quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Lendas dos Palhaços-Sombras de Curitiba


               
O palhaço-sombra é uma espécie de artista que fica nas ruas famosas, de preferência das grandes cidades, imitando os pedestres que passam com graciosidade.
Este tipo de animador surgiu na Roma Antiga, mas teve seu ápice nas brincadeiras renascentistas do Carnaval de Veneza. Já, na Idade Moderna, surgiu o costume de um credor contratar um artista vestido de palhaço para seguir e imitar os gestos, pelas ruas, da pessoa que estava lhe devendo. Pois esta seria uma maneira do povo saber que o imitado era um mau pagador.
O curioso é que a palavra sombra é usada, em algumas culturas, como o sinônimo da palavra diabo. Por isto, é comum aquele ditado que diz: “todo mundo tem seu lado sombra.” Reza a lenda que quando seguimos uma pessoa e a imitamos, por trás, corremos o perigo de pegar as suas vibrações tanto positivas quanto negativas.
Em Curitiba, nos anos 80, surgiu um palhaço-sombra na Rua Quinze de Novembro, a mais movimentada do centro da cidade, que seguia e imitava qualquer pessoa que surgisse naquela rua, com o objetivo de divertir os demais frequentadores. Este artista usava maquiagem de circo e vestes variadas. Porém, uma das suas fantasias era uma roupa de presidiário, toda listrada em preto e branco. Este primeiro palhaço-sombra nunca fazia brincadeiras desrespeitosas com as pessoas. Inclusive, tinha momentos que era muito gentil.
Nos anos 90, este artista deu um pequeno intervalo. Então, dois animadores argentinos tomaram o seu lugar. Estes atores portenhos tinham brincadeiras mais ousadas, como exemplos: imitar pessoas com necessidades especiais, abraçar e beijar na boca as mulheres na rua causando, ás vezes, um certo constrangimento.
Sempre fui uma pessoa tímida e só dei o meu primeiro beijo aos 23 anos. Quando eu completei 24 anos, costumava passar muito na Rua Quinze de Novembro para procurar emprego nas firmas e lojas da região.
Um certo dia, eu tinha feito um teste para um serviço e estava passando, distraidamente, na Rua Quinze, quando de repente, escutei um apito. Como um raio, um palhaço me pegou para dançar e exclamou:
- Vamos a bailar!                                     
Então, este artista começou a dançar comigo no meio da rua e, no final, acabou dando um selinho na minha boca, o que me causou constrangimento. Logo pensei:
- Não acredito que o meu segundo beijo foi com o palhaço-sombra argentino, na Rua Quinze de Novembro, e na frente de dezenas de pessoas!
Então, lá pelo ano 2000, os artistas argentinos deixaram a rua mais movimentada de Curitiba e deram a vez para outro palhaço-sombra, que já era um senhor de idade. Reza a lenda que este idoso faleceu no ano de 2004 e que, à noite, o seu espírito começa a seguir e a imitar as criaturas que andam pela Rua Quinze. Por isto, é comum os relatos de pessoas, que passam pela rua mais movimentada de Curitiba e sentem que alguém está as seguindo. Porém, quando olham para trás não enxergam ninguém. Mas, a sensação de que alguém está fungando nos seus pescoços é nítida. Pois é, pelo jeito, este é mais um mistério de Curitiba.
Depois, em 2005, o primeiro palhaço-sombra, aquele mesmo que começou nos anos 80, voltou a atuar permanecendo assim até outubro de 2013. Pois, dia 3 de novembro este artista foi envolvido numa confusão. Segundo testemunhas, ele estava andando por uma rua perto da sua casa, no bairro Parolin, quando, de repente, um marginal conhecido na região passou a segui-lo com intenção de assaltá-lo. O artista quando percebeu tudo, pegou uma faca e matou, em defesa própria, o bandido. Após isto, autoridades afirmaram que o ator ficará preso somente por alguns dias. Afinal, tudo indica que o artista agiu por legítima defesa. O curioso é que, por coincidência, uma das fantasias que o animador usava para trabalhar, na Rua Quinze de Novembro, era a de presidiário.
Moral do causo: até os artistas de rua, estão sujeitos a sofrerem violências e injustiças quando saem de casa, e, infelizmente isto não é apenas uma simples Lenda Urbana.

Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 5 de novembro de 2013


O ROSTO da minha avó morta, 
plantada ao alto no canteiro da minha memória 
a sua voz ecoando, a sua voz rude, mas húmida 
a sua voz como um bom orvalho... 

e agora, que estou deitado, 
vejo as suas mãos - tão reais! - estigmatizadas, 
vasculhando-me o corpo ( aberto ) 
afundando-se nas minhas entranhas 

duas tesouras douradas à procura da rosa secreta.

