sábado, 16 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Amputação dos Dias
Eu tento o assomo quando te olho daqui. Tento sair. Tenho comigo a ira, o desejo e o ardor da carne, mas os carrego suprimidos sob a pele do cordeiro. É tão dolorida essa amputação. A criança sente a ferida do tombo, mas não desiste de cair. Pois eu já deixei de me travestir desse atrevimento desmedido. As quedas, hoje, me doem demais.
Alcancei a segurança dos pés descalços, das roupas discretas e da aparência sensata. Alcancei o sossego do conformismo e do isolamento. Não sei mais onde começa o abismo dos meus pensamentos.
Sinto a anulação de mim.
E a impossibilidade é uma perene navalha em meu pulso.
Samantha Abreu
Alcancei a segurança dos pés descalços, das roupas discretas e da aparência sensata. Alcancei o sossego do conformismo e do isolamento. Não sei mais onde começa o abismo dos meus pensamentos.
Sinto a anulação de mim.
E a impossibilidade é uma perene navalha em meu pulso.
Samantha Abreu
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
O Poder Coercitivo
Nas duas últimas semanas a guerra esquentou
depois que um grupo de hackers capturou
mensagens de e-mails dos cientistas
do orgão principal sobre mudanças climáticas
trocadas nos últimos treze anos
entre manos pra derrubar outros manos
O alvo do ataque foi a Universidade de East Anglia'na Inglaterra
o principal centro climatológico do mundo
Os e-mail divulgados na internet pra toda a terra
revelaram combinações entre integrantes da Universidade, respeitados e profundos,
para manter o mais longe possível os cientistas céticos
das revistas especializadas,como a Nature e a Science,
de um jeito imperceptível, nada ético
Ao mesmo tempo, faziam crer a quem pense,
que o principal argumento contra os céticos
residia na escassez de artigos por eles publicados
assim, além de postos de lado, os céticos serviam no futuro
ao argumento de que não aproveitavam a oportunidade.
Maria José de Menezes
COLETÂNEA DE ESCRITOS
depois que um grupo de hackers capturou
mensagens de e-mails dos cientistas
do orgão principal sobre mudanças climáticas
trocadas nos últimos treze anos
entre manos pra derrubar outros manos
O alvo do ataque foi a Universidade de East Anglia'na Inglaterra
o principal centro climatológico do mundo
Os e-mail divulgados na internet pra toda a terra
revelaram combinações entre integrantes da Universidade, respeitados e profundos,
para manter o mais longe possível os cientistas céticos
das revistas especializadas,como a Nature e a Science,
de um jeito imperceptível, nada ético
Ao mesmo tempo, faziam crer a quem pense,
que o principal argumento contra os céticos
residia na escassez de artigos por eles publicados
assim, além de postos de lado, os céticos serviam no futuro
ao argumento de que não aproveitavam a oportunidade.
Maria José de Menezes
COLETÂNEA DE ESCRITOS
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Notas de Viaje
en este cuarto oscuro y cerrado
donde el único río
es la posibilidad
de un grifo abierto
cada palabra tuya
desnuda como piernas
casi indistinta
es breve y fresca brisa
de las ramblas de tus labios
montevideo, 02/01/2010
Rodrigo Madeira
po&teias
donde el único río
es la posibilidad
de un grifo abierto
cada palabra tuya
desnuda como piernas
casi indistinta
es breve y fresca brisa
de las ramblas de tus labios
montevideo, 02/01/2010
Rodrigo Madeira
po&teias
domingo, 10 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
DESACÔRDO
A sala escura
a mesa vazia
a imagem apagada
a cama fria,
a toalha estendida
a roupa guardada,
falta você...
Teu cabelo em desalinho
o andar inquieto
o sorriso maroto,
a voz melodiosa
entoando a canção
que ressoa no ar.
Cadê você?
Que embala os passos
abraça as estrêlas
ri com o sol
alegra a vida.
Entramos em desacôrdo.
AMARILIS PAZINI AIRES
a mesa vazia
a imagem apagada
a cama fria,
a toalha estendida
a roupa guardada,
falta você...
Teu cabelo em desalinho
o andar inquieto
o sorriso maroto,
a voz melodiosa
entoando a canção
que ressoa no ar.
Cadê você?
Que embala os passos
abraça as estrêlas
ri com o sol
alegra a vida.
