tempo delas.
Quem escolher como construtores?
Os ainda não nascidos.
Não deves perguntar: como serão eles? Mas sim
Determinar.
II
Se deve ser dito algo que não será compreendido imediatamente
Se for dado um conselho cuja aplicação toma tempo
Se a fraqueza dos homens é temida
A perseverança dos inimigos, as catástrofes que tudo destroem
Então deve-se dar às obras uma longa duração.
III
O desejo de fazer obras de longa duração
Nem sempre deve ser saudado.
Quem se dirige aos não-nascidos
Muitas vezes nada faz pelo nascimento.
Não luta, e no entanto quer a vitória.
Não vê inimigo
A não ser o esquecimento.
Por que deveria todo vento durar eternamente?
Uma boa sentença pode ser lembrada
Enquanto retornar a ocasião
Em que foi boa.
Certas experiências, transmitidas em forma perfeita
Enriquecem a humanidade
Mas a riqueza pode se tornar demasiada
Não só as experiências
Também as lembranças envelhecem.
Por isso o desejo de emprestar duração às obras
Nem sempre deve ser saudado.
© ViverCidades 2001–2006.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Elegias Romanas
Johann Wolfgang von Goethe
Tradução: Manuel Bandeira
Falai-me, ó pedras ! Oh falai, vós altos palácios !
Ruas, dizei uma palavra ! Gênio, não te moves ?
Sim, tudo tem alma nos teus santos muros,
Roma eterna; só p'ra mim tudo se cala ainda.
Quem me diz segredos, em que fresta avisto
Um dia o ser belo que queimando me alivie ?
Não pressinto 'inda os caminhos, pelos quais sempre,
P'ra ir dela e p'ra ela, sacrifique o tempo precioso ?
Ainda contemplo igrejas, palácios, ruínas, colunas,
Homem composto, decoroso, que aproveita a viagem.
Mas em breve passa: então haverá um só templo,
O templo do Amor, que se abra e receba o iniciado !
És um mundo em verdade, ó Roma; mas sem o Amor
O mundo não era mundo, e Roma não era Roma.
© ViverCidades 2001–2006.
Tradução: Manuel Bandeira
Falai-me, ó pedras ! Oh falai, vós altos palácios !
Ruas, dizei uma palavra ! Gênio, não te moves ?
Sim, tudo tem alma nos teus santos muros,
Roma eterna; só p'ra mim tudo se cala ainda.
Quem me diz segredos, em que fresta avisto
Um dia o ser belo que queimando me alivie ?
Não pressinto 'inda os caminhos, pelos quais sempre,
P'ra ir dela e p'ra ela, sacrifique o tempo precioso ?
Ainda contemplo igrejas, palácios, ruínas, colunas,
Homem composto, decoroso, que aproveita a viagem.
Mas em breve passa: então haverá um só templo,
O templo do Amor, que se abra e receba o iniciado !
És um mundo em verdade, ó Roma; mas sem o Amor
O mundo não era mundo, e Roma não era Roma.
© ViverCidades 2001–2006.
Canto dos Emigrantes
NA CONTINENTE
Matéria minha na revista Continente Multicultural. Um texto sobre o poeta Alberto da Cunha Melo, um dos grandes amigos que tive e um dos mais importantes poetas da literatura brasileira. Quem quiser conferir o texto na íntegra, basta acessar o site da revista: www.continentemulticultural.com.br Não tem link direto pro meu texto. É só clicar no hiperlink “literatura”.
Agora, abaixo, uma obra-prima deste poeta que emigou:
Canto dos Emigrantes
Com seus pássaros
Ou a lembrança dos seus pássaros
Com seus filhos
Ou a lembrança dos seus filhos
Com seu povo
Ou a lembrança de seu povo
Todos emigram
De uma pátria a outra do templo
De uma praia a outra do atlântico
De uma serra a outra das cordilheiras
Todos emigram
Para o corpo de berenice
Ou o coração wall street
Para o ultimo tempo
Ou a primeira dose de tóxico
Para dentro de si
Ou para todos
Para dentro de si
Ou para todos
Pra sempre todos emigram
Astier Basílio
http://www.desliguemseuscelulares.zip.net
Matéria minha na revista Continente Multicultural. Um texto sobre o poeta Alberto da Cunha Melo, um dos grandes amigos que tive e um dos mais importantes poetas da literatura brasileira. Quem quiser conferir o texto na íntegra, basta acessar o site da revista: www.continentemulticultural.com.br Não tem link direto pro meu texto. É só clicar no hiperlink “literatura”.