Luís Costa

Caçador Diverso



inútil você resistir
à resina do seu corpo
como se seus orifícios
estivessem um pouco mais
para um lado que não 
vinga, todos dizem
“vamos morrer” e eu
não compreendo como
se trocam os lados, agora
que eu vejo Ulisses dizendo
“eu sou ninguém” e trocamos
da proa a popa, do campo
de visão para algum céu
de alguma boca, e se os lábios 
são como ilhas de migração
das aves de algum lugar
que reverbera “inútil
você resistir ao que o
trespassa” então 
já não lembro de não resistir
às palavras essenciais
e trago-as em meus orifícios

Raul Macedo

VIDA DE POETA



Até onde vou, todo mundo sabe,
vou ver se ainda estou na esquina
antes que essa poesia louca acabe
e eu já não saiba a que ela se destina.

O coração no peito rufa, bate,
escoiceia e vai ao encontro da rima,
como um cão que para a própria cauda late,
e dá voltas, e, em círculos, gira.

Talvez esse lirismo que me invade
e me leva a escrever linha após linha
seja só ego e o cúmulo da vaidade.

Pode ser também apenas a idade,
lindezas que o tempo na gente inspira
depois de tanta espera na fila!

antonio thadeu wojciechowski

clarice está no parque 
posa para o retrato 
e tem nas mãos 
aquele vermelho 
do hibisco que sangra 
olhos fixos
clarice sente-se 
nua como uma fruta bomba 
[cortada sobre a mesa]
expõe suas sementes

js.

IMPOTENTE ORÀÇÃO PRA SER FELIZ



Acordo e penso pisar bem firme o dia.
Trabalhar para preservar o além de mim.
Dividir o que tenho e que acumulo
E rir... para que todos possam rir.
E encontrar o amor que inda procuro.
Para matar esta saudade que me aperta
e cercar o medo como ele me cerca.

Altair de Oliveira – In: Curtaversagem ou Vice-Versos, 1988.

Verbo oculto
Salivando na boca
Lábios rosados.

lisa Kôe


O coração mesmerizado de amores,
repete nomes e declara o tédio,
ao fim de sem batimentos por segundo.

À mesma hora, diante da cova,
o corpo do amante
só pesa; tendo alcançado a morte

em mim, legiões de feridos dessalgam
o que foi o gosto de todos.

- Quando afundo em tua cama,
ainda ancora o infinito.


(janeiro/2013)

Roberta Tostes Daniel

Lenda do Bairro Pinheirinho de Curitiba


       
Numa tribo, localizada onde hoje é o bairro chamado Pinheirinho, na cidade de Curitiba, havia uma índia chamada Apoema que gostava de conversar com os pinheiros. Ela amava, em silêncio, um índio chamado Cauã. O problema é que, também, existia outra nativa que era apaixonada por ele: Aimé.
Então, quando Aimé soube que Apoema estava quase conquistando o seu objeto de desejo, ela pediu para que seu pai, o pajé da tribo, fizesse um feitiço para afastar a sua rival.
Assim, o feiticeiro realizou um ritual que transformou Apoema numa gralha parda, que voou para o céu e pediu uma chance para Tupã. Este deus falou que ela poderia virar humana novamente se cumprisse a seguinte missão: espalhar sementes de uma árvore chamada Araucária por toda a vila, que hoje é a cidade de Curitiba.
Apoema cumpriu a missão muito bem. Porém, quando Tupã a chamou para conversar ela disse-lhe:
- Não quero virar mais humana porque gostei de ser pássaro. O único desejo que peço é para ter as penas azuis.
Assim, Tupã deu a cor anil para esta ave que recebeu o apelido de gralha azul.
O tempo passou e o local onde era a tribo de Apoema transformou-se num lugar chamado Capão dos Porcos. Naquela região instalou-se um jovem bruxo que havia fugido da Europa. Este feiticeiro virou lavrador no meio do mato. Mesmo assim, não tinha a simpatia da população.
Como este feiticeiro era bonito, a gralha azul apaixonou-se por ele. Assim, Apoema pediu para se transformar em mulher novamente. Mas, Tupã disse que não e que o amor dela com o mago só seria possível se ele morresse e tivesse o corpo enterrado dentro de um pinheiro. Pois, só assim Apoema poderia virar mulher de noite para conversar com a alma do amado dentro da árvore. Porém, de dia, ela continuaria sendo uma gralha azul.
Naquelas bandas existia um menino chamado Rafael que vivia sendo maltratado por Zé, seu padrasto, mas ninguém sabia. Um certo dia, este  homem matou o enteado e jogou o corpo perto da casa do mago.
Quando acharam o cadáver, o homem colocou a culpa no feiticeiro, mentindo que o bruxo matou o menino num ritual de magia negra. Então a população espancou o mago até a morte.
Naquela mesma noite, Apoema virou uma mulher e enterrou corpo de seu amado dentro de um tronco de um pinheiro, na entrada de uma fazenda  também chamada Pinheiro. Naquele mesmo instante, surgiram outros pinheiros em fileiras. Então, a alma do feiticeiro saiu de dentro da árvore para namorar a índia. Assim, a situação ficou deste jeito: de dia Apoema era uma gralha azul espalhando sementes de Araucária, mas de noite ela se transformava numa índia que encontrava o espírito de seu amado, que saia de dentro da árvore.
Com o tempo os pinheiros da fazenda foram desaparecendo pouco a pouco. Porém, o único pinheiro que restou foi a árvore onde o corpo do bruxo foi enterrado por dentro. Reza a lenda que já tentaram derrubar este pinheiro, mas nunca ninguém conseguiu. Por isto, este local recebeu o nome de: Bairro Pinheirinho.