Entramos em desacôrdo.
AMARILIS PAZINI AIRES
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
A Folhinha
Primeiro emprego, primeiro dia e a primeira ordem do chefe lembro-me bem, foi simples e ouvida com ouvidos bem abertos, postura solene e calma aparente.
- Você faz um favor, pega a folhinha que está encima de sua mesa e traz aqui pra mim?
As pernas saem de imediato em busca da missão, sem saber ao certo o que vão fazer, afinal, não dá pra dar bobeira, é preciso fingir que se sabe onde vai e o que quer, mas a ordem principal está na mente: Folhinha, folhinha, folhinha...
Meu Deus, além do vaso de flor com suas inúmeras folhinhas verdes, haviam uma multiciplidade de folhas de papel, de várias cores e tamanhos encima da mesa... Mil interrogações e a insegurança de perguntar ao colega ao lado, compenetrado nas suas próprias folhinhas... Bom, o jeito era agir com jeito e encarar a fera:
- Com licença, como exatamente é a folhinha que o senhor deseja? É que tem várias na minha mesa e...
- Várias? Não, traz qualquer uma delas...
A resposta foi tão seca e rápida, quase óbvia, que a reação foi uma só:
- Sim senhor.
As pernas me levam novamente com sua fingida segurança e leveza de quem entendeu tudo e não carrega mais interrogações na cabeça.
Lá estava a mesa, repleta de folhinhas... Encarei todas elas, e como em uma prova de multipla escolha, por eliminação ignorei as folhinhas verdes do vaso de flor, escolhi uma com mais conteúdo, outra que serve para anotações e uma dessas amarelinhas de grudar recadinhos ... Assim ele poderá escolher a que mais condiz com o seu objetivo não revelado. Imagina... quem sou para querer saber por que ele quer uma folhinha?
- Com licença, trouxe estas...
O olhar dele me gelou a coluna:
- O que é isso?
-Bom, eu... eu não sei ao certo qual folhinha o senhor se refere e eu trouxe estas...
- Não, não!! Eu quero a folhinha... Aquela folhinha, oras, aquela que é quadrada assim, que fica na mesa...
Minha cara não era mais de interrogação, mas de espanto comunal... Meu Deus, vou perder o emprego por causa de uma maldita folhinha!
- Você não sabe o que é uma folhinha? É aquilo que a gente consulta, que faz a agenda...
Eu fiquei na mesma posição e mil formatos e aspectos de folhas passaram pela minha mente.
- Aquela que a gente consulta o dia, o mês e o ano!!
Por fim, captei:
- Ah, o calendário!!!!
E ele confirmou:
-Isso! A folhinha!!!
O alívio veio junto com as risadas, da minha parte por compreender o que ele queria, e da parte dele por perceber que o problema não era de retardamento mental, mas de incompatibilidade vocabulística entre o Sudeste e o Sul do país. Foi assim, a duras penas que descobri que em São Paulo o calendário é folhinha, o semáforo é farol e o empadão é torta... Mas isso fica para outras histórias.
Nanci Kirinus
Http://www.nanciaki.zip.net
- Você faz um favor, pega a folhinha que está encima de sua mesa e traz aqui pra mim?
As pernas saem de imediato em busca da missão, sem saber ao certo o que vão fazer, afinal, não dá pra dar bobeira, é preciso fingir que se sabe onde vai e o que quer, mas a ordem principal está na mente: Folhinha, folhinha, folhinha...
Meu Deus, além do vaso de flor com suas inúmeras folhinhas verdes, haviam uma multiciplidade de folhas de papel, de várias cores e tamanhos encima da mesa... Mil interrogações e a insegurança de perguntar ao colega ao lado, compenetrado nas suas próprias folhinhas... Bom, o jeito era agir com jeito e encarar a fera:
- Com licença, como exatamente é a folhinha que o senhor deseja? É que tem várias na minha mesa e...
- Várias? Não, traz qualquer uma delas...
A resposta foi tão seca e rápida, quase óbvia, que a reação foi uma só:
- Sim senhor.
As pernas me levam novamente com sua fingida segurança e leveza de quem entendeu tudo e não carrega mais interrogações na cabeça.
