sexta-feira, 14 de março de 2014
primeiros planos
primeiros planos
vamos sentar na praça,
meu amor,
sem projéteis à vista
abandonados sob palmeiras
como paisagem de postal.
vamos deitar na cama,
meu amor,
sem projetos à vista
abandonados por nós mesmos,
passageiros do irreal.
vamos esquecer a fome,
meu amor,
e comer o pão do sonho:
esta vida
agora
Marilia Kubota
("Diário da vertigem", Patuá, 2014).
O céu azul não era
Dessa cor, antigamente;
Era branco como um lírio,
Ou como estrela cadente.
Florbela Espanca
Céu de rosas desfolhadas por Apeles
E sol mãos de assassino a pousar
Nas felizes casas brancas do mar
Amar esquecer amar esquecer
Amar de novo, esquecer outra vez
Restos da ave de aço em seu túmulo
A luz bruxuleia e Espanca
A chuva ainda é velha amiga
O céu se abre em lírios e estrelas
Flor bela ainda nos sussurra:
“Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento”
Bárbara Lia\poema da série "Musas de Acetileno"
Fiapos
Meu coração tem dorso de pedra
Navegou águas para esconder-se
Esfrega com frio os olhos de relva
Afogado em sua própria sede.
Meu coração tem falta de nome
Incrédulo por insólito
Sonoro por silencioso
Amante por inconforme.
Meu coração não tem coração
Partiu em suas viagens
Recorrente em busca de
Dissolveu-se.
Julio Almada
Escavo por entre dicionários e vejo
Querem enquadrar o escritor. Profissional ou não? O pior, é
a definição do que seja profissional. Aliás, vamos e venhamos, a sociedade está
há muito compartimentada e dependente do que está abaixo e do que está acima. O
sedimento social está desgrenhado. È muitos nem vão saber o que é. E muitos dos
que presumem que sabem, dirão, ordem, ordem nessa oração: a sociedade precisa
de escadas.
Escavo por entre dicionários e vejo:
profissão
s. f.
1. Declaração pública.
2. Solenidade na qual alguém se liga por votos a uma ordem
religiosa.
3. Ofício; emprego; ocupação; mister.
de profissão: por estado: Um sábio de profissão; por hábito:
Um mentiroso de profissão.
profissão de fé: declaração pública da sua fé religiosa ou
das suas opiniões políticas.
profissão liberal: profissão intelectual cuja remuneração
deve estar isenta de qualquer especulação.
Bueno, alguma vez encontrei e depois estava estupefato:
profissão: atividade que garante a sobrevivência.
É interessante percerber: profissão liberal: profissão
intelectual cuja remuneração deve estar isenta de qualquer especulação.
E aí nos remetemos à permissão histórica de especular o
trabalho braçal. Olhe, não é nada disso que quero falar e, mais bem
possivelmente isso não estará excluído. As associações de ofício da idade média
deram um arranque para essa segmentação de eu sou isso, e tu é aquilo. Mais do
que o citado, e fazendo um giro radical, dizer que fazes algo equivale sempre a
fazer bem feito. Então, o escritor é aquele que sabe o que está fazendo. Ou
melhor, dizendo, faz e isso é tudo. É horrível e sei que não haverão muitos compartilhando
deste terror, ver alguém dissecando um texto com facão rude para chegar aos
tostões desejados e assim ser aceito como escritor profissional. Uma vez me
perguntaram: e aí como é a inspiração. Eu não acredito em inspiração e nem em
cheque milagroso. Eu acredito em vômito. A literatura é o indesejado. O que se
precipita depois de tanto observar e permitir o trânsito dentro da alma. Sai.
Esparrama-se de maneira inconseqüente, mas já sabe que é o providencial. E não
somos poetas sempre. Somos nesse instante aonde a cólera desabita o anonimato e
o olho transpira e esxuda a fome infinita.
Julio Urrutiaga Almada
Poemas Mal_Ditos
Um poeta em seu reino dos céus
Tem sempre esse inferno particular:
Se cortando na sutileza dos véus
Olha no olho do que há a revelar
Vê claro o que claramente oculto
É o mais escondido dos tesouros.
logo o acusam de estar em surto
ao dançar com a alma dos touros.
Chega de promessas do paraíso
repleto de prazeres artificiais.
Escrevo uma dor ácida e aviso:
sou o menos morto dos mortais!
Vestido com a ousadia nua:
Como flor de lótus nos funerais.
Quero a tinta que a beleza sua
E deitar vivo, aonde a vida jaz.
