domingo, 13 de abril de 2014

Libertação no campo dos espinhais




Não ele apenas deu uma gota minúscula do que é estar do outro lado.Não , o judeu não obrigará o alemão levar outro alemão para dentro de um forno crematório.Não senhora , ele o juden também não ficará brincando com a pistola estando diante de uma vala comum com centenas de corpos .O nazista vai andar a pé até algum gulag na Sibéria ou voltará pra sua Alemanha.(depende do ano )ele deve lembrar de Deus e orar para que o oficial soviético e seus soldados não tenha passado por aldeias onde mulheres e crianças russas, chacinados pelas ss e a sua gloriosa werchmacht..sua esposa não será a lembrança de mulheres que já não existem mais .Nem a russa ou até mesmo a alemã.Que sorrirá com todos os lábios por um chocolate e um cigarro.Passará o soldado murmurando que só cumpria ordens e se não tivesse cumprido seria morto, um manto de vergonha foi o derradeiro legado de hitler para a nação alemã.As vísceras de Dresden e Berlin urram para os céus e não existe uma única fresta para respirar ,para ressuscitar dos escombros, das cinzas .O soviético tenta não ver vinte milhões de pais , mães ,filhas, netos e mesmo assim, judeu que é ,não mata o alemão e dá o seu rifle a um fantasma que aos poucos retorna do mundo dos mortos ,e esse alemão viverá, viverá  para encontrar no meio dos escombros o que restou de luz nos olhos de sua família. Bom,quanto ao oficial do campo e os sss devem estar dependurados dançando por aí enquanto os cossacos tocam seu acordeom e sua balalaica . Guerra é arame farpado rasgando a alma , cortando sonhos e abrindo com a dor, outros olhos, que jamais verão campos verdes e floridos até brotar alguma criança no útero estéril de tanto levar chutes de sombras a invadirem amanheceres, uma gota de sangue molhando um sorriso no olhar .Olhos negros , castanhos , azuis de sonho rasgados de esperanças suando pétalas numa flor tocando o lábio da amante , esposa que espera no silêncio as sombras dos uivos vazios cansarem de açoitar .Ela um dia será sol novamente . ..Nada do que é humano me é estranho.

Wilson Roberto Nogueira
não bebo da tua água
nem como na tua fome
a vida é antro sem nome
falta pão e sobra mágoa."

RR


- pelos calangos noturnos seus gritos asfálticos e outras náuseas são lembranças... porque entre testículos de demônios as orquídeas são românticas...

Adriana Zapparoli

NUM PISCAR DE OLHOS

07- Conseguiu um extra de garçom! Escondido atrás da bandeja, sondava a filha dançando a valsa dos 15 anos com o padrasto.
09-Nas apresentações nos colégios, tirava de sua cartola um coelho! Em casa, o mágico não sabia o que colocar na panela!
10--Quando me perco no tempo e no espaço me encontro menino, chutando pedrinhas na rua de saibro, sonhando ser o que não sou.

 J.DAMASIO

O Ursinho de Pelúcia



Pela casa, eu transitava. Quantos vazios. No quarto da filha, muitas lembranças. A essas, um ursinho de pelúcia, parte da infância da qual ela se esquecera de levar. Olhei para o urso marrom: encardido, empoeirado, olhos foscos a me fitarem em cima do armário. Parecendo pular, o ursinho caiu em meus braços. Estava só (igual a mim). Deitamos no sofá. Antes do impulso de abraçá-lo, ele me abraçou.
J.Damasio
Não me emociona a crisálida
Já não creio em ressurreições
Já não anseio passagens
Creio no linear
É mais sublime o feio
O triste
Que todos os véus
Das bailarinas do Bolshoi

Bárbara Lia

Caldo espesso
Da espera -cozido
Em fogo brando.
Tão maturado quanto
Um vinho precioso.


Lisa Köe

O Orgulho é um Pássaro, Por Isto Ele Pode Ser Ferido



O Orgulho é uma ave altiva,
Que dentro de nós fica viva,
Quando ele voa acima do amor
Pode causar decepção e dor!
                             
O orgulho é um pássaro no céu
De quem cometeu uma atitude cruel
Acabando com o relacionamento
Batendo suas asas ao vento!

O orgulho é um pássaro aflito
Por isto ele pode ser ferido
Pelas flechas do cupido ruim,
Que pensa que é um querubim!

Na época do nosso proibido amor
Você viajava pelo firmamento
Como um anjo cheio de esplendor
Nas asas leves do sentimento!

