YRAMATAV APOLOV STHV YEA
Oles i morfis proti fori xai egw olomorfo
giornno den exw opws ta einai mouse apo to 0éw.
Éros xai éyes ta hllenixa ep-opwéa sth yéa mou
Palu apo to dromo xai ono leyes mou.
LE£IXO OLO DEN LEYO TOU DROMOU SOU.
XAI OLES STH MORFIS AESTESIS ONOS
OPW XRONOV ETSI TSIGARO
ABARO ANALOYIA ANAYRAMA PRÁYMA
Águia com cabeça de leão desvende de minha mão o teu destino.
Espere a última aurora chegar e recomece a contar com o menino
pequenino que nino dentro de você.
Hoje terá mais o que fazer pois é impossível aos mortais a paz
a não ser no findar dos dias.
Dentro espia, tua sorte, rumo norte rima forte prima dona que era.
Sincera, aumenta significada complexa tal qual teu corpo que espera
a mão que balança o berço.
Na verdade sou bem melhor que isso, e os deuses não existem.
PRAYMA etsi epi to 0éw xai oles i morfis sth yea Curitiba
esxriba den leyeis yinh exzo tais gramais edoneis mou
ta loyia. Loyiav etsi epi to 0éw.
LOYIAV ETSI EPI TO 0EW...
OLES I MORFI "MORFEU" HI''PNE TO FORO.
Anderson Carlos Maciel
domingo, 29 de novembro de 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
Sibilas
Sibilas no interior dos antros hirtos
Totalmente sem amor e cegas.
Alimentando o vazio como um fogo
Enquanto a sombra dissolve a noite e o dia
Na mesma luz de horror desencarnada.
Trazer para fora o monstruoso orvalho
Das noites interiores, o suor
Das forças amarradas a si mesmas
Quando as palavras batem contra os muros
Em grandes voos cegos de aves presas
E agudamente o horror de ter as asas
Soa como um relógio no vazio.
© 1990, Sophia de Mello Breyner Andersen
From: Obra Poética I
Publisher: Caminho, Lisboa.
PIW-Por
Totalmente sem amor e cegas.
Alimentando o vazio como um fogo
Enquanto a sombra dissolve a noite e o dia
Na mesma luz de horror desencarnada.
Trazer para fora o monstruoso orvalho
Das noites interiores, o suor
Das forças amarradas a si mesmas
Quando as palavras batem contra os muros
Em grandes voos cegos de aves presas
E agudamente o horror de ter as asas
Soa como um relógio no vazio.
© 1990, Sophia de Mello Breyner Andersen
From: Obra Poética I
Publisher: Caminho, Lisboa.
PIW-Por
Poemas de Bandeira Tribuzi
Fragmento: Ó MINHA CIDADE, DEIXA-ME VIVER,
Liberta-me das grades da miséria,
Afasta a sombra negra da injustiça.
Deixa que a alma do teu povo simples
Vagueie em paz por tuas ruas tortas.
Que os pés não sangrem ao pisar descalços
As pedras seculares do teu chão,
Que as mãos se juntem em prece nos teus templos
E peçam a Deus o pão que alimente
A fome de justiça de tua gente.
QUE EU QUERO APRENDER TUA POESIA,
Que está nos teus sobrados e azulejos,
Que transpira em tuas noites de verão,
Onde uma lua langorosa e doce
Banha de prata o casario antigo.
Poesia que está nos púmbleos mares
Que beijam tuas praiasfascinantes,
E está na graça morena das mulheres,
Na brejeirice e no sortilégio
Dos olhares ariscos, feiticeiros.
Que está nas fontes, nos rios, nos regatos
E no verde telúrico das matas.
[Contribuição da professora Maria Aparecida Klohn]
Bandeira Tribuzi
Liberta-me das grades da miséria,
Afasta a sombra negra da injustiça.
Deixa que a alma do teu povo simples
Vagueie em paz por tuas ruas tortas.
Que os pés não sangrem ao pisar descalços
As pedras seculares do teu chão,
Que as mãos se juntem em prece nos teus templos
E peçam a Deus o pão que alimente
A fome de justiça de tua gente.
QUE EU QUERO APRENDER TUA POESIA,
Que está nos teus sobrados e azulejos,
Que transpira em tuas noites de verão,
Onde uma lua langorosa e doce
Banha de prata o casario antigo.
Poesia que está nos púmbleos mares
Que beijam tuas praiasfascinantes,
E está na graça morena das mulheres,
Na brejeirice e no sortilégio
Dos olhares ariscos, feiticeiros.
Que está nas fontes, nos rios, nos regatos
E no verde telúrico das matas.
[Contribuição da professora Maria Aparecida Klohn]
Bandeira Tribuzi
haikais
Noite do espanto
Fui baixar um arquivo
baixou-me um santo
*
Noitada boa
a dentadura do velho
ri à toa
*
Uma Boca Maldita
espalhou por toda a XV
que o Bondinho apita
*
Noite de inverno
Um chopinho bem gelado
é servido no inferno
*
Coral de monge
o apito do trem
que vem lá de longe
*
Brisa da manhã
O olhar é mais lento
que o carro de boi
Alvaro Posselt
Simultaneidades
Fui baixar um arquivo
baixou-me um santo
*
Noitada boa
a dentadura do velho
ri à toa
*
Uma Boca Maldita
espalhou por toda a XV
que o Bondinho apita
*
Noite de inverno
Um chopinho bem gelado
é servido no inferno
*
Coral de monge
o apito do trem
que vem lá de longe
*
Brisa da manhã
O olhar é mais lento
que o carro de boi
Alvaro Posselt
Simultaneidades
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Nocturno
La noche nos inventa. Sus amantes,
somos sus preferidos
amantes. Oye cómo
crece su inmenso pulso derramado.
Aprisiona su informe aroma.
¿Duermes?
Soñamos juntos al labio del abismo.
La noche nos inventa. Yo te tengo,
ámbar toda. Tú cortas de mi sangre
las amapolas más lejanas. Bajo
la apasionada luna de tus sienes
advierto que. la noche entra en nosotros,
se enardece lo mismo que yo.
¿Sueñas?
Despiertos, sobre el mundo navegamos.
La noche nos inventa. Va naciendo
de este extremado limbo compartido
una rosa que embriaga como el jugo
difuso de la muerte. ¡Acude! ¡Sálvame!
Salva este eterno instante, de las sombras
detén este latido final.
¿Vives?
Muertos de amor, un lirio nos conduce.
JUAN REJANO ( España, 1903 - 1976 )
somos sus preferidos
amantes. Oye cómo
crece su inmenso pulso derramado.
Aprisiona su informe aroma.
¿Duermes?
Soñamos juntos al labio del abismo.
