sábado, 11 de junho de 2016

UM GOLE DE POESIA


Assis Coimbra. (Engatinhante na arte da vida e do cordel)

Um gole de poesia
Guimarães Rosa tomou,
Para escrever Sagarana
Que muitos contos narrou.
Entre eles Sarapalha
Drama, bonito e sem falha
QUE O TEATRO CONSAGROU.
*
Baco transformou uvas
Em vinhos com poesias,
E o povo comemorou
Bebendo todos os dias.
Assim fizeram cortejos,
Com farra, sexos e beijos,
NAS MSIS PROFANAS ORGIAS!
Direitos autorais protegidos

Pela lei 9.610 de 19/02/1998

A REINVENÇÃO DA ESPERANÇA


O meu poema quer o amanhã
a imagem utópica do paraíso
a terra prometida,
uma outra vez. . .
O meu poema quer realizar desejos
trilhar estradas aventurescas
atento aos que vendem sonhos,
mas não os entregam. . .
O meu poema quer reinventar a esperança
destruindo muralhas com rolos-compressores
incendiando o castelo das mentes emboloradas
com um lança-chama de metáforas. . .


- por JL Semeador de Poesias, o José Luiz de Sousa Santos –

NOITE TRANSGÊNICA


O tráfego está livre. Folhas de outono no chão!
Há um friozinho que faz arrepiar o corpo. Bocejo.
O pensamento está quieto. Não arrisco refletir.
O vento sopra, as árvores balouçam. Céu cinzento!
Murchos estão os astros. Não piscam. Nem iluminam.
A quietude traz um silêncio que azucrina os tímpanos.
A noite desfalece perante a angústia que grita a sós.
Até a luz dos olhos ameaça trancafiar-se. Agonia!
A boca está seca. Os lábios ressequidos. A voz rouca.
Súbito pesadas gotas d’água despencam das nuvens.
Muda o tempo. O calor sufoca. O suor escorre. Tensão!
Chuva e temperatura quente... É a alma que se bronzeia!
O sono despediu-se. Saiu a passear. A vigília é tenebrosa.
Há um certo movimento do corpo que rola aqui e acolá
Sobre um catre que é confidente das sensações urdidas.
Porém na tela da imaginação não há aclive, nem declive.
Tudo está oco como se oca fosse a amargura. Tosse.
Ambiente tétrico. As luzes se apagam. Um certo terror...
Leve pânico se faz sentir. A solidão é um apêndice etéreo.
Intermitente, a tempestade se prenuncia. Ligeira claridade.
São relâmpagos que boicotam a excelsa maciez da noite.
Intensa trovoada povoa os alicerces da madrugada unguenta.
Mortalhas rasgam os espaços e levam longe os segredos.
Circuitos se escutam além das portas. São os raios úmidos!
Grande vontade de gritar. Vociferar diante do tempo surdo.
Horas tediosas assassinam saudades e respiram melancolia.
Sonhos sonâmbulos se apoderam de receios pálidos e tímidos.
Sede e fome são fotografias que registram o âmago aflito.
O coração não pulsa... Ribomba e deixa a aorta atordoada.
De repente tudo se transforma. Sente-se o viço do orvalho!
É a alvorada que chega cheia de beleza e indizível esplendor.
DE Ivan de Oliveira Melo


Do escuro saem as vozes
Das vozes o susto
O beijo seco no canto da boca
No corpo o escárnio justo
Cristiano Farias
Sobre o vale das minhas quimeras
Quero deixar os sonhos de sal
Até a longitude das lagrimas
No vendaval apagar tantas nuvens
Que me fizeram tempestade,
Regar tantas flores possíveis
Ornamentando bondade
Terminar este poema riscado
Quase metafisico em matéria muda
Em enfeites de pensamentos açucarados

Rai Nonato

Das razões da vida


.
Quando a leviandade e a hipocrisia
forem banidas do nosso meio,
o que dantes soava como falso, se perderá;
e então a voz da razão sobreporá a voz tacanha.
.
Quando o homem enfim entender
que só terá sentido a vida
dividida em partes iguais entre os iguais,
então os diferentes, não mais indiferentes serão.
.
Quando a soma entre os povos
for mais proveitosa que a divisão,
a subtração terá menos importância
e fatalmente perderá terreno frente a multiplicidade.
.
Marçal Filho
Itabira das Gerais