Julio Almada
Do Livro Poemas Mal_Ditos
Em um Mapa sem Cachorros
Em um dia fúnebre
Antes da hora
Do Mês dito Agosto
O prato do pranto
Foi a flor que chora
Frio e nunca no ponto
O meu verso é dessa
Forma: fugidio inexato
O sangue não é lágrima
Mas bóia no mesmo prato
E eu de mim tudo perdi
Ao olhar inconformado
Os dias no calendário
Rasgados e putrefatos
Para dizer do tempo: venci
E nunca de fato
Ter o tempo segurado
Umas vezes ele me prendia
Nas outras me degolava
E o sangue doce foi
Uma mesa vazia
De esperar e embaraço
Tudo o que eu antes dizia
Hoje me olha estupefato
Frangalhos meu sonho inútil
Outroras meus simulacros
Nem fingir mais eu sei
De tanto que me zombaram
E se o verso me verte algo
Me exaspera ser: enfático
Sou a metade do caminho
De um fim que nunca sabe
A que veio aonde termina
se depois de tanta armadilha
Compensa todo vil pedaço.
Julio Urrutiaga Almada In Em Um Mapa Sem Cachorros
DOCE LOUCURA
me dou conta, assustado, com febre alta,
na parede, o relógio marca a hora,
são três e trinta e três e a doce flauta
de um anjo imagino ouvir agora
li todo o Mahabharata e os Vedas
e um cansaço medonho em mim se estende,
por meus nervos, meus músculos e vértebras
mas meu corpo ao descanso não se rende
não sou jovem nem dou voz à tolice,
mas sou quase incansável quando leio
se o livro tem razão e tem fetiche
a emoção põe no doce seu recheio
mas hoje não, a estafa, com o peso
de duas gravidades mais ou menos,
quer apagar o que mantive aceso
e atua sobre mim com os seus drenos
vejo a vida esvair-se, mas resisto
e um filme triste passa por meus olhos
então um sino bate e prega um cristo
estourando seus tímpanos e miolos
na angústia de ajudá-lo, pego um pau
e, agindo como um louco, desço a ripa
rasgando carnes com um ódio tal
que ao fim assisto a um festival de tripa
e neste trágico combate imundo
vejo-me como um verme salivando
pelo fartíssimo banquete oriundo
dessas ações sem onde, como ou quando
mas ao ver cristo assim tão judiado
jogado e espancado pelos cantos
orei como jamais havia orado
até ser censurado pelos santos
só porque meu vocabulário é tosco
e nunca tive papas na papila
senti que tudo ficou cinza e fosco
e para me acusar faziam fila
eram hipócritas, falsários, crentes
toda uma multidão de vagabundos
que na ânsia de serem diferentes
arrombavam a porta dos fundos
eu titubeava delirantemente
querendo saber quem eu era e só
mas acordei entrando pela frente
alguém abriu-me a porta e virei pó
antonio thadeu wojciechowski
O telefone toca, Valdir se surpreende com a chamada. Uma
meiga voz feminina fala:
— Alô, como vai meu querido?
— ...
— Só queria falar o quanto você é maravilhoso.
— Mesmo...
— Soube que anda meio deprimido.
— É...
— Não se feche para a vida, saia de casa. Não prive as
pessoas de te ver, de te ouvir, de aprender aquilo que você tem para ensinar.
— Eu estava me sentindo um...
— Pode estar certo que você é um homem especial.
— Talvez você tenha razão.
— Espere aí, não é o meu velho amigo Pedro que está falando?
— Não, é o Valdir...
— Desculpa, foi engano.
— Não desliga, deixa eu te agradecer....
— ... ... ..
Meia hora depois, o telefone volta a tocar, a mesma voz
terna fala:
— Alô, como está? Melhor, mais animado pra vida, meu
querido?
— É... Estou sim, mas aqui quem fala é o Valdir e não o
Pedro.
— Eu sei. Meu novo amigo Valdir!
JDamasio / Contos de gaveta
Um dia Bonito
-Domingo de sol! Vamos visitar nosso filho?
--Qualquer hora vou.. .
--Sempre fala isso e nunca vai, ele fica esperando você.
--Hoje vou fazer uns serviços em casa, fez o bolo de laranja
que ele gosta?
--Fiz sim! Coloquei caldas de chocolate que ele adora!
--Pena que vai esfarelar...
--Quer mandar algum recado?
--Diga-lhe apenas que... que eu ... Diga que o parana clube
ganhou o campeonato da segunda divisão e subiu...
--Beijos meu velho, tem certeza que não quer... O dia
está...
--Na ... não tem dia bonito.
--Vou falar pra ele, que você vai na próxima visita.
JDamasio
Morreu em sua biblioteca em meio as fantasias atacado por
uma lança. Entre as leituras dos contos fantásticos de Julio Cortazar e as
poesias de Fernando Pessoa; o clássico maior de Miguel de Cervantes, do alto da
prateleira deu um salto. Caiu na pagina marcada em que Dom Quixote lutava
contra os moinhos, acidentalmente a lamina o atingiu, desferindo o golpe fatal
. Enfartou!