La noche nos inventa. Yo te tengo,
ámbar toda. Tú cortas de mi sangre
las amapolas más lejanas. Bajo
la apasionada luna de tus sienes
advierto que. la noche entra en nosotros,
se enardece lo mismo que yo.
¿Sueñas?
Despiertos, sobre el mundo navegamos.
La noche nos inventa. Va naciendo
de este extremado limbo compartido
una rosa que embriaga como el jugo
difuso de la muerte. ¡Acude! ¡Sálvame!
Salva este eterno instante, de las sombras
detén este latido final.
¿Vives?
Muertos de amor, un lirio nos conduce.
JUAN REJANO ( España, 1903 - 1976 )
Ah! Os Relógios
Amigos, não consultem os relógios
Quando um dia eu me for de vossas vidas
Em seus fúteis problemas tão perdidas
Que até parecem mais uns necrológios.. .
Porque o tempo é uma invenção da morte:
Não o conhece a vida - a verdadeira -
Em que basta um momento de poesia
Para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
Somente por si mesma é dividida:
Não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
Quando alguém - ao voltar a si da vida -
Acaso lhes indaga que horas são...
Mario Quintana
(1906 1994)
(do livro: A Cor do Invisível)
Quando um dia eu me for de vossas vidas
Em seus fúteis problemas tão perdidas
Que até parecem mais uns necrológios.. .
Porque o tempo é uma invenção da morte:
Não o conhece a vida - a verdadeira -
Em que basta um momento de poesia
Para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
Somente por si mesma é dividida:
Não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
Quando alguém - ao voltar a si da vida -
Acaso lhes indaga que horas são...
Mario Quintana
(1906 1994)
(do livro: A Cor do Invisível)
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Informes Aedos
MEDIEVAL:
Olá, os convido para mais uma apresentação de música medieval.
TABERNA FOLK - Cosmópolis, Sp
(Música Medieval)
Abertura com:
Vevila Veldicca - Curitiba, Pr
(Música Celta)
Dia 28/11/2009 - 19:00h - Centro Paranaense Feminino de Cultura R$10,00
(Rua Visconte de Rio Branco, n° 1717 - Centro - Curitiba/Paraná - Fone: 3232-8123)
Ingressos antecipados à venda para o dia 28: De Kroeg Bar (Av. Jaime Reis, 320 - São Franciso - Curitiba)
Em frente ao estacionamento do Ópera 1.
Também pelos fones: Henrique: 9914-5547 / Robson: 9608-8721 / Eduardo: 9671-1923
ou pelo e-mail: folkloricstorm@gmail.com
Ingressos no local APENAS na hora do evento.
Dia 29/11/2009 - 18:00h - Café Parangolé R$07,00
(Rua Benjamin Constant, 400) - Fone: 3092-1171(próximo a Reitoria da UFPR)
HAVERÃO
Camisetas e cds a venda nas datas das apresentações
lúcia Gönczy
Olá, os convido para mais uma apresentação de música medieval.
TABERNA FOLK - Cosmópolis, Sp
(Música Medieval)
Abertura com:
Vevila Veldicca - Curitiba, Pr
(Música Celta)
Dia 28/11/2009 - 19:00h - Centro Paranaense Feminino de Cultura R$10,00
(Rua Visconte de Rio Branco, n° 1717 - Centro - Curitiba/Paraná - Fone: 3232-8123)
Ingressos antecipados à venda para o dia 28: De Kroeg Bar (Av. Jaime Reis, 320 - São Franciso - Curitiba)
Em frente ao estacionamento do Ópera 1.
Também pelos fones: Henrique: 9914-5547 / Robson: 9608-8721 / Eduardo: 9671-1923
ou pelo e-mail: folkloricstorm@gmail.com
Ingressos no local APENAS na hora do evento.
Dia 29/11/2009 - 18:00h - Café Parangolé R$07,00
(Rua Benjamin Constant, 400) - Fone: 3092-1171(próximo a Reitoria da UFPR)
HAVERÃO
Camisetas e cds a venda nas datas das apresentações
lúcia Gönczy
sábado, 21 de novembro de 2009
Destilação da Mesquinhez
Não me ilude a opulência, repique insultante
Babando o travo, a sânie e as fezes da ruindade
Negais e destruis por velha fealdade,
Para desafogar a fobia asfixiante
Consumidos por egoismo e inveja cancerante
Pretendei-vos contundir a sensibilidade,
Porque lhes bastam a esmola na falsa piedade
A inssosa babaquice e a crença rastejante.
Visando o "original" e a míngua de pujança
Esfacelados por embustes do exotismo na pança,
Tudo é atascamento da arte à estupidez
Esfalfai-vos a toa em assomos inúteis
Grunhe a vileza nos gáudios de fúteis!
Expectorar! dos que arrotam a mesquinhez.
Tullio Stefano
po&teias
Babando o travo, a sânie e as fezes da ruindade
Negais e destruis por velha fealdade,
Para desafogar a fobia asfixiante
Consumidos por egoismo e inveja cancerante
Pretendei-vos contundir a sensibilidade,
Porque lhes bastam a esmola na falsa piedade
A inssosa babaquice e a crença rastejante.
Visando o "original" e a míngua de pujança
Esfacelados por embustes do exotismo na pança,
Tudo é atascamento da arte à estupidez
Esfalfai-vos a toa em assomos inúteis
Grunhe a vileza nos gáudios de fúteis!
Expectorar! dos que arrotam a mesquinhez.
Tullio Stefano
po&teias
Cantos Gregorianos
décima 1
poetemos o PT:
se quando ética existia,
sarney era uma rapina,
vigarices da mercê,
agora força esquecer.
lula na verdade é polvo,
sépia nos olhos do povo,
espreguiçando os tentáculos
por onde lautos repastos:
remessas, repasses, soldos.
décima 2
só se relaxando o esfíncter,
leva-se no magro cu
da boa-fé – norte a sul –
fala-falo/em-falso-em-riste.
alma e virtudes de pinscher,
ocultando ossos no armário,
cagando mole no erário:
à Postiça Social,
mau-caráter carnaval,
só com surra de caralhos.
décima 3
ou se com boa boquinha
de chupeteira na teta,
uniforme de estafeta
onde a Estrela Boazinha,
anjos co´asas de galinha;
só com sangue de chacal,
rigor de débil mental,
no refeitório das ONGs
prum miojo com mensonge,
pra concluir: “menos mal".