Luciana do Rocio Mallon

às suicidas

um dia eu acordo
silvana guimarães
nina rizzi ou
suzana bandeira

monto em pelo
os cavalos da vida
mordo as portas
que me tutelam

e vou arder no mundo."

 romério rômulo

Jussara Salazar


Hoje o passado tem futuro



Hoje, cedinho, dei de comer às saudades.
O passado passado a limpo sempre volta
Melhor e a vida se amplia, de dentro pra fora,
Transformando coisas velhas em novidades.

É engraçado rever suscetibilidades,
Mágoas, desilusões, ódios sob a escolta
Da distância e da paciência que agora
Me fazem ver um mundo de felicidades.

Errei por muito, acertei por pouco, e daí?
Sonhei como um louco, tanto que confundi
Alhos com bugalhos e pela entrada eu saí.

Mas, neste momento, olhando o passado, ri,
Ri de tudo, ri de mim mesmo, ri por rir,
Ri até virar do avesso e não ter pra onde ir!


antonio thadeu wojciechowski, 


Knight, Death and the Devil



direi mil vezes que te amo
mulher e farei um plano
pra minha e tua vida
evitarei enganos
 
e te farei feliz sendo o que sou
tocando o nosso plano
 
e se viés e revés faremos
um ramo
e se me quiser
eu quererei
sem ser profano
 
 
Uma mínima estrela
. William Teca
 

 

Café pela manhã

         


Se te entrego meus olhos cheios de ressaca
e um coração batendo em desespero

saberia que a amo quando enfim encontro o mar em mim

Redson Vitorino     

domingo, 3 de novembro de 2013

Pobre menina, as únicas vezes que se sentia acarinhada era no dia de cata piolhos no abrigo.


JDamasio
volto da velha barbearia do seu Paulo. fazia anos que não vinha aqui. uma vez por mês o pai nos trazia, aos sábados. saíamos com ele pela manhã para ver amigos, ir ao mecânico, buscar alguma encomenda. mais ou menos onze horas, dirigia-nos à barbearia e
pode cortar bem baixinho.
seu Paulo tira o guarda-pó de cima de mim. estou levantando. com duas notas de dez, pago o corte, máquina em cima e barba feita. me despeço
tenha um bom dia, seu Paulo.
na névoa da manhã, sigo pela nova calçada de granito. a floricultura está aberta. em frente, o prédio da Divisão Estadual de Narcóticos. sinto uma dor sutil, o eterno desconforto, no joelho direito. avanço na direção da pracinha cortada ao meio para facilitar a passagem dos carros. às minhas costas a fileira de casas noturnas temáticas, parques de diversões cheios de luzes que funcionam de segunda à segunda, com marcas de bebida estampadas nas fachadas, Valet Park e seguranças vestindo ternos pretos na frente, agora fechadas. há alguns anos trabalhei na região, na cozinha da churrascaria Fogo de Chão. fiz muitas vezes, à pé, de madrugada, o caminho de volta para o centro. desço a Batel. é sábado e a avenida parece ainda mais limpa do que de costume. não há sacos de lixo na calçada, cachorros nem mendigos. passo pelo Pátio Batel. estou descalço, o chão e o ar são úmidos. esta é uma rua do mundo em que não se respira bem. não, não estou descalço, os tênis é que encharcados. meu corpo não é doente, minhas roupas são boas. uma enxaqueca me entra feito uma agulha de tricô. acelero o passo. logo estou nas imediações do Castelinho. o cheiro ruim voltou, uma ponta de enjôo e a paranóia de estar sendo seguido de novo pelo Gigante. tenho as pernas dormentes, mas acelero o passo. não olho para trás. o joelho cada vez pior. chego aos fundos do Shopping Crystal. a noite cresce, é já muito tarde. o sujeito do cachorro quente da Comendador Araújo não está mais na rua. a cidade vazia, exceção é este enorme homem morto, estirado na calçada. sensação de que já o vi antes. vivos, jamais nos misturaremos ao vento. a noite gelada não para para ele estar morto. não posso ajudá-lo. logo virá o fedor. há uma montanha de sacos de lixo do shopping. aqui sim o ar é insuportável. tampo o nariz. ratos, entre eles uma gordona, ratazana enorme, cinza, pêlo grosso. estamos desde sempre misturados ao tresvario dos ratos. pode que haja ratos do tamanho de homens? é tão tarde já, a madrugada me arrasta. caminhei tanto e sinto como nunca tivesse mudado de lugar. a cabeça pesa, maciça. ratos, eu estou aqui, vocês não valem por minha memória. súbito, as calçadas começam a ser povoada novamente, pneus e buzinas, sinais sendo furados, ao contrário de mim que me vejo cada vez mais fadigado, como que levado por uma lassidão dolorosa. estou na frente do meu prédio, finalmente. não sei se conseguirei chegar até a porta do apartamento
lençol, cobertor, penso.
o comércio está sendo aberto. não tenho mais forças. faleço agora. ou julgo ter adormecido mas continuo acordado, ou não chego em casa e entro no banheiro e ligo o chuveiro e tiro casaco, camisa, calça, cueca e tomo um banho demorado. respiro fundo, me enxugo. a cabeça dói. a água vai pelo ralo em direção aos esgotos sob a Praça Osório. venho para o quarto. um gosto de madeira áspera na boca. visto o pijama. não deixei de roer as unhas. vou até a cozinha. a geladeira muge. abro, pego queijo e presunto. preparo um sanduíche. a luz no apartamento é uma brasa acesa, quase nada ilumina. estou tranquilo. vou até a janela e então aquele sensação de estar oprimido... pelo quê? olho meu reflexo, tenho uma aparência destruída. me encaro com uma seriedade enervante
ficou bom este corte de cabelo.
estou nu. e é já manhã, digo, madrugada.