JDamasio
Se
se um poema no papel
é alma que virou gente
então eu vou para o céu
completamente inocente
de duas, uma não vale
pois palavra o vento leva
e quem sabe não te fale
da luz que contém a treva
um poema que nada tem
faz tudo pra que eu me acalme
é ele que me mantém
a salvo do salve salve
o tolo faz vista grossa
às coisas que escrevo ao léu
tomara que um dia eu possa
levá-lo também ao céu
eu conto a você que vem
os encantos que há na vida
por muitos eu vou além
da simples missão cumprida
guerreiro da luz fui sempre
com o amor armado em riste
só o verso me faz contente
põe ternura no que é triste!
antonio thadeu wojciechowski
Para Você Não Esquecer Dos Teus Sonhos
"Muita gente gostava dele
Ele não gostava de ninguém
Dizia que gostava de si mesmo
Eu duvido
Drogava-se para existir
O amor que lhe entregavam ele
cortava em pedaços de indiferença
Vivia de uma imensa overdose de
tudo que lhe faltava."
Alexandra
Barcellos.
CASO
Este leito incerto
que nos une.
Este espaço de azul
e de pecado.
Esta nossa esperança
desbotada,
que teima em lutar
contra o medo
que nos cerca...
Estas nossas bocas
tão nocivas,
esculpindo carícias,
se afagando...
cavalgando ao sabor
do nosso cheiro
num calor que adoça
e se amplifica.
Esta nossa busca
inacabada
e esta estranha fome
de ter sede...
E os nossos gritos de encanto
no reflete
em nossas roupas pousadas
no tapete.
Nossos rostos
tão frágeis à tristeza,
o nosso sonho
tão fácil de ruir...
E nossos corpos
tão cheios de cansaço.
E nosso modo,
tão morte,
de dormir...
Altair de Oliveira, In: "Fases", edição do autor,
1982.
IMPOTENTE ORÀÇÃO PRA SER FELIZ
Acordo e penso pisar bem firme o dia.
Trabalhar para preservar o além de mim.
Dividir o que tenho e que acumulo
E rir... para que todos possam rir.
E encontrar o amor que inda procuro.
Para matar esta saudade que me aperta
e cercar o medo como ele me cerca.
Altair de Oliveira – In: Curtaversagem ou Vice-Versos, ed.
do autor, 1988.
EQUAÇÃO DE FUGA
Se noturno enterneço emudecido
dividido por enes frustrações
eu me meço,
eu me somo,
e me engrandeço
assumindo imensas proporções
e no uso do sono dos meus medos
eu me dito o que penso que mereço
e me peço as saídas das prisões...
Altair de Oliveira – In: O Embebedário Diverso
#3
quero a luz cruel e alegre
de uma manhã.
o sol aniquilando a lua
como quem mastiga
uma hóstia
de boca aberta.
quero assim
a poesia: nascida à noite
e que vá, como animal
que se abate,
amanhecendo.
ou de chofre
(tiro bem no olho
de um corvo),
sem preparação (mas surpresa),
como uma catástrofe
que não deixará nunca mais
que as coisas
sejam as mesmas.
Rodrigo Madeira
Os Faróis do Saber de Curitiba Estão Fechados
Nesta data de 14 de Março,
Dia do poeta e da Poesia,
O Sol está triste em mormaço
Com a alma sem alegria!
Até os poemas estão depressivos
Desanimados, calados e nada vivos
Porque os faróis do saber estão fechados
Com livros amarelados e computadores desligados!
Os faróis do saber, de Curitiba, são bibliotecas
Em formatos de mágicas e divinas torres
Que já endireitaram até as crianças mais sapecas
Através dos livros e dos computadores!
Um farol do saber sempre teve uma luz
Iluminada como a fé no mestre Jesus!
Esta luz tirava as pessoas do escuro
Da ignorância e todo seu lado obscuro!
O farol do saber guiava a pessoa no confuso mar
Que é viver nas
areias e nas ondas da sociedade
Ele iluminava com livros quem se sentia fora do lugar
E, deste jeito, a criatura alcançava a felicidade!
Dia 12 de março, foi Dia do Bibliotecário,
Que é um profissional extraordinário!
Mas, ele está triste porque o farol está apagado
É preciso acender a luz que foi deixada de lado!
Um imperador aloprado botou fogo na Biblioteca de Alexandria
Nos faróis do saber, de Curitiba, um mau administrador
colocou neve
Mas, queimar e
abandonar bibliotecas sempre é uma fria,
Que não deixa nenhum espírito calmo, sossegado e leve.
Luciana do Rocio Mallon
Papel de Carta
Os papéis de cartas que eu colecionava
Na minha alma, ainda estão na lembrança
Cada um tinha uma história que me emocionava
Naqueles meus tempos doces de criança!
Este tipo de papel nasceu com os Correios
Juntos com os envelopes coloridos
Que a dama escondia entre os seios
Pelas mensagens dos amores proibidos!
Depois surgiram papéis de cartas decorativos
Através de espíritos vivos e ativos!