Rodrigo Madeira
pó&teias
poetemos o PT:
se quando ética existia,
sarney era uma rapina,
vigarices da mercê,
agora força esquecer.
lula na verdade é polvo,
sépia nos olhos do povo,
espreguiçando os tentáculos
por onde lautos repastos:
remessas, repasses, soldos.
décima 2
só se relaxando o esfíncter,
leva-se no magro cu
da boa-fé – norte a sul –
fala-falo/em-falso-em-riste.
alma e virtudes de pinscher,
ocultando ossos no armário,
cagando mole no erário:
à Postiça Social,
mau-caráter carnaval,
só com surra de caralhos.
décima 3
ou se com boa boquinha
de chupeteira na teta,
uniforme de estafeta
onde a Estrela Boazinha,
anjos co´asas de galinha;
só com sangue de chacal,
rigor de débil mental,
no refeitório das ONGs
prum miojo com mensonge,
pra concluir: “menos mal".
Rodrigo Madeira
pó&teias
Informes Aedos
- aos amantes da poesia:
"Um novo projeto que visa colocar em evidência
a poética curitibana, incentivando a produção
literária e a narração da poesia"
O evento será quinzenal. Estarei lá com minhas poesias ao lado do poeta Edson Falcão, nesta primeira edição.
- Edson Falcão publicou dois livros de poesia:
- As musas do Canal Belém
- O Ossário de um Ferreiro.
Prepara seu terceiro livro para breve.
Café, Leite Quente e Poesia
O Sublime x O Pitoresco
Edson Falcão e Bárbara Lia
dia 21/11
16h
Café do Paço - Paço da Liberdade
Praça Generoso Marques, 189
Curitiba - PR -
Bárbara Lia
"Um novo projeto que visa colocar em evidência
a poética curitibana, incentivando a produção
literária e a narração da poesia"
O evento será quinzenal. Estarei lá com minhas poesias ao lado do poeta Edson Falcão, nesta primeira edição.
- Edson Falcão publicou dois livros de poesia:
- As musas do Canal Belém
- O Ossário de um Ferreiro.
Prepara seu terceiro livro para breve.
Café, Leite Quente e Poesia
O Sublime x O Pitoresco
Edson Falcão e Bárbara Lia
dia 21/11
16h
Café do Paço - Paço da Liberdade
Praça Generoso Marques, 189
Curitiba - PR -
Bárbara Lia
O que será?
Resta hoje tudo.
É sempre um ponto de partida
quando amanheço
Pensando bem...
estou em estado de alerta
na estação, esperando um trem
Deixei em stand by
qualquer ruído presente.
E vão altos os ventos
adivinhar tua boca.
Se na minha vier,
serei eu tua busca.
Ivone fs
É sempre um ponto de partida
quando amanheço
Pensando bem...
estou em estado de alerta
na estação, esperando um trem
Deixei em stand by
qualquer ruído presente.
E vão altos os ventos
adivinhar tua boca.
Se na minha vier,
serei eu tua busca.
Ivone fs
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Jura Secreta 89
a face oculta da maçã
duas partes que se abrem pêssego
campo de girassóis teus pêlos
alvoroçados sob o sol de Amsterdã
enquanto isso em teus mamilos penso
o que ainda não comi desta maçã
Artur Gomes
duas partes que se abrem pêssego
campo de girassóis teus pêlos
alvoroçados sob o sol de Amsterdã
enquanto isso em teus mamilos penso
o que ainda não comi desta maçã
Artur Gomes
Informes Aedos
sexta,20 de novembro, 20 horas- Bardo Batata
rua Bela Cintra, 1333 - Jardins- SAMPA
NENO MIRANDA apresenta sua MPB Neo
Contemporãnea
realizaçao Dora e Lúcia - Proyecto Cultural Sur Paulista e Poetas Del Mundo
rua Bela Cintra, 1333 - Jardins- SAMPA
NENO MIRANDA apresenta sua MPB Neo
Contemporãnea
realizaçao Dora e Lúcia - Proyecto Cultural Sur Paulista e Poetas Del Mundo
SM
Há momentos para a delicadeza das rendas.
Mas não hoje: corpete de couro, correntes.
É noite de algemas e vendas.
E ninguém tem nada com isso,
A não ser a gente.
Você se rende, se entrega,
Se dá ao luxo da confiança cega
No carrasco que elegeu.
Em pé à beira do leito, o tal eleito, eu,
Faço de você meu brinquedo e deleite.
Te quero dada de corpo e mente,
Te quero em bondage, amada, afoita,
Te quero em estro, miando, felina,
Te ouvir gemer meu nome entre dentes.
A cada meu toque de afago-açoite
E cada beijo quente da parafina.
Se quiser, depois a gente troca,
Você senhora, eu submisso.
Danem-se vizinhos e fofocas!
Ninguém tem nada com isso.
Há muitas e várias formas de gozo
E titio Sade ficaria orgulhoso.
(set '09)
Allan Vidigal
Mas não hoje: corpete de couro, correntes.
É noite de algemas e vendas.
E ninguém tem nada com isso,
A não ser a gente.
Você se rende, se entrega,
Se dá ao luxo da confiança cega
No carrasco que elegeu.
Em pé à beira do leito, o tal eleito, eu,
Faço de você meu brinquedo e deleite.
Te quero dada de corpo e mente,
Te quero em bondage, amada, afoita,
Te quero em estro, miando, felina,
Te ouvir gemer meu nome entre dentes.
A cada meu toque de afago-açoite
E cada beijo quente da parafina.
Se quiser, depois a gente troca,
Você senhora, eu submisso.
Danem-se vizinhos e fofocas!
Ninguém tem nada com isso.
Há muitas e várias formas de gozo
E titio Sade ficaria orgulhoso.
(set '09)
Allan Vidigal
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Cronologia
Está online? O fonema marketing
darling
temístocles morreu de crítica.
Temos o papel na mão que já abdicamos
foram anos esquiando
pra aprender a ser superficialidade
na tua idade eu diria.
Dentro solidão enquanto isso.
Mas que solidão? Se for aquela do si[ai]te
eu não quero. O problema é que eu pouco
importo mesmo. Então você vá lá.
Até onde eu já conheço.
Com a corda no pescoço
de óscars cacofônicos estrondosos
volte até mim, que sou todo puro
no alto do monte na Índia
pensando que no retorno
o povo morno
não me esquece ainda.
"Sempre procurei cativar"
é estranho para quer a liberdade,
também
por um vintém eu te libero
da cronologia.
Um café, dois curitibanos:
Oi como vai tudo bem?
Estava esperando desligarem
pra te ver.
Nem eu nem você, e aí o que mais?
Na psicanálise a guestalt,
Na concepção estética a direita.
Na política o inconsciente
e nos teus mandos o meu amor
polimorfo
ao contrário da dualidade.
Na tua cidade, esperando você.
Cortar esse cabelo, fazer a barba
tomar o remedinho e mostra a língua,
que não precisava e fizeram de você
superficial,
álcool, cigarro, loucura
e outros rótulos de garrafas prontas
que te vendemos como vacina [antídoto? eu caio nessa]
Não quero, volte amanhã,
tenho senso crítico,
quem sabe,
tire mão de mim então, e temos o mesmo problema
Na verdade estou bastante famoso
salvando o mundo do ridículo,
em verdade, em verdade.
darling
temístocles morreu de crítica.
