segunda-feira, 17 de junho de 2013




"Não Presidenta Dilma, eles não vão te aplaudir.
Cadeiras estofadas, redes de fast food e ingressos inacessíveis a “gente diferenciada” não são suficientes.
Pode ter todo luxo, que eles não vão te aplaudir;
Mesmo que você não faça a reforma da mídia, eles também não vão te aplaudir;
Você também pode deixar os índios de lado, e ainda sim, eles não vão te aplaudir;
A reforma agrária pode ficar fora da pauta, e eles não vão lhe aplaudir;
A agenda ambiental pode ficar escanteada, mas nada de aplauso;
Sim Presidenta, a gente sabe que muita coisa avançou, mas as estruturas ainda não mudaram;
Olha pra cá Presidenta, tua gente não está nas numeradas;
É deste lado que rola o samba;
É na GERAL Presidenta, chega mais!
É isto que a gente espera, em movimento!
Todos e todas para as ruas! Para balançar as estruturas!"

João Paulo Mehl:

Oração óssea



O cru dia azul
que se cultiva
desgostos em silhuetas
em ritmo forte
cabe na boca a paz
a ilusão de bem estar
pondo a corda gasta
pendure-se numa segunda
Belly é ouvido de copo
pôr mais gente do que se vê
amém, ossos

 Redson Vitorino   

Palavras presas...





No torpor do meu alumbramento,
lembranças...
Da busca contínua por melhores momentos,
andanças...
Marcas,
que seladas às arcas,
valoram os segredos...
os medos...

No auge de meu entendimento,
o retrocesso...
No hoje de meu argumento,
aspectos controversos...

Palavras
que saídas de minha boca
pareciam estar soltas,
mas...

josemir(aolongo...)

Cerveja gelada





Sob o sol fustigante do meio-dia, Joaquim entra em uma lanchonete - dessas que têm piso elevado e mesas para fora - acomoda-se e, com a voz enroscada por causa da garganta seca, pede:
— Uma cerveja bem gelada pra limpar a garganta, garçom!
— Qual a marca, senhor?
— Não me interessa a marca. Minha cerveja preferida é aquela que está mais gelada.
— Um minuto só, já lhe trago uma estupidamente gelada.
Enquanto entrega o comando no balcão, o garçom vê entrar no estabelecimento um garoto raquítico, maltrapilho. Acompanha-o com os olhos. O menino pede para um cliente da mesa ao lado daquela em que está Joaquim um pedaço de lanche que o homem come. Antes mesmo de ele ouvir um sonoro não, o garçom se aproxima, serve a cerveja a Joaquim, pede licença e vai em direção ao garoto. Joaquim leva o copo à boca, assiste à cena, faz cara feia. O garçom pega o menino pelo colarinho carcomido e chuta-lhe o traseiro. Joaquim sorve o líquido. O privete, com o chute, rola escada abaixo. Joaquim se engasga com a cerveja, que lhe para na garganta. Com olhar de fúria, olha para o garçom, bate com os punhos fechados na mesa e o xinga de filho da puta. Sem jeito, o garçom tenta se explicar com gestos. Joaquim não quer entender. O garçom tenta falar. Joaquim não quer ouvir. O menino se levanta, dá uma sacudida na roupa imunda como se fosse limpar de uma só vez a sujeira de meses acumulada. Ele assiste à ira de Joaquim. O garçom insiste:
— Não fique nervoso, me desculpe, é que...
— Não fique nervoso? Uma ova, seu incompetente! E não tem mané desculpa, se não tem cerveja gelada nessa bodega, feche essa merda!

J.Damasio/ Oração de um Quase Descrente / 2006

Mais que algum...






Admito-me.
Meu cansaço
- plena certeza -
espargir-se-á
no regaço
de qualquer riacho ao Sul.
Não me esqueço, enfim,
que eu vivo n’água
e a água vive em mim...
Sou das flores.
E ao ser multicor, sou colibri.
Um livre ser onde a mente vislumbra,
aqui e ali,
muitas parcelas iguais...
são meus sinais.

Sou cantor...
e tenho voz como qualquer um,
mas me diferencio de ser nenhum
por insistir e prosseguir...
Afã de querer ser mais que algum...

josemir(aolongo...)

Nada de mim...






Não me procurem
pelos recônditos absconsos
das vãs e viajoras filosofias.
Se não rociarem
o orbe dos novos dias,
nada de mim verão...

josemir(aolongo...)