Com desenhos animados em figuras
Nos momentos eternos de ternuras!
Os dedos macios das meninas
Eram os carinhos destes papéis
Que eram abraçados em suas mãos finas
Retirando todas as energias cruéis
Papéis de cartas ainda dormem em pastas com magia
Guardados em algum porão da menina que virou adulta
Porém, que nunca se esqueceu da mais pura poesia
Porque da mudança de valores ninguém tem culpa.
Luciana do Rocio Mallon
Aniversário de Castro Alves e Dia da Poesia
Neste lindo dia 14 de março
Os poetas merecem meu abraço!
E um verso especial de presente
Onde o amor não pode estar ausente!
Porque, hoje, é o dia da Poesia
E, também, de todos os poetas
Que com emoção e magia
Tem palavras de profetas
Castro Alves faria aniversário
Neste dia bom e extraordinário
Ele foi um grande artista,
Um real poeta abolicionista
Que lutou por liberdade
Dos escravos nas fazendas
Castro Alves conheceu a igualdade
Caminhando por muitas sendas!
Neste lindo dia 14 de março
Os poetas merecem meu abraço!
E um verso especial de presente
Onde o amor não pode estar ausente.
Luciana do Rocio Mallon
sexta-feira, 7 de março de 2014
Lenda do Lobisomem do Tarumã
Dona Cida é uma senhora, que mora a muitos anos no bairro
Tarumã, em Curitiba. Então, ela me contou a lenda abaixo e autorizou-me a posta-la
na Internet:
Reza a lenda que nos anos 60, um rapaz vindo do interior
chamado Zé, bateu nas portas do Jockey Club, localizado no bairro Tarumã, para
pedir emprego. Então, este moço explicou a sua situação ao gerente, que deu
emprego de auxiliar de serviços gerais e um quartinho nos fundos do
estabelecimento para Zé morar.
O problema foi que partir daquele momento, nas noites de Lua
Cheia, de quinta para sexta-feira coisas estranhas passaram a acontecer:
primeiro os moradores passaram a escutar uivos estranhos vindo do jóquei, mas
pensaram que se tratava de um cachorro de grande porte.
Porém, no mês seguinte, os cachorros da região começaram a
aparecer com os corpos dilacerados. Por isto, quem tinha bichos de estimação
passou a prender os animais nas noites de Lua Cheia.
Já no outro mês, Lurdes, que era vizinha de dona Cida,
passou maus bocados por causa do monstro. Como esta moça era uma enfermeira
solteira, dependendo do horário do plantão, ás vezes, ela pegava o ônibus
madrugueiro e chegava altas horas em casa. Numa madrugada de sexta-feira,
Lurdes estava cortando caminho por um bosque no Tarumã, quando , de repente,
sentiu que estava sendo seguida. Então quando ela olhou para trás viu um lobo
gigante e passou a gritar. O bicho encostou as garras nas costas da donzela,
que sangraram e ficaram marcadas. Mesmo assim, como esta dama conseguiu entrar
numa rua iluminada, escapou do monstro. Porém, ao chegar a sua casa, a jovem
chamou a ambulância. Porém, os médicos não souberam identificar qual tipo de
animal atacou Lourdes.
No dia seguinte, Zé bateu palmas na cada de Cida, com uma
aparência cansada e perguntou se esta senhora tinha um punhado de sal para
emprestar. A dona-de-casa foi até a cozinha e deu o pedido ao moço, que no
mesmo instante derramou todo o sal em sua boca. Deste jeito Cida pensou:
- Este rapaz só pode ser um lobisomem, pois lá no norte do
Paraná dizem que um homem que pede sal, na casa da vizinha, com aparência de
cansado é porque virou lobisomem na noite anterior. Afinal, a transformação consome
muito sal do corpo.
No outro mês, alguns cavalos do jóquei apareceram mortos
como se fossem atacados por um animal de grande porte. Então, acionaram as
autoridades competentes para uma investigação. Naquele mesmo dia, Zé
desapareceu e a partir daquele instante não houve mais relatos de ataques de
lobisomens no bairro Tarumã.
Luciana do Rocio Mallon
Lenda da Cigana do Martinete
Reza a lenda que na Idade Antiga, existia uma menina cigana
chamada Martina, que gostava de fabricar objetos como: martelos, bigornas e
enxadas. Sempre quando realizava seu serviço, esta garota cantava e dançava com
os martelos, já fabricados, tocando estes objetos no chão de acordo como ritmo
da música.
Um certo dia Aurélio, um explorador de trabalho infantil,
passou pelo acampamento dos ciganos e viu Martina trabalhando. Então, este
homem achou a menina esforçada. Por isto decidiu seqüestrar a pobre.