10/06/16

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Mote para Crônica


Saímos da aula com o dever de anotar, até o fim do dia, flashes motivadores para uma crônica.
Na porta do prédio encontramos com um senhor de uns 70 anos vestido com roupa domingueira. Pediu-nos dinheiro para voltar a Pirapora. Contou-nos, em lágrimas choradas de dor que fora assaltado na Rodoviária. Era preciso alguma coisa mais impactante para servir de mote. E seguimos caminho até um shopping. Compramos o que deveria ser comprado e retornamos ao estacionamento. Uma camionete estacionara em fila dupla fechando o nosso carro. Solicitamos a um guarda que nos ajudasse a empurrar o veículo obstruidor ou que o multasse. O guarda deu de ombros e disse que era tarefa do lavador de carros e virou-nos as costas. Também não era assunto merecedor de uma crônica opinativa. Muito engraçada foi a cena que vimos logo depois: a mocinha escancarou a porta do seu automóvel e em seguida abriu um guarda-chuva. Medrosamente esgueirou-se e colou a cabeça no guarda-chuva. Não queria se molhar em hipótese alguma. A vaidosa moça certamente passara o dia no cabeleireiro. Foi engraçado porque não estava nem chuviscando. Era um episódio muito ridículo para ser anotado. Chegando em casa vi imagens de um pavoroso incêndio na indústria química instalada entre residências. Considerei o tema óbvio demais para ser registrado.
À noite fomos ao aniversário e posse de um amigo na Academia de Letras de Brasília.
Comentamos que aquele era o desejo de todo homem, ter saúde, inteligência e naquele momento ser tornado imortal. Também não anotamos o que ponderei ser obviedade.
Já em casa fiquei feliz. Ele deitou-se na cama enquanto e eu deitei-me no criado mudo. Por preguiça de gastar a minha tinta, convenci-o de que nada valia a pena ser escrito.
Roberto Klotz

Sabor

Nuances de rumores incompleto silêncio

nas sombras das dores.




Passagens da vida

em nuances de cores

do amargo ao doce.




A vida tem diversos sabores




Deisi Perin
po&teias
-- Você tem razão! Fique tranquila , amor.! Percebi que sua prima está se insinuando, fazendo biquinho e charminho. Aquela hora após o jantar quando ela lambia a ponta da colher de sobremesa me olhando, senti que o clima ia esquentar! Quem ela imagina ser! Não tenha ciúmes, amor! Você sabe que só tenho olhos para você. Ela pensa que só porque usa aquele decote, veste aquele vestido preto, com aqueles cortes nas coxas, porque é bonita, inteligente e sedutora, vai mexer comigo, vou reparar nela? Está perfeitamente enganada! E tem mais, já estou puto com a situação!. Vou pegar ela no canto de jeito, ela vai se fuder comigo!

JDamasio

IMPORTANTE ESCOLHA


Sua mente é como a sua casa, só
entrar quem você convidar...
Seja seletivo. Escolha quem lhe agradar
É importante saber selecionar 
Pessoas com quem vai se relacionar
Antonio Melo
São Luís - Ma.
08-06-2016
Recolho-me na escura caverna,
Onde nem as sombras me distraem
Desta mágoa hodierna
Que continuamente me inferna,
Quais lágrimas que caem
Sem que meus olhos desmaiem
E se cerrem nessa noite eterna
De sonhos que p’rá morte me atraem…
… e soubesse eu disto que me prosterna,
Não ficaria a ver as veias que se esvaem,
Rasgadas p’lo ímpeto que me desgoverna.
Luís Corredoura 

O Menino Que Dividiu as Muletas com o Amigo


Era uma vez um menino especial
Que não tinha uma das pernas
Mas que sonhava com o astral
E suas estrelas cintilantes e eternas!

Ele andava com a ajuda de muletas
Mesmo assim assistia e jogava futebol
Na escola fazia gol, nos cadernos, com canetas
E no estádio era um verdadeiro raio de sol

Um certo dia, ele subiu em uma das suas muletas
Para assistir a um jogo de cima das altas muretas
Mas seu amigo ficou embaixo e também queria olhar
Para este jogo sob a benção do divino luar!

