segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

BASQUETE, O NÚMERO OITO E O BOLO DE FUBÁ



Pelos idos de 1964 tínhamos um bom time de basquete composto por piraienses que estudavam no Colégio Agrícola de Ponta Grossa. Alguns faziam parte da equipe principal do colégio e outros batiam bola junto. A formação era eu, Roberto Fanchin, o Joélcio Rolim de Moura, o Sérgio Doff Sotta, o Lúcio Solak e o Edson Borba.
O time era bem treinado e tinha um bom conjunto. Eu, o Lúcio e o Edson segurávamos as pontas atrás, o Sérgio e o Joélcio corriam bem, lá na frente.
De quando em vez, e quando íamos passar o final de semana, éramos desafiados pelo time de Piraí, do Jorge Vargas, do Dalton Volaco, do Lúcio Xavier, e outros “craques”. Nós apanhávamos de todo jeito, tanto no placar como nas faltas. Tínhamos melhor técnica, porém eles tinham mais força física. Eram mais velhos e não se importavam muito em evitar o contato físico e nos bater.
Em certa ocasião, num sábado á tarde, o Colégio Santa Cruz de Castro, que na época ainda era internato, nos desafiou para um jogo amistoso. Fomos os cinco de ônibus. Junto, e como único torcedor foi um rapaz que não era nascido em Piraí, que apareceu por lá, e que o chamávamos de Boturi.
O jogo estava marcado para as quatro horas da tarde. Chegamos em cima do horário marcado e nos apressamos para não nos atrasar. Na descida do ônibus, o nosso pivô Lúcio, disse: “Vão indo que eu já alcanço vocês”. Chegamos ao Colégio Santa Cruz, e quando vimos a quadra, quase voltamos. O Sr. Bernardo (Diretor) tinha reunido todos os alunos em volta para nos esperar, e o time deles já estava aquecendo. Trocamos de roupa, iniciamos o nosso aquecimento e nada do Lúcio. A torcida deles berrando, urrando e nos intimidando, e nada do Lúcio. Enrolávamos, fazíamos de tudo para ganhar tempo e o Lúcio não chegava. O Sr. Bernardo já tava começando a ficar nervoso, quando eu olhei o nosso torcedor solitário, o Boturi, calçado com tênis Conga, e perguntei: “Você joga”? Ele prontamente: “Jogo”! Pronto fechou o time, estava ali a nossa salvação! Demos o uniforme a ele e achamos que tava tudo resolvido, quando o ouvimos perguntar ao Edson Borba, baixinho: “Aonde joga mais ou menos o número oito?” Pensei: “Meu Deus, estamos fritos!”.
Felizmente, um segundo antes do juiz apitar o início da refrega, aponta o Lúcio, vermelho, suado e esbaforido. Trocou rapidamente de roupa e aí o time ficou completo. Pudemos jogar.
No final do jogo, perguntamos: “O que houve Lúcio, que quase nos deixou não mão?” Ele respondeu: “Fui dar uma passadinha rápida na casa da minha tia e ela tinha feito um bolo de fubá, ”tava” quentinho, e não resisti. Tive que sentar e tomar um "cafézão”.

O resultado do jogo não importa e nem faço muita questão de lembrar.

(Roberto Fanchin)

Maria bonita



Esta noite em Angico
A brisa é calma.
No silêncio farfalham
Minhas anáguas
Como farfalham asas
E no escuro minha carne
Cheira a mato.

Vem meu amor e lavra
Este roçado
Como quem quebra
Um cântaro,
Como quem lava
A casa;
Águas frescas na tarde.

Tuas limpas carícias,
Teus dedos como pássaros
E teu corpo que arde
Como estrelas
No espaço.

Não quero tua candeia,
Só meus sonhos acesos
E eu te direi de nácar,
Terciopelo,
Coisas antigas, pelo de
Leoa; voz de cego na feira.

Não quero teu braseiro,
Tua intensa
Cintilação que queima
Meus vestidos

Só quero a tua volta,
Tua presença
Iluminando a noite
Que me cerca
Como uma luz acesa
No postigo.

Que sabes de minha vida
Além da morte
Inquieta que me ronda?
Que sabes desta chita
Destes panos
Que envolvem minha nudez
Como uma chama?

São teus olhos
Carvões que me devoram,
São teus beijos
Fosforescências de mel,
Travo forte das frutas.

Teus dedos como setas
Apontam meu destino:
Meu caminho,
Na planta de teus pés;
Meu horizonte,
No risco de tuas mãos
E meus cabelos
Esparsos sobre a relva
Em que me habitas.

Sou teu medo, teu sangue,
Sou teu sono,
Tua alpercata
De couro,
Teu olho cego, miragem
Dos vidros
Com que miras
A mira do mosquete.

Sou teu sabre,
Facão com que degolas.
Sou o gosto do sal,
Veneno que espalharam
No prato.
Sou a colher de prata
Azinhavrada. Sou teu laço.

Teu lenço
No pescoço.
Sou teu chapéu de couro
Constelado
Com estrelas de prata,
Sou a ponta
De teu punhal buscando
O peito dos macacos.
Sou teu braço,
A cartucheira cruzada
Sobre o peito,
sou teu leito
De angico e alecrim

Sou a almofada
Em que deitas a face,
O cheiro agreste
Dos homens que mataste.
Sou a bainha
E a lâmina é meu resgate.

Sou tua fera. Sussuarana
No escuro — bote e salto.
Jaguatirica acesa nestes altos
Mundéus de teu alarme.
Sou o parto
Da morte que te espreita.

Sou teu guia
Tua estrela, teu rastro, tua corja.
Sou tua mãe que chora,
Sou tua filha. Teu cachorro fiel,
Tua égua parida.
Sou a roseta na carne,
O lombo nas esporas.

