quarta-feira, 6 de agosto de 2008

lingüisticamente falando

Somos sentido.

E nesse sentido, somos linguagem.

Usuários fonéticos

tentando manter em equilíbrio

a simetria gramatical.

Tendemos a dizer,

por formas diversas,

sempre a mesma coisa.

Num universo físico

de nêutrons, elétrons e prótons

somos corpos celestes,

e com muitos prós e contras

somos terrestres

numa gangorra de concentração ou dispersão

em sons centrípetos ou centrífugos.

E em nossas rotações

e translações lingüísticas

vamos atraindo signos e silêncios

ao nosso discurso verbal,

e repelimos significados

não essenciais



Deisi Perin

quarta-feira, 30 de julho de 2008

imagem de Macau

Crime Perfeito

O amor não te atinge
Empedernida esfinge
De enigmas insolúveis


Com palavras lacerantes
Esquartejas tuas amantes
No silêncio da madrugada


Iriene Borges

terça-feira, 29 de julho de 2008

desCaso

A ferro e fogo
marcados estão
com o prato vazio
o sorriso tragado
por promessas em vão

no coração só mágoa
o sol é só uma bola
de onde desce o calor

na água do poço
não há reflexo
só lama e dor

olhando a lua
o que vêem é o breu

estrelas
beleza não têm
só mesmo tristeza

medo até de dormir
pavor de acordar
são homens sem teto
com medo de amar

Cláudia Gonçalves

Kaddish

A natureza me deu saúde
mas não me deu paz
(Justinus Kerner)

A possibilidade do suicídio torna a vida muitas vezes suportável
(Emil Cioran)

Kadish
à Diego Pader Terry.

Iria começar uma oração
me lembrar um salmo,
iria rezar o pai-nosso
ou um kadisch
volver meus olhos
distar o jamais
aproximar meu passado.

Iria começar uma oração,
louvado seja!
lembrei que
do oitavo andar em Niterói
deus é pedra
a mesma pedra
que iria por em sua cova.

Louvado seja,
a mentira do sagrado,
que,
eu profano nesta hora;
bendito seja o Nome
meu Nome,
teu Nome (leitor)
e o Nome de quem nestas linhas
eu pranteio.

Louvado seja,
quase me esquecí
do intérmino da face
subterrâneo vivo
onde começa o meu olhar

Louvada seja
a Carne
- ossos lascados -
deus das alturas
vai
em queda livre
onde jaz
a carniça do vento.

Bendito seja o inferno,
maldita bendição,
porque malditos são
todos os alados
porque asas pesam,
pesam
a juventude nossa de cada sonho.

Bendito, louvado e maldito
seja o céu...
rasuro tua lápide,
arremessando as letras
seladas
com o cuspe
do amanhã;
santo é
o nome do Horror;
inscrevo-lhe meu salmo
e rasuro tua lápide.

Maldito, louvado, bendito
seja o Nome da Carne
Ossos que espatifam.

Perdoe-me Pedra
venha tu
ao meu reino
que seja feita
em terra
a terra
nos extratos do jamais
e rezo aqui
o cimo daquela hora
no declive desta oração.
Amém.

Tullio Stefano

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Duelo

Nesta noite, luto com minhas sombras
e vou partindo, elo por elo,
todos os fios que me ligam a vida,
no meu último duelo.
Jorge Medauar
Lagoa calma
a canoa ressoa

lâmina de rasgar
o ócio.

Anísio Homem

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Dois teoremas para Allan Poe

I
Um rosto movendo-se ao vento
olhar satânico
cabeleira revolta
tosca boca romã
o amor nos lábios
de um blasfemador

II
Uiva o vidraceiro
cai a pedra na vidraça
não há névoa
o orvalho é minguante
a lua gestante
passeia com lobos no ventre.
Anísio Homem
(Golondrinas, 1991 )

Homem Moderno

Nada resta
apenas automatismos
de associações casuais
de pensamentos e imagens
caos, fragmentos, ruínas
Passado, presente, futuro
Céu Terra,inferno

Perdido no centro de si mesmo
não toco no corpo humano
toca um eco de desejo
que não leva
a parte alguma

