sábado, 14 de abril de 2012
Navego na nau do lamentoso pensamento de ti
Ceras a vedar ouvidos não podeis entrar.
Amarrado por cordas qual aço ao mastro da ambição
braços de vã vontade castrada de naufrago na fenda da bela consorte
a minha morte.
A bela morte a transar em parcelas ou na explosão a procela
Qual o sentido da vida ? Tal não é a pergunta que ora lasso de misérias
Musas filoflanantes falsas sandias opiam prazeres enquanto mastigam
corações, veias e sensações.Prazeres devora culta traça livros de estórias .
Vigores fumados tragando liberdades agora ausentes.
Preso no barco cujo leme não domino.
Apenas a nau dos insensatos navegando no vazio da névoa
desta vida de recifes famintos de escombros e saboreando
melodias de sereias a deleitar de mala- suerte os condenados
a voar sem ter asas nas nuvens do ácido oceano do desencanto.
Wilson Roberto Nogueira
Ceras a vedar ouvidos não podeis entrar.
Amarrado por cordas qual aço ao mastro da ambição
braços de vã vontade castrada de naufrago na fenda da bela consorte
a minha morte.
A bela morte a transar em parcelas ou na explosão a procela
Qual o sentido da vida ? Tal não é a pergunta que ora lasso de misérias
Musas filoflanantes falsas sandias opiam prazeres enquanto mastigam
corações, veias e sensações.Prazeres devora culta traça livros de estórias .
Vigores fumados tragando liberdades agora ausentes.
Preso no barco cujo leme não domino.
Apenas a nau dos insensatos navegando no vazio da névoa
desta vida de recifes famintos de escombros e saboreando
melodias de sereias a deleitar de mala- suerte os condenados
a voar sem ter asas nas nuvens do ácido oceano do desencanto.
Wilson Roberto Nogueira
O que sinto não é o sopro da alma de mim fugindo
no silêncio exausto diante do rugido
da vida em seu devir de promessa irrealizada.
Faina de um Sisífo cego no hesitante ruminar
na fronteira de um primeiro caminhar
de pés feitos de ossos de sonhos em pó .Fertilizada
morgue de sóis exangues de chamas a alumiar
de sombras o fogo fantasma parindo
sobras cinzentas de amanheceres sonhados
morejando sal sob capotes celestes.
Wilson Roberto Nogueira
no silêncio exausto diante do rugido
da vida em seu devir de promessa irrealizada.
Faina de um Sisífo cego no hesitante ruminar
na fronteira de um primeiro caminhar
de pés feitos de ossos de sonhos em pó .Fertilizada
morgue de sóis exangues de chamas a alumiar
de sombras o fogo fantasma parindo
sobras cinzentas de amanheceres sonhados
morejando sal sob capotes celestes.
Wilson Roberto Nogueira
Cruz das almas solitárias ceiam sonhos
sabres ceifam a fome de viver
bebendo a gota de vinho da última videira,
que balança antes da tempestade de aço
bebem no beijo das palavras os cordeiros sob a sombra
dos lobos a carne tenra trinchando hóstias
trincando dores ouvindo Wagner
Ardem cedros por testemunhas
e oliveiras irrigam a terra de óleo e sangue
enquanto a criança chora à sombra da chama
clamando à Morte que vaga sem saber por onde começar.
Wilson Roberto Nogueira
sabres ceifam a fome de viver
bebendo a gota de vinho da última videira,
que balança antes da tempestade de aço
bebem no beijo das palavras os cordeiros sob a sombra
dos lobos a carne tenra trinchando hóstias
trincando dores ouvindo Wagner
Ardem cedros por testemunhas
e oliveiras irrigam a terra de óleo e sangue
enquanto a criança chora à sombra da chama
clamando à Morte que vaga sem saber por onde começar.
Wilson Roberto Nogueira
A lava da memória em chamas liquidas ocultam-se em pétrea desmemória
na nova rocha ainda quente guarda do invivido o vento do quase acontecido
na nuvem do deja- vu a água ardente que perverte o sonho em um beco sem resposta.
Os passos pesados sobre o espírito afundam na areia do cadáver insepulto de sombras
insilenciadas.
Wilson Roberto Nogueira
na nova rocha ainda quente guarda do invivido o vento do quase acontecido
na nuvem do deja- vu a água ardente que perverte o sonho em um beco sem resposta.