Sou montaria e cavalo,
Fúria e faca.
Ferro em brasa na espádua
Sou teu gado,
Tua mulher, tua terra,
Tua alma,
Tua roça. Coivara
Que incendeias e apagas,
Tua casa.

Areia no sapato.
Sou a rede
Aberta como um fruto,
Sou soluço. Fome escura
De poço. Sou a caça
Abatida. Lebre e gato,
Coisas quentes ao tato.

Vem, meu dono, meu sócio,
Meu comparsa.
Desarma o teu cansaço,
Desata a cartucheira,
A noite é farta
Como besta no cio,

A noite é vasta.
Vem devagar
E habita meu silêncio
Como se habita
Um claustro.

Teus beijos como
Lâminas. Como espadas.
Pasto de aves meu corpo
Que trabalhas
Como quem corta e lavra.

Desata a cartucheira,
Teu campo de batalha
Sou eu.
Por um momento
Esquece o que te mata
— Fúria e falta —
E enquanto a noite é calma
Vem e apaga
Na pele de meu peito
Esta fome sem

Data.

Poeta Myriam Fraga. Bahia.

Tartarugas Desovam Em Noites Sem Luar

Tartarugas desovam na areia
Perto do mar da cor celestial
A guardiã dos ovos é a sereia
Com um toque doce e especial

Mas colocaram câmeras de segurança
Para vigiar as tartarugas com certeza
Porém isto gerou desconfiança
Nas tartarugas cheias de beleza!

Hoje elas desovam em noites sem luar
Tartarugas não querem ser vigiadas
Nem por alguém que estuda o mar
Mesmo para que sejam preservadas!

Elas não querem o olhar da Lua
E muito menos das pessoas
Que ás vezes são duras e cruas
Em atitudes nada boas.

Luciana do Rocio Mallon
era luz
na cidade
inteira
anoiteceu
mais cedo

em mim

Carlos Moreira

Lenda da Menina da Volta ás Aulas


No ano de 2013, Taís era uma menina carente de oito anos, de idade, que sonhava em ser professora. Naquele ano, sua família estava sem dinheiro para comprar material escolar. Então, uma semana antes das aulas começarem, ela entrou numa papelaria e passou a namorar um caderno com o tema Frozen. Porém, ao atravessar a rua, Taís foi atropelada e faleceu.
No ano de 2014, o espírito de Taís voltou para aquela mesma livraria e voltou a paquerar um caderno com o tema Frozen. Assim ela avistou uma mulher loira e perguntou-lhe:
- Moça, meu sonho é ser professora e por isto quero estudar. Porém minha família não tem dinheiro para comprar material.
- Será que a senhora poderia comprar este caderno com a capa de Frozen para mim?
A mulher respondeu:
- Sim
Deste jeito, a loira deu o objeto para a menina.
Porém, ao chegar até a sua residência, a mulher viu que tinha um caderno com o tema Frozen em cima da sua cama. Deste jeito, ao abrir o objeto, a loira viu a seguinte mensagem:
- Obrigada por comprar o caderno para mim!
- Eu moro no céu e conheço os segredos de muitos mortais.
- Por isto como agradecimento, lhe ajudarei contando alguns segredos bons da sua vida:
- Você tem dinheiro do FGTS para sacar na Caixa Econômica Federal.
- Sua mãe escondeu seu presente de aniversário atrás da cortina.
- Se ex-namorado estará no Largo da Ordem, hoje à noite e você terá chances de reconquistá-lo.
Assim, a loira resolveu verificar se estas informações eram verdadeiras e descobriu que tudo era real.
Reza a lenda que uma semana antes da volta ás aulas, o espírito de Taís entra na papelaria e pede um caderno com o tema Frozen para alguém. Desta maneira, se a pessoa comprar o material para a menina, o caderno aparece em sua casa revelando segredos agradáveis.

Luciana do Rocio Mallon

QUERUBINS


Folhas
amantes
amaciadas
riscadas
em langorosas
nuvens
dançantes
mato crescido
em torno
às avenidas
fuzis de luzes
perturbadas
de vertigens
ainda me sinto
como os querubins
olhos de lince
azuis de gritos
gritados na liberdade
Amém aos enrodilhados nas marés dos homens.

Jandira Zanchi (Balão de Ensaio)

COISAS DOS CARNAVAIS PIRAIENSES

Num certo carnaval, um grupo de foliões estava reunido para decidir com qual fantasia iriam ao baile. Decidiram então que as moças vestiriam saias e começaram a confeccionar as vestimentas. Como sempre acontecia a reunião era realizada na casa de Sinhá Xavier.
Como muitas das participantes eram filhas ou netas de Sinhá Mossurunga ela volta e meia aparecia por lá a fim de fiscalizar o que estavam fazendo e censurava o cumprimento da saia, que era abaixo dos joelhos, mas que ela ainda as considerava muito curtas. As moças sabendo da visita da “fiscal” começaram a aplicar o golpe de baixar a cintura da saia na hora que Dona Sinhá aparecesse e davam a impressão de que estavam compridas, abaixo das canelas.
Porém na noite do baile algumas delas enrolavam a cintura para ficar com o joelho aparecendo. Isso era super sexy para a época!
Em outra ocasião, a fantasia que iria ser usada pelo bloco no carnaval que se aproximava, era segredo guardado a sete chaves, ninguém do bloco rival poderia descobrir.
O pessoal da estação resolveu fazer fantasias de pirata. Só que, nunca se soube como o pessoal da Vila descobriu e prepararam para o dia do baile uma das moças, a Polaca, que entrou minutos antes do bloco da Estação com a mesma fantasia que eles estavam usando, a fim de quebrar o impacto. Porém como os detalhes não lhe foram repassados, a moça lá se foi disfarçada de pirata.