Agora, abaixo, uma obra-prima deste poeta que emigou:
Canto dos Emigrantes
Com seus pássaros
Ou a lembrança dos seus pássaros
Com seus filhos
Ou a lembrança dos seus filhos
Com seu povo
Ou a lembrança de seu povo
Todos emigram
De uma pátria a outra do templo
De uma praia a outra do atlântico
De uma serra a outra das cordilheiras
Todos emigram
Para o corpo de berenice
Ou o coração wall street
Para o ultimo tempo
Ou a primeira dose de tóxico
Para dentro de si
Ou para todos
Para dentro de si
Ou para todos
Pra sempre todos emigram
Astier Basílio
http://www.desliguemseuscelulares.zip.net
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Professor
Quando tudo era escuro
As palavras não sabia como falar
As letrinhas você me ensinou ajuntar
Um novo som para elas dar.
Quantas vezes com ternura
Pegou minha mão
Com meiguice e atenção
Repetia varias vezes
O que não conseguia aprender.
Pouco a pouco meus olhos foram se abrindo
E um mundo novo fui descobrindo
A beleza existente a minha volta
Por muitos lugares levou-me a conhecer.
Passo a passo fui aprendendo
Somar, dividir, diminuir, multiplicar
Meus horizontes tornaram-se amplos
Ensinou-me a sonhar
E eles realizar.
Fez-me descobrir os valores
Sentir-me um idealista de pé no chão
Por isso, dedico esta humilde poesia
Com tamanha alegria e terno amor
A você mestre, meu querido professor.
Ataíde Lemos
As palavras não sabia como falar
As letrinhas você me ensinou ajuntar
Um novo som para elas dar.
Quantas vezes com ternura
Pegou minha mão
Com meiguice e atenção
Repetia varias vezes
O que não conseguia aprender.
Pouco a pouco meus olhos foram se abrindo
E um mundo novo fui descobrindo
A beleza existente a minha volta
Por muitos lugares levou-me a conhecer.
Passo a passo fui aprendendo
Somar, dividir, diminuir, multiplicar
Meus horizontes tornaram-se amplos
Ensinou-me a sonhar
E eles realizar.
Fez-me descobrir os valores
Sentir-me um idealista de pé no chão
Por isso, dedico esta humilde poesia
Com tamanha alegria e terno amor
A você mestre, meu querido professor.
Ataíde Lemos
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Mulher (Em Definição )
Mulher-Poesia
que deixa no meu corpo bocados de poema
Mulher-Criança
que desce à minha infância
e me traz adulta
Mulher-Inteira
repartida no meu ser
Mulher-Absoluta
Fonte da minha origem
Manuela Amaral
Amor no feminino, Fora do Texto, 1997 – Coimbra, Portugal
que deixa no meu corpo bocados de poema
Mulher-Criança
que desce à minha infância
e me traz adulta
Mulher-Inteira
repartida no meu ser
Mulher-Absoluta
Fonte da minha origem
Manuela Amaral
Amor no feminino, Fora do Texto, 1997 – Coimbra, Portugal
Caixinha de Música
impregno-me em ti como um perfume
como quem veste a pele de odores ou a alma de
cetins
quero que me enlaces ou me enfaixes de muitos
laços
abraços fitas ou fios transparentes
em celofane brilhando uma prenda
uma menina te traz vestida de lumes
incandescendo incandescente
te quer embrulhada em véus de seda e brocado
encantada a serpente a flauta o mago
senhor toca
e quando me toca
o corpo eu abro
caixinha de música
dentro
com bailarina que dança
Ana Mafalda Leite
Rosas da China, Quetzal Editores, 1999 – Lisboa, Portugal
http://www.blogdofavre.ig.com.br
como quem veste a pele de odores ou a alma de
cetins
quero que me enlaces ou me enfaixes de muitos
laços
abraços fitas ou fios transparentes
em celofane brilhando uma prenda
uma menina te traz vestida de lumes
incandescendo incandescente
te quer embrulhada em véus de seda e brocado
encantada a serpente a flauta o mago
senhor toca
e quando me toca
o corpo eu abro
caixinha de música
dentro
com bailarina que dança
Ana Mafalda Leite
Rosas da China, Quetzal Editores, 1999 – Lisboa, Portugal
http://www.blogdofavre.ig.com.br
domingo, 11 de outubro de 2009
O sr e sua aposentadoria esperam no barraco;
A noiva abre o zíper.