Os passos pesados sobre o espírito afundam na areia do cadáver insepulto de sombras
insilenciadas.
Wilson Roberto Nogueira
Cruz das almas solitários sabres que ceiam sonhos na fome de viver.
Sorvendo gota à gota de vinho da derradeira videira no ósculo da última flor.
Balança a árvore antes frondosa da vida hoje pálido osso da memória
onde se refugiam cordeiros do rugido da tempestade de lobos e da siderea miséria
que corta fundo a raiz da esperança.
O aço devorando a carne tenra da terra trinchando hóstias de pó e palavras
Trincando dores ouvindo Wagner cavalgando valquirias a procura de ouros
no fim de falsos arco-íris .Ardem cedros por testemunhas cobrindo em sombras raquíticas
proles dejetadas de úteros abandonados.
Oliveiras irrigam a terra de óleo e sangue enquanto ouve-se um choro fantasma a sombra da chama
clamando a morte que vaga ébria e exausta de tanto ceifar.
Wilson Roberto Nogueira
Sorvendo gota à gota de vinho da derradeira videira no ósculo da última flor.
Balança a árvore antes frondosa da vida hoje pálido osso da memória
onde se refugiam cordeiros do rugido da tempestade de lobos e da siderea miséria
que corta fundo a raiz da esperança.
O aço devorando a carne tenra da terra trinchando hóstias de pó e palavras
Trincando dores ouvindo Wagner cavalgando valquirias a procura de ouros
no fim de falsos arco-íris .Ardem cedros por testemunhas cobrindo em sombras raquíticas
proles dejetadas de úteros abandonados.
Oliveiras irrigam a terra de óleo e sangue enquanto ouve-se um choro fantasma a sombra da chama
clamando a morte que vaga ébria e exausta de tanto ceifar.
Wilson Roberto Nogueira
Abrimos o livro como a uma janela
uma pálpebra que se ilumina a novas luzes
e diante do olhar estranhando o familiar
espelhos estilhaçados sob os pés descalços.
Na busca pela identidade passamos por sombras perpétuas
de Hiroshimas íntimas em sopas de cogumelos.
formas dançarinas da leitura de mundos que sangram
sobre teias elétricas que queimam nosso caminhar.
fragmentos de cristais sem valor eletrizando o nada dos nossos passos.
andamos a esmo, perdidos nessa leitura.
No barro das palavras tentamos construir nossos ídolos e seguimos adiante.
pedaços dessa anatomia de Golem se desprendem na tempestade do desencanto .
Palavras paridas de imagens queimam e evolam-se,reencarnando em nuvens que espalham o sêmen translúcido na relva a sorrir e a tudo presencia a pedra da palavra na pele do sonho.
Voltamos a dormir no desconforto do silêncio inundados de dúvidas que se debatem nas nossas entranhas.Mas tudo são meras palavras que voam sem rumo sobre nossas cercas invisíveis de arame farpado.
Wilson Roberto Nogueira
uma pálpebra que se ilumina a novas luzes
e diante do olhar estranhando o familiar
espelhos estilhaçados sob os pés descalços.
Na busca pela identidade passamos por sombras perpétuas
de Hiroshimas íntimas em sopas de cogumelos.
formas dançarinas da leitura de mundos que sangram
sobre teias elétricas que queimam nosso caminhar.
fragmentos de cristais sem valor eletrizando o nada dos nossos passos.
andamos a esmo, perdidos nessa leitura.
No barro das palavras tentamos construir nossos ídolos e seguimos adiante.
pedaços dessa anatomia de Golem se desprendem na tempestade do desencanto .
Palavras paridas de imagens queimam e evolam-se,reencarnando em nuvens que espalham o sêmen translúcido na relva a sorrir e a tudo presencia a pedra da palavra na pele do sonho.
Voltamos a dormir no desconforto do silêncio inundados de dúvidas que se debatem nas nossas entranhas.Mas tudo são meras palavras que voam sem rumo sobre nossas cercas invisíveis de arame farpado.