Naufragado numa sombra de prazer
vive à flor da pele
Explosões violentas de emoções
mascaram a carência de sentimentos
num círculo mentiroso
de que: fomos, eremos


somos assim,



espaço
Deisi Perin

terça-feira, 15 de julho de 2008

Minha veia poética se confunde com a veia filosófica,
ou talvez seja simplesmente minha veia de loucura sã.
Não ensaística,
nem controversa,
mas um bocado confusa.
Não sou herege,
nem coloquei minha alma a venda,
mas brinco de bambolê com minha auréola.
Não sou míope,
mas não vejo direito as pessoas em seu estado físico,
vou direto na alma.
Não sou agnóstica,
nem mística,
mas acredito em meus sonhos.
Acredito em vida após a morte,
e que alguns já morreram em vida.
Andam mas não sentem.
Lanço mão de mim pelos amigos,
pois nada mais sou do que pedaços de outros em meu coração.
Vivo intensamente
e coloco toda minha força e essência em cada ato, pensamento, palavra, poema e traço de desenho.

Sou feita de carne, ossos e lágrimas.
Sou feita do azul, do laranja e do verde.
Sou feita de vida no segredo do tempo.
Sou feita de sons, cores e medos.

Sou poeta.

Eu amo, vivo e escrevo.
Deisi Perin

Inusitado

INUSITADO

O novo chega de repente.
De maneira inusitada.
Quebrando a vidraça da janela,
Subindo pelas paredes...
Ignorando as escadas.
O novo chega com o corpo ausente.
Mas, a alma estilhaçada.
E, refaz-se juntando os pedaços
De outras almas que encontra na estrada.
Corpo e alma, vidas novas...
Novos rumos, rastros indecisos.
Não sabe aonde ir,
Mas é preciso.
Angela Gomes

Eclipse

Toquei o mar com nuvens...
Respirei Krakens e Tritões...
Colhi algas-marinhas,
Contei estrelas-do-mar,
Queimei-me em água-viva...
Formei crosta com corais.

Dilui-me...

Dilui-me em chuva púrpura.
Em branco algodão de globo ocular.
Entre os feixes soturnos do fim do dia
Mergulhei minha luz.
Angela Gomes

Cortázar

Lande de dados mallarmaicos

o charme laico
o olhar hilográfico

moldou as panturrilhas da prosa
com vigor homérico.
Anisio Homem
(Golondrinas,1991)

Poética

Lendo EZRA
pensei em ti
pensei no pão
que POUND
pôs a mesa

e que comerei
nas seias de
todas as ceias

regadas a teu sexo
e a teus seios

e que assim seja.

Anísio Homem
(Golondrinas, 1991 )

Era como se fosse

Era como se fosse
E era rimas tentáculares
Ventosas Bueiros borbulham esgotos
urbe ruge orações a deuses mecânicos
Em tempos cravados que Arranham-Céus
E cegam sol com luzes de alerta
Envolta em manto veludo cáustico
E entulho acústico
alastra-se em espaço
Engolindo horizontes
Avançando em vermelhos
Motores fibras e veias óticas.


Carlos Sousa

Doença crônica

Exame nenhum detecta, mas os doutores acusam : Escrever já não é profissão das melhores. Não há equalização no social. Alguns professores até arriscam falar abertamente que escritor bom é aquele que está morto.Poeta nem se fala:lunático,sorumbático; passam os dias e as noites poetando. Romance é razoável.Conto...vá lá. Mas crônica, isso já é doença.
deisi Perin

Poeta maquiado

Poeta maquiado

travestido de outro

nome

transpassado de dúvidas
e curiosidades

Descobre-se

que nunca foi
o que pretendia

ser

É o que está

internamente
esculpido na mente

De alma limpa
aceita o papel.
Deisi Perin

Receita para um poema

Tenha um bom repertório.
Conjugue alguns verbos.
Se não uma rima,
Ao menos uma boa proparoxítona.
Releia tudo. Desfigure-se.

Fale um pouco da avó falecida.
Use a palavra hermenêutica.
Passe a mão esquerda na testa.
Levante-se da cadeira.
Revolte-se contra as injustiças.
Sente-se novamente. Canetas várias.
Papéis espalhados.

Recite Drummond. Joões. Josés.
Volte à farra. Lembre-se do boi.
Esqueça da lâmina.
Lamba a mesa.

Não tente traduzir Shakespeare.
Espirre o pó da biblioteca.
Só vista o que possa despir
Se passear, bicicleta.

Roube algumas rimas da estante
E consulte sempre o dicionário.
Durante o dia, militante,
À noite, solte o poema do armário.