Temos o papel na mão que já abdicamos
foram anos esquiando
pra aprender a ser superficialidade
na tua idade eu diria.
Dentro solidão enquanto isso.
Mas que solidão? Se for aquela do si[ai]te
eu não quero. O problema é que eu pouco
importo mesmo. Então você vá lá.
Até onde eu já conheço.
Com a corda no pescoço
de óscars cacofônicos estrondosos
volte até mim, que sou todo puro
no alto do monte na Índia
pensando que no retorno
o povo morno
não me esquece ainda.
"Sempre procurei cativar"
é estranho para quer a liberdade,
também
por um vintém eu te libero
da cronologia.
Um café, dois curitibanos:
Oi como vai tudo bem?
Estava esperando desligarem
pra te ver.
Nem eu nem você, e aí o que mais?
Na psicanálise a guestalt,
Na concepção estética a direita.
Na política o inconsciente
e nos teus mandos o meu amor
polimorfo
ao contrário da dualidade.
Na tua cidade, esperando você.
Cortar esse cabelo, fazer a barba
tomar o remedinho e mostra a língua,
que não precisava e fizeram de você
superficial,
álcool, cigarro, loucura
e outros rótulos de garrafas prontas
que te vendemos como vacina [antídoto? eu caio nessa]
Não quero, volte amanhã,
tenho senso crítico,
quem sabe,
tire mão de mim então, e temos o mesmo problema
Na verdade estou bastante famoso
salvando o mundo do ridículo,
em verdade, em verdade.
"Teus passos somem
Onde começam as armadilhas.
Curvo-me sobre a treva que me espia.
Ninguém ali. Nem humanos, nem feras.
De escuro e terra tua moradia?
Pegadas finas
Feitas a fogo e espinho.
Teu passo queima se me aproximo.
Então me deito sobre as roseiras.
Hei de saber o amor à tua maneira.
Me queimo em sonhos, tocando estrelas."
Hilda Hilst, "Poemas malditos, gozosos e devotos
Onde começam as armadilhas.
Curvo-me sobre a treva que me espia.
Ninguém ali. Nem humanos, nem feras.
De escuro e terra tua moradia?
Pegadas finas
Feitas a fogo e espinho.
Teu passo queima se me aproximo.
Então me deito sobre as roseiras.
Hei de saber o amor à tua maneira.
Me queimo em sonhos, tocando estrelas."
Hilda Hilst, "Poemas malditos, gozosos e devotos
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Crepúsculo.
Apresentei dia desses a um camarada meu de Curitiba, algumas das famosas praias do Rio de Janeiro: Flamengo, Urca, Leblon e Arpoador, interessante, pois já me sentia pouco à vontade ou desacostumado com vários aspectos bem próprio dos litorâneos, inda mais dos cariocas e fluminenses, meus conterrâneos, as vezes cidadinos tão soberbos de seu litoral, cuja fama e beleza é proporcional a desfiguração da cidade, mascarada para o mundo de Globo e Olimpíada. Contudo, aqui existem pedras e existem orlas, praias onde não fiz castelos de areia, mas, caminhei sobre os avatares do horizonte; a mais de seis anos não subo os mirantes que dão ornamento as encostas e quebra-mares, que, para mim sempre foi a parte mais fascinante de um litoral, assim como a marisia da noite; ironicamente nem mesmo os meus pés se equilibram naquelas pedras com a mesma flexibilidade de antes, me esqueci até o simples hábito de lavar o chinelo no mar e tirar a areia enquanto se anda descalço no calçadão, ex-carioca mesmo; revisitar um lugar, parece uma nova permissão, a distância nos veta a presença física, regressos, somos licenciados da distância, no entanto agora, apesar da licença, sinto-me embargado no estranho deslocamento da memória. Por fim, tivemos o brinde amargo do calor e um sol anátema, dizem os metereologistas que estamos sob um pico extraordinário de calor, provavelmente dirão o mesmo ano que vem. Ah o sol, causticamente desolador, implacável tal qual o amanhecer que te chama para o cotidiano e não para o mar, esse mesmo sol gerador do calor que de tão quente morrerá como o escorpião suicida quando cercado pelo fogo; sossegados, isso é para daqui a dez bilhões de anos, ele se transformará em carbono e tudo será uma senescente estrela anã branca.
Tullio Stefano.
Pó&Teias
Tullio Stefano.
Pó&Teias
Estou fonema.
Estou fonema.
Estou como "vermeio"
no fino seio
se semeio mais que a sede de "mamar".
Aqui dentro existe lógica,
mesmo que mero fracasso
estou prosópica que fonema,
que sou letra iracema.
Tiara de ouro,
caminhando no touro lá vou eu,
passo plebeu, passo patrício
quem é que comeu?
Junto os pedaços
sou eu me desfaço.
Fidalgo, no dicionário
do teu armário
de ter
se quer ser
igual ao teu destino
libertino no parecer
funcionário público.
Quero dialética
mas sou quimera
pacote
de significações.
Falar é teu estigma
e minha glória
inglória.
A lógica é a psicologia dos teus pais
dos teus sais de falsidade daquilo
tranquilo que não vem a ser.
Estou aqui esperando para guerrear
aniquilar tuas fontes, teu passado
e teu jeito de ser.
Sou sincero pois não me importo
queria mesmo era a transmutação
dos valores na perfeição estética
tua mediocridade é pouca comparada
à de outros que me pagam muito razoavelmente,
o pente da inflação.
Ainda vou rever os pontos "onde sou eu estive".
Tenho dentro deles a liberdade de "sou mais".
Os preteridos "já fui" são sangue coagulado
ou hemorragia eterna, fruto e cisterna
sempiterna filologica que eu sou
neogrega, germana, dinamarquesa
abastada de dinheiro "te amamos".
Bom dia, boa tarde, boa noite,
é bom de vez em quando
pra enxugar o teu pranto
"sem saída" navalha.
Estou como "vermeio"
no fino seio
se semeio mais que a sede de "mamar".
Aqui dentro existe lógica,
mesmo que mero fracasso
estou prosópica que fonema,
que sou letra iracema.
Tiara de ouro,
caminhando no touro lá vou eu,
passo plebeu, passo patrício
quem é que comeu?
Junto os pedaços
sou eu me desfaço.
Fidalgo, no dicionário
do teu armário
de ter
se quer ser
igual ao teu destino
libertino no parecer
funcionário público.
Quero dialética
mas sou quimera
pacote
de significações.
Falar é teu estigma
e minha glória
inglória.