Ele emprestou uma das muletas para o outro menino
Que, assim, também assistiu ao jogo por cima do concreto
Todos nós temos muitas muletas em nossos destinos
Porém dividir sempre é o caminho correto!

Todos nós temos muletas para nos apoiar
Quando queremos assistir a um jogo distante
Mas devemos usar estas mesmas muletas para ajudar
O nosso próximo de uma forma elegante e brilhante
Elevando sua alma ao céu como estrela cintilante.

Luciana do Rocio Mallon

Vertigem 13


a chuva estende seus braços de prata
na manhã de cinzas
o outono é um furacão em chamas
no corpo da terra
preciso aprende a amortecer no peito
as sementes que explodem frutos
dois pássaros trepam no fio elétrico em frente
alice me disse que não são rolinhas
o quintal está farto de mamão papaia
e os cajás completam a refeição do dia
no bar do queijos uma cerveja aplaca a minha sede

Artur Gomes

quarta-feira, 8 de junho de 2016



Eu uso óculos. Não usava. Ando sem paciência. Às pressas. Canso-me, à toa. Tive namorado. Marido. Filhos. Sei dirigir. Carros. Adoro bicicleta. Não sei equilibrar. Caminho muito. No sol das manhãs. Na chuva vou mais longe. Nem em pensamento eu faço ginástica. Mas escrevo. Curto e rigoroso. O dia inteiro. À noite. De manhã. O ano todo. Transbordo. Leio desde sempre até o esquecimento. Durmo pouco. Muito, de vez em quando. Não tenho amigo. Tristeza é cinza no horizonte longe. Rezo. Porque o juízo grita. Sem pecado. Ardo. Gosto de vinho. Da cor branca. Café com pão de queijo. Nasci nas montanhas. De tardezinha tenho saudade. Do quê. De quem. Calo-me dificultosa. Sou esquisita. Que me lembre. No meu peito trago escritas menos ignorantes. Que não conto. Prosa. Tenho falta de sabedoria. E angústias de muitas formas. Se olho para trás, choro. De minha mão nunca escorrem fúrias. Nem de minha boca iras. Não gosto de ir à luta. Volto no corpo quebrada. Trabalho duro. Não vivo sem água. Ar. Terra. Fogo. Mato. Céu. Inferno. É do sangue. O que vier eu cismo. Poesia.

[Rita Schultz]

Hebron




DOMINGO


imagem e avião: assim na terra como no céu
os passarinhos são santos
imagem e contramão: ai de nós que bebemos
e esquecemos os ninhos

asas e liberdade: seja feita à vontade da voz/ no bico do papagaio

 [Josealoisebahiabhzmg: Nov2013]
Se a vigília de minhas mulheres
crescesse a noite,
as horas do meu sono
convertidas em dano,
e meus braços, provisórios,
tocassem esse aqueduto
com a luz da obscuridade,
com a fragilidade das estrelas
nadaria,
refeita, rebenta, reconhecida.

Roberta Tostes Daniel

(2013)
passos nas urtigas da estrada
alcanço estrelas
ao andarilho que não chega
empresto gastos
os calçados que também não tenho
seus pés esmagam minha ira
lampejos de olhos pardos
iluminam o caminho
abandono a bandeira que se desfralda
desfalece o mito
singro o risco das escaras
sangro pelas chagas
sem ressurreição

Robson Pereira Gonçalves
Escrever, produzir um material escrito para acrescentar algo à cultura, implica numa boa dose de lida com a castração. Não conseguiremos empregar a contento todo nosso ideal. Temos que lidar com a incompletude e isso não é necessariamente ruim...damos espaço para a continuidade, o tema não se encera, não produzimos a palavra final, deixamos faltar justamente o que engata que outros produzam

Andreia Moessa  de Sousa Coelho

terça-feira, 7 de junho de 2016


A TELA E EU
“Grito” de Munch
Estupor
Raspas do limão da alma
Fumaça do escândalo
Solidão emparedada
Pelos ginetes sem Deus
Intrusos em nossa cena
“Grito! De Munch
Estupor
Fumaça do limão
Estilete em minha carne
Tua palavra
Tatuada:
NÃO!
Bárbara Lia in NooN (21 gramas)
Estupor
Raspas do limão da alma
Fumaça do escândalo
Solidão emparedada
Pelos ginetes sem Deus
Intrusos em nossa cena
“Grito! De Munch
Estupor
Fumaça do limão
Estilete em minha carne
Tua palavra
Tatuada:
NÃO!