Wilson Roberto Nogueira
Noticiário de sempre
I
Que corta e serra,
e jorra o sangue
que não se estanca
e espanta
No noticiário de logo cedo
três tiros de arremedo
perfuram as vísceras do sujeito
Imerso em meio
a linha de combate
II
a cidade se espreguiça, e boceja seu dia
a água ferve para mais um café
o que bonde trafega sem direção...
o jornal é arremessado aos quintais
frescas as notícias de ontem
III
e se dissesse que tudo já foi dito e o resto é infinito e caos
e o nada já é matéria, o momento, o instante fugaz, agora para trás
e o mito já não é mais a caverna, mas a rua, o sangue escorrido
a morte morrida e estampada na primeira página,
a escorrer as vísceras já dilaceradas
e a vida consumida por um disparo
na arquitetura de pólvora e bala
e não há distinção de nada todos são todos, e cada é um,
o que havia era silêncios multiplicados a abismos e retissências
isso que corrói a alma, e a deixa cercada de espinhos numa paisagem perdida
e penso ainda que há algo de belo no trágico
Rafael Walter
Que corta e serra,
e jorra o sangue
que não se estanca
e espanta
No noticiário de logo cedo
três tiros de arremedo
perfuram as vísceras do sujeito
Imerso em meio
a linha de combate
II
a cidade se espreguiça, e boceja seu dia
a água ferve para mais um café
o que bonde trafega sem direção...
o jornal é arremessado aos quintais
frescas as notícias de ontem
III
e se dissesse que tudo já foi dito e o resto é infinito e caos
e o nada já é matéria, o momento, o instante fugaz, agora para trás
e o mito já não é mais a caverna, mas a rua, o sangue escorrido
a morte morrida e estampada na primeira página,
a escorrer as vísceras já dilaceradas
e a vida consumida por um disparo
na arquitetura de pólvora e bala
e não há distinção de nada todos são todos, e cada é um,
o que havia era silêncios multiplicados a abismos e retissências
isso que corrói a alma, e a deixa cercada de espinhos numa paisagem perdida
e penso ainda que há algo de belo no trágico
Rafael Walter
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Viver
Não fui pedra: preferi ser semente.
Registros, rastros, marcas já deixei.
Nesta vida, não fui indiferente.
Nem apenas só passei por aqui.
Chorei, sorri, cantei, sofri, amei...
Por isso posso é que posso dizer: vivi !
Adélia Maria Woellner
Registros, rastros, marcas já deixei.
Nesta vida, não fui indiferente.
Nem apenas só passei por aqui.
Chorei, sorri, cantei, sofri, amei...
Por isso posso é que posso dizer: vivi !
Adélia Maria Woellner
domingo, 8 de abril de 2012
Cruz das almas solitárias ceiam sonhos
sabres ceifam a fome de viver
bebendo a gota de vinho da última videira,
que balança antes da tempestade de aço
bebem no beijo das palavras os cordeiros sob a sombra
dos lobos a carne tenra trinchando hostias
trincando dores ouvindo Wagner
Ardem cedros por testemunhas
e oliveiras irrigam a terra de óleo e sangue
enquanto a criança chora à sombra da chama
clamando à Morte que vaga sem saber por onde começar.
Wilson Roberto Nogueira
sabres ceifam a fome de viver
bebendo a gota de vinho da última videira,
que balança antes da tempestade de aço
bebem no beijo das palavras os cordeiros sob a sombra
dos lobos a carne tenra trinchando hostias
trincando dores ouvindo Wagner
Ardem cedros por testemunhas
e oliveiras irrigam a terra de óleo e sangue
enquanto a criança chora à sombra da chama
clamando à Morte que vaga sem saber por onde começar.
Wilson Roberto Nogueira
Mamíferos
Teus olhos lácteos
amamentam
minha fala leitosa
quando te vê
meu olhar desnatado
hesita
lactobacilo um pouco,
mas, mamífero,
degusto tua fala úbere,
sedento
do queijo de teus lábios.
Caibar P Magalhães Jr
amamentam
minha fala leitosa
quando te vê
meu olhar desnatado
hesita
lactobacilo um pouco,
mas, mamífero,
degusto tua fala úbere,
sedento
do queijo de teus lábios.
Caibar P Magalhães Jr
Curitiba
Ó maldita vaso de água podre
figo fervilhante de bichos
ó cedro retorcido de agulhas
hiena comedora de testículos quebrados.
