sábado, 7 de janeiro de 2017



Noosgmatismo – Distúrbio do limite da verossimilhança do personagem. A sensação de que o mesmo pode ser o nosso vizinho, o noivo, o funcionário do cartório. A leitura de romances policiais clássicos acentua mais ainda os neurotransmissores responsáveis pelos indícios de que tem gente no mundo que é refugiada de romance, que tenta levar uma vida normal longe do jugo do autor. Leitores de Rex Stout e Simenon acham que você tem culpa no cartório. 

André Ricardo Aguiar

[In: Fábulas Portáteis - Editora Patuá - Doenças de leitores - minha homenagem ao dia do leitor, hoje]


Poema verdade
Isto não é a realidade.
e nem um poema
me disse a dona verdade e riu.

excomungada!

Sérgio Villa Matta
sou filho da fruta
uma semente
me pariu


Júlio Alves
Algo acontece de bom no meu coração..;
... quero-te e justamente por querer-te,
enlevo-me feito um colibri,
que quer sugar a sua flor...
feito faca amolada, que corta daqui e dali,
procurando o melhor desenho na madeira crua...
... qual folheto de alquimia,
vou construindo no dia a dia
um projeto onde a mente se faz coração puro.
... dou ênfase à existência do mundo por si só...
vejo-nos nele...
... que estranha é essa agônica saudade,
que agora me invade, e quer porque quer,
me levar a você?
... que deliciosa essa lembrança,
que rasga minhas entranhas, e me traz o gozo,
de senti-la?
... que estranho esse desejo, que feito chamamento,
dança diante meus olhos, e canta suave em meus ouvidos?

josemir(aolongo...)
Por isso, volta...
... te amo tanto, mas tanto,
que tenho procurado em braços nauseabundos,
uma forma de encontrar de novo,
o que de mágico me destes...
... Ei, meu irmão! Mais uma dose de sorrisos...
me venda esperanças, pois que os ritmos
já não são das mesmas danças.
Ando ansioso, a cata de catarses...
quero me colocar limpo, pra um encontro...
como aqueles de nossa época.
Livres, puros e soltos.
... mas te amo tanto,
que até confundo-me com gestos néscios.
Com pessoas rasas, sem asas,
e acabo machucando-me
e machucando o meu coração.
Novas malucas bipolares, que tomam os ares
de idiotas histórias, e se fazem libertárias...
no fundo são perdidas e levianas arrependidas,
párias
... por isso, preciso do reencontro...
o que existe oculto sobre as faces inócuas
das que se colocam dispostas a se tornarem expostas,
é a mente vazia... a hipocrisia...
contadoras de histórias toscas..
vazias, absolutamente loucas...
basta!
... por isso amor antigo, de inspirar cantar,
VOLTA!!

josemir(aolongo...)

Reamar-nos...


(voando com Miriam...)

... embrenhar-nos pelos caminhos um do outro,
como fossemos pássaros soltos,
procurando amor no voo...
...entregar-nos em comunhão numa relação leve
onde o breve, seria o tempo em que pós pouso,
nossos corpos se dessem... de vez e no todo...
... fazermos crescer no entorno,
toda a esperança de que a dança
jamais terminasse...
... procurarmos juntos, aquilo que rocia
o orbe de um planeta anos luz daqui...
clareza em nossos caminhos...
paz em nossos ninhos...
um espaço comum, no qual o amor possa se conceber.
... deixarmos que os sussurros substituam as falas.
Reamar-nos mais que um milhão de vezes...
josemir(aolongo...)
Na experiência da palavra nada.
No experimento da palavra nada.
A lua dos teus olhos nada,
peixe fora d'água.
A lua dos teus olhos vaga.
Vaga nada!
Ando de mentiras fartas sobre a lua
e teus olhos
E não mais reconheço a areia
por onde nadaram nossos
poros.

Lázara Papandrea
que se possa separar o sonho da realidade que fere!
o sentimento é uma fagulha que molda a paisagem de dentro sem se que altere a textura de fora.
a alma que ama é pássaro que voa...
que se abriga onde encontra abrigo.
permitir-se é dar a si mesmo as chances de voo!
por um sonho!