A lógica é a psicologia dos teus pais
dos teus sais de falsidade daquilo
tranquilo que não vem a ser.
Estou aqui esperando para guerrear
aniquilar tuas fontes, teu passado
e teu jeito de ser.
Sou sincero pois não me importo
queria mesmo era a transmutação
dos valores na perfeição estética
tua mediocridade é pouca comparada
à de outros que me pagam muito razoavelmente,
o pente da inflação.
Ainda vou rever os pontos "onde sou eu estive".
Tenho dentro deles a liberdade de "sou mais".
Os preteridos "já fui" são sangue coagulado
ou hemorragia eterna, fruto e cisterna
sempiterna filologica que eu sou
neogrega, germana, dinamarquesa
abastada de dinheiro "te amamos".
Bom dia, boa tarde, boa noite,
é bom de vez em quando
pra enxugar o teu pranto
"sem saída" navalha.
Borboleta
Eu me pergunto
quantas vezes
quis eternizar
os parques da infância
e imortalizar a tarde
por saber que os deveres
me fariam engolir a maioridade?
Quantas vezes
quis guardar sua inocência
por não querer em mim
qualquer maldade?
Todas as vezes
que deixei a porta aberta
foi p'ra você sair e entrar
sempre de bem com a liberdade
Você pode voar, se quiser,
pode escolher seu ar
Mas não se diga livre
por deixar partir
o que mais lhe diz respeito
Você pode partir, se quiser
Mas só que não verá
o meu melhor sorriso:
aquele que guardei p'ro dia
em que tudo fosse eterno.
César Magalhães Borges
in Canto Bélico
quantas vezes
quis eternizar
os parques da infância
e imortalizar a tarde
por saber que os deveres
me fariam engolir a maioridade?
Quantas vezes
quis guardar sua inocência
por não querer em mim
qualquer maldade?
Todas as vezes
que deixei a porta aberta
foi p'ra você sair e entrar
sempre de bem com a liberdade
Você pode voar, se quiser,
pode escolher seu ar
Mas não se diga livre
por deixar partir
o que mais lhe diz respeito
Você pode partir, se quiser
Mas só que não verá
o meu melhor sorriso:
aquele que guardei p'ro dia
em que tudo fosse eterno.
César Magalhães Borges
in Canto Bélico
sábado, 14 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Asterix e Obelix completam 50 anos
Deutsche Welle.29/10/09
Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Albert Uderzo mantém a tradição dos anti-heróis gaulesesAs aventuras dos anti-heróis gauleses têm fascinado gerações e ocupado até mesmo cientistas políticos. "Asterix e os godos" é uma importante contribuição para o estudo das relações franco-alemãs no início de 1960.
Em 1959, o milagre econômico dominava a Europa. Os heróis protagonizavam histórias de amor, salvavam moças e se apaixonavam. Ninguém se interessava por aventuras de romanos ou gauleses. Mesmo assim, em 2009 Asterix celebra 50 anos.
Nascidos em uma noite
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Coautor René Goscinny em 1971
Na realidade, Asterix, Obelix e companhia não eram para existir. O plano original era criar uma série de histórias em quadrinhos sobre o clássico Le roman de Renard para o lançamento da revista francesa Pilote.
Os cartunistas encarregados de adaptar as aventuras da ladina raposa medieval eram René Goscinny e Albert Uderzo. Porém, após escrever e desenhar a primeira página, descobriram que outro autor de HQ já se ocupava do mesmo material. E, pressionados pelo tempo, criaram os anti-heróis Asterix e Obelix em uma noite.
Assim nascia um sucesso internacional e uma mina de ouro para seus criadores: 50 anos depois, os quadrinhos já venderam 300 milhões de exemplares, foram lançados 12 filmes baseados neles. As aventuras dos gauleses já foram traduzidas em 100 idiomas, na Alemanha também nos dialetos bávaro, saxônio e suábio.
Tipicamente francês
As personagens de Goscinny e Uderzo são também a alegria de historiadores e filólogos. Docentes de grego antigo e latim usam os diálogos nos balões para explicar conjugações e declinações. Já se publicou literatura científica de acompanhamento sobre Asterix, e até mesmo cientistas políticos têm se ocupado de suas aventuras.
Uma chave desse sucesso é o fato de a publicação apresentar uma imagem oposta ao mundo dos heróis dos filmes e quadrinhos estadunidenses, "algo tipicamente francês", como explica Uderzo. E assim, os gauleses tomaram o lugar dos índios.
"Eu queria um anti-herói, um baixinho", lembrou Goscinny certa vez, numa entrevista. "A ideia era Asterix ser um nanico, tão perceptível quanto um sinal de pontuação. Para mim era importante que fosse uma figura engraçada por si."
Além disso, os protagonistas têm humor e senso de observação, são rebeldes simpáticos e justos, cujas histórias já se tornaram parte do patrimônio educativo. Asterix é adorado tanto pelos escolares e crianças quanto por pais e professores: ele une as gerações.
Asterix e os bárbaros
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Panoramix discute em saxônio na versão alemã
O tema das relações franco-alemãs foi abordado no terceiro número da "série clássica", Asterix e os godos, de 1963. Esse está longe dos simpáticos e levemente provocadores clichês humorísticos das outras aventuras. Os alemães são bárbaros, são líderes e carrascos com obsessão militar. E nesse número, Asterix não ajuda a ninguém.
Isso reflete as experiências pessoais dos autores. O politólogo Alfred Grosser, um dos mais destacados teóricos da reconciliação franco-alemã, chega a classificar esse número como uma importante obra política, por retratar o estado das relações binacionais no início da década de 1960.
Mas a primeira fase do lançamento de Asterix na Alemanha tampouco foi fácil. Em 1965, Rolf Kauka, editor das história com os personagens Fix e Foxi, comprou os direitos de publicação. Porém, ao invés de deixar as figuras em sua ambientação original, ele as germanizou. Asterix virou Siggi, Obelix tornou-se Barbarras. Numa tentativa de refletir a situação política então atual, os gauleses foram transformados em germanos ocidentais, os romanos viraram norte-americanos mascadores de chiclete. A graça se perdeu, o lançamento estava fadado ao fracasso.
Porém Goscinny e Uderzo salvaram sua criação, retirando os direitos concedidos a Kauka. Nove anos após a primeira edição francesa, era lançada uma tradução adequada na Alemanha: Asterix der Gallier. Os alemães, que até então não eram grandes apreciadores de HQ, tornaram-se fãs ardorosos.
A força do mais magro
Em 1977, soou a hora mais triste na história de Asterix e Obelix. René Goscinny foi ao médico para exames de coração e circulação sanguínea. Durante o teste de esforço, ele morreu diante dos olhos dos médicos. Uderzo teve que continuar a obra sozinho.