Porém, o orgulho voava ao seu lado
Ele era sua insistente companhia
Mas, como você estava apaixonado
Esta situação você não percebia

Você voava pelas nuvens brancas,
Suaves, doces, leves e macias
Das minhas emoções brandas,
Que lhe inspiravam poesias!

Mas numa tarde transformei-me numa nuvem escura
E meu raio atingiu o pássaro do orgulho de verdade
Transformando a paixão em raiva obscura
Afastando o arco-íris da felicidade!

Este orgulho ferido
Afastou você de mim
Nada foi esclarecido
E eu passei por ruim!

Deste orgulho ferido, eu só sinto pena
Pois, ele meteu o bico no meu problema

Este pássaro está sangrando um licor carmim
Que suja a minha alma suave como o cetim
A questão é que ainda quero você para mim.
Luciana do Rocio Mallon


Lenda do Violão da Dupla Sertaneja


                   
Em Curitiba, nos anos 70 e 80, havia uma dupla sertaneja chamada Belarmino e Gabriela, que gostava de tocar violão. Reza a lenda que uma vez, um apresentador de televisão falou:
- Vocês são tão bons que ainda levarão uma viola para o túmulo.
Quando estes artistas faleceram, eles foram enterrados juntos e um escultor confeccionou um violão de bronze para enfeitar o túmulo. Porém, depois de moldar o instrumento precioso, o artista fez um ritual mágico com ele. Só depois, desta cerimônia mística, é que o violão de bronze foi colocado no túmulo da dupla sertaneja.
Reza a lenda que no ano de 2014, um ladrão viciado em crack roubou o violão de bronze e colocou este objeto dentro de uma capa de couro. Mas ao chegar em sua casa, o marginal viu que o instrumento transformou-se em um violão comum. Então, o bandido transtornado chutou o instrumento no corredor.
De madrugada, o meliante escutou uma música sertaneja que vinha do quarto do seu filho. Assim, ele acendeu a luz e perguntou:
- O que está acontecendo?
O menino respondeu:
- Um casal de velhinhos estava cantando para mim.
Por isto ladrão, indignado, pegou o instrumento e deixou este violão no meio da rua.
Reza a lenda que a pessoa que devolver este instrumento ao túmulo de Belarmino e Gabriela, se transformará num cantor famoso.

Luciana do Rocio Mallon

O enterro do lobo branco

"Carpo metacarpo falange unha uma radiografia expunha todos os ossos da sua mão e eu cogitava macacos não se masturbam entre seus dedos-cadáveres explodia um manancial e os peixes procriavam vermelhos na encosta rochosa do seu pulso eu desesperado imaginava os holofotes me cegando batia uma punheta e pensava na inabilidade dos gorilas me entristecia a ignorância do autoprazer e do riso" 
Márcia Barbieri
De Mara Paulina Arruda

Depois de ver uma pechada João fazia com que o palito na boca rolasse um pouco, depois segurava o palito, analisava e espetava um dos dentes... Posição de socó. Voltava a rolar o palito pela boca. Puxava-a pela mão e juntos atravessaram a passarela. Maninha escutava-o.
-Cadê a nega? Ela foi campiá trabalho e não vorto inté agora...
A poeira na estrada.
Havia uma música sertaneja, o vento despenteando os cabelos deles, a barriga roncando. Pessoas conversando ao redor de uma fogueira no canto da estrada acompanhavam com o olhar o caminhar deles.
-É melhor continuar em posição de socó.

Enquanto procurava a nega, num vôo rasante ele, na aurora, mergulhava no poço que ela era.
- há uma causa, um estranhamento, uma pausa, uma flor no centeio, e uma boca siliconada... é o endoesqueleto, de um tempo pequeno, para meus olhos castanhos, nossos charutos, cafés e chocolates ...
Adriana Zapparoli
Acordei com o assobio de ventos furiosos em Curitiba. Ainda no escuro lavei a madrugada e demais panos com amaciante de roupas. Tarefa feita abanando mansa no varal interno. O tempo lá fora também ficou macio com cheiro de lavanda e lavanderia. Fiquei sem desculpa para perder a caminhada de hoje.
Glória Kirinus 
Mentir fingir pra mim só é será possível
Sob holofotes num cenário como ator
E pra você mentir, fingir é impossível
É construir a sombra onde há luz de amor
Eu acredito e sempre acreditei na vida
De uma maneira muito forte, muito intensa
É que é difícil a gente ouvir do nosso próprio coração
Que ele só pulsa, bate chora mas não pensa
Estou tentando resolver esse problema
Onde uma cena cresce mais que seu autor
Se estava escrito que haveria outra pessoa
Rio e canoa sabem mais que o pescador
A vida sempre pega a gente numa curva
É feito chuva em plena tarde de verão
Dependerá de nós as cores, tons, matizes
Pr'esse arco-íris transformar o coração
Estou tentando resolver esse problema
Onde uma cena cresce mais que seu autor
Se estava escrito que haveria outra pessoa
Rio e canoa sabem mais que o pescador