Chove lá fora, alaga ainda mais.
Tem barro, limo, sujo.
As mães não dão mais banho aos sábados nos piás;
Jogam o lixo o cachorro Uóchitom Buxi boiando com a barriga inchada.
A noiva fecha o zíper,
Sai do barraco,
Na poça reflete a porta do carro abre.
Abre o zíper:
A noiva gospe,
Corre de manhã pra casa do piá tem cherinho e as pedras que ela quer.
Bate cinza na lata furada,
Os homens da noite que acaba viram fumaça,
O chão do quarto é seu espaço.
O fantasma Chico admira a noiva da janela a lata vai além:
Pousa no Belém.
RODRIGO CECCON
A noiva abre o zíper.
Chove lá fora, alaga ainda mais.
Tem barro, limo, sujo.
As mães não dão mais banho aos sábados nos piás;
Jogam o lixo o cachorro Uóchitom Buxi boiando com a barriga inchada.
A noiva fecha o zíper,
Sai do barraco,
Na poça reflete a porta do carro abre.
Abre o zíper:
A noiva gospe,
Corre de manhã pra casa do piá tem cherinho e as pedras que ela quer.
Bate cinza na lata furada,
Os homens da noite que acaba viram fumaça,
O chão do quarto é seu espaço.
O fantasma Chico admira a noiva da janela a lata vai além:
Pousa no Belém.
RODRIGO CECCON
Poesia, Idioma da Percepção
"Mesmo no meio do nevoeiro, não é difícil constatar que também não sei fazer poesias."
Parto do princípio que poesia não é matéria resultante da arte ou ofício de se fazer, com um bolo, uma parede ou uma estrada. A rigor, entendo que ninguém inventa poesia.
Não se trata de uma mera questão de ir encaixando palavras ou garimpando rimas, tentando encontrar uma melhor composição, como estruturar uma melodia de sonoridade aprazível.
Entendo que poesia mesmo é uma espécie de idioma, uma linguagem da percepção, uma certa fatia da capacidade sensitiva do indivíduo. Quem sabe até uma faculdade muito próxima da clarividência.
Escrever poesias é, portanto, dentro deste raciocínio, mergulhar em busca da melhor semelhança entre aquilo que é captado pelos sentidos e as palavras que melhor possam expressar-lhes. Escrever poesias é demonstrar a habilidade em expor este estado sublime de entendimento.
E quanto mais elevada esta capacidade de combinar os sinais captados e seus respectivos símbolos, através de uma linguagem acessível, mais apropriado será o trabalho poético e melhor será compreendida a intenção de seu autor.
No meio da confusão, do burburinho, da falta de clareza e precisão, até surgem aqueles que, juntando meia dúzias de palavras, chamam a luz para si, falam alto, gesticulam e citam fragmentos literários e acabam sendo confundidos com poetas, mas, do alto da colina, por sobre o nevoeiro, a alma do verdadeiro poeta sorri com complacência e experimenta o exercício da tolerância.
Carlos Couto
(ensaio publicado no livro "Sangue Novo na Anemia" da Confraria Terra dos Poetas)
--------------------
Parto do princípio que poesia não é matéria resultante da arte ou ofício de se fazer, com um bolo, uma parede ou uma estrada. A rigor, entendo que ninguém inventa poesia.
Não se trata de uma mera questão de ir encaixando palavras ou garimpando rimas, tentando encontrar uma melhor composição, como estruturar uma melodia de sonoridade aprazível.
Entendo que poesia mesmo é uma espécie de idioma, uma linguagem da percepção, uma certa fatia da capacidade sensitiva do indivíduo. Quem sabe até uma faculdade muito próxima da clarividência.
Escrever poesias é, portanto, dentro deste raciocínio, mergulhar em busca da melhor semelhança entre aquilo que é captado pelos sentidos e as palavras que melhor possam expressar-lhes. Escrever poesias é demonstrar a habilidade em expor este estado sublime de entendimento.
E quanto mais elevada esta capacidade de combinar os sinais captados e seus respectivos símbolos, através de uma linguagem acessível, mais apropriado será o trabalho poético e melhor será compreendida a intenção de seu autor.