Luciano Lacerda

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Pequeno Poema

Trovejam em coro as idéias
infusão vermelha
que conspira
e cresce

desabrocha ramo
fino e flexível

conciso mimo
a atar as sílabas
Pó e cias

Andréa Motta

conheça o bordando essências!!

http://andreamotta.blogspot.com
Neste breve instante
O vento carrega a chuva.
Cafezal em flor
Andréa Motta

(Menção honrosa no Concurso Nacional de Haicais NEMPUKU SATO)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Poetas

Cismam os poetas
que flores têm sabor
que saudade têm cheiro
que grita o silêncio

ah! nada acompanha
o pensar de um poeta
que beija a boca da noite
salta da ponte do sonho

e até ao relento
com os sentidos atentos

rende-se a voz
do coração
que galopa
ao encontro do verso

Cláudia Gonçalves

Insanidade Selvagem

Sereno sibilar do vento na madrugada.
Sob mudas estrelas, testemunhas
indolentes, acima dos movimentos
de falanges da noite inconsequente...

Onde enquanto mariposas cruéis
invadiam as paredes herdadas
por lendas degredadas,
eu via o tropel de nuvens selvagens
avançando em suas raivas e ansiedades,
espreitadas pelas ventanias da amargura
que soluçam ao deitar-se do luar...

Que sopro do orvalho poderia
fazer o cansaço da agonia aliviar
o peso de seu flagelo ?

Onde as agressões eram tão fortes
que sequer se sabia ao certo mais
o que era insuflar os pulmões...

ficar despido ao relento da madrugada
auxiliaria a bonança dos oceanos de respiração ?

Oh, almas nascidas para o sofrimento...
almas que são levadas nuas
a uivarem loucamente para a lua,
quando atrás de nuvens opacas
ela parece estar mirando colmos
e luminosos oceanos de despedida...

Leandro Vicelli

Strip Tease

O texto, distinto e elegante, apresentado à democracia de gostos, percebeu-se riscado, asteriscado, quase ultrajado.

-Risca !

-Tira !

-Muda !


E ele ali indefeso , nas mãos do autor, no meio da discussão.

Foi muita pressão, estufaram-se as linhas e entrelinhas.

As palavras não queriam, mas já sem clareza eram arremessadas entre 'hurras" e "bis" pela turba enlouquecida.

Por fim, em cima da mesa, quase nu de adjetivos , todos o admiravam.

Deisi Perin

espaços aéreos

Espaços aéreos

imaginários

tão palpável no topo do mundo

tenho respostas que não cabem nas perguntas

driblo as dúvidas

com certezas eternas

devaneios incertos

lacrados em face firme.

Deise Perín

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Água do Mar

“quando te cansares de tudo, olha tua mão

e te diz: estou cansado de tudo”

Ferreira Gullar



Eu tenho andado oculto

Lendo poesias

Lembrando de histórias

Traçando planos

Pensando na morte

Fugindo de hospícios

Chamando atenção

Correndo perigo

Perdendo a noção

Eu tenho pensado no destino retardado



No mundo sem dono

No homem vaidoso

Na mulher que dorme ao meu lado

E na baba que escorre da boca

De toda pessoa tranqüila

Eu tenho batido no peito

Achando razões

Brincando no pátio

Bebendo muita água do mar

Mas num relâmpago acendo o cigarro e sigo


Otávio Luiz Kajevski Junior

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Mãos de meninos

em esquinas e becos
tem mãos de meninos
que roubam
que matam
que morrem

na pele, no osso
o medo, o terror

e na noite vazia
tem nas mãos de meninos
pedra, punhal

ou serão
gotas de sonhos
que não germinaram

com os sentidos bloqueados
entre lama e fantasmas
o que tem no abandono
é o belo em carrancas

que traduz o escuro
o avesso da vida
corroendo a alma
com total dissabor

e nas mãos de meninos:
pedaços de nada
a bandeira da dor

Cláudia Gonçalves

http://cacauentrelinhas.blogspot.com/

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Paesiana

Rascunho no pequeno caderno do aluno


Para montar um poema
(na falta
das amantes e dos amigos),
Giuliano:
esfaqueia
esfaqueia
o coração.
Depois,
embrulhe-o num trapo
e repita o gesto
em praça pública.
[Giuliano Gimenez]

sábado, 21 de junho de 2008

Vênus

Tão distante

que o desejo
virou clausura da
fantasia

e alimentou
(boca faminta)

a lira angustiada
do meu corpo
libidinal.