No início, em 1959, os dois assumiam ambas as funções, tanto de desenhista como de autor. Mas logo optaram por uma divisão: Goscinny assumiu os textos, e Uderzo passou a se encarregar do traço. Mas depois da morte de seu parceiro, ele voltou a exercer as duas atividades.
Bildunterschrift: De carne e osso: Chatotorix (Franck Dubosc), Obelix (Gérard Depardieu) e Asterix (Clovis Cornillac)
Desde então, os críticos apontam uma queda de qualidade nas histórias. Além disso, há as brigas entre o autor e sua filha, que originalmente deveria levar o trabalho adiante. Querelas com as editoras também afetam o rendimento de Albert Uderzo. As últimas duas edições acumulam poeira nas prateleiras das livrarias.
Ainda assim, mesmo 50 anos depois, a popularidade de Asterix e Obelix é indiscutível. O cientista políticoAlfred Grosser disse certa vez: "Na França impera uma hostilidade contra o esporte profundamente arraigada. Sabido é quem é magrinho, burro quem é forte". O par de anti-heróis confirma essa observação: o que o brutamontes Obelix não consegue, o nanico Asterix alcança pelos meios da esperteza. O segredo do sucesso não é o mainstream – é ser diferente.
Autor: Carol Lupu (av)
Revisão: Roselaine Wandscheer
Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Albert Uderzo mantém a tradição dos anti-heróis gaulesesAs aventuras dos anti-heróis gauleses têm fascinado gerações e ocupado até mesmo cientistas políticos. "Asterix e os godos" é uma importante contribuição para o estudo das relações franco-alemãs no início de 1960.
Em 1959, o milagre econômico dominava a Europa. Os heróis protagonizavam histórias de amor, salvavam moças e se apaixonavam. Ninguém se interessava por aventuras de romanos ou gauleses. Mesmo assim, em 2009 Asterix celebra 50 anos.
Nascidos em uma noite
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Coautor René Goscinny em 1971
Na realidade, Asterix, Obelix e companhia não eram para existir. O plano original era criar uma série de histórias em quadrinhos sobre o clássico Le roman de Renard para o lançamento da revista francesa Pilote.
Os cartunistas encarregados de adaptar as aventuras da ladina raposa medieval eram René Goscinny e Albert Uderzo. Porém, após escrever e desenhar a primeira página, descobriram que outro autor de HQ já se ocupava do mesmo material. E, pressionados pelo tempo, criaram os anti-heróis Asterix e Obelix em uma noite.
Assim nascia um sucesso internacional e uma mina de ouro para seus criadores: 50 anos depois, os quadrinhos já venderam 300 milhões de exemplares, foram lançados 12 filmes baseados neles. As aventuras dos gauleses já foram traduzidas em 100 idiomas, na Alemanha também nos dialetos bávaro, saxônio e suábio.
Tipicamente francês
As personagens de Goscinny e Uderzo são também a alegria de historiadores e filólogos. Docentes de grego antigo e latim usam os diálogos nos balões para explicar conjugações e declinações. Já se publicou literatura científica de acompanhamento sobre Asterix, e até mesmo cientistas políticos têm se ocupado de suas aventuras.
Uma chave desse sucesso é o fato de a publicação apresentar uma imagem oposta ao mundo dos heróis dos filmes e quadrinhos estadunidenses, "algo tipicamente francês", como explica Uderzo. E assim, os gauleses tomaram o lugar dos índios.
"Eu queria um anti-herói, um baixinho", lembrou Goscinny certa vez, numa entrevista. "A ideia era Asterix ser um nanico, tão perceptível quanto um sinal de pontuação. Para mim era importante que fosse uma figura engraçada por si."
Além disso, os protagonistas têm humor e senso de observação, são rebeldes simpáticos e justos, cujas histórias já se tornaram parte do patrimônio educativo. Asterix é adorado tanto pelos escolares e crianças quanto por pais e professores: ele une as gerações.
Asterix e os bárbaros
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Panoramix discute em saxônio na versão alemã
O tema das relações franco-alemãs foi abordado no terceiro número da "série clássica", Asterix e os godos, de 1963. Esse está longe dos simpáticos e levemente provocadores clichês humorísticos das outras aventuras. Os alemães são bárbaros, são líderes e carrascos com obsessão militar. E nesse número, Asterix não ajuda a ninguém.
Isso reflete as experiências pessoais dos autores. O politólogo Alfred Grosser, um dos mais destacados teóricos da reconciliação franco-alemã, chega a classificar esse número como uma importante obra política, por retratar o estado das relações binacionais no início da década de 1960.
Mas a primeira fase do lançamento de Asterix na Alemanha tampouco foi fácil. Em 1965, Rolf Kauka, editor das história com os personagens Fix e Foxi, comprou os direitos de publicação. Porém, ao invés de deixar as figuras em sua ambientação original, ele as germanizou. Asterix virou Siggi, Obelix tornou-se Barbarras. Numa tentativa de refletir a situação política então atual, os gauleses foram transformados em germanos ocidentais, os romanos viraram norte-americanos mascadores de chiclete. A graça se perdeu, o lançamento estava fadado ao fracasso.
Porém Goscinny e Uderzo salvaram sua criação, retirando os direitos concedidos a Kauka. Nove anos após a primeira edição francesa, era lançada uma tradução adequada na Alemanha: Asterix der Gallier. Os alemães, que até então não eram grandes apreciadores de HQ, tornaram-se fãs ardorosos.
A força do mais magro
Em 1977, soou a hora mais triste na história de Asterix e Obelix. René Goscinny foi ao médico para exames de coração e circulação sanguínea. Durante o teste de esforço, ele morreu diante dos olhos dos médicos. Uderzo teve que continuar a obra sozinho.
No início, em 1959, os dois assumiam ambas as funções, tanto de desenhista como de autor. Mas logo optaram por uma divisão: Goscinny assumiu os textos, e Uderzo passou a se encarregar do traço. Mas depois da morte de seu parceiro, ele voltou a exercer as duas atividades.
Bildunterschrift: De carne e osso: Chatotorix (Franck Dubosc), Obelix (Gérard Depardieu) e Asterix (Clovis Cornillac)
Desde então, os críticos apontam uma queda de qualidade nas histórias. Além disso, há as brigas entre o autor e sua filha, que originalmente deveria levar o trabalho adiante. Querelas com as editoras também afetam o rendimento de Albert Uderzo. As últimas duas edições acumulam poeira nas prateleiras das livrarias.
Ainda assim, mesmo 50 anos depois, a popularidade de Asterix e Obelix é indiscutível. O cientista políticoAlfred Grosser disse certa vez: "Na França impera uma hostilidade contra o esporte profundamente arraigada. Sabido é quem é magrinho, burro quem é forte". O par de anti-heróis confirma essa observação: o que o brutamontes Obelix não consegue, o nanico Asterix alcança pelos meios da esperteza. O segredo do sucesso não é o mainstream – é ser diferente.