Dalton Trevisan.
n87.GP 150996.
figo fervilhante de bichos
ó cedro retorcido de agulhas
hiena comedora de testículos quebrados.
Dalton Trevisan.
n87.GP 150996.
A lava da memória em chamas liquidas ocultam-se em pétrea desmemória
na nova rocha ainda quente guarda do invivido o vento do quase acontecido
na nuvem do dèja vú a água ardente que perverte o sonho em um beco sem resposta.
Os passos pesados sobre o espírito afundam na areia do cadáver insepulto de sombras
insilenciadas.
Wilson Roberto Nogueira
na nova rocha ainda quente guarda do invivido o vento do quase acontecido
na nuvem do dèja vú a água ardente que perverte o sonho em um beco sem resposta.
Os passos pesados sobre o espírito afundam na areia do cadáver insepulto de sombras
insilenciadas.
Wilson Roberto Nogueira
Cruz das almas solitários sabres que ceiam sonhos na fome de viver.
Sorvendo gota à gota de vinho da derradeira videira no ósculo da última flor.
Balança a árvore antes frondosa da vida hoje pálido osso da memória
onde se refugiam cordeiros do rugido da tempestade de lobos e da sidérea miséria
que corta fundo a raiz da esperança.
O aço devorando a carne tenra da terra trinchando hóstias de pó e palavras
Trincando dores ouvindo Wagner cavalgando valquírias a procura de ouros
no fim de falsos arco-íris .Ardem cedros por testemunhas cobrindo em sombras raquíticas
proles dejetadas de úteros abandonados.
Oliveiras irrigam a terra de óleo e sangue enquanto ouve-se um choro fantasma a sombra da chama
clamando a morte que vaga ébria e exausta de tanto ceifar.
Wilson Roberto Nogueira
Sorvendo gota à gota de vinho da derradeira videira no ósculo da última flor.
Balança a árvore antes frondosa da vida hoje pálido osso da memória
onde se refugiam cordeiros do rugido da tempestade de lobos e da sidérea miséria
que corta fundo a raiz da esperança.
O aço devorando a carne tenra da terra trinchando hóstias de pó e palavras
Trincando dores ouvindo Wagner cavalgando valquírias a procura de ouros
no fim de falsos arco-íris .Ardem cedros por testemunhas cobrindo em sombras raquíticas
proles dejetadas de úteros abandonados.
Oliveiras irrigam a terra de óleo e sangue enquanto ouve-se um choro fantasma a sombra da chama
clamando a morte que vaga ébria e exausta de tanto ceifar.
Wilson Roberto Nogueira
sábado, 7 de abril de 2012
A Arca
É sempre bom manter a fé. Arnaldo era evangélico.Estava levando os fiéis para o culto na sua Kombi 87.Apareceu a fiscalização da Prefeitura."Perueiro.Lotação irregular".Quiseram confiscar o veículo .Arnaldo resistia.Outros perueiros apareceram.A polícia veio em seguida.Arnaldo ameaçava."Que o justo atire a primeira pedra."O cabo Novaes foi logo atingido.Fiéis e apedrejados entraram no camburão."Que a ira dos céus caia sobre vós."Veio a chuva.Inundação.A viatura flutuou sobre as águas .Arnaldo e seu povo fugiram a nado para um local seguro.Deus é o maior fiscal.
Vida Bandida.FSP 08/02/01
Soneto à maneira do décimo-sétimo século
Dê-me tua mão , amiga, e ao meu todo
venha do campo ver as verdes lindes
-ainda mais lindas se por elas vindes
e mais ainda se vindes ao meu lado
Ouçamos da floresta que os margeia
a brisa perpassar o chão florido
e num transporte breve o leve ar ido
nos leve em seu alento ao léu, à aleia.
Das sendas derivadas, e à deriva,
à Suma alcemos juntos, às alturas
de um Saber bom que eu sei, musa lasciva
Enquanto achas levo à labareda
e achas leve em teus quadris meu gesto
as Artes eu direi, de Amor, que enleva
As artes eu direi, de Amor, que enreda.
Jacques Mário Brand
venha do campo ver as verdes lindes
-ainda mais lindas se por elas vindes
e mais ainda se vindes ao meu lado
Ouçamos da floresta que os margeia
a brisa perpassar o chão florido
e num transporte breve o leve ar ido
nos leve em seu alento ao léu, à aleia.