Bárbara Lia in NooN (21 gramas)

meu


Decerto, os meus poemas
São lunáticos
Visto que descerram a vida
Dos seres apáticos
Não precisam de palmas
Para subirem à tona
Vermelha é a cor da chama
Que flamba o coração do homem
Que simplesmente ama
E com o impulso da alma
Plana.


(Adelaide N.)

Idade de Ouro II


Tem gente que diz: tudo que sei foi a vida que me ensinou.
Eu, de minha parte, digo: a vida não me ensinou nada.
Gazeei as aulas que ensinavam a vencer na vida. Levei bomba
na teste de suficiência em situações práticas. Acho que cochilei
na lição de como fazer amigos e influenciar pessoas.
Só sei que a vida me desensinou tudo.

Olw

PARTITURA


Perplexidade, raios de um sol
que redesenha seu centro;
essa matéria tão delicada,
ferozes epitélios da flor;
deslizando das pupilas,
revoluta, para outro mar,
após tingir o flanco da noite.
Fosse apenas o perambular
em outra relva, seria tema
de chanson; dissociada de mim,
reclinada em lua minguante,
seria musa de retrato fauvista,
excedendo o rubro tigrino.
De todo modo, um dia vou

felinizá-la em partitura.

Claudio Daniel
 Os blogs não eram mais do que simples diários onde as pessoas engavetavam emoções neste emaranhado virtual e etéreo da web,que por sua vez principiara para atender as demandas acadêmicas e militares.

Em curto espaço de tempo esta nova mídia foi ensejando um novo tipo de meio-mensagem  ,onde os domínios do subjetivo, íntimo, privado foram se espraiando para uma nova forma de sub-literatura,fora dos cânones acadêmicos, mas  ainda amadora .

Contudo hoje em dia convivem meros rascunhos , como quartos de dormir mal arrumados diante de uma porta escancarada para um olho imenso que a tudo devassa enquanto cegos enquanto se tropeça nas roupas , espalhadas pelo chão.

Com efeito podemos discorrer sobre a sociedade de fim de século, época de transição , de grandes transformações marcada por uma diversidade de formas e camadas de relacionamentos inusuais á poucas décadas, onde o ciberespaço cumpre o papel de ponte fantasma entre a inconstância, o delírio e a pseudo profundidade dos contatos que em certo sentido aboliram a interação física;relações superficiais na contradição a  abertura total a desinibição,incluindo a  intima e a erótica em níveis não do experienciado mas do imaginado.

Quanto ao blog em questão nos remeteremos a sociedade vídeo- adicta , onde o tempo é variante adversa daquela empregada na leitura do livro,o lead e a informação direta, não necessariamente objetiva predominam ,isso em parte já ocorria na literatura ,as short-stories e as crônicas, os minicontos  nos jornais; estórias ligeiras. Embora seja platitude ficarmos nesse argumento. Não esqueçamos do fenômeno dos e-boocks. As questões que se apresentam :

1) os leitores dos e-books são os mesmos que cultivados  pela leitura dos livros de celulose e seus filhos herdeiros de tais acervos culturais, leem os dois meios ou não?

2)Como ficaram as editoras nesse processo ?

Penso que haverá uma multi- coexistência de maneiras de absorver literatura e cada geração resgatará no espírito de sua época as cores , as paisagens de suas letras,como fora no passado e assim é no presente.

No que se refere ao efêmero do postado,digerido ou não apenas mantém a força breve das breves lembranças,profundidades não trazem a tona o que a juventude busca.Tempestade e ímpeto.Um tiro de uma frase certeira , um conciso veneno ou elixir, bastam, não é a  demanda do Santo Graal.revelações profundas ainda são o continente de um bom livro ou de um e-book, talvez.
Com relação ao ocorrido com o referido blog, então denominado Pó&teias  sou de opinião, que as repetições nas postagens, tem mais a ver com o caráter pré-profissional que induzem seus colaboradores a erro por mero esquecimento do que fora postado, creio que se houvesse algum mecanismo que lembra-se que tal ou qual texto já fora publicado, não haveria  tal fato.Uma questão de ordem técnica.