Luiz Felipe Leprevost
Roberta Tostes Daniel


falar um sem número de vezes as mesmas coisas, antes que seja tarde, poder largá-las. no mundo. agora rondam os gritos que demos rumo às vidraças que não quebramos. um garoto me mostra o seu rosto e impede com toda a gravidade que eu esqueça o meu, do alto do meu, já posso descer de dizer as coisas que não marcham. estou aqui, mas ao alcance da neblina.
Depois que fui agraciado pelo dom de contar historias, perdi a habilidade para contar dinheiro, afinal não se pode contar com tudo na vida!
JD
Curitiba se veste bem de cinza. O sol, apenas acessório. A noite, seminua é envolvida pela nevoa transparente. Molhada, sua sensualidade aflora nas velhas calçadas do Largo da Ordem. Seduzidos, temos o passado a nossa frente, caminhando nos paralelepípedos escorregamos em sua historia.

 JDamasio
Curitiba, cidade em que até o girassol tem torcicolo, as pedras das calçadas mais duras pedem colo e os roqueiros mais tolos tocam o pau, Curitiba, cidade em que até o girassol tem torcicolo, as pedras das calçadas mais duras pedem colo e os roqueiros mais fofos tocam o pau.

Luiz Felipe Leprevost

O menino e a luz



Ele ia pela rua estreita e escura. Andava arqueado pela humilhação, tropeçando nos desaforos, se esquivando dos preconceitos e escorregando na miséria.
Nessa caminhada ingrata olhou para o céu, pedindo às estrelas que brilhassem sua sina. Ao baixar a visão percebeu vindo longe um feixe de esperança, alegrou-se. Quando viu o clarão investindo em sua direção,abriu um sorriso cariado. No encontro, a luz passou por cima dele.
Assim o caminhão seguiu seu caminho, com os faróis quebrados e apagados, o menino agora iluminado se apropriou da luz.

JDamasio

DEFASAGEM



Desaforo, lá fora as horas passam
E, com passo de graça, comemoram...
Aqui dentro parece que elas param,
Que até moram do tanto que demoram!

Eu, às vezes, suspeito que elas tecem,
Neste pleito onde nada me acontece,
Um despeito que pousa e desampara
E uma espera que quase desespera!


Altair de Oliveira – In: “A Grande Coisa”.
Tem um homem ali, sentado, o jeito de sentar-se na cadeira de balanço é inquieto. Ele dobra as mangas das camisas até os cotovelos. Ele lê um livro em entrecortados espaços. Para, reflete, acende o cigarro de palha, olha pela janela, volta a ler. A cadeira range e ele não se desliga _ nem da vida, nem do livro. A mão que segura o livro é morena e áspera. No dedo anular esquerdo um anel cobre a aliança de casamento. Ele pode passar a manhã inteira mergulhando seu olhar nas palavras. A cena lembra a sua maturidade, quase velhice. Ele nunca se tornaria um ancião curvado. Morreu de amor quando a sua amada imortal _ minha mãe _ morreu. Definhou, foi ao encontro dela na montanha das caçadas eternas _ o paraíso indígena. Aquilo que lhe segredaram os meninos da tribo que foram seus vizinhos em São Jerônimo da Serra. Ele sempre me contava que os índios acreditavam que o paraíso era uma montanha onde se caçava eternamente.