Das sendas derivadas, e à deriva,
à Suma alcemos juntos, às alturas
de um Saber bom que eu sei, musa lasciva
Enquanto achas levo à labareda
e achas leve em teus quadris meu gesto
as Artes eu direi, de Amor, que enleva
As artes eu direi, de Amor, que enreda.
Jacques Mário Brand
Do Silêncio
Para o Sábado de Aleluia
Do Silêncio
O segundo dia amanhece
Ouve-se apenas o calar das vozes.
A fúria deu lugar ao pensamento
Divagando pelo vazio da cruz...
Só entre às oliveiras!
O Jardim ainda em botão
Pergunta-se, se volta ao mundo
Indagando ao orvalho o porquê do vermelho.
Pelo chão onde passou o Messias das boas almas,
A brisa que vem do monte responde:
- Ele só queria salvar o Homem!
Agora tudo é silêncio pelas doze estações.
Estrofes que de uma forma ou de outra
Receberam a semente da face que só tinha
O olhar para ternura humana,
Para os que temiam a palavra do Eremita
Mor de todos os sentimentos!
Em algum lugar da escuridão
Corações solidários se engajaram em oração,
Aguardando que o amanhã renasça trazendo
No ovo a Profecia do terceiro dia.
A palavra que nunca será esquecida,
As mãos que afagaram com Amor!
Auber Fioravante Júnior
SINTOMAS DE AUSÊNCIA TUA
Chove lá fora e é inverno no meu peito
A tua ausência desenha um mundo cinza
O teu contágio latente manifesta
Garimpo o teu perfume rarefeito...
Tudo em mim te cobra e te precisa.
Meu coração de válvula sangrenta
Me impregna na mente e me ordena:
“Te procurar feito louco entre as caras!”
Me põe na rua atropelando medos
Pra te encontrar no sul da madrugada
Nua de todo e qualquer que nos separe
Ardendo em febre e o amor preso entre os dedos.
Altair de Oliveira - In: “Curtaversagem ou Vice-versos”
***
DEUS NO ORVALHO
Canções do Madredeus.
Pipa desgarrada das mãos do menino
Saber que em Marte o entardecer é azul
(saber que nunca poderei te oferecer
o entardecer azul de Marte)
A dor profunda dos olhos cegos de Borges
Deus afogado no mar negro do meu olhar
Bárbara Lia
21 gramas/2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Tempo
...E no relógio de parede
as horas se vão...
vão tristes pelo caminho
ou céleres atropelando a vida.
Vão, vão passando lentamente
quando se vê, perdeu-se
os pensamentos no meio do caminho.
Marta Peres
Ressurreição de mim....
Quando menino – a vida em preto e branco –
eu era tão humilde que acabava brigando com o Natal,
com a Páscoa e, às-vezes-quase-sempre, até com o dia
do meu aniversário...
Então eu acabei optando por fazer de todos os dias
de minha vida o meu Dia de Papai Noel...
Como não posso distribuir presentes nem chocolates
para todos os encantadores de meu inquieto coração,
distribuo-lhes poemas...
O que hoje faz de mim o primeiro da fila
no dia de ganhar algum presente do amor
que eu tenho pela vida...
Afonso Estebanez
VIERNES SANTO
ACOMODO
LENTAMENTE
LAS ESPINAS
AL BORDE
DE MI PLATO
DE LEJOS,
LA SAMARITANA
APRUEBA
ESTE BANQUETE
CON UN CALIZ
DE COMPASIÓN
DOS CEDROS
EN CRUZ
ACOMPAÑAN
MI SILENCIO.
Y EL ROSTRO
ESQUIVO
DE CRISTO
PARECE QUE
SANGRA MENOS.
LENTAMENTE
LAS ESPINAS
AL BORDE
DE MI PLATO
DE LEJOS,
LA SAMARITANA
APRUEBA
ESTE BANQUETE
CON UN CALIZ
DE COMPASIÓN
DOS CEDROS
EN CRUZ
ACOMPAÑAN
MI SILENCIO.
Y EL ROSTRO
ESQUIVO
DE CRISTO
PARECE QUE
SANGRA MENOS.