No meio da confusão, do burburinho, da falta de clareza e precisão, até surgem aqueles que, juntando meia dúzias de palavras, chamam a luz para si, falam alto, gesticulam e citam fragmentos literários e acabam sendo confundidos com poetas, mas, do alto da colina, por sobre o nevoeiro, a alma do verdadeiro poeta sorri com complacência e experimenta o exercício da tolerância.
Carlos Couto
(ensaio publicado no livro "Sangue Novo na Anemia" da Confraria Terra dos Poetas)
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A Ordem das Coisas
(primeiro o medo)
somente minha sombra ao mar rugia
como se fosse um arpão
atado às minhas tíbias
então ruminei o silêncio
junto ao grave rosto do medo
fuga foi o que desejei
mas estar acordado
apontava-me setas e dedos
e então vi que o medo é um animal assustado
engolindo seu próprio corpo
e o medo digere a pedra de seu peso
e tece suas próprias algemas
o medo é um grito na escuridão
com medo de ser ouvido
(depois o anseio)
quando eu morri
inclusive o medo era escasso
os dias foram noites lentas
e cada minério do sono
cumpria o peso das horas perdidas
inaugurei então o esquecimento
extinguindo o fogo de estar vivo
depois verti o anseio de estar afundando
no redemoinho do tempo breve
morrer não é partir
é desistir
deixar-se levar
carlos couto
grupo no poem
somente minha sombra ao mar rugia
como se fosse um arpão
atado às minhas tíbias
então ruminei o silêncio
junto ao grave rosto do medo
fuga foi o que desejei
mas estar acordado
apontava-me setas e dedos
e então vi que o medo é um animal assustado
engolindo seu próprio corpo
e o medo digere a pedra de seu peso
e tece suas próprias algemas
o medo é um grito na escuridão
com medo de ser ouvido
(depois o anseio)
quando eu morri
inclusive o medo era escasso
os dias foram noites lentas
e cada minério do sono
cumpria o peso das horas perdidas
inaugurei então o esquecimento
extinguindo o fogo de estar vivo
depois verti o anseio de estar afundando
no redemoinho do tempo breve
morrer não é partir
é desistir
deixar-se levar
carlos couto
grupo no poem
Do Entendimento sobre o Homem
segundo Platão:
o homem é um bípede implume;
segundo Dostoiévski:
o homem é um bípede ingrato;
segundo Millôr:
o homem é um bípede inviável;
segundo minha própria concepção:
o homem é um bípede decadente
o homem é o único animal que pensa
que os outros animais não pensam
o homem é um animal que se adapta
e dificulta a adaptação dos outros animais
o homem é um animal solitário que articula
conchavos e aproximações
para amenizar sua melancolia.
Carlos Couto
grupo No Poem
o homem é um bípede implume;
segundo Dostoiévski:
o homem é um bípede ingrato;
segundo Millôr:
o homem é um bípede inviável;
segundo minha própria concepção:
o homem é um bípede decadente
o homem é o único animal que pensa
que os outros animais não pensam
o homem é um animal que se adapta
e dificulta a adaptação dos outros animais
o homem é um animal solitário que articula
conchavos e aproximações
para amenizar sua melancolia.
Carlos Couto
grupo No Poem
sábado, 10 de outubro de 2009
Ibiscos
Entre raízes, caules e folhas me perdi,
na fotossíntese entendi
sobre flores e inflorescências aromatizadas
polinização fertilizadora
frutos carnosos
frutos secos
germinação e reprodução
Plantas de deserto
Plantas aquáticas
Carníboras, epífitas e parasitas
_Esse pedúnculo vem sempre aqui
Estigma de aluno aéreo
_Voce está com o estame de fora
Zero em biologia
Já pra secretaria
Nem te ligo
Floema e Tilema funcionam bem
Deisi Perin
Publicado primeiramente em Pó&Teias
na fotossíntese entendi
sobre flores e inflorescências aromatizadas
polinização fertilizadora
frutos carnosos
frutos secos
germinação e reprodução
Plantas de deserto
Plantas aquáticas
Carníboras, epífitas e parasitas
_Esse pedúnculo vem sempre aqui
Estigma de aluno aéreo
_Voce está com o estame de fora
Zero em biologia
Já pra secretaria
Nem te ligo
Floema e Tilema funcionam bem
Deisi Perin
Publicado primeiramente em Pó&Teias
domingo, 4 de outubro de 2009
Informes Culturais Aedos

pressupondo que existe
memória na morte
e dentro dela um calendário
feliz aniversário
O poema acima está no livro 'Dois em Um", de Alice Ruiz, que acaba de ser anunciado como vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura, o mais tradicional do país, que está na sua 51ª edição. A poesia ali no alto é dedicado a Miguel Angelo Leminski, filho da poeta, que morreu ainda criança, em Curitiba, há uns 30 anos.
foto:acervo pessoal da poeta.
informe:portal.rpc.com.br/blog/sobretudo.