Valmir Azevedo 

sábado, 5 de abril de 2014

DIANTE DA JANELA, O ROSEIRAL


Testamento enterrado
à sombra do roseiral:
Deixo meu violão
para a balconista da padaria.
A erva benta
para a velha do sobrado.
A chaleira
que chia Villa-Lobos
para Frei Gustavo,
que costura almas
nas manhãs de quarta.
O livro de poesia
de Augusto dos Anjos,
para o cobrador do expresso 022.
Assinado:A menina dos olhos tristes.
Chico me chamava de Carolina,
mas era só um disfarce.
Sou eu a menina
que viu o tempo passar na janela,
sem ver.


 © BARBARA LIA

vamos sancho procurar o tigre

Alberto Lins Caldas

● vamos sancho procurar o tigre ●
● aqueles músculos aquele loucura ●
● todos os dentes e garras da vida ●
● saberemos q basta só um tigre ●
● 32 garras 82 dentes e músculos ●
● sem músculos sancho sera inútil ●
● o tigre mesmo o tigre de sempre ●
● o tigre de sonho e triste pesadelo ●
● o tigre mesmo o q não veremos ●
● o tigre q se abrira desde dentro ●
● aquilo q se erguera com volúpia ●
● aquilo q só vibrara como gozo ●
● tigre com a noite desde o inicio ●
● essa escuridão q não saberá de si ●
● treva q ardera quase dia e noite ●
● esse tigre q não ha e não se sabe ●
● o tigre q corre em nossas veias ●
● tigre meu sancho q não se vende ●
● é bem porq somos quase um tigre ●
● esses q inda sonham sem abrandar ●
● inda lutam como se fossem tigres ●
● vamos logo enquanto é o tempo ●
● logo e bem logo enquanto podemos ●
● vamos logo antes q eles cheguem ●
● vamos sancho procurar o tigre ●
● enquanto somos assim a floresta ●
● o deserto e esse grande meio dia ●

*

sexta-feira, 4 de abril de 2014

olhos para quê?
Agora é preciso
apurar os ouvidos
para escutar as cigarras
que entoam explodem
de beijos
ao fim da tarde
os cavalos de papel voam
silenciosos enfileirados
na mansidão da noite
movimentam a escuridão
os cavalos de maria do céu
os cavalos de são joão da cruz
cavalos santos
de músculos e galope suave
saltam
barreiras imaginárias
de um teatro aéreo
ei-los desfazendo
pesadelos
para te adormecer
js.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

pela beleza que trouxe
pisou na minha carcaça
com seu olhar de enxofre
e seus jardins de fumaça."
RR
sou um cabra danado de vazio.
cada furo que faço é um arrepio.

cada poça de água, ceará
bem-me-quer, mal-me-quer
mas não me dá."
RR

CARÍCIA


caliciosa, amol-desfazia ossatura calcificada. peito calçado de carcaça ainda que maleável, escorregadia de limo. acúmulo de pegajosidades, umidezas que enrijecem, com o franzir dos cenhos, com o tempo. o silenciar é fenômeno que acontece, também, junto do encolhimento de extremidades. certo aconcheamento, que pode chegar a selvagerismo, até. solidão tamanha ampliada ou aguçada. tem gente com aptidão de planta e tendência a pegar raiz. encurva, em se acostumar. e acostuma fácil a delicadeza do que passa lento, sem alarde. passa a desenvolver capacidade única de assimilar inutilidades e apreender seres secretos, que respiram quase sem respirar. e qualquer sopro sob a face, pode ser como brisa, carícia.

Joana Corona.

A Puta

"Ele pegou com as mãos trêmulas a minha cabeça e estendeu os lábios murchos sobre minha testa larga. E eu pensei, não há elegância na velhice. Ele foi embora, um dos poucos homens que vi partir sem tocar minha vagina, sem enfiar as mãos para ter certeza que nenhum melado sairia dali. Eu lavei bem as mãos, eu precisava começar a preparar o defunto." 
Márcia Barbieri


Declaração de amor



Ao vê-la ali na sala, deu-se conta naquele momento que nunca fora um homem romântico nos gestos, menos ainda com as palavras. Saiu discretamente pela porta dos fundos, catou no jardim, que a esposa zelava, um rosa vermelha. Voltou pela porta da frente, entrou tímido. Chegou perto de sua companheira de longos anos, confessando sua declaração: “Eu te amo, minha véia” colocou a rosa entre as mãos da amada para chorar em seu caixão.
JDamasio
Lua de outono — 
Dorme o bêbado na praça
todo iluminado

Alvaro Posselt
Salto do tempo
Pula amarelinha
Menina no vento
Foi fazendo de conta
Não se deu conta -cresceu.