Lá estava a mesa, repleta de folhinhas... Encarei todas elas, e como em uma prova de multipla escolha, por eliminação ignorei as folhinhas verdes do vaso de flor, escolhi uma com mais conteúdo, outra que serve para anotações e uma dessas amarelinhas de grudar recadinhos ... Assim ele poderá escolher a que mais condiz com o seu objetivo não revelado. Imagina... quem sou para querer saber por que ele quer uma folhinha?
- Com licença, trouxe estas...
O olhar dele me gelou a coluna:
- O que é isso?
-Bom, eu... eu não sei ao certo qual folhinha o senhor se refere e eu trouxe estas...
- Não, não!! Eu quero a folhinha... Aquela folhinha, oras, aquela que é quadrada assim, que fica na mesa...
Minha cara não era mais de interrogação, mas de espanto comunal... Meu Deus, vou perder o emprego por causa de uma maldita folhinha!
- Você não sabe o que é uma folhinha? É aquilo que a gente consulta, que faz a agenda...
Eu fiquei na mesma posição e mil formatos e aspectos de folhas passaram pela minha mente.
- Aquela que a gente consulta o dia, o mês e o ano!!
Por fim, captei:
- Ah, o calendário!!!!
E ele confirmou:
-Isso! A folhinha!!!
O alívio veio junto com as risadas, da minha parte por compreender o que ele queria, e da parte dele por perceber que o problema não era de retardamento mental, mas de incompatibilidade vocabulística entre o Sudeste e o Sul do país. Foi assim, a duras penas que descobri que em São Paulo o calendário é folhinha, o semáforo é farol e o empadão é torta... Mas isso fica para outras histórias.
Nanci Kirinus
Http://www.nanciaki.zip.net
Mulher na árvore
Minha mãe nunca se masturbou.
Chovia.
A porta aberta.
Segui em direção a quem me é mais íntimo: São Judas Tadeu. A agulha da bússola do meu coração sabe onde é o norte por aqui. Canto direito primeira fila de bancos.
Escrevo no bloco azul, encharcada de chuva. Nem me benzi. Sentei ali como sento nos cafés: Aqui só tem pão e vinho tinto. A ratazana de sacristia me espia. Convocaria a Inquisição caso lesse os rabiscos – cena de masturbação.
Estou pura.
A cena é pura. Nenhuma imagem levanta o dedo em riste para mim, São Judas nem ao menos espia com o canto do olho. Dane-se a cantora de altar. Olhos de juiz pra cima de mim. Dane-se! Nunca mudam os hinos? Nunca mudam. Ainda é o mesmo. Sei-o letra a letra há décadas. Vai ser o mesmo quando eu sentar em outro banco outro lugar outra chuva daqui uma década. Começa a missa e a minha cena se adensa. O Padre diz uma poesia de São João e mexe no mais fundo daquela lagoa de lágrimas, uma salta assim ao final da poesia.
Deus é Amor
Quem permanece no Amor
Permanece em Deus
E Deus nele
Simples assim. Gota a gota absolvo-me.
A cantora ratazana arregala os olhos. Não sou feita de grifes pneus peças de computador porra e crack. Encaro-a. Quer um beijo de batom roxo para deixar seus lábios pura sexta-feira santa? O maior susto do dia dela, a mulher estranha molhada de chuva chora. Chorar – deplorar prantear arrepender-se derramar lágrimas lastimar-se exprimir dor tristeza ETCETERA
Sou o etcetera. Risco de não definição. O espanto coletivo me coloca na árvore gravetos e gravetos o canto das harpias no canto esperando. Alguém por favor, um voluntário é só ir até ali com a tocha, rápido, um voluntário. Harpias? Harpias apenas gralham não tem mãos de acender a chama nem para aniquilar o inimigo. Harpias declamam opus de escarro e odes de amianto, mas ficam estancadas em suas árvores. Covardes. Um voluntário, por favor, antes da chuva antes da chuva.
Chove. Fim de missa. Abraços incenso tremor de pavios amarelos. A cena, a cena e o bloco azul borrado. Lágrimas santas na cena maculada.
“Sempre me interrompe
Sempre
Tem um radar
Sempre me interrompe no ápice
(respira fundo olhos cerrados a dança sob os lençóis dedos ágeis olhos cerrados respiração suspensa goza)”
O céu tem cheiro de rio podre. Tietê ao amanhecer.
Minha mãe nunca se masturbou.
É matemática pura.
Lógica.