Giuliano Gimenez

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Umbral

A vida se imprime límbica
Guarda como escrínio o tormento
Do palustre sangue a placenta
Córrego vivo do seu fermento

O que é implícito no turgor
Aspira uma pungente alma
Que se transfunde no ardor
lancinante passo que a traz

Eis o ser! Viva o teu efêmero
Enigmático retalho deste caos
Refém d'aragem que lhe pauta.

Verás no recorte de tua sombra
O prisma exciso do incerto;
Remida luz! Que em ti vislumbras.
Tullio Stefano
Não perdi nem pude competir
Não caí, nem pude estar de pé.

Admirável Mundo Negro:
Me dá carona quem vem de lá,
Pois nem direito de descansar
Meu Pai paece querer me dar.

Por favor, imploro, acaba logo com meu anseio!
Não Tenho mais nem esse direito ?

Mas se não queres, Pai, cumprir meu desejo
Ao menos dá-me coragem para fazê-lo;

Deixa-me sujar as mãos com meu próprio sangue venoso;
Mas deixa-me sangrar sózinho
Para ninguém correr o risco
de se contaminar.

E então, após o dito estar feito
Encosta Tua cabeça em Teu leito
Sem sentir o menor peso;
Mas antes, guarda a louça do jantar,
Bata a toalha e apaga a luz da varanda.

Interrompa por um instante seu eterno sono e seu inconsciente gracejo
E diz adeus para seu leigo,
Que nasceu, sofreu e não viveu;
Amou intensamente sem ninguèm entender.
Adriano Esturilho
"O Ser Social.2000 "
Diálogo com:
FRGMNTS D1 DSCRS AMRS(y)
de Assionara Souza


Nada se define
tudo se definha
Saudade... saudade...
ah, a saudade!
delá
delê
de você
de mim
tempo define
sensações definham
cores definem
amor definha
palavras definem
desejos definham
ritmo define
fluidez definha
letras definem
corações definham
a terceira pessoa define
o sexo definha

Silêncio... silêncio...
ah, o silêncio!

Deisi Perin

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Desdêmona

Olhou-me como nuvem,
a sugar os vapores
da minha alma.

Por que ele é meu deus,
guardei-o em um lago
onde Iago
jamais chegará.
Bárbara Lia (A última chuva, p12 )

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Naquela Casa da Esquina

Naquela casa da esquina
ao cair das tardes, reunem-se os intelectuais,
as prostitutas e os desocupados do meu bairro.
Chegam aos grupos ou desacompanhados.

Aos poucos ao solo solitário d'um violão
mistura-se um bulício de vozes.
juntam-se à poesia e à vadia.
O que era Happy Hour invade a madrugada.

Até que os olhos fiquem embaçados,
as vozes embargadas
e o violão se cale.

Mas nunca há silêncio
naquelacasa da esquina,
ali moram os pássaros do meu bairro.

Mal o dia amanhece
mansamente iniciam nova cantoria.
A alegia reside
naquela casa da esquina.
Andrea Motta

segunda-feira, 9 de junho de 2008

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Notívaga

À noite sinto fome
Um impulso visceral de viver

consome a letargia
que me domina durante o dia.

Passa o torpor que me torna capaz
de ouvir o rumor de vida ao

meu redor sem viver
E quero lutar com a morte
que habita em mim.
Meus músculos se manifestam
inchados de energia, tesos de desejo.
A dor física diminui , substituída
por um breve ensaio de prazer
a aquecer meu sangue.


Quero vida. Tenho apetite.

Meu paladar enfarado desabrocha.

O dia traz um fardo de obrigações.

Com o sol, renasce o instinto,
sobre o qual o mundo ferve
em espasmos de desejo insatisfeito
Mas a noite o burburinho cessa
e a angústia dorme nos exauridos
Então, viver tem sabor de escolha
e frescor de novidade.

É quando desperto ávida

pela vida escassa

Iriene Borges
Quero dizer coisas mórbidas!
Meu corpo esta no chão
Eu o trouxe abatido
Arrastando no asfalto
Exposto aos olhos curiosos
E impassíveis dos passantes
E eu também passava
Em vagarosa indiferença,
Consciente da conveniência
Que lhes traria o esquecimento.
Quando cheguei em casa
Me pareceu não ter utilidade
Então em meus experimentos
Deixei para ser pisado
Como de costume,
No chão, para ser surrado
Pelos meus passos asperos

Iriene Borges

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Terra do Sempre

Se digo-te tantas e
Tantas vezes :
-Veja !eu te vejo !
E respondes que não compreendes ,
ato simétrico ao rito
em que te negas a minha frente.