Margarida Di

inda quero ver você
deixar pra trás
as coisas burras
ficar em paz
sem fazer juras
inda quero ver
inda quero ver
trazer o futuro
na garupa
quitado o seguro
da tua fuga
inda quero ver
o mal menor
que uma pulga
na cidade
mil olhos
feito lupa
admirando
a felicidade
na tua cara
na testa
na nuca
felicidade extra
agora ou nunca

 (LF Leprevost / Thiago Chaves)
paciência que nego
não jogo,navego
beirando o berro
não peça desculpas
me usa
não fuja
lambuza de marco
anseio que falho
menina obtusa
divido querer
me faz o perder
juízo impede
da linha que mede
desejo te ter
espera maldita
não me sou sofrida
decido passagem
me vê invisível
já não te preciso
no tempo covarde
me encare...

Flavia D'Angelo

Casas, obras e sonhos...


(lembranças de Miriam...)

... casa de sonhos, onde o tempo reverencia a magia,
que em sublime sintonia,
sublima os tons das melodias...
aquelas cuja percepção eterniza...
... mistica reverência cíclica,
que trespassa a intuição, e ao metafísico induz-nos...
... diferenças marcantes, de cada aposento, une-os.
As obras soltas, voam...
como se faz praxe nas coisas sagradas.
... maravilhosa energia!
Saudade aperta o peito do poeta.
A porta sempre aberta, desse paraíso,
atrai-me...
... dentre os prazeres ocultos,
seu sorriso, sua forma de conceber a vida,
também flutua, perfumando o ambiente...
... saudades dessas viagens.
As obras inspiram-me...
você ainda me fascina..
suaves e brandas, essas lembranças.
Vivo nelas... as gosto... não as esqueço...

josemir(aolongo...)
A menina veste a boneca. Trouxe duas fraldas, um biquíni, do qual ela logo desiste por considerá - lo muito largo. Trouxe ainda o arco para o cabelo, uma toalha, pomada para assaduras e uma papa verde, que me explica, detalhadamente, ser de ervilha, leve, própria para o verão. Por instantes preciosos capturo o seu mundo de dedicação magnífica e trágica, mas ela ainda não sabe a tragicidade. Preparam-na para a maternidade aos nove anos. Aos nove, quase meio século atrás, chutava eu bolas de meia na trave improvisada com bambus. É grande o meu espanto que meninas ainda embalem seus filhos imaginários.
Na hora da foto o xis. Alguém grita : xis pênis.
Ela, agora fotógrafa, paralisa o instante, quer saber o que é pênis. Em uníssono umas três mulheres gritam novamente : uma marca de pasta de dentes!
Dentes brancos sorriso perfeito, ilusão perfeita, como na propaganda.
Antes do clic, entretanto, o longo suspiro:
- acho que já ouvi sobre isso na aula de ciências!
Quem sabe nem tudo esteja perdido! Agora quem suspira profundamente sou eu.

Lázara Papandrea

Disfarce


enquanto
os gestos se vestem
de inocentes
os desejos
se desvirginam
a olho nu

Chris Herrmann

um dia resolveram juntar os trapos.
ele disse:
- me empresta a escova de dentes?
- nem pensar, coisa mais nojenta.
- sua boca, minha boca. por que não?

[por que não?]

Mariza Lourenço


Sou alegria ao chover.
Sou doutor sem saber ler,
Sou rico sem ser grã-fino.
Quanto mais sou nordestino,

Mais tenho orgulho de ser.

Robson Garcia Freire

Felicidade Extra - Luiz Felipe Leprevost - Arquivos Alteráveis

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Galiza:


teus velhos paços de granito,
tua pompa de fidalgo encanecido,
o lamento longo de tuas gaitas tristes
e o nome de tuas ruas
(Rua das Fontinhas, Ruela De Sae se Podes, Rua da Amargura...)
me fizeram recordar
que a vida não é lida
nem Ilíada
mas velha cantiga de amigo,
dorida,
sussurrada a um ouvido machucado
num fast-food em Vigo.
Hoje eu sei que foi aí
que minha língua primeiro se soltou.
Hoje eu sei que posso desistir
sem me lançar ao mar (que será sempre de Portugal,
teu filho mais ingrato).
Galiza, triste nai,
aprendi que saudade
é um jeito de voltar sozinho
depois que se esteve acompanhado.
Hoje, neste cabo, que já foi o fim do mundo,
choro todas as mágoas dos emigrados
galegos, sírios, haitianos...
Choro tudo,
pois agora eu sei,
como uma libertação,
que o hábito de sofrer,
(que tanto me diverte),
nasceu em tuas rias
e nos sinos roucos
de teus desolados campanários.