Bárbara Lia _Paraísos de Pedra _ editora Penalux _ Página 104

Lenda do Saci-Pererê da Fazenda Rio Grande


               
O Saci-Pererê é uma figura mitológica do folclore brasileiro. Porém, não se sabe, exatamente, como surgiu a figura dele. Pois, em diversos relatos, há vestígios das seguintes culturas: africana, européia e indígena.
Deixo abaixo a versão da origem do Saci, que escutei quando visitei a cidade de Fazenda Rio Grande, no Paraná:
No século dezenove, no período da escravidão, havia um menino negro muito sapeca chamado Toinho, que fazia travessuras como: trançar as crinas dos cavalos nas noites escuras, roubar doces da cozinha na casa grande, afanar fumo para seu cachimbo, etc.
Um certo dia, Toinho resolveu afanar um doce da copa, na casa grande. Quando, de repente, o capataz flagrou o pobre, que saiu correndo. Mas, o homem correu atrás do garoto, alcançou o desgraçado, que deu uma resposta debochada:
“- Capataz fraco, branquelo e magrelo           
De ficar no tronco, não me pélo!”                
Assim, o capataz, tomado pelo ódio, levou o garoto para o mato e cortou uma de suas pernas. O menino morreu e foi para o céu. Mas, São Pedro disse-lhe:
- Poxa, eu até poderia deixa-lo entrar no Paraíso. Porém, o problema é que você não foi batizado e, aqui ,pagão não entra.
Desta maneira, Toinho foi para o Inferno e o diabo explicou-lhe:
- Não posso aceitar você aqui porque seus pecados foram somente as travessuras infantis. Acho que você deve voltar para o seu corpo, ou tentar uma vaga no purgatório. O problema é que eles estão em reforma lá.
Enquanto o garoto conversava com Satanás, um pajé que estava caminhando pela floresta viu seu corpo estendido pelo mato. Então, com a magia dos xamãs, o feiticeiro realizou um ritual para trazer o menino de volta à vida.
De repente, o índio notou que o garoto tossiu e, de repente, ele abriu os olhos, levantou-se com uma perna só e começou a pular rapidamente. Como um raio, o menino disse:
- Poxa, não estou no purgatório. Pois, esta é a mesma floresta, onde o capataz arrancou a minha perna.
- Sinto que por causa da minha visita ao inferno, entrou muita poeira das fogueiras nos meus olhos e eles não param mais de mexer.
- Além disto, há algo estranho:
- Estou me sentindo ágil e saltitante mesmo com apenas uma perna.
Desta maneira , o pajé resolveu levar Toinho para a tribo. Assim, todos os índios ficaram assustados com a habilidade que o menino tinha de pular com uma perna só.
De repente, os nativos começaram a exclamar a palavra:
- Saci-Pererê!                                           
Deste jeito Toinho recebeu este apelido pelos indígenas. Pois, Saci significa olho doente que se mexe sem parar e Perere quer dizer saltitante, tudo isto, em tupi-guarani.
Mas, o Saci-Pererê não se contentou em viver só na tribo e logo partiu para as fazendas. Num sítio, ele viu uma senhora costurando toucas. Aproveitando-se da distração da velhinha, o menino entrou na cozinha para roubar doces.
O moleque estava comendo uma compota, quando de repente, ele escutou a mulher falar, por isto derrubou o vidro no chão. Aquela senhora exclamou:
- Pobre menino!                           
- Pois é careca e deve sentir frio na cabeça!
O Saci ficou paralisado tamanho o susto.
Mesmo, assim, a velhinha continuou com um gorro vermelho na mão:
- Por favor, aceite esta touquinha carmim como um presente.
Desta maneira, a mulher colocou o gorro na cabeça do menino, que tentou arrancá-la, mas não conseguiu.
Assim, a senhora explicou:
- Não tente arrancá-la, pois esta touca é mágica. Eu sou uma bruxa e faço gorros eternos com o objetivo de proteger todas as crianças que um dia já foram injustiçadas.
Após escutar estas palavras o Saci saiu pulando e passou a ser visto nas fazendas locais realizando as seguintes travessuras: escondendo objetos, trançando crinas de cavalos, roubando fumo para seu cachimbo, etc.
Reza a lenda que este Saci-Perere, até hoje, freqüenta a cidade de Fazendo Rio Grande, no Paraná e já foi visto nos bailes de um famoso posto da cidade.

Luciana do Rocio Mallon

Rosa Chá Azul Anil



Alma rosa chá.
Vestida de rosa chá.
Na casa rosa areia.

Leva - enquanto passeia -
um oceano de espantos
nas mãos:

Cinzas de rosas
no ar do quarto do avô
morto.

Mistério ácido na boca
- sabor do fruto vítreo -
de figueira desconhecida.

Açúcar cristal brilha
- mínimas estrelas -
nas mãos.

Céu rosáceo de Dali
desce ao chão
e incendeia
o futuro lilás:

rosa chá + azul anil

Linhas do destino
emaranhadas
- já no ventre
de nossas mães.