Lisa Köe
Dona imaginação, bateu em minha porta, atrevida, entrou sem ser convidada, trouxe ainda várias personagens, alguns sapecas, outros horrendos, raro são os belos, todos juntos não cabem em minha cabeça. Com lápis tenho expulsado um a um para o velho caderno de rascunho, sepultando-os numa gaveta, aquietam-se por um tempo, para logo depois, de forma fantástica saírem pelas frestas e virem, ora me assombrar, ora me encantar nas noites de insonia. 
JDamasio

quarta-feira, 2 de abril de 2014



olhos abertos
cigarras tontas
de sono e bebida
nenhum beijo
amansa
os cavalos em fúria
soltos
na cidade vazia
move-se um mundo
o teu cavalo são ossos
o teu cavalo sem nervos
o teu cavalo -moça
trota
reino dos lobos
sem heróis ou dentes
apenas um olho
de unicórnio

Jussara Salazar


...céu pedaço de cosmos céu morcego infinito
imutável como os olhos do meu amor
Alejandra Pizarnik

entre sermões dos ventos
e barcos sedentos
a mulher traça o perfil do medo
desenha desmoronamentos
as mãos finas desfazem a teia da vida
com a leveza de palomas brancas.


Bárbara Lia\ poema da série - Musas de Acetileno.

A escritora Mara Paulina Arruda


--Bom dia, senho!
--Bom dia, seu moço.
--Não sou moço,mas senhor pode continuar me chamando !
--Desculpe, eu to vendo que não é moço, é a maneira de falar mesmo.
--Então, vim aqui para acompanhar a obra.
--O senhor é o proprietário do imóvel?
--Sou eu mesmo, o dono!
--Está com pressa que eu acabe?
--Sim, estou doente, quero ver terminado o quanto antes. Vejo que você esta usando azulejos de cores diferentes, esta ficando péssimo isso.
--Uso o material que tem. Foi o que me deixaram aqui. Foi um moço novo que trouxe.
--Deve ser meu filho amado, falei pra comprar uma mercadoria de boa qualidade.
--Pois é, esse aqui de boa qualidade não te nada, deve ser de terceira e final de estoque.
_Vou falar com ele , depois. Mas essas peças brancas não tem nada a ver com o resto da construção. Esta muito feio!
--Estou só aproveitando umas que tinha aqui, o que o moço, que não sei se é seu filho amado, trouxe não daria conta do acabamento.
--Não estou gostando nada disso, não mesmo. Está torto, esta ficando mal colocado!
__Olha aqui, seu moço velho! Quebro um galho, quando precisa. Não sou pedreiro profissional. Sou coveiro, por mim, faria o buraco, jogava dentro, enterrava e fim. Mas não sou eu que escolho o serviço. Mais uma coisa, o senhor , moço velho, é o cliente morto vivo mais chato que já trabalhei!

Rascunho JDamasio

terça-feira, 1 de abril de 2014

- entre vômitos fluídicos se derrama o juízo, gravata em estado líquido, em garguelada ... e enquanto se diz teso nessa peleja, em atitude e em raciocínio nada...
então beija,
com a boca-naufraga e aberta-
de olhos castanhos.


Adriana Zapparoli 

Para Você Não Esquecer Dos Teus Sonhos

Os ossos estão enterrados
Não os meus, nem os teus
Mas de alguém que lutou por nós
Num buraco raso ou profundo esconderam
parte da nossa história e de tantas vidas
Uma mãe
Um pai
Uma irmã que nunca mais voltou
Todos órfãos do sistema politico que jamais
pede perdão
Enterramos os nossos próprios ossos quando
fingimos que nada acontece
E nos calamos."