Otto Leopoldo Winck
Tenho sido entregue
às mais escuras
das noites mudas.
Que posso eu?
No entre desses espinhos?
Ando tão baixo
quanto as formigas
mas se arbusto não sou
por que tenho vivido
eu coberta de espinhos?
Da queda fez-se um ninho
maceradas folhas de sombra
abrigam o meu corpo.
É o esquecimento da terra.
Mas por que, por que
vesti-me de espinhos?
Si soy el temblor, o lugar
onde o trovão diz
EU é o meu peito
alargado.

 JÚLIA DE CARVALHO HANSEN, poeta paulistana, graduou-se em letras pela USP e é mestre em estudos portugueses pela Universidade nova de Lisboa. Seu primeiro livro , Cantos de Estima, (2009) teve duas edições de materiais, tamanhos e tiragens diferentes. Publicou também Alforria Blues ou Poemas do Destino do Mar,(2013 ) e O túnel e o acordeom (2013). Júlia De Carvalho Hansen está na 85 postagem da série AS MULHERES POETAS...

Se quiser ler mais, clique no link http://www.rubensjardim.com/blog.php?idb=49266

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Das contradições compensatórias


Saber que elefantes são seres levíssimos
E que toda véspera é um dia abundante de signos
Põe-nos a postos com os pensamentos
Revisar e deixar que a água revire os sótãos dos dias
Em sequências de rotinas ergue-se a história de um homem
Mas os hábitos cultivados com o coração permanecem gravados com fogo
Afora isso,'somos soldados tolos
Percorrendo a selva dos gestos com espingardas moralistas
Um homem sai de manhã para o trabalho
Sua camisa limpa, as botas engraxadas
O relógio de pulso desperdiçando o tempo esquecido de amar

Assionara Souza



·
Ainda não consigo firmar os pés sobre a rocha
Sem ignorar a vacuidade
Ainda enxergo num corpo específico
A Forma escolhida entre todas as formas
A madeira queimada pelo fogo transmuta energias
E mesmo que dancem os átomos sob o lago de teu olhos
A luz, essa radiante luz, faz-me calar diante do mistério
Vivendo, portanto, essa vida em par com as possibilidades

Procuro milagres no andar trópego dos noctívagos que velam as últimas estrelas

Assionara Souza


Tempo...



... as brincadeiras do tempo,
marcam e quebram fronteiras...
o tempo em estágio de sonho,
cria super heróis... amores eternos... céus e infernos...
... ele nos ludibria.
Ele nos arremete às querências escondidas,
e até nos faz acreditar que a vida
em nada se altera...
... faz a gente brincar de roda, brincar de pique.
Faz-nos crer que somos imutáveis.
Faz-nos zombar dos espinhos.
O tempo é algo mágico,
retira alegria do trágico...
transforma o mórbido em encantado...
... bom esse moço chamado tempo...
Indivíduo solto, livre, alegre, viajor,
que nos dá e tira vida...

josemir(aolongo...)
"Quero dizer teu nome, liberdade
Quero aprender teu nome novamente
para que sejas sempre em meu amor
e te confundas ao meu próprio nome.
Deixa eu dizer teu nome, liberdade
irmã do povo, noiva dos rebeldes,
companheira dos homens, liberdade.
Teu nome em minha pátria é uma palavra
que amanhece de luto nas paredes.
Deixa eu cantar teu nome, liberdade que estou
cantando em nome do meu povo."

Thiago de Mello, 1966


Consciência Cósmica
Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...
Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...
Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir, se me retasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo...
.
- em 'Magma'.

João Guimarães Rosa


domingo, 1 de janeiro de 2017

Morte do leiteiro


mana estamos sozinhas nas madrugadas


(Bárbara Lia)
mana, estamos sozinhas nas madrugadas puro estanho
nas tardes de farpas atravessando rios de intolerância
somos nós na janela prontas ao salto e a última lágrima
estilhaçadas antes do nosso sol dissolver no ar da beleza
mana, estamos sozinhas feito rara flor no deserto
o estatuto adâmico a voz das encíclicas as falsas posturas
a desnivelar nossa carne e alma
veja o rio caudaloso de sangue de todas que foram mortas
uma espécie de maldição que se carrega nas dobraduras
cada mulher leva em cada vínculo de osso e carne o sino
quando ela passa urge que pareça uma monja e que não soe
que nada soe que tudo cale que sua alma estelar se apague
urge que ninguém perceba o palpitar vivo em cada poro
que ela seja – a invisível que atravessa um pátio – para sair viva
e o rio de sangue de todas que morreram só por ser – única –
aumenta à proporção do desgaste de tudo que é poesia
mana, estamos sozinhas nas madrugadas nas noites no deserto
lembre de não deixar pendências, escrever teu testamento
e olhar nos olhos como se fosse último olhar a cada tchau
que dás ao teu amor


