quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

● essa nuvem de moscas ●
● esses litros de urina ●
● depois de tanta conversa ●

● quanto sangue perdido ●
● nessa busca ridicula ●
● q olhos e dedos adoram ●

● essa nuvem de moscas ●
● entre o pão e a sopa ●
● sempre e so de mentiras ●

● inutil o desejo tenta ●
● acompanhar as bocas ●
● todas elas nos espelhos ●

● essa nuvem de moscas ●
● vem de longe e devagar ●
● de repente nos agarra ●

● fere e nos joga por terra ●
● dilacera nossa lingua ●
● e diz “aguente calado” ●


AAlberto Lins Caldas

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