 Alexandra Barcellos

*pesce d'aprile



ainda vives, meu amor de eras
a marcha de um abril insano
calendário juliano
o teu desamor
em tua cruz inglória
arena adúltera e máscula
bradando a vitória
da gula flácida, da angústia sádica
de um usurpador
deste às pústulas cortejadas
as datas santificadas
do teu corpo augusto
de trovador
ah, sultão de ultrajadas beatas!
a mim, amor meu de séculos
tua morte falsa
com festim em latas
o teatro de um bobo austero
rima sem esmero
o palácio mágico
de banquete cego
com o peixe estrábico
ator, ator
se ousasse o contágio
com a bílis seca
de teu hades
encenado jade
lançaria em tua maquiada face
de velho alcorão
(anjo prematuro, cuspe de ancião)
o visgo da noite
em que me proclamou
provo a cada dia tua hemácia limpa
tua falsa linfa
onde livras as mãos
da sagrada tinta
do real terror
ergo meu sepulcro esquálido
a cada letra festiva
de teu nome cármico
que não calo
nem no vento, nem no lodo
inválido
ardo império e bestiário
no fiasco frívolo do teu atanor
canonizo-me por ti,
mentira, mentira
de inquisidor
...
* Porque hoje é dia de colar nas costas dos amigos, peixes recortados em papéis, com inscrições como “chute-me” e “beije-me”. É dia do Peixe de Abril.


 Andréia Carvalho Gavita


Todas as minhas fichas existenciais vão apostadas na construção teimosa e diária do Estado de Direito democrático. O resto é desvio de rota, lixo histórico, feira de vaidades.

Jaques Brand


Amarrado, tinha a cabeça mergulhada em um balde. O jovem morreu. Não era tortura militar, "anos de chumbo" Apenas, um trote universitário. JD

Conformados


Já estamos acostumados
Com o piso encerado
Com as paredes pintadas
Com o grito ensurdecedor
Das cigarras urbanas
Nos é normal o rangido de dentes
A contração dos nervos
A desilusão dos olhos
A secura da mão insegura
Que já não afaga mais
Apenas faz o sinal da cruz
É irrelevante o sol
Assim como este poema
Tanto quando o dissipar da fumaça e da chuva
Tanto quanto uma folha de amora
Que enaltece a natureza
E de leve, aflora
Estamos todos acostumados
Com um mundo enfastiado
Cujo suspiro de alívio
É oprimido e encarcerado

M.f.

segunda-feira, 31 de março de 2014

A Poeta Iriene Borges


Luiz Felipe Leprevost


minhas bochechas, lábios, queixo, meu nariz vão sendo devorados pelo sono. minha ira perdeu para exaustão. faleço agora. ou julgo ter adormecido mas continuo acordado e extenuado. mesmo assim, não paro de olhar determinadas e difusas imagens eternamente escoando lá no fundo do tempo. isso, talvez nem mesmo chego em casa e já volto para o dia de ontem em que abro a porta e saio, pois só a chuva me escuta.

O teatro de um bêbado



Eu, apenas eu
Pisando na areia úmida e fria
Meus olhos secos e empedrados
Mostravam a chama que nem mesmo ardia

O sol posto nos postes
Exalava soberania
Me era calmo e substancial
Como o tempo que rasgava meus risos
E minhas filosofias

Eu era o espetáculo de uma platéia insignificante e imprópria
De insetos e cães vira-latas
Meu ódio e minha melancolia
Escavavam um buraco em meu próprio olho
Que feito de ego e pedra, resistia

A água que vinha do céu
E o céu que deitava no mar:
O erotismo da natureza
Que como um quadro torto e belo
Fazia arder-me os versos,
Meus cascos, meu drama,
Minha comédia, meu terror.

Minha bipolaridade enferma
Que me dá azia
Minha vida incerta e naufragada
Minha peça de teatro torta
De riso, de choro
Sem roteiro e utopia


Matheus.Forcinetti.

domingo, 30 de março de 2014


Piás vestidos de papel e alumínio,
sem esmola e sem futuro,
cruzam com madames poodle que
cintilam no escuro.

Ricardo Pozzo

Curitiba321Anos



O elefante de pelúcia
moribundo, caminha vinte e quatro quadros
por segundo.

Ricardo Pozzo

Curitiba321Anos
É no km 65 da Serra do Mar
que ainda sangra
a autonomia da curitibranda,
nossa inexpressividade.

nacional ‪.

Ricardo Pozzo

Curitiba321Anos


-,.. me acostumei aos cochilos, das sensações os borrifos e com os comprimidos do tipo anti-histâmico...
e
perco alguns sonhos
quando acordo triste.

Adriana Zapparoli
"O primeiro assalto a gente nunca esquece!" minha filha foi assaltada, sexta por volta das 18hs, enquanto voltava da ufpr. Primeiro susto que vai muito além de perder um celular, perde-se junto o olhar o outro sem medo, porque quando outro ser humano te aponta uma faca leva com ele parte da sua ingenuidade. Curitiba, nossa aniversariante, onde crianças frutos da violência, violentam e são violentadas a cada passo.
Joselaine Motta