Minha mãe nunca se masturbou.
Zero chance.
Zero caloria na tabela do pecado.
A cena está modesta.
Escrevo ao final do bloco:
Reescrever a cena da masturbação
Luz.
Nossa Senhora é magnética.
Nunca olhei para ela ali, a leste do éden. Culpa de São Judas que me abduz. Meu outro eu somos das causas impossíveis.
Aqui está o livro da vida.
Procurem pela palavra – Impossível.
Não tem.
Não vou dizer nunca que escrevi a cena da masturbação no primeiro banco à direita - Catedral em dia de chuva.
Permaneço no amor.
Por Bárbara Lia
*Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio – 2009 da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.
Bárbara Lia é uma escritora brasileira. Nasceu em Assaí, norte do Paraná. Em 2004, debutou no mercado editorial com o livro de poesias O Sorriso de Leonardo (Kafka edições baratas). Dois anos depois, publica outro livro de poemas, Noir. Em 2007, saíram outros dois livros de poesia, O Sal das Rosas (Lumme editor) e A Última Chuva (Mulheres Emergentes). Estreou na prosa com Solidão Calcinada (Romance, Secretaria da Cultura / Imprensa Oficial do Paraná - 2008)
Blog: http://chaparaasborboletas.blogspot.com e-mail: barbaralia@gmail.com
fonte Http://www.cronópios.com.br
Chovia.
A porta aberta.
Segui em direção a quem me é mais íntimo: São Judas Tadeu. A agulha da bússola do meu coração sabe onde é o norte por aqui. Canto direito primeira fila de bancos.
Escrevo no bloco azul, encharcada de chuva. Nem me benzi. Sentei ali como sento nos cafés: Aqui só tem pão e vinho tinto. A ratazana de sacristia me espia. Convocaria a Inquisição caso lesse os rabiscos – cena de masturbação.
Estou pura.
A cena é pura. Nenhuma imagem levanta o dedo em riste para mim, São Judas nem ao menos espia com o canto do olho. Dane-se a cantora de altar. Olhos de juiz pra cima de mim. Dane-se! Nunca mudam os hinos? Nunca mudam. Ainda é o mesmo. Sei-o letra a letra há décadas. Vai ser o mesmo quando eu sentar em outro banco outro lugar outra chuva daqui uma década. Começa a missa e a minha cena se adensa. O Padre diz uma poesia de São João e mexe no mais fundo daquela lagoa de lágrimas, uma salta assim ao final da poesia.
Deus é Amor
Quem permanece no Amor
Permanece em Deus
E Deus nele
Simples assim. Gota a gota absolvo-me.
A cantora ratazana arregala os olhos. Não sou feita de grifes pneus peças de computador porra e crack. Encaro-a. Quer um beijo de batom roxo para deixar seus lábios pura sexta-feira santa? O maior susto do dia dela, a mulher estranha molhada de chuva chora. Chorar – deplorar prantear arrepender-se derramar lágrimas lastimar-se exprimir dor tristeza ETCETERA
Sou o etcetera. Risco de não definição. O espanto coletivo me coloca na árvore gravetos e gravetos o canto das harpias no canto esperando. Alguém por favor, um voluntário é só ir até ali com a tocha, rápido, um voluntário. Harpias? Harpias apenas gralham não tem mãos de acender a chama nem para aniquilar o inimigo. Harpias declamam opus de escarro e odes de amianto, mas ficam estancadas em suas árvores. Covardes. Um voluntário, por favor, antes da chuva antes da chuva.
Chove. Fim de missa. Abraços incenso tremor de pavios amarelos. A cena, a cena e o bloco azul borrado. Lágrimas santas na cena maculada.
“Sempre me interrompe
Sempre
Tem um radar
Sempre me interrompe no ápice
(respira fundo olhos cerrados a dança sob os lençóis dedos ágeis olhos cerrados respiração suspensa goza)”
O céu tem cheiro de rio podre. Tietê ao amanhecer.
Minha mãe nunca se masturbou.
É matemática pura.
Lógica.
Minha mãe nunca se masturbou.
Zero chance.
Zero caloria na tabela do pecado.
A cena está modesta.
Escrevo ao final do bloco:
Reescrever a cena da masturbação
Luz.
Nossa Senhora é magnética.
Nunca olhei para ela ali, a leste do éden. Culpa de São Judas que me abduz. Meu outro eu somos das causas impossíveis.
