domingo, 30 de dezembro de 2018

CONLUIO



Deus das terras ofendidas, das montanhas abandonadas,
dos tributos que converteram o refúgio em tempestade.
Deus das flores rasgadas, das tribos afastadas de seus avós,
do pasto que perdeu suas sementes para outras esferas.
Em uma próxima geração ressurgem todos os erros.
O poderoso domínio da ansiedade não tarda muito,
nada o impede de converter vigias, arautos e carpideiras.
O dia é testemunho de um milagre humilhado,
de um pomar que não se reconhece em seus filhos,
de uma falsa viagem que nos reconforta por repetir-se.
Deus que a todo instante não se cansa de multiplicar-se,
deixemos um pouco de rastro em cada sofrimento,
para que não sejamos sempre as mesmas vítimas gastas.


 Floriano Martins

in  365 POEMAS & FOTOS | 361





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