O pessoal da Estação caprichou tanto que quando entraram logo após a Polaca, a quebra do segredo ficou despercebida.
(Luiz Fanchin Jr)

COLETÂNEA DE CAUSOS, CRÔNICAS E POEMAS "PIRAÍ DE ANTIGAMENTE"

Assertividade


Assertividade é escrever na areia
Sem medo da onda do mar apagar
É não se importar com a opinião alheia
Que, geralmente, flutua pelo ar!

Assertividade é não ficar em cima do muro
Pois quem faz isto corre o risco de cair !
É assumir por mais que seja duro
A própria opinião em forma de elixir!

Assertividade é assumir a rédea
Do próprio destino pela viagem
Pois a vida é uma forte égua
Com a alma rebelde e selvagem!

Quem comunica com assertividade
Fala o idioma da água cristalina
Porque nunca tem medo da verdade
Pois em qualquer música, vira bailarina

Você pode ser assertivo
Na vida real, ou, na Internet
Afinal, você é um ser vivo
E não uma mera marionete.

Luciana do Rocio Mallon

VOZES HUMANAS...


Na possibilidade do resultado
O Apaixonado finge a solidão
Absorto em fugas verdadeiras
Que breve seja dor a vontade
Não serei o que queres então
Do labirinto tenho a resposta
E a serpentina desce à porta
Cúmplice nostalgia que cala
Peso dessa tua infidelidade
Essa palestra vem do "Graal"
Discurso solto sem nada fatal
Sou reflexo do corpo do irmão
Sou eco dum quase feito nada
Escondido sob último carnaval
Labirinto distinto e indecifrável
Deitaste a mão sob o vendaval
Do errar disseste sou a própria
Um nada Que Deus despojou...

Luiza Bessa Lima

HISTÓRIAS DA MINHA INFÂNCIA I

Quando criança, minha melhor amiga era a Morgana, minha prima, filha dos meus saudosos tio Zi e tia Cloris.
Costumo dizer que a Morgana é o resumo da minha infância.
Eles moraram por um longo tempo, na Avenida 05 de março, onde até pouco tempo atrás, era a Papelaria CCC. Ali eles tinham uma mercearia na frente e residiam aos fundos. O quintal atrás da casa era imenso, e lá havia uma bananeira enorme (aos olhos de uma criança, tudo é muito grande), e embaixo dela era a nossa casinha de brinquedo.
Aprontávamos o dia todo, sendo um de nossos passatempos preferidos bem feio: fumar!
E para isso nós íamos catar “bitucas” de cigarros em frente a um bar que existia onde hoje é uma lanchonete (ao lado da AGROSUL). Certo dia, ficamos muito felizes quando estávamos em nossa busca de xepas, pois o falecido Jauri Teixeira deu uma tragada no cigarro e o jogou inteiro fora. Foi uma festa!
Só que minha tia tinha uma empregada, a Madalena, que era muito doida, mais do que nós duas juntas. Ela já andava desconfiada daquela nossa travessura e um dia, sorrateiramente chegou ao nosso pequeno refúgio e nos pegou no flagrante.
A tia Cloris foi logo avisada e nos deu uma bela surra e lavou as nossas bocas com sabonete.

Graças a isso nunca mais fumamos!

(Jusley Sabino)

COLETÂNEA DE CAUSOS, CRÔNICAS E POEMAS "PIRAÍ DE ANTIGAMENTE"

sábado, 13 de fevereiro de 2016

O PEDREIRO


Observei um pedreiro trabalhando. Dando duro
com as pedras de crack. Começou fumando o
telhado, depois as paredes, as portas e janelas, o
alicerce. Demoliu a casa e passou a fumar as pedras
do calçamento. A rua desapareceu e começou
a fumar os edifícios da avenida. A cidade foi ficando
deserta. O pedreiro passou a caminhar no deserto,
e, fumando sempre, construiu no deserto seu forte,
seu castelo de cartas. De pedreiro passou a rei,
déspota de si.
Cláudio Portella (

O GANHADOR



Ganha quem ganhar a si mesmo. Sem poesia.
Não existe o belo.
Somente números, luzes, som, moças bonitas,
aromas e o ruflar do dinheiro.
Por mais que pareça poético, não é.
O ganhador ganha o Tempo.

Cláudio Portella



A VIAGEM

A vida é como uma viagem
Com estações ,mudanças e acidentes
Tudo é uma miragem
Onde nós somos os concorrentes.
Quando pegamos o comboio
Vamos encontrar nossos pais
Deles esperamos apoio
Numa vida que ficou para trás.
Outros connosco viajarão
Nossos conhecidos ou familiares
Muitos mais fazem admissão
Este trem, não ninguém deixa para trás.
Ninguém sabe sua estação
Ou se chegou ao fim sua viagem
Vão ter com Deus, seu anfitrião
Nova vida ou nova, abordagem.
Nunca em vida chegaremos a saber
Qual a estação que descemos
Estaremos lá para ver
A sorte te teremos.
Quando chegar o momento
O nosso assento fica vazio
Livre fica entretanto
Também ele ficará frio.
Desejo a todos boa viagem
No trem que é a vida
Até nova abordagem
Numa vida bem vivida.

António Chaves..24012014...