Gloria Kirinus
domingo, 1 de abril de 2012
ela não vai a uma festinha
para ouvir a melhor canção do mundo
para educar o seu cachorro
criar um conceito filosófico
... ninar o seu menino
para enxugar uma poça de sangue
ir de carona com um caminhoneiro
traduzir o velho Maiakóvski
para uma transa cautelosa com um cavalo no banheiro
ela não vai a uma festinha
para tirar suco das laranjas
para ouvir um conselho do avô
para um tratamento dentário
pegar um navio até o Caribe
posar nua diante de um pintor
discutir os campos da geologia
mastigar o avesso do fogo
para galopar em pelo sem ferradura
ela não vai a uma festinha
para o exercício da piedade
defender-se num processo judicial
passar horas sem fim na biblioteca
para morrer completamente
estar dentro de um soneto
escalar o pico Marumbi
tomar um copo quente de Nescau
para dormir num quarto rosa
Luiz Felipe Leprevost
para ouvir a melhor canção do mundo
para educar o seu cachorro
criar um conceito filosófico
... ninar o seu menino
para enxugar uma poça de sangue
ir de carona com um caminhoneiro
traduzir o velho Maiakóvski
para uma transa cautelosa com um cavalo no banheiro
ela não vai a uma festinha
para tirar suco das laranjas
para ouvir um conselho do avô
para um tratamento dentário
pegar um navio até o Caribe
posar nua diante de um pintor
discutir os campos da geologia
mastigar o avesso do fogo
para galopar em pelo sem ferradura
ela não vai a uma festinha
para o exercício da piedade
defender-se num processo judicial
passar horas sem fim na biblioteca
para morrer completamente
estar dentro de um soneto
escalar o pico Marumbi
tomar um copo quente de Nescau
para dormir num quarto rosa
Luiz Felipe Leprevost
sábado, 31 de março de 2012
Hoje
Hoje
não quero ligar o rádio
ouvir notícias
do tempo
dos povos,
Hoje
não quero ligar a tv
pra ver cenas
de violência,
não quero
folhear jornais
pra ler manchetaes
de trajédias,
não quero entrar na internet
para teclar, pesquisar,
blogar, twittar...
Hoje vou fazer o contrário
de todos os dias
sintonizar o silêncio
nada a dizer
nada a pensar
economizar termos
nada a escrever
nada a olhar
hoje
não vou me matar.
Vladimir Cunha Santos.RS
não quero ligar o rádio
ouvir notícias
do tempo
dos povos,
Hoje
não quero ligar a tv
pra ver cenas
de violência,
não quero
folhear jornais
pra ler manchetaes
de trajédias,
não quero entrar na internet
para teclar, pesquisar,
blogar, twittar...
Hoje vou fazer o contrário
de todos os dias
sintonizar o silêncio
nada a dizer
nada a pensar
economizar termos
nada a escrever
nada a olhar
hoje
não vou me matar.
Vladimir Cunha Santos.RS
quinta-feira, 29 de março de 2012
O Mi(n)to nas escolas.
É mais ou menos assim que as escolas hoje fingem que ensinam. O aluno não deve aprender, basta decorar. Assim, ele finge que aprende.
Dessa maneira, o mundo que estamos vendo, participando e não gostando, segue atrelado a 'Cangas' pesadas, colocadas numa horda de incompetentes cultos, com anel no dedo, diplomas na parede, 'Especialistas' nisso ou naquilo, que se recusam a ...abordar outro tema que não o da 'Pós', com 'Mestrados' em que a 'Dissertação', mas parece uma redação de curso primário, (aquele dos bons tempos escolares, porque as redações do ensino fundamental de hoje, são no mínimo caóticas), e 'Doutorados' que atrelam um par de antolhos aos supostos doutos, que de nada mais sabem falar ou discutir, além daquilo para o quê, se prepararam.
Criatividade..., não mais existe. Percepção..., muito menos. Se o Homem, hoje, menos 'Sapi-ens', com toda tecnologia que dispõe, tivesse que 'Inventar A Roda', passaria a eternidade, empurrando coisas quadradas, ou pela tecnologia aplicada, coisas..., 'Poliédricas'. Se precisasse descobrir o fogo, morreria queimado sem entender o que teria acontecido.