Autor: Carol Lupu (av)
Revisão: Roselaine Wandscheer
"A Europa não tem direitos autorais sobre o Esclarecimento"
Cultura | 14.12.2008
Deutsche Welle
Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Hans-Magnus EnzensbergerO escritor Hans-Magnus Enzensberger ressalta em entrevista a relevância do intercâmbio entre as culturas e lembra a civilização muçulmano-judaico-cristã na Andaluzia do passado como exemplo de convivência pacífica.
Presente em um encontro intitulado "Diálogo Cultural Teuto-Árabe", em Dubai, o escritor Hans-Magnus Enzensberger alfineta a Europa pela arrogância ao reclamar para si "os direitos autorais sobre o Esclarecimento" e adverte que uma cultura "pode morrer de sede ao se isolar". Leia abaixo a íntegra da entrevista com o escritor:
DW-WORLD.DE: O senhor afirmou que a postura dos europeus de reclamarem para si a autoria do Esclarecimento seria uma meia-verdade. O que o senhor quis dizer exatamente com isso?
Enzensberger: Como se pode verificar a partir de uma leitura das diversas designações do Esclarecimento, estamos diante de um fenômeno muito complexo, com diferentes nuances e parâmetros, dependendo do país e do idioma. O Esclarecimento é uma obra da humanindade, que carrega consigo todas as contradições e todos os paradoxos inerentes a ela.
No meu discurso, quis despertar a consciência das pessoas em relação ao fato de que os europeus não possuem o copyright sobre o Esclarecimento, mesmo que muita gente no Ocidente remeta ao exemplo da Grécia antiga como modelo. As diversas tentativas de muitos europeus de reclamarem para si a autoria do Esclarecimento levam, na melhor das hipóteses, a meias-verdades.
Minha intenção é lembrar que o chamado Ocidente tende a esquecer o fato de que, por muitos séculos, antes que David Hume, John Locke, Diderot e Immanuel Kant escrevessem suas obras antológicas, a civilização islâmica vivia seus tempos áureos na Andaluzia árabe.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Bíblia, Alcorão e Torá: tradições das três grandes religiões monoteístas conviviam pacificamente na Andaluzia do passadoA Andaluzia árabe foi, por dois séculos, um inesquecível centro de pesquisa em Filosofia e Ciências Naturais. Ali, muçulmanos, judeus e cristãos levaram a cabo debates críticos a respeito de todas as questões possíveis. E não receavam controvérsias religiosas. Sem isso, a tradição aristotélica teria muito provavelmente se extinguido.
Dante e Nicolau de Cusa, Giordano Bruno e Espinosa criaram suas obras graças a seus mestres islâmicos, da mesma forma que a astronomia moderna, a lógica, a ótica, a matemática, a medicina e também a poesia se desenvolveram graças à herança destes mestres. Como todos nós sabemos, esse período áureo não durou muito.
Não se pode evitar a pergunta: diante da imagem triste que a cultura islâmica passa hoje, há necessidade de um novo Esclarecimento no sentido europeu do termo?
No que diz respeito ao atraso nas regiões islâmico-árabes, estamos diante de verdades amargas, principalmente no âmbito da educação. O número de traduções para o árabe ilustra esse estado: desde os dias do califa Al-Mamun, ou seja, no decorrer de 1.200 anos, tivemos, até há pouco tempo, muito poucos livros traduzidos para o árabe. Tão poucos quanto são publicados num único ano na Espanha hoje.
Diante desta miséria evidente, perguntar se o mundo árabe ou até o mundo islâmico precisam de um novo Esclarecimento é, sem dúvida, de extrema importância. Esta pergunta, porém, não pode ser respondida por alguém de fora. São os pensadores, poetas e artistas árabes que devem decidir a respeito. Na minha opinião, cada cultura deveria seguir seu próprio caminho em direção à Modernidade. A diversidade dos caminhos rumo à Modernidade iria enriquecer a humanidade de forma geral.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Adolf MuschgO escritor suíço Adolf Muschg acentuou, numa conferência pelo diálogo teuto-árabe em Dubai, o papel da cultura, no contexto das relações internacionais, acima de tudo como instrumento de aproximação e compreensão entre os povos. Pois a cultura, segundo ele, detém um "potencial revolucionário". O senhor concorda com esse ponto de vista?
O fato de que aqui se encontram escritores e formadores de opinião de renome, alemães e árabes, num "diálogo cultural teuto-árabe" – a fim de conversar uns com os outros sobre o que têm em comum, mas também defender, com uma abertura rara, posições distintas – mostra que os mentores da cultura podem mover alguma coisa para além dos âmbitos da política e da economia.
Podemos, nestes encontros, aprender muito uns com os outros, desmascarando dualismos simplistas e caricaturas. Autores alemães conhecem aqui autores árabes significativos e ficam sabendo, por exemplo, através do autor marroquino Mohammed Abed Al-Jabri, como é difícil, na maioria dos países árabes, tratar publicamente de temas críticos de maneira controversa, porque a tradição e a razão do Estado proíbem [tais discussões].
O que o senhor acha do intercâmbio cultural como forma de promover a paz, no sentido da visão de uma sociedade ancorada num saber global?
Esta pergunta é de extrema importância nos dias atuais. Vou me resguardar de tirar qualquer conclusão aqui a esse respeito. Uma coisa pode-se dizer, porém, com certeza: encontros deste tipo podem promover a compreensão mútua e, com isso, incentivar uma convivência pacífica. No que diz respeito ao intercâmbio cultural, tomo a liberdade de apontar um fato: qualquer cultura morre de sede, com o tempo, quando se isola e rejeita o livre intercâmbio de pensamento.
Loay Mudhoon / Qantara.de (sv)
Deutsche Welle
Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Hans-Magnus EnzensbergerO escritor Hans-Magnus Enzensberger ressalta em entrevista a relevância do intercâmbio entre as culturas e lembra a civilização muçulmano-judaico-cristã na Andaluzia do passado como exemplo de convivência pacífica.
Presente em um encontro intitulado "Diálogo Cultural Teuto-Árabe", em Dubai, o escritor Hans-Magnus Enzensberger alfineta a Europa pela arrogância ao reclamar para si "os direitos autorais sobre o Esclarecimento" e adverte que uma cultura "pode morrer de sede ao se isolar". Leia abaixo a íntegra da entrevista com o escritor:
DW-WORLD.DE: O senhor afirmou que a postura dos europeus de reclamarem para si a autoria do Esclarecimento seria uma meia-verdade. O que o senhor quis dizer exatamente com isso?