E apenas agora
o homem sagrado
envolto em acordes
de estrelas no cio.

- meu azul demorado!

Bárbara Lia _ Poesia publicada na Antologia _ O Melhor da Festa 3 (Festipoa/Casa Verde)


solidão brisa de maçã
paraíso em câmera lenta
aprendi a caminhar no vácuo
_ oco sem fim _
das almas inóspitas


Bárbara Lia/2013
quando dormem as estrelas.
ouço o eco dos séculos
chega em perfume de sândalo
rasga-me em cimitarras frias
acende a lua crescente
em meu coração Amrik

Bárbara Lia

(a todas as crianças do oriente médio

que já sofreram ou morreram nas guerras)

Lenda da Antiga Fábrica de Fitas de Curitiba



No final do século dezenove, uma caravana de ciganos chegou a Curitiba. Dentre eles havia a cigana Lyanka, que gostava de fabricar fitas e artesanatos com elas.
Uma vez, um caixeiro viajante visitou o acampamento e Lyanka apaixonou-se por ele. Porém, um mês depois, esta cigana descobriu que estava grávida e por isto foi expulsa do seu grupo.
Logo, ela conseguiu emprego como empregada doméstica, na casa de um casal de idosos. Mas, esta moça resolveu disfarçar a barriga de gestante com espartilhos apertados. Na hora de ter o bebê, Lyanka fugiu para a floresta com a intenção de que ninguém descobrisse o seu segredo.  Lá, ela conseguiu ter uma filha sozinha, porém, como estava muito fraca, faleceu  no meio do mato mesmo.
Alguns minutos depois, uma senhora que estava passando viu a cena, tocou no pescoço da moça, notou que ela estava morta e pegou a criança para si, toda sorridente.
Deste jeito, a mulher chegou, em sua residência, com este bebê nos braços e exclamou ao marido:
- Geraldo, veja o que eu achei no mato!      
O homem olhou para a criança e indagou:
- Você roubou um neném, Albertina?
A mulher mentiu:           
- Eu não roubei, eu achei. Pois, é como diz aquele velho ditado: ”achado não é roubado, quem perdeu deveria ter mais cuidado.”
O homem, desconfiado, perguntou:   
- Tem certeza disto, esposa?
A senhora comentou:          
- Sim.
- Agora, podemos realizar o nosso sonho de ter uma filha e ela se chamará Maria.
Desde criança, esta menina, demonstrou gostar de fitas e de fazer artesanatos com este tipo de material. Além de ser muito religiosa. Por causa disto, ela recebeu o apelido de Maria das Fitas. Seu maior sonho era aprender música e dança. Mesmo assim, esta menina dançava uma espécie de balé cigano pela casa e aos doze anos de idade ganhou seu primeiro violão. Sem falar que ela tentava aprender línguas estrangeiras através de revistas importadas velhas que Albertina ganhava de sua patroa.
Como os pais adotivos de Maria eram pobres, aos treze anos, esta menina precisou arrumar emprego. Por isto, um dia, ela saiu por Curitiba com o objetivo de preencher fichas de solicitação de serviço nas firmas, já que não queria trabalhar como empregada doméstica. Esta adolescente andou muito, a procura de emprego, até que chegou a Rua Ubaldino do Amaral e avistou um casarão onde estava escrito:
Fábrica de Fitas
Deste jeito, os olhos da garota brilharam. Porém, seu coração disparou de verdade, quando viu que na porta estava escrito:
Temos Vagas
No mesmo instante, a jovem entrou no estabelecimento e perguntou à secretária se ela poderia se candidatar a um dos cargos. Esta recepcionista disse que sim e deu uma ficha para Maria preencher. Assim, que a adolescente colocou seus dados no papel, a secretária levou o documento até a sala da administração e poucos minutos depois o gerente fez uma entrevista com a donzela, que foi contrata como auxiliar de produção.
Logo Maria se destacou entre as operárias por causa do seu esforço e dedicação.
Empolgada com o novo emprego esta garota passou a usar fitas com mensagens de paz bordadas em seu pulso. Então, sempre quando alguém estava triste, Maria dava uma fita com a cor e frases apropriadas para a ocasião. Deste jeito, a pessoa voltava a sorrir.