Enfim, sabendo que 'Existem Exceções Às Regras', me atenho não só a imagem da foto atual, mas, a Aldous Huxley, no maravilhoso 'Alerta' de 1931, "Admirável mundo Novo", que na-quela época já falava de uma sociedade de castas científicas, onde a vida parecia não existir. E ainda no pensamento do autor, gosto de uma frase dele que frisa:
"A pessoa inteligente, escolhe a experiência que gostaria de realizar".
Triste. É muito triste ver no quê, a humanidade está se transformando.
Assino, por entender importante e responsável cada palavra que, coloquei.
Olinto Simões
Dessa maneira, o mundo que estamos vendo, participando e não gostando, segue atrelado a 'Cangas' pesadas, colocadas numa horda de incompetentes cultos, com anel no dedo, diplomas na parede, 'Especialistas' nisso ou naquilo, que se recusam a ...abordar outro tema que não o da 'Pós', com 'Mestrados' em que a 'Dissertação', mas parece uma redação de curso primário, (aquele dos bons tempos escolares, porque as redações do ensino fundamental de hoje, são no mínimo caóticas), e 'Doutorados' que atrelam um par de antolhos aos supostos doutos, que de nada mais sabem falar ou discutir, além daquilo para o quê, se prepararam.
Criatividade..., não mais existe. Percepção..., muito menos. Se o Homem, hoje, menos 'Sapi-ens', com toda tecnologia que dispõe, tivesse que 'Inventar A Roda', passaria a eternidade, empurrando coisas quadradas, ou pela tecnologia aplicada, coisas..., 'Poliédricas'. Se precisasse descobrir o fogo, morreria queimado sem entender o que teria acontecido.
Enfim, sabendo que 'Existem Exceções Às Regras', me atenho não só a imagem da foto atual, mas, a Aldous Huxley, no maravilhoso 'Alerta' de 1931, "Admirável mundo Novo", que na-quela época já falava de uma sociedade de castas científicas, onde a vida parecia não existir. E ainda no pensamento do autor, gosto de uma frase dele que frisa:
"A pessoa inteligente, escolhe a experiência que gostaria de realizar".
Triste. É muito triste ver no quê, a humanidade está se transformando.
Assino, por entender importante e responsável cada palavra que, coloquei.
Olinto Simões
terça-feira, 27 de março de 2012
REVOLTA
O náufrago social que andeja ao léu,
suplicando socorro a cada esquina,
é fruto de omissão torpe e assassina,
assoberbando o sofrer do povo incréu.
Não dá para entender que seja sina
nascer e renascer no carrossel
das desgraças atrozes, negro véu,
diante do que a existência nos ensina.
Sob a promessa vil da camarilha,
eleita pelo voto dos plebeus,
vão-se outros miseráveis às calçadas.
O discurso farsante que enrodilha
ao comando de astutos fariseus
gera revolta assaz encarniçada!
Antonio Kleber
suplicando socorro a cada esquina,
é fruto de omissão torpe e assassina,
assoberbando o sofrer do povo incréu.
Não dá para entender que seja sina
nascer e renascer no carrossel
das desgraças atrozes, negro véu,
diante do que a existência nos ensina.
Sob a promessa vil da camarilha,
eleita pelo voto dos plebeus,
vão-se outros miseráveis às calçadas.
O discurso farsante que enrodilha
ao comando de astutos fariseus
gera revolta assaz encarniçada!
Antonio Kleber
Anthropocetáceo
Igual a
personagem
desconfia
do ator
que é,
em voz
e carne,
ao remover
a primeira
camada
de maquilagem,
anthropocetáceo
emerjo,
do frívolo
mar
espesso
das
convenções
sociais.
Ricardo Pozzo
personagem
desconfia
do ator
que é,
em voz
e carne,
ao remover
a primeira
camada
de maquilagem,
anthropocetáceo
emerjo,
do frívolo
mar
espesso
das
convenções
sociais.
Ricardo Pozzo
domingo, 25 de março de 2012
Poesia engarrafada
Meus sonhos em fuga
se recolhem a gavetas
ou papéis
(poesia engarrafada
em porres que não tomei).
Sonhos se agasalham
em abraços que não te dei.
Sonhos nascem
sem grandes esforços.
E eu quero deixar te amar
E sinto que não posso...
Caco Maciel. RS
se recolhem a gavetas
ou papéis
(poesia engarrafada
em porres que não tomei).