Saudação da Saudade
minha saudade
saúda tua ida
mesmo sabendo
que uma vinda
só é possível
noutra vida
aqui, no reino
do escuro
e do silêncio
minha saudade
absurda e muda
procura às cegas
te trazer à luz
ali, onde
nem mesmo você
sabe mais
talvez, enfim
nos espere
o esquecimento
aí, ainda assim
minha saudade
te saúda
e se despede
de mim
Alice Ruiz
http://www.aliceruiz.com.br
saúda tua ida
mesmo sabendo
que uma vinda
só é possível
noutra vida
aqui, no reino
do escuro
e do silêncio
minha saudade
absurda e muda
procura às cegas
te trazer à luz
ali, onde
nem mesmo você
sabe mais
talvez, enfim
nos espere
o esquecimento
aí, ainda assim
minha saudade
te saúda
e se despede
de mim
Alice Ruiz
http://www.aliceruiz.com.br
Informes Culturais Aedos
Amigos,
mando o link do Karaoke Coral na Gazeta: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/sobretudo/
se puderem comentem no blog sobretudo, quem sabe não ganhamos uma matéria no dia 07?
Beijos e espero vcs la!
Celeste Fernandez
www.karaokecoral.com
mando o link do Karaoke Coral na Gazeta: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/sobretudo/
se puderem comentem no blog sobretudo, quem sabe não ganhamos uma matéria no dia 07?
Beijos e espero vcs la!
Celeste Fernandez
www.karaokecoral.com
Onde as emoções são banais
Qualquer uma serve
Nada as diferencia
Nenhuma se torna eleita
Tornam-se dispensáveis
Palavras incompreensíveis
Ações acrobáticas, dizeres melosos
A quantificação do incomensurável
Apenas uma sinceridade autêntica
A conquista não premeditada
Aquela pitada de imperfeição
Do tipo que "faz bagunça"
Não é receita ou manual
Apenas um ponto de vista
Quiçá um ponto do peito
Ou um ponto de interrogação...
Angelo Portilho
Qualquer uma serve
Nada as diferencia
Nenhuma se torna eleita
Tornam-se dispensáveis
Palavras incompreensíveis
Ações acrobáticas, dizeres melosos
A quantificação do incomensurável
Apenas uma sinceridade autêntica
A conquista não premeditada
Aquela pitada de imperfeição
Do tipo que "faz bagunça"
Não é receita ou manual
Apenas um ponto de vista
Quiçá um ponto do peito
Ou um ponto de interrogação...
Angelo Portilho
sábado, 3 de outubro de 2009
Suíte do Pescador
Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer
Adeus, adeus
Pescador não se esqueça de mim
Vou rezar pra ter bom tempo, meu bem
Pra não ter tempo ruim
Vou fazer sua caminha macia
Perfumada com alecrim
Composição: Dorival Caymmi
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer
Adeus, adeus
Pescador não se esqueça de mim
Vou rezar pra ter bom tempo, meu bem
Pra não ter tempo ruim
Vou fazer sua caminha macia
Perfumada com alecrim
Composição: Dorival Caymmi
Mais uma Noite sem Sono
É estranho estar acordado na escuridão. É como estar consciente sem saber do quê. A lâmpada fluorescente é como se fosse a lua, e o interruptor a primeira estrela no céu. Dizem que, quando vemos uma estrela no céu, às vezes ela não está lá. É que ela fica tão longe, mas tão longe, que a luz leva alguns milhares de anos pra chegar aqui. Se todas as pessoas, quando ficassem deprimidas, pensassem que as estrelas podem nos pregar esta peça, talvez deixassem escapar um sorriso, nem que fosse o riso frio dos que riem só pra mostrar que entenderam o raciocínio, mas ririam assim pra si mesmas, como quem raciocina sozinho, ao ler um texto, por exemplo. Ler um texto é sempre muito solitário, sobretudo quando se vê, pelo reflexo da janela no seu monitor, que constroem muros do outro lado da rua. Mas, cá entre nós, que sabem eles das estrelas? É uma questão de lembrar que uma estrela existe, mesmo que esteja bem longe, e que ela pode brilhar, mesmo que não