Les Jour d'la Semaine, par Les Charbonniers de l'enfer


último bilhete do ano
mi amor...
prometo silenciar
mas não consigo
calar
o estrondar
do coração por ti
estão a ouvir
lá em Andrômeda
(o som
do teu nome
dia e noite
noite e dia
forte alto
alto forte)
tu vieja

Bárbara Lia
o mês de dezembro foi-se.
alegrai-vos, homens livres.
ficou a marca do coice."

RR
um ano, outro ano
a coisa mesma se refaz e desfaz
a coisa tanta se monta e desmonta
há quantas cartas num ás?"

RR
o ano,
numa bola de pano.
o insano
bichano
dos meus sonhos
arranhando os móveis.
o silêncio quem nem se move.
a mola,
a bola de neve
a assolar de leve
a solidão.
duas luas atrás
eu lavava destinos
na palma da mão.
hoje, encero o chão
dos meus desafetos
e desejo que se passe reto
a régua.
légua e meia daqui
tudo já esqueci
e o que ficou,
só ficou porque foi meu.
Lázara Papandrea

Cristalina


lembro como eras em português
breve adiada e de renúncia
imersa no Silêncio do teu sopro
num espaço claro onde o ar
imóvel aguarda
pelo anjo estrangulador


 Marina Tadeu



descendo a serra na direção do litoral
com fugidos passos desci a serra até o litoral
ainda ontem senti meu desespero à espera de mim
meus olhos atentos em cada precipício descomunal
tudo o que conhecemos é um nosso desconhecido sem fim
e em Guaratuba o verão já aguarda por reparos
aí está um jeito bem sem jeito de salvar
os pássaros
posso louvar astros que se movem
de repente das translações chegou a crise
planetas estrelas num balé de que não fogem
na terra, sob cascos, desde que se pise
uvas sob a chuva que chove a cântaros
eis um jeito imperfeito de salvar
os pássaros
chicotadas dos trovões rasgam o tempo
e arrastam o dom bom na voz da minha vó
mas até os lógicos se penduram no profeta imenso
e em Sodoma virou estátua de Sal a garota de Ló
mas não é motivo suficiente pra que venham tirar sarro
pois seria um jeito suspeito de salvar
os pássaros
sou indigno do livro do céu da fé das evidências
das fontes do enigma da matéria invisível
da ciência que esmiúça os nós da nossa existência
e da manhã, que é uma mãe, sou um filho risível
das plantas da água de tudo até dos ácaros
e aí está um jeito, digamos, rarefeito de salvar
os pássaros
o amargo amor das extremadas cobras
o cosmos das pedras as outras ostras iletradas
abelhas, são manuscritos de mel suas obras
e o corpo dos sapos atropelados na estrada
isso existe à revelia da glória dos píncaros
e aí está um jeito há muito eleito
de salvar os pássaros


 Luiz Felipe Leprevost

Pequeno mapa astrológico de 2017- final



Escorpião – “Nada existe de grandioso sem paixão’. O idealismo de Hegel deve ser seguido à risca e com riscos. A verdade é uma necessidade da jornada, encontrá-la: quiçá. Diderot assinala que “a paixão destrói mais preconceitos do que a filosofia”. Vibre com as cores de Frida e Rivera, assombre-se com a melodia dos Impromptus de Schubert e deguste um espumante com as imagens de Houve uma vez um verão. Recite os versos do Poetinha: “O amor é o carinho,/É o espinho que não se vê em cada flor./É a vida quando/Chega sangrando aberta /em pétalas de amor”.

Sagitário – “A generosidade não está em dar aquilo que tenho a mais, mas em dar aquilo de que vós precisais mais do que eu”. Absorva o mantra do mestre Gibran com todos os sentidos. A palavra faz viajar mas o corpo também precisa de novos horizontes: a comunhão é essencial. O navegador Amir Klink vaticina: “Pior que não terminar uma viagem é nunca partir”. Siga a trilha de Gulliver nas aventuras de Lilipute ou Brobdingnag. Sobrevoe aqueles campos de trigo de Van Gogh ouvindo o Pássaro de Fogo de Stravinski. Embarque naquele poema, que ninguém sabe a autoria, e diga: “contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios”.