Assim o bandido obrigou a garota a trabalhar, junto com
outras crianças, em sua fábrica de martelos clandestina. Quando Martina chegou
ao local, ficou assustada ao ver menores de idade magros e com aparência
cadavéricas de tanto labutar. Mesmo assim, ela foi colocada para fabricar os
martelos. Mas esta garota desesperada com a situação, fez a seguinte prece:
- Santa Sara, por favor, me ajude a sair daqui e libertar as
outras crianças desta exploração!
De repente, uma luz clara do céu entrou no corpo desta
cigana, por isto Martina pegou um martelo gigante e exclamou:
- Crianças, peguem os martelos grandes para bater o ritmo e
soltem seus pés para dançar a coreografia que ensinarei!
Deste jeito, a garotada começou a bailar no ritmo dos
martelos.
Como esta batida era mágica, os fiscais do serviço das
crianças e os guardas ficaram paralisados
como se fossem vítimas de
hipnose. De repente, Aurélio abriu a porta e ficou paralisado com a magia do
som, também.
Desta maneira os pequenos fugiram para as suas casas e
Martina voltou ao acampamento cigano.
Reza a lenda que foi assim que surgiu uma dança Flamenca
chamada Martinete.
Por causa desta história, a cigana Martina é uma entidade
que deve ser invocada contra a exploração do trabalho infantil. Pois, ela
protege as crianças deste tipo de abuso.
Luciana do Rocio Mallon
Significados do Véu na Dança Cigana
Quando uma cigana dança com o véu
Ela quer louvar a leveza e a liberdade
Como um pássaro que voa pelo céu
Batendo suas asas de verdade!
Quando ela amara o lenço na cintura
Significa surpresa, emoção e sentimento
Porque apesar de seu olhar de doçura
Ela tirará este véu em qualquer momento!
Bem no meio da linda música
De uma maneira lúdica e lúcida!
Quando ela joga este lenço para trás
Balanço o véu nas suas costas, bem atrás
É porque começou uma dança de paz
Este lenço vira asas leves
Em passos suaves e breves
Num doce vai e vem
Que invoca o bem!
Quando ela coloca o véu no meio da cabeça
Ela não deseja que o terceiro olho se esqueça
Que ele é a força da intuição da natureza
Assim, a bailarina vira uma princesa!
Quando a cigana joga o lenço para trás
Homenageia a sua vida nômade e errante
Porque ficar num só lugar não satisfaz
Quem nasceu para ser uma estrela brilhante!
Quando a cigana joga o véu na terra
Para bailar em círculo ao seu redor
Ela homenageia a fertilidade e a nova era
Com a sua dança mágica repleta de suor!
Quando ela coloca o véu transparente
Na frente do seu corpo cheio de magia
A cigana deseja dizer de um jeito inocente
Que a estrada está cheia de ilusão e fantasia!
Quando uma cigana dança com o véu
Ela quer louvar a leveza e a liberdade
Como um pássaro que voa pelo céu
Batendo suas asas de verdade.
Luciana do Rocio Mallon
Glória à montanha
quando perder é melhor do que
ganhar
quando orei por desespero pela
última vez
os remédios injetados nos feriados
e mamãe chorava
chacota do dia a puta que me
disse
eu te amo
o milagre do dia é a chuva não
derrubar
punhais pelas costas
cidade natal
uma passo
gole fosco respingando na barba
rala
acompanhando cães
até meia noite fora de casa.
Redson Vitorino
Sem coroa
abro janela
e quantas vezes não vi esse cinza
ser mais deslumbrante do que o
mar?
xícaras de sobras para os suicídios
matinais com cafeina
escolho uma música aleatória:
Isolamento...
isolamento...
isolamento...
nem cães de rua se dão por
convencidos por esse estado
cópula canina ao meio dia
mãos jovens esmolando nas ruas
imperiais
sinal da cruz do anônimo pai de
família na fila do terminal
estamos num começo
sem sorte para quem vive olhando
o chão buscando achar o que nem
mesmo sabe se há
para quem já dormiu honesto na
escada de Pedro.
Redson Vitorino
Lendas do Burro Brabo de Curitiba
O famoso causo do burro brabo de Curitiba tem muitas lendas
urbanas, leremos algumas abaixo:
Fantasma do Burro Brabo:
No século dezenove, Severino era um lavrador viúvo que
cuidava da sua plantação no Nordeste e morava num sítio com sua filha Clarissa
de cinco anos de idade.
Uma certa noite ele viu sua filha brincando com um filhote
de burro e expulsou o animal da sua chácara. Mas, nas noites seguintes a
situação se repetia. Então, a menina disse-lhe:
- Pai, deixa o burrinho ficar, pois sou muito sozinha.
- Batizarei o animal com o nome de Pinote.
Assim o homem acatou o pedido da criança. Porém, a partir
daquela noite, Severino passou a ter pesadelos estranhos. Pois, ele sonhava com
bandidos atacando seu sítio. Porém, seu falecido pai sempre saía do meio daquela
confusão e dava o seguinte conselho:
- Nossa família tem uma maldição. Portanto, para fugir desta
praga, abandone a chácara, vá para o Sul, leve sua filha e o burrinho. Pois,
fui eu que mandei este animal do Umbral, onde estou, para protegê-los.