Aqui está o livro da vida.
Procurem pela palavra – Impossível.
Não tem.
Não vou dizer nunca que escrevi a cena da masturbação no primeiro banco à direita - Catedral em dia de chuva.
Permaneço no amor.
Por Bárbara Lia
*Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio – 2009 da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.
Bárbara Lia é uma escritora brasileira. Nasceu em Assaí, norte do Paraná. Em 2004, debutou no mercado editorial com o livro de poesias O Sorriso de Leonardo (Kafka edições baratas). Dois anos depois, publica outro livro de poemas, Noir. Em 2007, saíram outros dois livros de poesia, O Sal das Rosas (Lumme editor) e A Última Chuva (Mulheres Emergentes). Estreou na prosa com Solidão Calcinada (Romance, Secretaria da Cultura / Imprensa Oficial do Paraná - 2008)
Blog: http://chaparaasborboletas.blogspot.com e-mail: barbaralia@gmail.com
fonte Http://www.cronópios.com.br
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
É CORPO
a carne grita
estremece embaixo d’água
é corpo - corpo no meu corpo -
a queda ergue templos & minutos sem medo
peso - meu peso - corpo
a memória é o abajur da sua carne
José Geraldo Neres
in Outros Silêncios
“em você todas as noites cantam de uma só vez”
(versos do poema RAÍZES DA TERRA SONOLENTA)
José Geraldo Neres in Outros Silêncios
estremece embaixo d’água
é corpo - corpo no meu corpo -
a queda ergue templos & minutos sem medo
peso - meu peso - corpo
a memória é o abajur da sua carne
José Geraldo Neres
in Outros Silêncios
“em você todas as noites cantam de uma só vez”
(versos do poema RAÍZES DA TERRA SONOLENTA)
José Geraldo Neres in Outros Silêncios
Agropsico fenomenologia
Por quanto o ar é alimento
saudável do fogo
E o equilíbrio tem seu devido
valor no transtorno
Côlho o fruto da árvore
a qual sou fértil solo e aguardo
Inesperamente insólito
Ricardo Pozzo
saudável do fogo
E o equilíbrio tem seu devido
valor no transtorno
Côlho o fruto da árvore
a qual sou fértil solo e aguardo
Inesperamente insólito
Ricardo Pozzo
Carpindo o Dia
O Tempo, a quarta dimensão segundo a teoria de Einstein, é fluído que lubrifica as engrenagens da existência. Já cantava Caetano no Cinema Transcendental "existir, a que será que se destina?" Pois descubramos ou não a significação á questão da Esfinge, saibamos: o nome da Esfinge é Tempo.
A cada um cabe, crono(s) metro (pois espaço-tempo) funcionando, saber o quanto queremos alcançar de honestidade na resposta. Não há desculpa! Há responsabilidade! Mas esta conclusão é posterior!
Estes dias, esquecido de que Curitiba é Londres, distraído com a Musa enaltecedora, sofrí contato íntimo com o automóvel branco da Alice. Por poucos centímetros (olha a questão do espaço de novo) ele não me adiantava deveras ao encontro ao qual um dia não poderei fugir.
É inequívoco que, para saber ouvir deve-se aprender a calar! E diante disso calo-me para ouvir o que o Universo tem a me dizer.
Ricardo Pozzo
A cada um cabe, crono(s) metro (pois espaço-tempo) funcionando, saber o quanto queremos alcançar de honestidade na resposta. Não há desculpa! Há responsabilidade! Mas esta conclusão é posterior!
Estes dias, esquecido de que Curitiba é Londres, distraído com a Musa enaltecedora, sofrí contato íntimo com o automóvel branco da Alice. Por poucos centímetros (olha a questão do espaço de novo) ele não me adiantava deveras ao encontro ao qual um dia não poderei fugir.
É inequívoco que, para saber ouvir deve-se aprender a calar! E diante disso calo-me para ouvir o que o Universo tem a me dizer.
Ricardo Pozzo
Poesia Marginal nº 6
Vivemos no panóptico
Vigiados dia e noite
Exilados em nossos lares
Acorrentados pelo medo
De sermos devorados pelos vampiros
Senhores da guerra
Inimigos da paz.