De outra ordem é a qualidade dos textos e a Leitura que deles se fazem pelos leitores “virtuais’,o primeiro pode ser lapidado , filtrado, quanto aos leitores que ora também podem vir a se tornarem colaboradores, está muito ligado a alguns fatores de proximidade seja  de comunidades de relacionamento virtual de perfil literário ou participes de grupos poéticos e de escritores em sua maioria frequentadores dos mesmos espaços culturais urbanos boêmios ou não, e sim os anônimos presos nas teias do ciber-espaço.


Wilson Roberto Nogueira

Sede

Eu tenho sede de viver grandes emoções
A alma pede a poesia que verte da tristeza
Tento disfarçar a excitação em sutilezas
Mas desejo, sôfrega, o vigor das paixões

E mergulho em olhares amargos, soturnos
Intrusa, buscando suas dolorosas histórias
E rasgo caminhos nas próprias memórias
Para melhor sorver a dor de seus infernos

Assim sinto um pouco de vida nas veias
E sou parte de algo por um momento
E mais eu mergulho e nunca a contento

Até me misturar às feridas alheias
E a tragédia humana a latejar , enfim
Silencia o tédio a sussurrar em mim

Iriene Borges

(So)neto

Detesto que me perguntem como vou
Vou como melhor me convém
Por onde possa ir só, em silêncio, bem
E só quando eu quiser notem onde estou

Não gosto que perguntem como sinto
Sinto-me sozinha em terra estranha
Sinto tudo o que em minha alma contenha
E ainda as sensações do mundo pressinto

Quem sou eu? Sequer ousem perguntar
Sou labirinto de perguntas; as respostas
São o motivo desse meu solitário vagar

Não me perturbem. Desejo contemplar
Até saber do que estas amarras são compostas
E de que maneira poderei me libertar

Iriene Borges
Dentro da tela do computador moravam mensagens de amor e amizade.


Precisou de uma mão; de um não quando se jogou da janela.

Sua foto foi parar no zétube com milhões de acessos.

O espelho da fama da jovem modelo banhada de vermelho.



Wilson Roberto Nogueira

FAZENDO A MALA


Na tarde fazia vento
No quarto eu fazia a mala
Não mala grande pois viagem curta
Nem mala era simples mochila
No peito fazia falta
Nem sei se de ar ou de abraço
Na mala sobravam camisas
Na tarde o calor sufocava
Montanhas de roupas espalhadas
Na mala – mochila – faltou espaço
No peito fez-se um vazio
Na tarde bateram as horas
No espaço da tarde mala peito
Nada ao vento um peixe azul-marinho
Nas barbatanas carrega um sino
Novamente baterão as horas. . .

- por JL Semeador de Poesias, para Mario Quintana e Manoel de Barros, na tarde de 13/11/2014 -

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Nascer do sol
Antes do fogo apenas o raio
cruzava o céu como um dardo de deus
iluminando sua ira.
O poder que derrubara a árvore anciã
e expugnara a mata sedenta
com a fúria de uma legião
rubra e escaldante
pondo em fuga leões
e semeando de pó negro
a colorida vida.

Mas eis que coube ao homem
roubar o fogo
antes de outro deus
e cingir-lhe ele próprio
a coroa do elementar
e em matilha levantar
cerca humana com as tochas
á conduzir por pavor
rebanhos inteiros ao penhasco
cavalos e veados,
pobres imensos mamutes e ferozes ursos.
os raios continuam rasgando os céus,
mas o homem já não é mais o primata assustado
presa preferncial de tigres e leopardos.

Conta-se que um Deus tentou roubar o fogo Divino
e foi punido.
A punição do homem é incendiar a sí próprio
com os cogumelos de luz nas estúpidas celebrações da barbérie
onde os animais predadores se mostram superiores
á tais deuses da razão.