exista. Sim, porque as estrelas têm o humor que só os suicidas sabem ter, os suicidas que deixam sobre a mesa apenas um bilhete engordurado dizendo "fui", talvez "adeus" e quem sabe até "I love you, I love you, I love you". E o leitor que não ria: sofresse da insônia que eu sofro, também transformaria seu quarto num planetário, onde há apenas a lua e uma estrela, que não existe. Mesmo que descobrisse depois, num artigo de Astronomia, que era tudo mentira. Afinal, que sabem os astrônomos das estrelas? Talvez eu ainda possa contar esta história num desses muitos momentos da vida em que nos falta assunto. Quero dizer, não quando se está conversando e a conversa esfria, digo quando nos falta assunto a nós mesmos, quando se está sozinho no escuro, às três da manhã, e não há mais nada pra pensar. O telefone está cortado, ninguém irá ligar e dizer: "eu sabia que você estava acordado, eu também estava..." Não, o telefone já não pode inspirar mais esperança que uma lâmpada fluorescente. Logo mais, às quatro horas, o jornaleiro virá de moto e eu ouvirei o som do jornal caindo no chão, e o barulho da moto irá diminuindo, diminuindo, até sumir. E eu finalmente fecharei os olhos, devagar, e pegarei carona com o jornaleiro. E iremos, então, até o infinito.
OTÁVIO KAJEVSKI JR.
postado primeiramente no Pó&Teias
OTÁVIO KAJEVSKI JR.
postado primeiramente no Pó&Teias
Mais uma Noite sem Sono
Idem eu,insône insano que sou; as madrugadas esfoliadas dos nossos pensamentos em que um vazio cresce nas batidas tão certas quanto erradias do coração, a válvula do amanhecer já tem sinais de esgotamento, o sinal externo anuncia por segundos que a vida continua, independente da nossa letargia, insône como a lógica insâna como a consciência.
Tullio Stefano
Tullio Stefano
Essência
Às vezes
Sinto-me batendo nas teclas de um piano mudo
Surpreendo-me camponês
Semeando terras estéreis
Vejo-me voando com asas de cera
Cada vez mais alto, tentando alcançar teus olhos
Tentando alcançar com a ponta dos dedos
Uma lágrima que cai com o vento
Uma gota que se estilhaça ao me aproximar
Me faz parar, deitar e chorar
E te abandonar
E te deixar só em tua ilha distante
Longe dos meus versos azuis
Longe do meu olhar suplicante
Nunca saberás, então
Quanta saudade sentirei no primeiro segundo
No instante em que me rasgar tua ausência
Nunca saberás qual é o gosto de minha essência
Não posso mais vagar pelas trevas
De tua velha mansão em ruínas
Não consigo buscar-te às cegas
Numa queda livre que nunca termina
No entanto
Se tudo que fomos foi poesia
Deixo-te uma garrafa de minha essência
Infelizmente
Vazia.
Eduardo B. Penteado in "Sal em Bocas Secas" em
http://eduardopenteado.blogspot.com/
Sinto-me batendo nas teclas de um piano mudo
Surpreendo-me camponês
Semeando terras estéreis
Vejo-me voando com asas de cera
Cada vez mais alto, tentando alcançar teus olhos
Tentando alcançar com a ponta dos dedos
Uma lágrima que cai com o vento
Uma gota que se estilhaça ao me aproximar
Me faz parar, deitar e chorar
E te abandonar
E te deixar só em tua ilha distante
Longe dos meus versos azuis
Longe do meu olhar suplicante
Nunca saberás, então
Quanta saudade sentirei no primeiro segundo
No instante em que me rasgar tua ausência
Nunca saberás qual é o gosto de minha essência
Não posso mais vagar pelas trevas
De tua velha mansão em ruínas
Não consigo buscar-te às cegas
Numa queda livre que nunca termina
No entanto
Se tudo que fomos foi poesia
Deixo-te uma garrafa de minha essência
Infelizmente
Vazia.
Eduardo B. Penteado in "Sal em Bocas Secas" em
http://eduardopenteado.blogspot.com/
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