Deste jeito, Severino resolveu viajar com sua filha e Pinote
para o Sul do país. Assim, ele chegou à Curitiba e comprou um sítio, onde hoje
é um pedaço do bairro chamado Tarumã. O
problema é que o animal passou a mudar de comportamento, pois ele não ficava mais
ao lado de Clarissa, e, sim na estrada correndo atrás das pessoas.
Pinote ficou tão famoso por causa da sua personalidade forte
que aquela região foi apelidada de Bairro do Burro Bravo.
Uma noite, ladrões pretendiam assaltar o sítio, mas foram
atacados por este animal, que levou cinco tiros, mas não morreu.
O tempo passou e quando Clarissa completou dezoito anos, ela
pegou tuberculose e morreu. Depois deste dia, seu animal de estimação entrou em
depressão, não conseguia comer e faleceu de inanição.
Porém, alguns dias depois, certas pessoas que passavam em
frente à chácara afirmaram que foram atacadas por um burro prateado e
transparente, que juravam ser o fantasma do bicho que faleceu.
O tempo passou e naquela região surgiu uma Avenida chamada
Victor Ferreira do Amaral. Até hoje, dizem que nesta rua, nas madrugadas de Lua
cheia, os motoristas vêem o fantasma de um burro transparente e por isto tem
muitos acidentes, mesmo num horário onde o trânsito é folgado.
O Burro Brabo e o Lobisomem do Tarumã:
Reza a lenda que, nos anos 60, um caminhoneiro com sua
esposa e o filho de dois anos de idade alugaram uma casa do bairro Tarumã em
Curitiba. Logo, no começo, os vizinhos passaram a achar esta família estranha,
pois o homem era calado e a mulher com sua criança pequena não saiam de casa.
Além disto, já no primeiro mês no novo bairro, o homem passou a tocar bumbo
todas as sextas-feiras das vinte e duas horas até a meia-noite.
O problema é que a partir da vinda destas pessoas ao bairro,
fatos estranhos começaram a acontecer: um vigilante que estava andando de
bicicleta atrás do jóquei, do bairro Tarumã, relatou às autoridades que foi
atacado por um monstro, numa noite de Lua Cheia, e o retrato falado do bicho
parecia o desenho de um lobisomem.
Uma certa madrugada, também, de Lua Cheia um cavaleiro
decidiu andar à cavalo, no Jóquei Clube, junto com sua namorada, com o objetivo
de pedir sua mão em casamento montados em cima do animal.
Porém, no momento mais romântico do casal, quando o jóquei
mostrou um anel de noivado a sua amada, um monstro pulou em cima dos dois,
fazendo com que o cavalo caísse. O eqüino e a moça conseguiram escapar. Mas, o
cavaleiro ficou todo ensangüentado e precisou ser levado ao hospital.
Numa outra noite de luar, Sara saiu de sua aula noturna e
decidiu atravessar a Avenida Vitor Ferreira do Amaral. Quando, de repente,
notou que estava sendo seguida por uma espécie de cachorro gigante e começou a
gritar por socorro. De repente, apareceu o fantasma de um burro transparente,
que emitiu raios em direção ao monstro, fazendo com que ele caísse no chão.
A garota ao chegar em casa relatou o fato à sua família, que
informou o caso às autoridades competentes. No dia seguinte, a polícia saiu em
busca do tal famoso lobisomem do Tarumã.
Porém naquele mesmo instante o estranho caminhoneiro e sua
família fugiram do bairro. Depois da mudança destas pessoas, não apareceram
mais relatos sobre este lobisomem.
Luciana do Rocio Mallon
Quarta-Feira de Cinzas do Poeta
Toda a quarta-feira de cinzas
Há garoas tristes e ranzinzas
Na alma de quem não aceita a realidade
E que não enxerga a própria felicidade!
Dizem que o ano só começa depois do Carnaval
Porém, para o poeta ano novo acontece o dia inteiro
Porque a inspiração nasce de um jeito especial
Todo o segundo num espírito verdadeiro!
Os mortais são apenas pó
E do pó irão voltar e retornar
O poeta mesmo estando só
Pode ser poeira bailando ao ar
Poeira cósmica vira quem faz poesia
Transformando-se em estrela do Universo
Tirando do espaço toda a tristeza e agonia
Através de um inspirador e real verso!
O poeta vira uma estrela cintilante
Depois que desencarna e vai embora
Ele é uma inspiração brilhante
Para a alma que ora agora.
Luciana do Rocio Mallon
Lenda de Curitiba e as 4 Estações Num Dia Só
A capital do Paraná tem o poder de ter as quatro estações
num dia só. Por exemplo: às vezes chove as sete da manhã, mas ao meio-dia o Sol
aparece e uma geada fria chega de madrugada, tudo isto, em apenas 24 horas. Por
isto, Curitiba é a cidade conhecida como a única capital do mundo a fazer
quatro estações num dia só.