            Wilson Roberto Nogueira


sábado, 4 de junho de 2016

1985

Pingos que se esticam da torneira à pia assimilando o tempo feito de exímio silêncio à deriva dessa dúvida que nos sobra, ser. Poesia nossa mira.All the way o mesmo rio que passa papo bélico movente com biglobo vereda de estrelas atreladas na aba do samba olhos em riste pulsando não ao que não transgride ou transmuta balada  & doçura implícita no cardíaco replique pandeiro ora gaiato ora operístico en garde nosso míssil sobre o que se varre a preço vil beleza mímica elegante química mandala , estilo de garra, suavidade apocalíptica.

Ledusha Spinardi

Morta sobre o piano

Pelo corredor farpas de luz arfam no vão das portas cegando seus passos assimétricos, tal é o breu que lhe tingiu a alma ao ouvir o acorde bizarro. Busca no áspero da tarde os cacos da improvável melodia. Uma nota aflita se esvai pela janela da casa azul em frente . Aproxima-se da vidraça embaçada : olhos de de lívida ira ,torta ternura . Com a cara despedaça os vidros adormecidos que eriçam unhas e dentes na sua garganta e dela medra-se um grito horrendo antes de tombar na calçada forever.

Ledusha Spinardi. Risco no disco.18/07/1999.FSP

Projeto Na/Da cidade


Vertigem 12


o barro do valão
que os meus pés pisaram
impregnou o sangue
transpirou os poros
o limo embaixo das unhas
lembra-me o lugar de onde vim
pre-destinado a ser poeta
não tracei a linha reta
já nasci um anjo torto
nada em mim se concreta
no meu sonho - desconforto
não gosto de automóvel
muito menos televisão
tudo em mim é impossível
até mesmo inexplicável
muito mais que inalcansável
cresci dentro do mato
conheci olho de cobra
pulo felino de gato
dentes afiados de cão

Artur Gomes Gumes

http://fulinaimicas.blogspot.com.br/…/com-os-dentes-cravado…


Lenda da Cachorrinha Cacau na Páscoa e da Loja Coelho


Uma vez fui com o meu avô, chamado Roque, comprar roupas para ele numa loja intitulada Coelho, que até hoje existe e fica perto da Praça Osório, em Curitiba. Como estávamos perto da Páscoa, o dono que também chamava-se Coelho, contou –me a seguinte lenda abaixo:
Era uma vez uma menina que morava no Centro de Curitiba e tinha uma cachorra marrom chamada Cacau. Um certo dia, este animal fugiu do apartamento e foi parar na frente da loja Coelho. Então o dono, ao ver o pobre animal, ofereceu comida. A partir daquele dia a cadelinha passou a morar na frente da loja.
Uma vez a pobre engravidou e deu à luz apenas a um cachorrinho que o dono batizou de Chocolate por ter a cor deste doce.
Numa linda tarde, perto da Páscoa, uma menina viu os animais em frente à loja e gritou:
- Mãe, achei a Cacau!
A cachorra latiu e foi em direção a esta garota. Deste jeito, as duas se abraçaram.
O dono do estabelecimento perguntou:
- Ela é a sua cachorrinha?
A menina respondeu:
- Sim e chama-se Cacau.
O homem apontou para outro cão e disse:
- Este é o filho dela e eu dei o nome de Chocolate.
- Moral da história:
- Cacau deu origem ao Chocolate, na toca do Coelho, bem perto da Páscoa. Pois a fé sempre coloca as pessoas e os animais nos seus devidos caminhos.
Realmente, esta foi uma lenda inesquecível que até hoje guardo em minha memória.
Aconselho a todos a conhecerem esta loja, chamada Coelho, porque ela é um lugar realmente mágico e maravilhoso.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda da Expressão: Sair do Armário