Nonato Nogueira
Vigiados dia e noite
Exilados em nossos lares
Acorrentados pelo medo
De sermos devorados pelos vampiros
Senhores da guerra
Inimigos da paz.
Nonato Nogueira
O Desbunde
Somos brasileiros
Filhos diletos da pátria
Mãe gentil.
Somos artistas
Palhaços
Poetas
Geração da cola
Vítimas da coca
Eternos rebeldes
Do desbunde
Da coca
Da cola
Da negra coca cola
Sem pátria
Sem lógica
Sem coca
Sem cola sem nada.
Somos apenas vítimas
Da repressão
Da televisão
Da massificação
Da coca
Da cola
Eterna coca-cola.
O que somos, afinal?
Nonato Nogueira
Poeta, escritor e professor de Filosofia, Sociologia e História. Membro da ACE e do Grupo Chocalho. Organizador do livro "Educação em Revista" Ed. Premius, 2006. Autor do Livro "Da Belle Époque à formação do Bairro Vermelho", Ed. Realce, 2007. Autor da Coleção de Filosofia "Um Novo Olhar Filosófico" - 4 Vols. Ed. Edjovem, 2007.
Filhos diletos da pátria
Mãe gentil.
Somos artistas
Palhaços
Poetas
Geração da cola
Vítimas da coca
Eternos rebeldes
Do desbunde
Da coca
Da cola
Da negra coca cola
Sem pátria
Sem lógica
Sem coca
Sem cola sem nada.
Somos apenas vítimas
Da repressão
Da televisão
Da massificação
Da coca
Da cola
Eterna coca-cola.
O que somos, afinal?
Nonato Nogueira
Poeta, escritor e professor de Filosofia, Sociologia e História. Membro da ACE e do Grupo Chocalho. Organizador do livro "Educação em Revista" Ed. Premius, 2006. Autor do Livro "Da Belle Époque à formação do Bairro Vermelho", Ed. Realce, 2007. Autor da Coleção de Filosofia "Um Novo Olhar Filosófico" - 4 Vols. Ed. Edjovem, 2007.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O HOMEM QUE OBSERVAVA O HORIZONTE
O homem que observava o horizonte
trazia consigo um sorriso,
meio assim sem juízo,
dizia ser apadrinhado dos ventos
e que ao amanhecer gostava
de caminhar pelas margens de um rio,
e de conversar com as águas que iam
desaguar nos intestinos daquela cidade.
O homem que observava o horizonte
cantava o canto dos pássaros,
que de tão assemelhado se dizia
que ele voava e ninguém via,
juravam até terem lhe visto as penas
que ao anoitecer brilhavam,
quando a lua surgia do ventre
de um vale que por lá existia.
O homem que observava o horizonte,
quando a noite ia alta,
sossegava no canto de uma tapera
lá pras bandas da cidade velha,
e então cantava o canto dos loucos
que diziam morrer de saudades,
e ensinava a escrever poesia
nas pedras que por lá existiam...
Cantos de amor e de dor.
Naldovelho
trazia consigo um sorriso,
meio assim sem juízo,
dizia ser apadrinhado dos ventos
e que ao amanhecer gostava
de caminhar pelas margens de um rio,
e de conversar com as águas que iam
desaguar nos intestinos daquela cidade.
O homem que observava o horizonte
cantava o canto dos pássaros,
que de tão assemelhado se dizia
que ele voava e ninguém via,
juravam até terem lhe visto as penas
que ao anoitecer brilhavam,
quando a lua surgia do ventre
de um vale que por lá existia.
O homem que observava o horizonte,
quando a noite ia alta,
sossegava no canto de uma tapera
lá pras bandas da cidade velha,
e então cantava o canto dos loucos
que diziam morrer de saudades,
e ensinava a escrever poesia
nas pedras que por lá existiam...
Cantos de amor e de dor.
Naldovelho
sábado, 2 de janeiro de 2010
Aeh,dos Curitibanos
Existem coexistem
BÍBLIA
Biblioteca
Bibliotecas
Dicionário
Dicionários
Enciclopédia
Machado
Instrumentos e Jorges em rima
Aedos, poetas da antiga Grécia
resistente ao tempo
da História Universal
As palavras são mutantes também
como Arnaldo, Lee, Edson, Jackson,
Pedro, Chico, Emanuel,
Pera, etecétera e etc e ect e cet e tec.