Caderno de Viagem 2


sempre pensei o inferno
fosse uma ferida aberta
no meu olho esquerdo
a boca do diabo e o seu escarro
agora olho e vejo
que não existe inferno além da vida
inferno é muito mais que uma ferida
na estação da morte em Puerto Cavajarro

Artur Gomes


http://artur-gomes.tumblr.com
q era uma vez
● q era uma vez ●
● 1 menina q a mãe mandou q ela levasse pão e leite pra avo dela ●
● a menina foi indo pela floresta quando 1 homem falando entre os dentes perguntou pra onde ela ia olhos nos olhos dela ●
.
● ela disse q era pra casa da avo dela q ficava entre as arvores na volta do rio ●
● ele perguntou por qual caminho ela ia ●
● se por um ou se pelo outro ●
.
● ela disse porq era de dizer sem pensar q so vivia e seguiu por ali no incerto como tinha dito ●
● enquanto isso o homem foi na frente pelo certo e chegou primeiro na casa da avo dela ●
● matou ela a avo dela da menina e despejou o sangue dela num garrafão pra não perder nada ●
.
● depois fatiou a carne dela bem fina pra depois ●
● vestir a roupa dela de dormir e se deitou na cama dela esperando a menina q bateu na porta ●
● o homenhavo mandou ela entrar e ela foi dizendo q trazia de casa pra ela pão e leite ●
.
● o homenhavo disse q ela comesse a carne fatiada e bebesse o sangue doce q tava em cima da mesa tudo preparado pra ela ●
● a menina comeu muita carne bebeu com muito gosto o muito sangue ●
● ficou alegre mais viva q a vida e quase bebeda ●
.
● enquanto isso o homenhavo disse q ela tirasse a roupa e viesse deitar ali com ela ●
● ela a menina perguntou pro homenhavo onde colocava a roupa ●
● o homenhavo disse q jogasse no fogo q ela não ia mais precisar dela ●
.
● pra cada peça de roupa q ela tirava perguntava pro homenhavo o q fazer o homenhavo dizia no fogo meu amor os sapatos no fogo meu amor as meias no fogo meu amor ●
● a saia no fogo meu amor a blusa no fogo meu amor a calcinha ●
● no fogo meu amor ●
.
● venha logo q vc não precisa mais de nada disso e se deitando na cama a menina disse como vc é peluda ●
● o homenhavo disse q era pra aquecer ela ela disse q ombros largos o homenhavo disse q era pra abraçar melhor o corpinho dela ●
● a menina disse q pernas imensas o homenhavo disse q era pra envolver ela bem forte a menina disse q olhos grandes o homenhavo disse q era pra ver melhor ela linda e nua ali na cama ●
.
● a menina disse q caralho gigantesco e lindo o homenhavo disse q era todo pra ela e q tava duro demais e q era preciso q ela chupasse ●
● ela começou a chupar e chupou tanto q o homenhavo gozou gozou tanto e tanto q não parava mais nem de gozar nem de gritar e de gozar e de gritar ●
● depois dormiu enquanto a menina com a faca q não tava na historia abriu logo o pescoço do homenhavo q depois de tanto gozar e gritar nem viu a morte q isso ninguem ve ●
.
● o homenhavo agora ali repartido cabeça tronco e membros na cama ●
● a menina se levantou pra terminar de comer a carne e beber o sangue da avo q era doce demais ●
● a carne tenra q durante muitos dias ela comeu ate não se fartar comendo tambem a carne e bebendo como se fosse vinho o sangue do homenhavo ●
.
● o sangue de 1 a carne do outro o sangue do outro a carne de 1 q ela sabia q inda tinha muito mais pois ali passavam uns lenhadores uns caçadores uns idiotas deliciosos ●
● onde ela morava tinha carne demais tinha sangue demais tudo de bom começando com a mãe dela e vestida com as roupas da avo olhando no espelho ela disse pra ela mesma so rindo ●
● q dentes grandes vc tem !meu bem ●
*

Alberto Lins Caldas

Qual é a fórmula do amor?

(...) a fórmula é não ter fórmula
Não ter regras, não ter cor
Preto pode amar o branco
no arco-íris do amor
sem ligar pras diferenças
sem se preocupar com crenças
o amor quebra o tabu
pois quando Deus autografa
É capaz de uma girafa
namorar com um tatu.



 Bráulio Bessa

INQUIETO

Enquanto breve
for o tempo
o verso inquieto
não tem sossego.
O poema não

é sonho. É pesadelo.

Marlos Degani‎ . CULT

Até quando você vai levando, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?”

A data marcada na história, 12 de fevereiro do ano de dois mil e quinze.
Eram heróis indefesos, em procura de direitos
Eram humanos , que sentiam no olhar o medo, mais continuavam firmes.

Do quadro negro, se fez fumaça
Do giz, bala de borracha a história diz.
Por espelhos negros, eles se escondiam,
Com ordem expressa de com tudo acabar,

Seres humanos que viram o dia enegrecer
Marcharam bandeira ao alvorecer,

Se por ventura tive reparado
O mandante era um grande ordenado
Foi pela ordem, de um mestre infeliz
A dor e penúria de nossos mestres civis.

Hoje marcamos um ano de um ato que até hoje muito nos indigna, um homem que deveria governar um estado, ordena de imediato o grande massacre, os jovens e homens e mulheres honestos, ensanguentados, dor e marcados ficaram no fim, o grande mandante ainda governa, e nos mostra a figura de um grande desgoverno.
Beto nunca esqueceremos , foi sangue de inocente que no chão caiu, foi gritos de justos que o Paraná ouviu, lutamos com força com garra e coragem, para lutar e acabar com sua maldade, e os anos podem passar devagar ou até de pressa, mais a nossa ordem também será expressa, sai BETO e liberte o Paraná, a mancha de sangue em nós marcará.

Diego Carvalho

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Ocupado

-Por favor! Você pode me dar atenção?
- Agora, não! Estou atarefado!
- Mas é muito importante!
- Já falei, é final de tarde, não posso! Estou muito ocupado!
-Que faz tanto, aí parado?