Todos sabem que na gíria, quando uma pessoa resolve assumir a sua homossexualidade, bissexualidade, ou, até mesmo assexualidade é comum usarmos a expressão: sair do armário.
Porém, o que poucas pessoas conhecem é como surgiu esta gíria.
Reza a lenda que na Roma Antiga, existia um imperador chamado Júlio César, que sofria de epilepsia e fazia de tudo para esconder este detalhe das pessoas. Mas ele tinha um secretário, chamado Otávio, que também cuidava de sua saúde e segurança.
Um certo dia, este imperador estava experimentando roupas em frente ao seu armário aberto. Quando, de repente, teve um ataque epilético fazendo com que seu corpo entrasse neste roupeiro, cuja a porta fechou-se sozinha.
Otávio, que estava procurando seu patrão, assustou-se ao ver algo se mexendo dentro do armário. Assim, ele abriu a porta, viu seu chefe se debatendo e tentou retirá-lo. Porém, caiu dentro do mesmo roupeiro, cujas as portas se fecharam sozinhas.
Uma das empregadas da limpeza ao perceber os movimentos dentro do armário, abriu o objeto, viu dois homens se debatendo, maliciou a cena e chamou todos do palácio. Logo, a mãe de Otávio gritou:
- Saiam logo do armário!
O boato espalhou-se por Roma inteira e o bordão pegou.
O interessante é que semanas depois do ocorrido, Júlio César falou numa festa, após beber muito vinho, que seu maior sonho era ser “o marido de todas as mulheres e a esposa de todos os homens.” Também, depois do episódio do armário, ele passou a namorar Nicomedes IV, o Rei da Bitínia.

Luciana do Rocio Mallon

domingo, 29 de maio de 2016

Lenda da Bailarina do Dia dos Namorados


Era uma vez uma moça chamada Karen que morava em Curitiba, tinha os pais muito rígidos e fazia aulas de balé clássico. Um certo dia, ela conheceu um rapaz chamado Marcelo quando ia usar a Lan House gratuita da Agência do Trabalhador. Os dois passaram a namorar, às escondidas, na Praça João Cândido, que era um local quase deserto. Lá, Marcelo costumava tocar seu violão enquanto Karen, vestida de bailarina, dançava para ele. Assim o moço apelidou sua amada de: Bailarina de Caixinha de Música.
Quando chegou o Dia dos Namorados, Karen teve a ideia de fazer uma surpresa ao seu amado. Ela emprestou de sua amiga, chamada Cíntia, um baú de circo semelhante a uma caixinha de música gigante, onde cabia uma mulher pequena dentro. Deste jeito, ela marcou encontro com o namorado, na mesma praça. Mas escondeu-se dentro do baú com a esperança de que Marcelo abrisse esta caixa de música gigante e ela saísse de dentro dela, concretizando assim a surpresa. O problema é que o rapaz não reparou no baú, ficou esperando sua amada e, cansado de aguardar, foi embora. Um casal, de “carrinheiros”, que estava passando pelo local resolveu abrir o baú e encontrou Karen morta dentro dele.
Algum tempo depois, o mesmo baú foi vendido para um brechó da Rua Riachuelo. A dona da loja notou que existia uma boneca de bailarina feita de pano, do tamanho de uma mulher pequena, dentro desta caixa e resolveu vender o objeto junto com este brinquedo. Um certo dia, uma idosa comprou este baú e deu para Tati, sua neta. A menina notou que havia uma boneca dentro da caixa e deixou o brinquedo lá dentro.
Quando chegou o Dia dos Namorados, Tati exclamou:
- Chegou mais um Dia dos Namorados que passarei sozinha!
Porém, uma voz de dentro do baú disse:
- Eu posso ajudar...
Quando a menina abriu a caixa, notou que havia uma mulher vestida de bailarina com o mesmo rosto da boneca. Assim perguntou à moça:
- Quem é você?
A jovem respondeu:
- Sou uma dançarina que morreu tentando fazer uma surpresa ao namorado no Dia 12 de Junho.
- Você poderia entrar na Internet e procurar o perfil do meu amado?
Tati achou a página do amado da bailarina nas redes sociais. Mas mostrou à moça que ele estava casado. Karen chorou até se evaporar em forma de nuvem e foi até o céu.
Reza a lenda que se você olhar para o firmamento e avistar uma nuvem em forma de bailarina será a Karen dançando no céu. Porém se você encontrar esta nuvem, no Dia dos Namorados, deverá pedir um amor para sempre que será atendido.
Luciana do Rocio Mallon


PELOS (de ratos)