O Aeh é
o E Aê!
dos curitibanos
amigos
que insistentemente
convidam a sair do círculo
pra entrar no seu quadrado
Mas, da espiral ascendente
posso passar
com pares de asas
pelo sul e pelo norte
Por isso, vim
dizer
E aeh!
Foram me chamar
estou aqui,
que que há?!
Maria José de Menezes
COLETÂNEA DE ESCRITOS
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BÍBLIA
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Enciclopédia
Machado
Instrumentos e Jorges em rima
Aedos, poetas da antiga Grécia
resistente ao tempo
da História Universal
As palavras são mutantes também
como Arnaldo, Lee, Edson, Jackson,
Pedro, Chico, Emanuel,
Pera, etecétera e etc e ect e cet e tec.
O Aeh é
o E Aê!
dos curitibanos
amigos
que insistentemente
convidam a sair do círculo
pra entrar no seu quadrado
Mas, da espiral ascendente
posso passar
com pares de asas
pelo sul e pelo norte
Por isso, vim
dizer
E aeh!
Foram me chamar
estou aqui,
que que há?!
Maria José de Menezes
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Feriado
Mais que um terno aviso
Mais que um só terno amassado
Pois que infindo abrigo
Teu eu em mim abrigado
Calo em tua boca minha fala
Falo em lábios, sons e alquimia
Tatos tatuagem
Línguas famintas, revitalizam digitais
Roupas espalhadas
Estrelas por teto
Nós no chão.
Beatrice Simon
Mais que um só terno amassado
Pois que infindo abrigo
Teu eu em mim abrigado
Calo em tua boca minha fala
Falo em lábios, sons e alquimia
Tatos tatuagem
Línguas famintas, revitalizam digitais
Roupas espalhadas
Estrelas por teto
Nós no chão.
Beatrice Simon
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Breviário das Moscas
monomanácas,
lindas como rouxinóis:
as moscas.
inquebrantáveis,
inuportáveis,
abertas às febres
todas, toos os modos( e cheiros, sabores)
de vida e morte.
benditas
as moscas!
mais vivem do que
pousam,
mais vivem o que
voam.
essa teimosia feroz!
as filigranas de saliva
são os únicos filamentos
do brio.
voltar sempre,como
uma alma penada,
um cão com fome,
um homem,
transtornado inseto
em redor do sol.
um homem
ue, afogando-se
no ar,
quer porque quer
viver
por viver.
Rodrigo Madeira.
in Pássaro Ruim.ed Medusa.2009.Curitiba.
lindas como rouxinóis:
as moscas.
inquebrantáveis,
inuportáveis,
abertas às febres
todas, toos os modos( e cheiros, sabores)
de vida e morte.
benditas
as moscas!
mais vivem do que
pousam,
mais vivem o que
voam.
essa teimosia feroz!
as filigranas de saliva
são os únicos filamentos
do brio.
voltar sempre,como
uma alma penada,
um cão com fome,
um homem,
transtornado inseto
em redor do sol.
um homem
ue, afogando-se
no ar,
quer porque quer
viver
por viver.
Rodrigo Madeira.
in Pássaro Ruim.ed Medusa.2009.Curitiba.
Realidade
mergulhar no mundo
ver-se ali
envolto nele
e bebê-lo
arriscar-se
para quem ama
e sonha
não há medo
ir além
renascer
cada dia
aventura
ser feliz
é a meta
todo resto
loucura
Luis Fernando Prôa
ver-se ali
envolto nele
e bebê-lo
arriscar-se
para quem ama
e sonha
não há medo
ir além
renascer
cada dia
aventura
ser feliz
é a meta
todo resto
loucura
Luis Fernando Prôa
Haicais
XVIII
pipocas no cinema
a menina contente
rumina fotogramas.
XXIV
dobras de tecido
sob o ferro de passar
lembranças aquecidas.
Jiddu Saldanha
pipocas no cinema
a menina contente
rumina fotogramas.
XXIV
dobras de tecido
sob o ferro de passar
lembranças aquecidas.
Jiddu Saldanha
Bebida Nobre
Da pura uva o vinho é cura
quando se toma em poucas doses
Mas a vida quer, às vezes,
a desmedida:
pede um porre
Sábio será quem desta mistura
fizer bebida nobre.