-Admiro a partida do sol e ouço a alegria dos passarinhos com a chuva que se anuncia no céu! JDamasio

Lendas da Bruxa da Quaresma, a Mulher de Roxo

      
Na Idade Média, a época em que mais se caçava bruxas era a Quaresma. Naquele tempo, numa vila, existia uma bruxa muito bonita e namoradeira chamada Laísa, que morava no meio da floresta. Uma vez, um dos seus namorados, avisou a esta feiticeira que as autoridades tinham um plano para caça-la. Então ela resolveu se esconder dentro de uma caverna, repleta de morcegos, que serviam como seus guardiões.
Mas o rei mandou um rapaz muito bonito para seduzir e capturar Laísa.
Quando o moço aproximou-se da caverna, a bruxa ficou encantada e foi cumprimentar o rapaz. Deste jeito ele prendeu a pobre e chamou os comparsas, que levaram a mulher aos inquisidores.
Laísa foi queimada viva pela inquisição. Porém, chegando ao inferno, o Diabo não quis aceitar esta feiticeira e sua entrada no céu estava barrada. Quando o espírito da maga chegou ao purgatório, o anjo guardião não deixou esta jovem entrar. Porém explicou:
- Você está proibida entrar aqui. Mas há uma solução para que sua alma possa pagar os pecados no purgatório:
- Seu fantasma terá que perambular pela Terra, somente na Quaresma, e com roupas da cor roxa que representa a humildade. Deste jeito você terá que ajudar as pessoas, com boas ações, e será obrigada a auxiliar um milhão de criaturas. Assim você conseguirá abrigo no purgatório.
Desta maneira, Laísa voltou vestida de roxo, para o mundo. Naquele instante ela viu que a roda da carroça, de um idoso, quebrou. Deste jeito, a feiticeira auxiliou a consertar o objeto. Mas sumiu na frente do ancião, assim que a carroça ficou perfeita.
Muitos anos se passaram e em 1987, Dona Creusa estava andando no parque, durante a Quaresma. Quando, de repente, um cachorro mordeu sua perna, que começou a sangrar. Como um raio, uma moça de roxo apareceu e exclamou:
- Calma, pois posso ajuda-la!                                                              
A jovem tirou algumas ervas de sua bolsa de couro, passou nos ferimentos da vítima, que sarou na hora.
Quando Creusa foi agradecer a sua heroína, ela evaporou-se no ar. 
Reza a lenda que Laísa, a Bruxa da Quaresma, até hoje ajuda as pessoas nesta época do ano, sempre vestida de roxo.
Dizem, também, que se alguém deseja a ajuda de Laísa basta colocar alho roxo na porta da entrada de sua casa e botar cortinas roxas na sala, que ela aparece.
Por isto, se você sofre de algum problema e uma moça de roxo aproximar-se do nada para ajuda-lo, não sinta medo.

Luciana do Rocio Mallon

POEMA DOS OITENTA ANOS


Já estás na anti-tumba,
Próximo do cais
Onde tua alma tomba
E afunda tua Nau.
Chegas aonde vem
Quem já agora vai
A esse aberto Templo
Que te acolhe Vate.
Na alma que te despe
Do próprio despojo,
O que ao fim trouxeste
Não é só teu: é de todos.

Nauro Machado

Cena Verbal 51


Posso despir-me nestas
tatuagens
verbais; mostrar a Deus
essa farpa no arame.
Posso migrar sobre o deserto
com as hordas fraturadas,
num grito
Impassível
em que a boca toca
os astros.
Meu tempo
é recluso e estou órfão
de auroras --, incrustado
nas mulheres com o sangue
ancestral sobre a neve.
Cavalgo uma cidade
faminta
com seus cães cheirando
a ópio. Cavalgo a dor
de ser pétala entre espinhos;
e as sobras do milagre
em que a língua se faz (lã)mina!

Salgado Maranhão


"a poetisa declama suas poesias", toda vez que, por algum augúrio do destino, me deparo com uma oração como essa, sou tomado de um tremor indômito, me dá até vertigem e tenho vontade de destilar uma catadupa de adjetivos - tamanha minha emoção; cheiro o gorjeio dos sabiás, ouço o olor das flores de laranjeira, o orvalho ressoa nas minhas orelhas e o som de harpas divinas escorre de meus olhos; chego a ver o gramadão verde e cheio de gente sorrindo - como na propaganda do banco itaú, que deve ser o céu - e até penso em acender uma vela pela alma de graciliano ramos.

William Teca

Lenda do Fantasma da Diarista Bondosa


Mary era uma senhora que trabalhou a vida inteira como diarista. Ao completar setenta e cinco anos, sua família a proibiu de trabalhar porque ela estava ficando fraca psicologicamente. Então seus parentes resolveram deixar esta anciã aos cuidados de Vicky, uma moça de quarenta anos, que era a única a permanecer em casa o dia inteiro, numa enorme residência.
Mary, inconformada por não poder mais fazer faxinas, teve uma ideia “cabulosa”. Por isto, um certo dia, colocou sonífero na bebida de Vicky e saiu pela redondeza, com o objetivo de verificar quais casas precisavam de limpeza.
Após uma semana, de observação, a idosa continuou a colocar calmante na comida de sua cuidadora, que passou a dormir o dia inteiro. Porém a anciã passou a invadir casas sujas que precisavam de faxina com o objetivo de limpa-las. Ela sempre abria a porta com um grampo de cabelo e dentro das residências, executava o seu trabalho de diarista.
Naquele bairro, havia uma república de estudantes com três moradores: Felipe. Alexandre e Marcelo, que nunca limpavam a casa. Numa noite, quando eles chegaram da faculdade, se depararam com um ambiente limpo. Porém, acharam estranho que nada foi roubado. Casos semelhantes passaram a ocorrer com residências daquela mesma região.
Até que os moradores do bairro colocaram câmeras de segurança, em algumas ruas, para acabar com o mistério. Deste jeito, Mary foi vista entrando na casa do Seu Arthur para fazer limpeza.
O problema é que, em vez das pessoas agradecerem pelo serviço gratuito, todas se revoltaram contra a velhinha, que morreu dois dias depois que foi flagrada.
Porém, um mês após toda esta confusão, as casas voltaram a ter o mesmo serviço de faxina misterioso.
Alguns videntes e paranormais que visitaram o bairro afirmaram que era o espírito de Mary que continuava fazendo faxina nas residências que mais precisavam.