Naquele ano, a fábrica teve a festa de Natal mais animada de todas porque  Maria bailou a famosa Dança Cigana das Fitas.
 O problema é que dentro do ambiente de trabalho, existia um outro operário que ninguém gostava por ser arrogante e fazer piadas machistas com as colegas. O apelido deste sujeito era Canecão e ele passou a perseguir Maria com suas investidas e piadas de mau gosto.
Um certo dia, Maria resolveu usar o banheiro dos fundos onde era escuro e isolado, pois havia uma fila enorme no toalete mais movimentado. Porém, Canecão resolveu seguir a moça. No mesmo minuto que Maria penetrou no toalete, o rapaz correu, entrou junto e trancou a porta. Desta maneira, ele tentou agarrar a pobre, que resistiu e exclamou a frase:
- Antes morrer do que pecar!
Deste jeito, Canecão bateu a cabeça da jovem contra a parede, que morreu no mesmo instante. Após isto, o assassino fugiu.
Todos ficaram comovidos no velório de Maria, que foi enterrada com o caixão enfeitado de fitas e com roupas coloridas como as das ciganas.
Reza a lenda que dez anos depois, Jamile, uma outra operária, se trancou no banheiro dos fundos e começou a chorar. De repente, apareceu uma moça que perguntou-lhe:
- Por que você está chorando?
Jamile respondeu:
- É porque meu filho está com meningite, no hospital, e acho que de hoje ele não passa.
A donzela comentou:
- Eu vou rezar pelo seu filho.
- No meu pulso, há várias fitas com orações bordadas. Então, vou lhe dar esta fita amarela, que é a cor que simboliza a saúde, e nela há um trecho do Salmo 23: “O senhor é meu pastor e nada me faltará.”
Jamile agradeceu, depois do expediente foi até o hospital e quando chegou ao quarto viu que seu filho estava, milagrosamente, curado.
No dia seguinte, ela perguntou a dona Ana, que era responsável pela limpeza:
- A senhora, que já trabalha há muitos anos aqui, por acaso, sabe o nome daquela funcionária que parece uma cigana, veste roupas coloridas e tem o pulso cheio de fitas com orações?
A zeladora respondeu:
- A vinte anos atrás havia uma operária com estas características, mas ela foi assassinada por um tarado no banheiro dos fundos. Reza a lenda que o fantasma dela aparece para ajudar a quem precisa.
- Por favor, me siga até a administração que lhe mostrarei o álbum de fotos dos antigos funcionários.
Então, Ana abriu uma página do álbum, apontou para uma moça da foto e indagou para Jamile:
- Por acaso, a jovem era esta da fotografia?
A operária respondeu emocionada:
- Sim.
Em 1980, esta fábrica foi desativada e dentro dela foi inaugurado um tipo de centro cultural com escolas de idiomas, centro de exposições e academia de ginástica.
Reza a lenda que em 2013, Patrícia, uma aluna de um curso de idiomas estava chorando no toalete dos fundos. Então, uma moça com roupas ciganas e os braços cheios de fitas perguntou-lhe:
- O que houve?
A estudante respondeu:
- Meu cachorrinho de estimação desapareceu a uma semana.
A jovem comentou:
- Eu rezarei para que seu animalzinho volte hoje mesmo para a casa.
- Também quero lhe dar de presente uma das fitas, com mensagens bordadas, que tenho em meu pulso. Bem, lhe darei a verde que significa esperança e nela está escrito: “Na casa do senhor há várias moradas.”
- Sabe, reza a lenda que quando um bicho de estimação sai de casa é porque ele foi passear no céu.
- Quem sabe não foi isto que aconteceu, né?!
Assim, a donzela desconhecida colocou a fita no pulso de Patrícia, que parou dois segundos para admirar o seu novo presente. Mas, quando olhou para o lado, notou que a moça desapareceu.
Ao chegar a sua residência, Patrícia abriu o computador e entrou na Internet. Naquele mesmo instante ela escutou latidos, abriu a porta e viu que seu cachorro tinha retornado ao lar. Os dois foram para a sala e a estudante sentou-se em frente ao computador novamente. Porém, o cão pulou em seu colo, bateu sem querer numa tecla e na tela surgiu um site com o título da seguinte notícia:
“Cigana da Antiga Fábrica de Fitas Virou Lenda”