Delayne Brasil
quando se toma em poucas doses
Mas a vida quer, às vezes,
a desmedida:
pede um porre
Sábio será quem desta mistura
fizer bebida nobre.
Delayne Brasil
Rio da Vida
Dentro de mim corre um rio
sem início e sem desfecho.
Se rle é largo ou se é fio,
não o sei, pois o desconheço.
Dentro de mim corre um rio.
Se ele aí sempre correu
ou se jamais existiu,
nunca o percebera eu.
Só sei que dentro de mim
serpeia este rio submerso,
não contido por confim,
que vem à tona em meu verso.
Rio de luas, rio de lendas,
de amazonas e sereias;
são oníricas as prendas
que me trazem suas cheias.
Meu passado e seus presentes,
meu tormento (na tormenta),
se me assomam nas correntes
que o seu dorso me apresenta.
Dorso negro aonde a lua
fincou esporas de prata
e qual linda índia nua
cavalga no seio da mata .
Rio de botos, jacarés
medos, mortos, anacondas,
que inunda os igarapés
engolindo-os com sua ondas.
Rio de iaras e de loucos,
de piranhas e de antas,
que me sorve, mas aos poucos,
por suas múltiplas gargantas.
Rio de grotas, pororocas,
banzos, sanhas, fêmeas prenhas,
que entre coxas, xotas, bocas,
me ensina em cifras e em senhas.
Quisera eu estancá-lo,
mesmo secá-lo.Não posso.
pois ao tentar aplacá-lo,
seu leito torna-se um fosso
no meio do qual me afundo,
em pânio me revolvo,
arrastado para o fundo
onde aos poucos me dissolvo.
Eu agora sou o rio:
baldo rio (longe o oceano)
e que tem por desafio
um jorrar não mais humano.
Rio escuro, tuvo rio,
de onde vens, para onde vais?
quando choro,quano rio,
para onde vão rios e ais?
Rio sem fonte , rio sem foz,
sem margens ou horizontes,
quando cessa, onde a voz,
se sobre o vão não há pontes?
Rio oculto, onde me levas?
se eu sou tu, se tu sou eu,
por que não sei (em tuas trevas
foi que outrora aconteceu
meu tortuoso despertar),
no âmago desse breu
de teu curso milenar,
qual meu nome, quem sou eu?
Otto Leopoldo Winck
sem início e sem desfecho.
Se rle é largo ou se é fio,
não o sei, pois o desconheço.
Dentro de mim corre um rio.
Se ele aí sempre correu
ou se jamais existiu,
nunca o percebera eu.
Só sei que dentro de mim
serpeia este rio submerso,
não contido por confim,
que vem à tona em meu verso.
Rio de luas, rio de lendas,
de amazonas e sereias;
são oníricas as prendas
que me trazem suas cheias.
Meu passado e seus presentes,
meu tormento (na tormenta),
se me assomam nas correntes
que o seu dorso me apresenta.
Dorso negro aonde a lua
fincou esporas de prata
e qual linda índia nua
cavalga no seio da mata .
Rio de botos, jacarés
medos, mortos, anacondas,
que inunda os igarapés
engolindo-os com sua ondas.
Rio de iaras e de loucos,
de piranhas e de antas,
que me sorve, mas aos poucos,
por suas múltiplas gargantas.
Rio de grotas, pororocas,
banzos, sanhas, fêmeas prenhas,
que entre coxas, xotas, bocas,
me ensina em cifras e em senhas.
Quisera eu estancá-lo,
mesmo secá-lo.Não posso.
pois ao tentar aplacá-lo,
seu leito torna-se um fosso
no meio do qual me afundo,
em pânio me revolvo,
arrastado para o fundo
onde aos poucos me dissolvo.
Eu agora sou o rio:
baldo rio (longe o oceano)
e que tem por desafio
um jorrar não mais humano.
Rio escuro, tuvo rio,
de onde vens, para onde vais?
quando choro,quano rio,
para onde vão rios e ais?
Rio sem fonte , rio sem foz,
sem margens ou horizontes,
quando cessa, onde a voz,
se sobre o vão não há pontes?
Rio oculto, onde me levas?
se eu sou tu, se tu sou eu,
por que não sei (em tuas trevas
foi que outrora aconteceu
meu tortuoso despertar),
no âmago desse breu
de teu curso milenar,
qual meu nome, quem sou eu?
Otto Leopoldo Winck
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