Enzensberger: Como se pode verificar a partir de uma leitura das diversas designações do Esclarecimento, estamos diante de um fenômeno muito complexo, com diferentes nuances e parâmetros, dependendo do país e do idioma. O Esclarecimento é uma obra da humanindade, que carrega consigo todas as contradições e todos os paradoxos inerentes a ela.
No meu discurso, quis despertar a consciência das pessoas em relação ao fato de que os europeus não possuem o copyright sobre o Esclarecimento, mesmo que muita gente no Ocidente remeta ao exemplo da Grécia antiga como modelo. As diversas tentativas de muitos europeus de reclamarem para si a autoria do Esclarecimento levam, na melhor das hipóteses, a meias-verdades.
Minha intenção é lembrar que o chamado Ocidente tende a esquecer o fato de que, por muitos séculos, antes que David Hume, John Locke, Diderot e Immanuel Kant escrevessem suas obras antológicas, a civilização islâmica vivia seus tempos áureos na Andaluzia árabe.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Bíblia, Alcorão e Torá: tradições das três grandes religiões monoteístas conviviam pacificamente na Andaluzia do passadoA Andaluzia árabe foi, por dois séculos, um inesquecível centro de pesquisa em Filosofia e Ciências Naturais. Ali, muçulmanos, judeus e cristãos levaram a cabo debates críticos a respeito de todas as questões possíveis. E não receavam controvérsias religiosas. Sem isso, a tradição aristotélica teria muito provavelmente se extinguido.
Dante e Nicolau de Cusa, Giordano Bruno e Espinosa criaram suas obras graças a seus mestres islâmicos, da mesma forma que a astronomia moderna, a lógica, a ótica, a matemática, a medicina e também a poesia se desenvolveram graças à herança destes mestres. Como todos nós sabemos, esse período áureo não durou muito.
Não se pode evitar a pergunta: diante da imagem triste que a cultura islâmica passa hoje, há necessidade de um novo Esclarecimento no sentido europeu do termo?
No que diz respeito ao atraso nas regiões islâmico-árabes, estamos diante de verdades amargas, principalmente no âmbito da educação. O número de traduções para o árabe ilustra esse estado: desde os dias do califa Al-Mamun, ou seja, no decorrer de 1.200 anos, tivemos, até há pouco tempo, muito poucos livros traduzidos para o árabe. Tão poucos quanto são publicados num único ano na Espanha hoje.
Diante desta miséria evidente, perguntar se o mundo árabe ou até o mundo islâmico precisam de um novo Esclarecimento é, sem dúvida, de extrema importância. Esta pergunta, porém, não pode ser respondida por alguém de fora. São os pensadores, poetas e artistas árabes que devem decidir a respeito. Na minha opinião, cada cultura deveria seguir seu próprio caminho em direção à Modernidade. A diversidade dos caminhos rumo à Modernidade iria enriquecer a humanidade de forma geral.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Adolf MuschgO escritor suíço Adolf Muschg acentuou, numa conferência pelo diálogo teuto-árabe em Dubai, o papel da cultura, no contexto das relações internacionais, acima de tudo como instrumento de aproximação e compreensão entre os povos. Pois a cultura, segundo ele, detém um "potencial revolucionário". O senhor concorda com esse ponto de vista?
O fato de que aqui se encontram escritores e formadores de opinião de renome, alemães e árabes, num "diálogo cultural teuto-árabe" – a fim de conversar uns com os outros sobre o que têm em comum, mas também defender, com uma abertura rara, posições distintas – mostra que os mentores da cultura podem mover alguma coisa para além dos âmbitos da política e da economia.
Podemos, nestes encontros, aprender muito uns com os outros, desmascarando dualismos simplistas e caricaturas. Autores alemães conhecem aqui autores árabes significativos e ficam sabendo, por exemplo, através do autor marroquino Mohammed Abed Al-Jabri, como é difícil, na maioria dos países árabes, tratar publicamente de temas críticos de maneira controversa, porque a tradição e a razão do Estado proíbem [tais discussões].
O que o senhor acha do intercâmbio cultural como forma de promover a paz, no sentido da visão de uma sociedade ancorada num saber global?
Esta pergunta é de extrema importância nos dias atuais. Vou me resguardar de tirar qualquer conclusão aqui a esse respeito. Uma coisa pode-se dizer, porém, com certeza: encontros deste tipo podem promover a compreensão mútua e, com isso, incentivar uma convivência pacífica. No que diz respeito ao intercâmbio cultural, tomo a liberdade de apontar um fato: qualquer cultura morre de sede, com o tempo, quando se isola e rejeita o livre intercâmbio de pensamento.
Loay Mudhoon / Qantara.de (sv)
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Informes Aedos
Título: Café, Leite Quente e Poesia
Data: 21/11/2009 16:00
Endereço: Praça Generoso Marques, 189 - Curitiba
Data: 21/11/2009 16:00
Endereço: Praça Generoso Marques, 189 - Curitiba
Desagosto
noutro dia um cão raivoso
espumando versos pela boca,
disse sol à nuvem louca
e o inverno inverso, rigoroso,
fez-se ainda mais intenso!
punhal de gelo na carne pouca,
que racha, sangra e estanca
entre a pele e a roupa.
mas, o andarilho lindo e asqueroso,
como brilho de amor, imenso,
ainda trilha as ruas sujas
nas cidades do que eu penso.
Rodrigo Mebs
espumando versos pela boca,
disse sol à nuvem louca
e o inverno inverso, rigoroso,
fez-se ainda mais intenso!
punhal de gelo na carne pouca,
que racha, sangra e estanca
entre a pele e a roupa.
mas, o andarilho lindo e asqueroso,
como brilho de amor, imenso,
ainda trilha as ruas sujas
nas cidades do que eu penso.
Rodrigo Mebs
Informes Aedos
SUPER MPB!
VENHA DELICIAR-SE COM A MARAVILHOSA
SÍLVIA NICOLATTO E BANDA NESTE
SÁBADO, 14 DE NOVEMBRO, 20 HORAS
NO BARDO BATATA - COUVERT R$ 10,00
UMA PARCERIA PROYECTO CULTURAL
SUR PAULISTA E POETAS DEL MUNDO
ORGANIZADORAS: DORA DIMOLITSAS E LÚCIA GÖNCZY
VENHA DELICIAR-SE COM A MARAVILHOSA
SÍLVIA NICOLATTO E BANDA NESTE
SÁBADO, 14 DE NOVEMBRO, 20 HORAS
NO BARDO BATATA - COUVERT R$ 10,00
UMA PARCERIA PROYECTO CULTURAL
SUR PAULISTA E POETAS DEL MUNDO
ORGANIZADORAS: DORA DIMOLITSAS E LÚCIA GÖNCZY
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