Luciana do Rocio Mallon

per augusto, fragmento

para onde fores, pai, se for ainda
a noite, o epitalâmio da doçura
terá aí meu prato de candura
em vassalagem à tua dor vertente."


 romério rômulo

Um Homem Arrancou Mudas de Ipê


Um homem arrancou mudas de ipê
Fazendo vandalismo no maior fuzuê
Por uma deserta, quieta e tímida rua
Mas, ele foi flagrado pela luz da Lua

E pelas discretas câmeras de segurança
Que colocam a justiça na balança!
Um homem que arranca uma planta
Não possui uma mão santa
                                                
Pois, foi criado livre como folha ao relento
Sem nenhum tipo de disciplina e sentimento
Quem é criado de um jeito permissivo
Não absorve a sabedoria do adubo ativo

Então não cria seguras e fortes raízes
Nem cheira as flores com várias matizes!
Assim, não consegue escolher fieis companheiras
Pois, só freqüenta baladas viciadas e traiçoeiras!

Num homem assim nascem galhos na cachola,
Deixando ele com raiva de árvores a toda a hora!
Um homem arrancou mudas de ipê
Num vandalismo com o maior fuzuê!

 As plantas eram mudas não tiveram como se defender
Mas, o Cartola disse que as plantas não sabem falar
Porém, exalam um perfume ao entardecer
Numa fina linguagem que se espalha ao ar!

O homem que arrancou os ipês não sabe o poder
Que esta árvore tem ao amanhecer!
Um frondoso ipê branco
Deixa o espírito franco!

Um alegre e desinibido ipê amarelo
Abriga a princesa sem castelo
Um meigo ipê lilás
Exala perfume de paz!

Um homem arrancou mudas de ipê
Fazendo vandalismo no maior fuzuê.

Luciana do Rocio Mallon
Roberta Tostes Daniel

rio seco que ainda corresse
obcecado com as pedras

(ele) sou eu
deslindado de palavras

suas imersões -
ausente água


refratária.

Desfere


De Mara Paulina Arruda

As pessoas parecem um cordão.No meio delas atrapalho-me. Bato em uma, em outra e outra. Fica impossível caminhar normalmente dado a multidão nas ruas, no centro dessa cidade. Cheguei de Sarandi e estranhei o movimento dessa gente. Lá na minha cidade vendia cocadas, era auxiliar de lanchonete, tinha experiência nesse ramo. Tô faceira por que entreguei uns currículos. Fim de ano. Cada um preocupado com suas contas, com seus afazeres num entra e sai das lojas vestidas de natal. Pelas calçadas os mendigos, os piás e as mulheres com suas drogas. É domingo. As compras não param. Procuro um poema perdido, alguns versos, palavras amorosas para ditar á alguém que veio comigo lá de longe. Procuro algumas palavras como se fosse um papelzinho de bala que uma criança deixou cair após desenrolá-la.

Lenda da Freira Que Salvava Crianças do Campo de Concentração


Na minha juventude tive o privilégio de trabalhar na loja de um senhor muito simpático, de origem judaica, na cidade de Curitiba.
Logo, na minha primeira semana de trabalho, notei que o dono da loja tinha uns números tatuados no braço. Então, comentei com a gerente:
- Poxa, o proprietário deve ser moderno, pois usa tatuagem.
Mas, a gerente me explicou:
- Não, isto não é tatuagem.  Este senhor tem esta marca porque ficou preso num campo de concentração quando era criança. Portanto, foram os nazistas que carimbaram a pele dele. Porém, dizem que ele foi salvo, com outras crianças, por uma freira que tirava os pequenos dos campos de concentração e colocava os pobres em vários navios.
Então, toda a vez que via meu patrão conversando com algum amigo ou freguês, eu ficava com o ouvido em pé para escutar algo sobre esta irmã de caridade, que foi uma verdadeira heroína.
Um certo dia, eu estava atendendo as freguesas no crediário  e como o movimento estava baixo, comecei a conversar com uma cliente e amiga de longa data do proprietário da loja. Conversa vai e papo vem, esta senhora contou um pouco da lenda da freira que salvava as crianças dos campos de concentração:
Na polônia havia uma freira apelidada de anjo com véu. Esta irmã de caridade era muito religiosa e dizem que antes mesmo de estourar a Segunda Guerra Mundial, ela fazia trabalhos com curas e libertava as crianças que eram vítimas de abusos e maus-tratos. Reza a lenda que esta freira tinha o poder de se auto projetar,ou, seja estar em dois lugares ao mesmo tempo, através de um fenômeno que é estudado hoje com o nome de dopellganger.
 Esta irmã de caridade gostava de repetir, aquela famosa frase de Jesus Cristo:
“ –Vinde a mim as criancinhas porque delas é Reino de Deus.”
Quando a guerra chegou e ela soube que havia pequenos nos campos de concentração, logo a freira pensou em um jeito de libertar estas crianças. O problema é que ela tinha um irmão que era soldado nazista. Porém, esta irmã de caridade refletiu:
- Eu poderia aproveitar o meu dom da projeção e  o infeliz fato de possuir um irmão nazista para retirar as crianças dos campos de concentração.
Então, a freira usou a seguinte técnica:
- Ela  projetava sua própria imagem para tentar tirar os guardas do foco e o seu corpo real entrava dentro do campo de concentração onde estavam as crianças. Então, a irmã fazia de tudo para esconder os pequenos e retirá-los de lá: escondia os menores debaixo de sua saia enorme, cavava túneis que dava para o lado de fora, etc.
Dois menininhos que a freira conseguiu esconder debaixo das suas saias, ela achou um jeito de colocá-los num navio, de origem duvidosa, que iria ao Brasil. Estas crianças cresceram e inauguraram, no Paraná, uma loja que durou de 1958 a 2010.
Reza a lenda que, até hoje, o espírito da freira aparece naquele antigo campo de concentração em busca de crianças para salvar.
Nunca se sabe se um causo é real ou não. Mas, de uma coisa tenho certeza: esta irmã de caridade foi uma verdadeira heroína e exemplo para toda a humanidade.


Luciana do Rocio Mallon