Luciana do Rocio Mallon

Sei lá Mangueira Elizeth Cardoso

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CAIXA DE PAPELÃO


Faz um ano que o encontrei um gatinho num terreno vago, estava enrolado em jornais velhos dentro de uma caixa de papelão. Devo reconhecer que ele não era nada bonito, decerto era o mais feio da ninhada. Tenho afeições especiais pelos rejeitados. Moro sozinho. Ao acolher aquele gatinho abandonado socorri a mim mesmo da solidão. Tenho um filho casado que mora longe, e uma filha passa alguns dos seus finais de semana em casa, ainda assim preservo seu quarto sempre pronto para recebê-la.

Levei o gatinho mesclado de cores indefinidas para casa. Ele chorava muito. Como poderia não chorar, sozinho no mundo, tendo apenas como aconchego jornais velhos! Em casa coloquei-o numa nova caixa de papelão, forrei-a com uma velha blusa de lã. Brincávamos durante o dia, mas a noite o pobrezinho continuava chorando, traumatizado, quem sabe, pelo abandono. Ele reagia bem aos meus carinhos, pensei até em colocá-lo em minha cama, porém achei que não seria uma boa ideia. Demoro a dormir e quando consigo me debato muito, poderia machucá-lo. E assim se passaram dias e ele continuava a chorar igual a um bebê. Como também não durmo, eu ficava ouvindo-o e isso muito me entristecia. Não sabia mais o que fazer, até que numa noite fui ao quarto de minha filha, peguei um ursinho surrado que ela ganhara quando nenê. Coloquei-o na caixa de papelão, o gatinho deu um salto sobre o bichinho de pelúcia, pois reconhecera sua mãe ali. Pensei na hora: quanta ingenuidade! Ele passou a dormir feito um anjo, como dizia minha tia, se é que anjo dorme. Mas eu continuava a ter dificuldades para encontrar o sono, até resolver voltar ao quarto de minha filha e pegar um urso maior, o seu preferido. Aconcheguei-o na minha cama, sentia o cheirinho da infância da minha nenê. Agora tanto eu quanto o gatinho dormimos suavemente com nossos ursinhos. A história não acaba aí. Certo dia minha filha nos fez uma visita, meu gato e eu assistíamos Tom e Jerry na tevê. Ao voltar de seu quarto, reclamou a falta dos seus ursinhos. O gatinho olhou para mim, eu para ele. Ambos balançamos negativamente a cabeça. Tão logo voltou para o quarto, o bichano pulou em cima do seu ursinho, como querendo escondê-lo. Eu joguei o meu rapidamente atrás do sofá.

JDamasio


UM TOQUE


Na praça Santos Andrade, em Curitiba, enquanto esperava... Olhava a Universidade Federal do Paraná e se via subindo as escadarias vestida de branco. Quando pequena, queria ser médica! Do outro lado, imaginava-se encenando no palco uma peça de William Shakespeare no pomposo Teatro Guaíra: Também sonhara em ser atriz! No ombro, um toque à sua realidade. Mais um programa!

JDamasio
Trabalhadoras paraguaias trazendo frutas e legumes de Puerto Iguazú, Argentina, para vender em Foz do Iguaçu. 

Foto de Joel Petrovski, 1980, no Porto Meira.
Fonte :jornalista  aluisio ferreira palmar

Lendas do Bosque do Quinto de Curitiba


Em Curitiba, num bairro chamado Uberaba, existe um lugar chamado Bosque do Quinto.  Não se sabe direito a origem deste nome. Pois uns dizem que o apelido do primeiro dono era Quinto, já outros dizem que seria abreviatura da expressão “Quinto dos Infernos”, por causa da grande quantidade de suicídios nos anos sessenta por lá. Esta floresta é localizada entre a Igreja Santo Antônio e a Avenida das Torres. Nesta região 

existem muitas lendas urbanas que leremos abaixo:

A Ruiva do Bosque: 
                                                               
Reza a lenda que antes dos anos sessenta, o número de suicídios era alto no Bosque do Quinto. Naquela época existiam dois irmãos ruivos, Jaqueline e Zeca, que moravam próximos a este local.
Um certo dia, Zeca entrou em depressão porque estava há um ano sem conseguir emprego. Por isto pegou uma corda e suicidou-se no Bosque do Quinto. Mas, sua irmã notando seu desaparecimento, resolveu procurar o rapaz. Porém achou o moço morto naquela floresta.
Alguns meses se passaram. Então, uma noite, Jaqueline resolveu cortar caminho na volta da faculdade e passou no meio do Bosque do Quinto. Porém, um bandido atacou a pobre e a moça morreu com sete facadas no local.
Algum tempo depois, pessoas passaram a ver um fogo alado, no meio daquela floresta, todas as noites.
Porém três meninos corajosos, Manoel, Alexandre e Rodrigo, decidiram jogar bola, na grama aberta, em frente ao local. De repente, o brinquedo caiu no Bosque do Quinto e os garotos começaram a discutir:
- Manoel, vá pegar a bola!                                                                            
- Eu não vou porque tenho medo do fogo voador.
- Rodrigo, eu também possuo medo do fogo alado.
- Manoel e Alexandre, deixem que eu vou, então!
Rodrigo foi penetrando pouco a pouco na selva. Quando, de repente, viu uma espécie de fogo. Porém, ao se aproximar viu uma moça ruiva com uma bola na mão. Deste jeito ele falou:
- Moça, por favor, quem é você?
- Poderia me devolver a bola?
A donzela respondeu:
- Sou Jaqueline, a guardiã desta floresta e o fogo voador que as pessoas dizem ver é o meu cabelo ruivo.
Após esta explicação, a dama devolveu o brinquedo ao garoto, que contou a novidade para seus amigos, deixando os pequenos maravilhados.
O Fim dos Suicídios no Bosque:
Marcelo era um morador de um conjunto chamado Jardim Centauro, que ficava quase na frente do Bosque do Quinto. Um dia, ele perdeu o emprego e resolveu se suicidar naquela floresta. Quando ele estava amarrando uma corda no pescoço, Jaqueline surgiu e começou a falar mensagens positivas, que fizeram com que o rapaz desistisse do ato impensado.