Porém, o que muita gente não conhece é que há lendas muito
interessantes por trás destes fatos, que leremos abaixo:
Diz o mito que antes de Pedro Álvares Cabral descobrir o
Brasil as nossas terras foram visitadas por outras civilizações como os vikings
por exemplo.
Muitos anos antes do descobrimento das Américas, os vinkings
passaram por onde hoje é a cidade de Curitiba. Porém, eles entraram em conflito
com os índios.
Reza a lenda que uma tribo conseguiu aprisionar o chefe
desta expedição nórdica junto com seus homens e uma espécie de mago. Então,
este bruxo invocou os deuses Frey, Ran, Thor e Loki. Como estas entidades
estavam afobadas, cada uma usou a sua habilidade ao mesmo tempo e sem nenhum
tipo de organização: Thor mandou chuvas, raios e trovões. Enquanto, Loki enviou
calor e fogo. Já, Njord desfolhou, com ventanias, todas as árvores como um
outono brabo. Enquanto Frey fez desabrochar todas as flores de uma vez.
O pajé da tribo invadida, ao ver tudo isto, invocou Tupã que
ao perceber aquela confusão toda, expulsou os deuses nórdicos da sua terra.
Porém, não conseguiu retirar aquela confusão no clima, no tempo e na
temperatura.
De repente, Odin, o principal deus dos vikings apareceu e
exclamou a Tupã:
- Liberte os meus protegidos, senão esta terra será
amaldiçoada a viver as quatro estações num dia só e isto acabará com toda a
aldeia.
Jurema, a filha do pajé, ao ver aquela balbúrdia toda com o
clima, libertou os prisioneiros às escondidas. Mas, trouxe estes vikings para o
local da discussão e disse a Odin:
- Aqui estão os seus homens!
- Agora, por favor, faça com que este clima maluco não
destruía a tribo.
Odin comentou com a índia:
- O certo seria que o pajé libertasse os vinkings, e, não
que uma menina qualquer realizasse isto. Mas como você agiu de bom senso, não
destruirei a aldeia. Porém, como praga, farei com que nesta terra faça as
quatro estações num dia só para que ninguém jamais esqueça do poder, de
modificar o tempo, que os deuses nórdicos tem.
Reza a lenda que a partir deste dia, este lugar onde hoje é
Curitiba, passou a ter as quatro estações num dia só.
Luciana do Rocio Mallon
Botão
Entra na casa, junta os pedaços.
Veste a alma.
Botão.
liga-desliga. Religa.
Acende, apaga.
Botão.
Aperta a roupa do espírito.
Rebento de flor.
Flor que logo arrebenta em cor e cheiros.
Botão.
A obra de arte em botão.
desfocado... fora da roupa, fora da costura.
Dentro do universo de flor.
Magnus Opus.
Cadê o botão de restart da vida?
( Susan Blum)
terça-feira, 4 de março de 2014
QUEDA
caí
caí de onde
mora o cansaço
voar lasso
perdi o rumo
caí
voei em solo
perdi o sono
caí
caí no solo devasso
será que me levanto
ou durmo por aqui?
caí no sono
um passo na rota
do rumo saí
caí no traço
perdi o sonho
caí de volta
caí
caí
sem derrota
caí daqui do solo
pra logo ali
um abraço
no sol
dou um laço
no sonho
pra não cair
caí de um vôo tolo
pra um duo
caí do prumo
caí
caí no colo do sol
Samantha Beduschi Santana
Fora de Moda
Um bando de ovelhas negras
Tosou o pastor de roupas brancas.
Não precisa de pele nem alma:
Quem tem as vestes tão alvas;
Quem tem as falas tão brandas;
Quem sabe por onde todos
Têm o modo certo
De chegar não sei onde;
Deus me livre esperar
Um julgamento.
Eu que ainda não sou
nem ovelha negra.
Eu que de rebanhos
Quero distância,
E me visto
Só com a alma:
Que para viver de aparência
Além do olhar maquiado,
Sempre há um gasto de tempo.
Quem vive muito: morre cedo.
Julio Almada do Livro Poemas Mal_Ditos
A Poetisa Feminina e a Escritora Feminista
Quando a poetisa feminina
Abraça a escritora feminista
Surge no céu, uma estrela fina
Atrás da Lua com uma pista!
As duas são, totalmente, diferentes
Mas, seus sentimentos não são ausentes
Elas lidam com as divergências em nome da paz
Com a suavidade de um céu mágico e lilás!
A doce poetisa feminina
Tem aura pura de menina
Ela brinca com os versos,
Que são luzes dos universos!
Já, a escritora feminista
Quer tirar a injustiça da lista!
Ela sabe que a liberdade
É a porta da dignidade!