Capricórnio – “Para ser grande é preciso ter 99 por cento de talento, 99 por cento de disciplina e 99 por cento de trabalho”. Faulkner sintetiza a mitologia da cabra Amalteia: tirar leite das pedras. A determinação gera uma fortaleza de sensatez: “Fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio, ou então guarda silêncio”. Mergulhe na fase azul de Picasso, na repetição em espiral do Bolero de Ravel, assista a trilogia das cores de Kieślowski. Fique atento ao Lembrete de Drummond: “Se procurar bem você acaba encontrando./Não a explicação (duvidosa) da vida,/Mas a poesia (inexplicável) da vida”.

[assis freitas]

p.s. em homenagem ao Horóscopo do Balaio Porreta

do saudoso Moacy Cirne
Meu amor tão bandido.
A esperança em tua pele:
-Esse quê de infinito que fere-
Canções de não ter sido
Cantadas no tecido dos teus poros.
Em indecoro
minhas mãos já em fuga, inquerem,
cansadas do aflito deste gozo.
Cansadas deste gosto bendito de pão
Nos teus olhos!


Lázara Papandrea
Segues.
Sigo.
A saga
O sangue
O visgo.
Vais exangue com teu abrolho.
Vigio-te com o meu olho sido outro olho.
Meus pés doloridos.
Os cismos que recolho.
Um rio que não vira mar marendo-me ao ouvido.
Segues o aflito.
O bendito azul aflito das estrelas.
A mentira ,quase grito!
Tu te destrambelhas
e eu não sinto mais nenhuma dor.
Sei caminho não chegável
Sei perder-me no achável desse desamor.
Não insisto a linha reta que persegues por.
Meus pés em chagas poderão alguma flor?


Lázara Papandrea
Julio Damasio


Eu pensava que conhecia , mas na verdade o conheci hoje na hora do almoço.Estava todo grudado, não falo nojento, porque acho que é pecado falar de comida mesmo sem ser religioso. Primeiro dia do ano, errei a mão na medida, não sei se dos grãos ou da água. Eta! Arroz papado!
de tudo, meu bem, me lembro:
não chegaram, por ainda
os licores de dezembro.
do teu amor me padeço.
me faltam agora, viu?
na minha paixão infinda
os teus licores de abril.
de nada, meu bem, me esqueço."

RR
William Teca


na minha escala de ressaca - que vai de um a cinco, acordei com uma nível três. o rádio da vizinha toca "jesus cristo eu estou aqui", na dúvida entre o café e a cerveja, optei pela segunda - seria um esforço hercúleo fazer café, enquanto isso, me pergunto por que razão há três carteiras de cigarro abertas.
você que quando ama se incendeia
você que quando fere se resfria
você que enlouquece em lua cheia
você que se maltrata e se esvazia."

RR
William Teca


a felicidade é um pernil no forno - que pururucarei, com um purezinho e arroz com cardamomo, uns legumes, a geladeira cheia de cerveja, a cidra cereser, no mais, após um ano difícil, rogo que todos sejamos pessoas melhores, no ano que vem. beijocas cordiais meus caríssimos. e segue o baile.
Vem, vamos dançar ao sol,
Vem, que a banda vai passar,
Vem ouvir o toque dos clarins,
Anunciando o Carnaval,
E vêm brilhando os seus metais,
Por entre cores mil,
Verde mar, céu de anil!
Nunca se viu tanta beleza,
Ai, meu Deus, que lindo é o meu Brasil!

Vlademir Tremazul

ano novo
deixo ao tempo o tempo ido,
as esperanças perdidas,
os sonhos desfeitos,
os desenganos...
as promessas vãs,
os desejos insanos
os amores mortos
a estupidez humana
deixo ao tempo o tempo ido
e ao novo tempo, o tempo...
o tempo de todos os sonhos
Feliz Ano Novo!


Margarida Di

A morte perpassa a existência.


Vive-se ainda e se envelhece.
Temos muitos fins e tantos começos
que nem nos damos conta.
A morte, porém, é o Nunca mais
que conscientemente percebemos.
Somos vida, somos morte,
morte em vida,
vida na morte.
Nossa aurora, exuberância e espírito
passeiam entre sombras.
Em nossas refinadas formas de pensar
não cabe a ideia do Adeus
que nos obriga a dar tchau
sem brinde nem risadas.
Entre choro e abraços
percebemos a felicidade de ter convivido
com tantos amigos.
E prometemos que o próximo encontro
há de ser numa festa.
Tomara.

Jaguatirica!