O Homem Elefante:

Num sítio, quase em frente ao Bosque do Quinto, morava um senhor com uma doença rara chamada elefantíase, que fazia com que suas pernas ficassem com formato de pernas de elefante.
Um certo dia, este idoso estava sentado ao lado do poço da floresta. Quando, de repente, uma moça que passava pelo local avistou as pernas do ancião e começou a gritar:
- Socorro!
- Um homem-elefante!
Desta maneira, o Bosque do Quinto passou a ter a fama de ser assombrado por um homem-elefante que desaparecia no poço.
Esta história chamou a atenção de Sônia, uma garota que amava elefantes. Uma vez, ela foi sozinha até a floresta, perto do poço, com a finalidade de ver o tal homem-elefante e para isto ela escondeu-se atrás de uma árvore. De repente, Jaqueline apareceu e perguntou:
- Menina, o que você está fazendo aqui, sozinha?
Sônia respondeu:
- Quero conhecer o homem-elefante. Pois dizem que ele mora dentro do poço e aparece por aqui.
Naquele mesmo instante, Jaqueline desapareceu.
Sônia sentiu um calafrio, mas voltou a se concentrar no poço. Deste jeito, como um raio, o homem-elefante apareceu e a menina se aproximou:
- Então, o senhor existe!
- É o homem-elefante que mora dentro do poço!
O ancião ralhou:
- Na verdade, esta história é absurda!
- Minhas pernas são estranhas porque tenho uma doença chamada elefantíase.
De repente, Jaqueline surgiu e explicou:
- Sem falar que eu, também, estou sempre rondado este poço, que tem uma vela acesa ao redor. Eu sou a protetora da floresta e preciso estar perto dos quatro elementos: terra, ar, fogo e água. A terra e o ar eu já tenho naturalmente, mas preciso do fogo que a vela representa e da água que tem a participação no poço.
Desta maneira, Sônia ficou feliz com a explicação dos dois seres quase mágicos.

Luciana do Rocio Mallon


CLIMA QUENTE


- Você tem razão! Fique tranquila, não fique brava, amor! Também percebi que sua prima está se insinuando, fazendo biquinho e charminho. Àquela hora, após o jantar em que ela lambia a ponta da colher de sobremesa e me olhava, senti que o clima ia esquentar! Quem ela imagina ser! Não tenha ciúmes, amor! Você sabe que só tenho olhos para você. Ela pensa que só porque usa aquele decote, veste aquele vestido preto, com aqueles cortes nas coxas, porque é bonita, inteligente e sedutora, vai mexer comigo, que vou reparar nela. Está perfeitamente enganada! E tem mais, já estou puto com a situação! Mais um jantar assim... Vou pegar ela no canto de jeito, ela vai se foder comigo!

JDamasio, A compota de pimenta e outros contos puramente picantes, 2007

Lenda do Fantasma do Ramalhete de Flores


Nos anos 50 , Zé era um moço do interior que amava plantar flores e seu sonho era se casar com uma donzela com mais de quarenta anos de idade. Uma vez, ele saiu do sítio para tentar a vida em Curitiba. Então se hospedou numa pensão. Mas os dias se passavam e nada do pobre conseguir um emprego.
Numa certa manhã, o rapaz passou na frente de um jardim e orou:
- Deusa das Flores, ajude-me a conseguir um emprego.
Então ele estava andando por um bairro chamado Cabral, quando, de repente, uma moça com margaridas na cabeça ofereceu-lhe um buquê de rosas e explicou:
- Na floricultura da esquina estão precisando de empregados.
Deste jeito, Zé foi até o local e viu que, realmente, tinha uma placa com a seguinte frase:
- Precisa-se de funcionário.
Deste jeito, o moço entrou no estabelecimento, conversou com os proprietários e conseguiu o emprego.
Uma vez pediram para que Zé entregasse um ramalhete de rosas no centro da cidade para uma moça, com mais de quarenta anos, que todos diziam ser intocada. Porém, no meio do caminho, o rapaz foi atropelado. Porém, seu fantasma ficou rondando a região. Mesmo assim ele não conseguiu achar o endereço da destinatária.
Perto daquele local, havia um hospital, onde uma das pacientes de Câncer era uma virgem com mais de quarenta anos de idade. Então Zé entrou no quarto da moça, ofereceu um buquê de rosas e a convalescente sorriu. Porém, ela faleceu no mesmo instante.
Dias depois, uma professora , de meia idade que todos diziam ainda ser intacta, estava andando em direção ao ponto de ônibus. Desta maneira, como um raio, Zé apareceu com um buquê de flores e ofereceu a esta mestra. A senhora ficou contente, mas desmaiou e morreu, no mesmo instante.
Uma semana após isto, uma beata de cabelos brancos que todos diziam ser invicta, saia da igreja quando, de repente, Zé lhe deu flores. Porém, naquele mesmo segundo, a moça caiu e faleceu.
Na época surgiu a lenda do Fantasma da Floricultura, que oferecia flores para as donzelas que encontrava na rua. Mas, segundo os boatos, a virgem que aceitasse o presente, morria na hora porque o fantasma queria montar um harém com donzelas maduras no céu.
Dizem que até hoje, este fantasma assombra as moças da cidade.