Sonhos se agasalham
em abraços que não te dei.
Sonhos nascem
sem grandes esforços.
E eu quero deixar te amar
E sinto que não posso...
Caco Maciel. RS
terça-feira, 20 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
Versos de dor
Enquanto você dormia...
Escrevi esses versos de adeus
Rasguei suas recordações
Rasguei minhas ilusões
Enquanto você dormia...
Vi que seus beijos não
eram só meus.
Enquanto você dormia
Dilacerei meu peito
Chorei um amor desfeito
E esses versos num
Papel molhado
São lágrimas de um
coração despedaçado.
Enquanto você dormia
Meu sonho desmoronou
Revirei seu mundo
O meu foi ao fundo
Enquanto você dormia...
Sorriu e outro nome chamou.
Sirlei Passolongo
Gosto de gente
Gente
Que sente
Que chore
sorria
Reclame
Ame
Gente que fala
Que rala
Que grita
Agita
Bonita
Na alma
E no coração
Gente
Que ajude
Que grude
acompanhe
Que ouça
Louca
que
Tenha amor
Pelo amigo
Seja abrigo
Nas horas de dor
Gente
Que sente
E mesmo distante
seja consciente
Gentilmente presente
Na vida da gente.
Gente como VOCÊ!
Sirlei L. Passolongo
sábado, 3 de março de 2012
O ano da morte de Ricardo Reis
Não cante o desprezo dos deuses, Ricardo
Não colha as flores mortas ao lado do Tejo
Os fardos humanos são apenas isto — Fardos
E os beijos sensuais são apenas isto — Beijos
Sou toda verão na alcova, acesa, à tua espera
Estonteante mulher que levas a ver as flores
Enquanto os pássaros trinam alto — Neera!
Nada nos falta, mas, em ti brotam mil dores
Quando a morte te buscar, aquela que conheces
Voltarei aos prados colhendo as flores vivas
Tocarei a pele do planeta murmurando preces
Banquetearei na relva, as flores como convivas
Dói, Ricardo, saber que todos os campos serão meus
Ainda orvalhados de lágrimas dos belos olhos teus
Bárbara Lia
Bárbara Lia
Ausência de Pessoa
O balcão feliz, o chão da Leitaria do Trindade
O fatal silêncio ocre escuro de folha outonal
O ar se altera — ventania, mistério e divindade
Prenúncio da chegada do poeta lusitano genial
Nas manhãs um copo de vinho, gesto costumeiro
— Bom dia, Trindade! O copo de vinho estendido
Nas noites escrevia com a luz da rua — candeeiro
Mil vozes e mil rostos em seu rosto, escondidos
Esta epopéia diária das paredes a abrigar a figura
Roupa escura, chapéu e óculos, passo que levita
Esta contumácia de pedra que abarca a água pura
Esta rotina de lírio e fogo que segue e nada evita
Quebrada em um novembro com a morte do poeta
Médico pastor escrivão engenheiro místico esteta
Bárbara Lia
Sonetos publicados na edição de Março/2012 #143 - Jornal Rascunho
Paisagem de chuva para Bernardo Soares
Há qualquer coisa do meu desassossego no gota a gota, na bátega a bátega com que a tristeza do dia se destorna inutilmente por sobre a terra.
Bernardo Soares
As árvores fogosas escolhem seus amantes
Quando eles se aproximam ampliam o verde
Encolhem os caules que se enlaçam ofegantes
Como a mulher trança suas pernas sem alarde
Para prolongar o gozo mais silencioso que o ar
As pedras se abrem e voluptuosas expandem
Para acolher aos amantes que fazem tiritar
Seu coração de granito, oco de luz ou sangue
E eu que sou chuva aprendi a ser humana
E te amar com minha molécula de Oxigênio
Para não brigarem entre si com ódio e gana
As minhas outras duas moléculas de Hidrogênio
Cada gota cumpre o acordo tácito com lealdade
Esplendor lírico e líquido nas esparsas tempestades
BÁRBARA LIA Nasceu em Assaí (PR). Publicou sete livros de poesias e dois romances. Criou a coleção 21 Gramas – inventário poético, registro de sua obra em livros artesanais. Integra, entre outras, a Antologia O que é poesia?, O melhor da festa 3 e Concurso nacional de poesias Helena Kolody.
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