Eu ;
com minh'alma rente a tua
e ao mundo todo
a nos consumir no entorno
de Ser/Estar aqui ,
ênclise do elixir
em caravana certa

segue desperto,

o sol erétil
no tule tenro
do céu.

Ricardo Alejandro Pozzo

terça-feira, 3 de junho de 2008

A Outra

Pior do que não ser amado, é ver o seu amor correr na direção de outra. A outra é um assombro pra quem assiste imóvel, aqueles braços que eram só seus se aconchegar nos braços dela.
O que ela tem de diferente, de melhor ou pior? O que faz ele correr numa direção contraria a sua; e ir exatamente na direção dos beijos dela?
Toda mulher que assiste o cara que ela ama se deixar levar por outra, perdenem que por alguns segundos, a racionalidade, os sentidos, o senso de direção e muitas, do ridículo.
Não é fácil engolir ser trocada (mesmo que algumas vezes), muito menos ver o passado dos dois pendurado na janela arriscando-se por um presente com alguém que não tem uma história com ele como a que você teve algum dia (e sonhou seria eterna).
Várias coisas incomodam, chocam e remoem os pensamentos. Vontade de jogar aoutra de uma ladeira qualquer e faça ele voltar correndo exclusivamente pros seus braços. Vontade de dizer meia dúzia de verdades (algumas dizem) pra aquela que esta fazendo ele "perder o juízo"; vontade de atingir qualquer coisa ou qualquer pessoa relacionada a quem esta "roubando" o que você supôs ser tão e somente seu.
Eu me solidarizo com as mulheres que estão ou pensam que estão perdendo seuamor pra outra, porque sei o quanto de profundo existe nessa dor: imaginar o que a outra e ele fazem quando estão juntos, imaginar o corpo dele tão necessário pra você tocando o corpo da outra, imaginar que eles estão construindo laços juntos, rindo juntos (quem sabe até de você), imaginar o quanto da sua presença pode ou não existir entre eles. Sangra essa dor de vigiar o tempo passar. Um tempo que foi só seu e hoje esta mudando o amor da sua vida de lugar, sem que você por mais que chore, possa fazer alguma coisa.
Não existe um culpado apenas, nos triângulos amorosos. Todos são culpados. Porque nenhuma relação começa e termina unilateral, mesmo que abandonar o barco tenha sido decisão dessa ou daquela pessoa.
A outra, pode ser um problema maior ou menor do que você imagina. E no final, tudo depende de como você escolhe conduzir o seu amor por ele.
Existem dois caminhos: chorar a existência da outra semeando o mal ou chorar a existência da outra semeando o bem. Se escolher a segunda opção, pode até ser que você não fique com ele, mas colhera os bons frutos que a vida só disponibiliza pra quem até no amor, joga limpo...


Fabiana Borges
(postado originariamente no extinto site 'opinião e Informação )

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Amor

Em torno de você os sentimentos se aglomeram
Parece que tomei esta alma emprestada
E ela saudosa busca em frenesi, alvoroçada
Retornar a você e meus temores não cooperam
E sigo ouvindo pranto, revolta, clamores
E todo curto silêncio é prelúdio
De mais um desconcertante assédio
De sua presença em meus sentidos e valores


Iriene Borges


Se eu pusesse em uma única palavra
A dor que em minha alma aflora
Esta de imediato deixaria de ser palavra
Pois perderia o sentido na mesma hora

Por isso as palavras fogem à boca
Escapam do meu raciocínio
Quando a dor no intimo me ataca
E se alastra num furor assassino

E eu corro, quase louca, atrás delas
Felina faminta cercando a caça,
Desfaleço de fome sem saciar-me nela

Por esse fracasso desconheço a ventura
E crio intimidade com a desgraça
Da dor que em mim perdura

Iriene Borges




Após estancadaságuas

Tempestade furiosa
lagoa espelhas olhos contêm e vêem
céus

Dentro e no fundo de si
umidomundo fecunda marés.
Carlos Sousa
Infinita em lavas e ângulos

Quem a todos a tudo abraça

feito fúria sútil

Sutileza visceral, gentil e fatal

como loucura vital

equilibrando mundo em eixo

apoiado e feito de nada

mesma matéria contido

em frente e dentro do espelho.

Carlos Sousa