A poetisa feminina tem alma de donzela
Porque não se entrega a qualquer sujeito!
Ela tem amor próprio, mesmo não sendo tão bela
Pois planta no jardim da eternidade um amor-perfeito!
A escritora feminista é contra a violência
Dos homens contra as damas indefesas!
A poetisa feminina ora com paciência
Para que suas almas não virem presas!
A poetisa feminina lava roupas no quintal
Onde cada peça perfumada vira uma poesia
De uma maneira surpreendente e especial
Capaz de curar qualquer tipo de agonia!
A escritora feminista pega na dura enxada
E dirige um caminhão no meio da estrada,
No meio da construção ela é uma pedreira
Colocando os alicerces para a vida inteira!
A escritora feminista é diferente da poetisa feminina
Porém, elas podem conviver com respeito e harmonia
Em nome da arte mais nobre, misteriosa e fina
Que transforma cada ser humano em alegria.
Luciana do Rocio Mallon
Lenda da Maldição do Chinelo de Dedo em Curitiba
Reza a lenda que os curitibanos tradicionais têm preconceito
contra pessoas que usam chinelo de dedo. Nunca levei em consideração este fato,
pois vejo pessoas de todas as tribos e de classes sociais usando este tipo de
calçado.
Porém, neste ano de 2014, num curso, uma professora fez o
seguinte comentário:
- Curitibano tem preconceito contra quem usa chinelo de dedo.
Pois, eu fui num shopping da capital paranaense com este tipo de calçado e o
guarda não me parou de seguir.
Naquele instante um aluno fez o seguinte comentário:
- Eu queria entrar num barzinho do Largo da Ordem, mas o
segurança não me deixou porque eu estava de Havaianas.
Ao escutar estes comentários, a minha mente foi parar no ano
de 1979, quando eu tinha 5 anos de idade e escutei a seguinte queixa do meu
tio:
- Poxa, eu fui ao banco e a operadora de caixa olhou para
meu chinelo de dedo, fez cara feia e me atendeu muito mal.
Desta maneira, também, me recordei na época em que eu era
vendedora de loja. Quando, de repente, entrou uma senhora bem vestida, mas com
Havaianas. Então, uma balconista olhou para a outra e disse:
- Não atenderei esta freguesa porque ela está de chinelo de
dedo.
Assim, eu afirmei:
- Mas, eu vou atender!
Deste jeito, a referida senhora fez uma compra farta e quem
lucrou com as comissões naquele dia fui eu.
Estes dias eu estava dentro do ônibus e ao ver várias
pessoas com chinelo de dedo, comecei a refletir:
- Por que só aqui em Curitiba a maioria dos moradores tem
preconceito contra quem usa chinelo de dedo?
- Afinal, morei em outras cidades e sei que situação não é
assim.
De repente, uma idosa, calçando Havaianas, sentou-se ao meu
lado e começamos a conversar. Ela disse que seu nome era Mikahila. Então, papo
vai e conversa vem, chegamos até o assunto: preconceito que alguns curitibanos
têm contra pessoas que vestem chinelos de dedo. Logo, dona Mikahila, me
explicou:
- Este causo do preconceito contra quem usa chinelos de dedo
começou na Idade Antiga, lá no Leste Europeu.
- Naquela região havia duas tribos distintas: numa as
pessoas tinham os pés normais e podiam calçar de tudo. Já, a outra era composta
por pessoas com os pés muito sensíveis, por isto o único calçado que elas
podiam usar eram os chinelos de dedo feitos com couro e madeira.
-Um certo dia, estas tribos brigaram e a aldeia das pessoas
com chinelo de dedo saiu derrotada. A partir daquele dia, a clã fracassada
passou a ser escrava da vencedora. Por isto, o chinelo de dedo passou a ser
símbolo de pobreza e alvo de preconceito.
-O tempo passou, mas infelizmente este tipo de tradição
permaneceu. Até que no século dezenove, alguns descendentes destas duas tribos
distintas resolveram pegar o navio para trabalhar no Brasil. Por isto, na
embarcação, umas pessoas vestiam calçados
fechados e outras chinelos de dedo. O problema foi que os indivíduos
destas duas tribos escolheram a mesma cidade para viver: Curitiba. Por isto, o
preconceito contra quem usa chinelo de dedo se espalhou entre os moradores de
Curitiba, naquela época, e continua até os dias de hoje com os curitibanos mais
tradicionais.
Após escutar esta história eu disse:
- Ainda bem que no final dos anos 50, inventaram os chinelos
da marca Havaianas, que possuía o seguinte slogan: Sandálias Havaianas todo
mundo usa.
- Meu sonho é que um dia esta frase seja praticada, na vida
real, em Curitiba.
- Mesmo assim, eu acredito que até mesmo os curitibanos mais
tradicionais usam chinelos de dedo, no calor, bem às escondidas, nos quintais
de suas casas.
Luciana do Rocio Mallon
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