 Oséas Rodrigo Rego Ferreira

Pelos povos brasileiros
De Norte a Sul, Leste e Oeste
Pelos heróis do Nordeste
Por proletários guerreiros
Pelo suor dos roceiros
Pelo pão de cada dia
Pela carta de alforria
Festejada na senzala
E um Brasil que não se cala:
Meu NÃO para a hipocrisia!
Pelos que foram findados
Nos porões da ditadura
Aos que sofreram tortura
E aos que foram exilados
Por cada corpo chorado
Por toda mãe que sofria
E todo pai que não dormia
Chorando a perda de um filho
Por um país com mais brilho:
Meu NÃO pra demagogia!
Pelos mártires de Eldorado
Pelos milhões de Allendes
Por Betinho, Chico Mendes
E Marighella assassinado...
Por um povo maltratado
Padecendo de agonia
Que se enche de alegria
Vendo a água no sertão
Por nossa transposição:
Meu NÃO pra essa tirania!
Pelos que venceram a fome
Pela expansão do REUNI
Pelas bolsas do PROUNI
Pelo FIES, pra que some
Fazendo o pobre ter nome
Que só rico possuía
Medicina, Engenharia
Odonto, Fisio e Direito
Por um Brasil com respeito:
Meu NÃO à peniafobia!
Por Deus e por Oxalá
Por Cristo e por Maomé
Pela Umbanda e Candomblé
Por Buda e pela Torá
Por Lutero e o Orixá
Por Kardec e por Maria
Pela fé que profecia
Por ateus e outros mais
Por sermos todos iguais:
Meu NÃO pra xenofobia!
Pelos pelos desses ratos
Eu sinto imensa vergonha
E pelos sonhos de quem sonha
Pra sempre seremos gratos!
Pelos brasis de retratos
De gente que pensa e cria
No teatro, na poesia
Na música, esporte e na dança
Por um país de esperança:
Meu NÃO pra essa oligarquia!
Pelos povos das favelas
Pelo nosso agricultor
A honra do professor
Mais comida nas panelas
Negros, índios: Raças belas
Direitos da minoria
O sonho da moradia
Por nossas grandes conquistas
Por um país sem golpistas:
MEU SIM À DEMOCRACIA!"

Sarau Engajado

sábado, 28 de maio de 2016

Fazer poesia


é um gesto de recusa:
estou hoje aqui, cheio de memórias
e afetos,
e não estarei um dia em lugar nenhum...
Mas fica aqui lavrado
– em palavras que o tempo levará também –
o meu protesto.

Otto Leopoldo Winck
Olha aqui mulher, tem uma coisa que está engasgada na minha garganta e não é de hoje, você me falou tanto, eu nunca respondi a altura. Não me venha falar que não é hora e nem que estamos em lugar publico. Agora chega! Por tudo que me fez, vou falar alto e bom som, foda-se os passantes que se incomodarem, eu te amoooo! JD


eu antevi meus olhos de cimento,
lúgubres. estado tosco, a alma se valia
da ampla podridão que me restava.
histérico e vão eu soluçava
em retirar dali, aos solavancos,
a pressa de enxergar algum tormento.
eu vi e vi meus olhos de cimento.
(lúgubres, estado tosco)

- Romério Rômulo Campos Valadares, em "Per Augusto e Machina". São Paulo: Editora Altana, 2009.

Abraço


Quero te dar um abraço modesto
do tamanho do mundo
pequeno em relação ao universo
enorme para nossos passos
Quero te dar um abraço profundo
que surpreenda as almas
apesar da idade
e que a gente morra quando se aperte

- Nei Duclós, em "Outubro". Porto Alegre RS: IEL; Nação, 1975.

Fragmentos


I
Minha alma é pequena
e minha memória menor ainda.
Não fosse isso estaria mais perto
daquilo que me corrói:
o leite derramado.
II
Não vou me encontrar
se não encontrar em outra parte
A parte de mim que não responde:
Grito soterrado.
III
Já tentei acertar contas
com Deus e o Diabo
E as terras do sol.
Mas minha dívida
é comigo mesmo.
IV
Julgador e julgado
Réu e juiz
Não há farsa
nessa trama
Mas haverá proclamas?

- Rubens Jardim, em "em "página do autor". 2014.

Palco iluminado I


Preciso agora da calma
de quem joga a vida, a alma
no mais deslavado blefe:
mãos firmes e voz cortante
e os olhos desafiantes
de quem aguarda um tabefe.


- Braulio Tavares, no livro "O homem artificial". Rio de Janeiro: 7Letras, 1999.