Luciana do Rocio Mallon

NARANJO EN FLOR Roberto Goyeneche Nestor Marconi

Lendas do Bairro Chamado Santa Cândida


Reza a lenda que quando São Pedro viajou para Nápoles, ele encontrou uma menina chamada Cândida, que estava doente, no meio da estrada. Então este apóstolo curou a criança e falou sobre o Cristianismo. Quando a menina chegou a sua residência falou sobre Pedro para seu tio, Aspreno, que procurou o apóstolo e por ele, também, foi convertido.
Cândida resolveu jejuar, fazer orações e converter fiéis ao Cristianismo numa gruta chamada Ara Petri. Um certo dia, um anjo apareceu e disse:
- Uma das suas missões é montar um cemitério para católicos aqui. Por isto, mais tarde, você será a padroeira dos cemitérios.
Porém um imperador que perseguia os católicos descobriu tudo. Deste jeito, Asperno tentou fugir para a África com sua sobrinha. Mas, eles foram descobertos, torturados e mortos.
Anos mais tarde, na Itália, acharam o corpo de Cândida que estava intacto e hoje encontra-se num túmulo de vidro dentro de uma igreja.
No ano de 1875, em Curitiba no Paraná, foi inaugurado um bairro chamado Santa Cândida. Naquela época havia uma beata muito devota apelidada de Nana, que ajudou a inaugurar a capela de Santa Cândida no local. Esta senhora tinha uma estátua desta santa e o seu sonho era que fosse inaugurado um cemitério naquele bairro, já que Santa Cândida é padroeira dos cemitérios.
Assim, algum tempo antes de morrer, Nana encheu a imagem de ouro e enterrou esta estátua no quintal. Deste jeito ela afirmou:
- Quando acharem esta imagem com joias em seu interior, será inaugurado o cemitério de Santa Cândida.
Dizem que em 1956 um casal de “carrinheiros” de papel, com seu cão de estimação, estavam passando no bairro. Quando, de repente, o cachorro começou a cavar. O casal desconfiando que havia algo debaixo da terra pegou uma pá e desenterrou a estátua, que se quebrou. Porém, apareceu o tesouro que estava dentro dela. Um ano depois, bem em 1957, o cemitério do bairro chamado Santa Cândida foi inaugurado e a profecia se concretizou.

Luciana do Rocio Mallon

De barro


Tango

1943

Música: Sebastián Piana
Letra: Homero Manzi

Estoy mirando mi vida
en el cristal de un charquito
y pasan mientras medito
las horas perdidas,
los sueños marchitos.

Y están tus ojos queridos
en el espejo de barro,
fantasma de mi cigarro,
reproche y olvido,
condena y perdón.

Vuelven tus ojos lejanos
con el llanto de aquel día.
Pensar que puse en tus manos
una culpa que era mía.
Pensar que no te llamé
y me alegré
mientras estabas penando,
pensar que no te seguí
y me reí
cuando te fuiste llorando.

Y hoy que no vale mi vida
ni este pucho del cigarro,
recién sé que son de barro
el desprecio y el rencor.

Así midiendo tu pena
noches y noches consumo
buscando ver en el humo
del pucho que fumo
tu imagen serena.
Y al encontrarte perdida
entre cigarro y cigarro,
sé que fue todo de barro,
de barro mi vida,

de barro mi amor.

SAUDADE DOS AMIGOS PIRAIENSES QUE JÁ SE FORAM



Estou velho, rugas surgindo, cabelos brancos,
olhos marejando, catarata avançando.
Me miro no espelho, pareço o mesmo jovem de sempre
os amigos que tenho não trocaria pela minha juventude
não me preocupa a aparência, sou mais amigo de mim mesmo
não me preocupa a opinião de terceiros
esqueço muitas coisas, mas não esqueço os amigos que tenho.
Meu coração sofre quando perco um deles
aprendi a ser velho, aprendi a ter liberdade,
aprendi a dizer o que sinto, sou o que sou,
não posso e nem quero mudar, de nada me arrependo,
não guardo magoas mas...
sinto saudade dos amigos que se vão.
E quando perco um grande amigo,
fica a saudade e um vazio no coração.
Que Deus o tenha e um dia

lá nos encontraremos com certeza.

(Luiz Fanchin Jr)

01. Fuera De Broma

O SOM QUE FAZ QUANDO O TACO CAI

Agora você anda triste
E sua tristeza tem um tom dramático
De mulheres do século passado
Você anda triste
Como um blues de Billie Holliday
Enquanto passa geléia importada na torrada
E passeia nos fins de tarde no seu carro blindado
E sua tristeza a impede de se sentir segura
Com tantos fotógrafos e colecionadores de escândalos
Agora você anda triste escolhendo roupas no shopping
E não gosta do que vê no espelho do provador
Daqui eu te vejo triste
Perdida numa festa que eu não quis entrar
Sua silhueta de diva lírica quase me enternece
Mas eu não pretendo perdoar suas boas intenções
E sei que sua tristeza não te impede de pensar
em viagens
a Tóquio & domingos de Páscoa
Mas eu sou um troglodita
Com uma herança maldita
Tomando chá em copos de whisky
E rezando pro dia amanhecer
Então não fica amargurada no transatlântico pra Atenas
Não se sinta autorizada a pensar em mim
Não fica triste, baby
é que antes de te conhecer
Eu já me esqueci de você

(Mário Bortolotto)