Noturno colar de estrelas
No corpo das cores.
Clara cantiga criança
No rastro das flores cadentes.
Poesia pulsando no éter,
No cinturão das galáxias,
A música das esferas.
Angustia da minha espera
Num gigante espaço
Curvando-me entre sóis
Em gota azul, fisgada em anzol
Na calmaria das ondas do oceano cósmico.
Perdido em seu átomo, um sonhador
Embevecido em chuvas quânticas
De partículas fractais,
Onde as águas naufragam em feixes de luz.
Angela Gomes Brochier
domingo, 26 de julho de 2009
Íntima Fração
( Para Rubens da Cunha )
surdos meus pés
gritam a distância
disfarçada
curvos
adjetivados
pela hora tardia
das estranhas noites
contam espinhos
obscenos
turvos
semeiam
e colhem a palavra
Andrea Motta
surdos meus pés
gritam a distância
disfarçada
curvos
adjetivados
pela hora tardia
das estranhas noites
contam espinhos
obscenos
turvos
semeiam
e colhem a palavra
Andrea Motta
Ao Sabor do Pensamento
O olhar cego começa um poema
desenha a trama.
Com mãos impolutas
despeja desejos
cria amores
e abandonos
em estranhos jogos
de memória
cogita
sangra
sonha interminavelmente
derrama sobre o papel
armadilhas inequívocas
do pensamento
Sorri
vertiginosamente
sorri até a exaustão
um sorriso marginal.
Etéreo
tece ilusões
e finda o poema.
Andrea Motta
desenha a trama.
Com mãos impolutas
despeja desejos
cria amores
e abandonos
em estranhos jogos
de memória
cogita
sangra
sonha interminavelmente
derrama sobre o papel
armadilhas inequívocas
do pensamento
Sorri
vertiginosamente
sorri até a exaustão
um sorriso marginal.
Etéreo
tece ilusões
e finda o poema.
Andrea Motta
sábado, 25 de julho de 2009
et le poëte soûl engueulait l´univers.
Arthur Rimbaud
Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Vínculos contrários á ousadia
Segredos empenhados em ti fenecem
Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Imagem aérea do que não se conhece
Frascário ingênuo que se adia
Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Vínculos contrários à ousadia
Ricardo Pozzo
Arthur Rimbaud
Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Vínculos contrários á ousadia
Segredos empenhados em ti fenecem
Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Imagem aérea do que não se conhece
Frascário ingênuo que se adia
Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Vínculos contrários à ousadia
Ricardo Pozzo
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Roseana
só os animais são eternos.
jorge luis borges
refaço estória e ritual, com licença:
eu o sepulto também
aqui, no torrão raso
da página,
sob a palavra “asa”
em lugar de terra.
foi ana rosa que contou. história simples de passarinho. como os passarinhos.
desceu uma tarde em seu quintal um periquito. auriverde.
não!
cárdeo-cardíaco, sob o sol das quatro. na sombra,
musgo apodrecido.
inquieto, ágil, como de resto as aves
diminutas, por regra. um cavalo.
mas ficou logo escarrado: que era dócil, doméstico de ontem, solto, fugido.
não era espanto estar próximo, não se alarmava, não voou para longe,
para o: exato.
ficou ali, na imortalidade. relapso. fato estúpido.
livre, no instante, era um não ser
solitário.
como um cão.
notou (a rosa) que ele deslumbrava, transcendido de horizontes,
bem-assombrado. e ana também. deslumbrava.
mas
em contrário – mulher forte e firme, acostumada à voragem da vida –, o passarinho era um coração pequeno, nada mais. para aquela alegria, súbita e vertigem,
a musculatura frágil e
desusada.
peixe morto.
– deve ter voado o dia todo, coitado. não aguentou – ela disse.
também me arrepio.
de já haver conhecido periquitos alucinados.
é verdade, morreu de exaustão. de inadvertido, inexperiente.
no entanto, que sou incorrigível
e desconcertado, por isso eu acho:
morreu de vida.
(cavalo, cão, peixe e
pássaro.)
morreu
de eternidade.
***
depois, e foi só, ana o enterrou (com umas mãos de terra
e folhas secas) no quintal da casa.
Rodrigo Madeira
jorge luis borges
refaço estória e ritual, com licença:
eu o sepulto também
aqui, no torrão raso
da página,
sob a palavra “asa”
em lugar de terra.
foi ana rosa que contou. história simples de passarinho. como os passarinhos.
desceu uma tarde em seu quintal um periquito. auriverde.
não!
cárdeo-cardíaco, sob o sol das quatro. na sombra,
musgo apodrecido.
inquieto, ágil, como de resto as aves
diminutas, por regra. um cavalo.
mas ficou logo escarrado: que era dócil, doméstico de ontem, solto, fugido.
não era espanto estar próximo, não se alarmava, não voou para longe,
para o: exato.
ficou ali, na imortalidade. relapso. fato estúpido.
livre, no instante, era um não ser
solitário.
como um cão.
notou (a rosa) que ele deslumbrava, transcendido de horizontes,
bem-assombrado. e ana também. deslumbrava.
mas
em contrário – mulher forte e firme, acostumada à voragem da vida –, o passarinho era um coração pequeno, nada mais. para aquela alegria, súbita e vertigem,
a musculatura frágil e
desusada.
peixe morto.
– deve ter voado o dia todo, coitado. não aguentou – ela disse.
também me arrepio.
de já haver conhecido periquitos alucinados.
é verdade, morreu de exaustão. de inadvertido, inexperiente.
no entanto, que sou incorrigível
e desconcertado, por isso eu acho:
morreu de vida.
(cavalo, cão, peixe e
pássaro.)
morreu
de eternidade.
***
depois, e foi só, ana o enterrou (com umas mãos de terra
e folhas secas) no quintal da casa.
Rodrigo Madeira
Ex Machina
e o meu anjo da guarda quedou-se de mãos postas
no desejo insatisfeito de Deus.
manuel bandeira
me desculpa, geraldo carneiro,
entrar assim (a pontapés)
em poema alheio,
mas se deus é crupiê
do acaso, como dizes, tem
seu tanto de escroque
bem mais pleno:
deus (esse deus que
me ensinaram, ao menos)
é também cafetão de almas,
é também traficante
de tempo.
2.
Deus só não é Deus.
Deus é uma prostituta na frente do espelho. É um cão vira-lata atravessando a rua
e um adolescente se masturbando no banheiro. É um peixe morto trazido pela maré
e uma cobra na árvore da sabedoria. É um porteiro falando sozinho às três da manhã
e um menino no terminal cheirando tiner. Deus é uma senhora gorda que acredita em Deus
e uma menina que perde a virgindade. É um homem engravatado e um caminhoneiro e um operário e um mendigo. É uma árvore e um tigre medindo sua jaula, e um tigre passeando nossa alma. É uma empregada encoxada no ônibus e um ladrão baleado na esquina. É um gafanhoto de joão batista. É uma freira menstruada. Deus é um incrédulo e um vendedor de carros. É um pássaro preso depois de solto e um pássaro solto depois de preso. É um médico legista e um psiquiatra. Deus é um suicida. Deus é uma criança com fogo-selvagem e uma banhista marcada nos mamilos. Deus
é um senhor desempregado descendo a rua e uma barata subindo o corpo. É uma mãe cheia de afazeres e varizes e uma aranha seduzindo (na seda) a mosca etc.
ou
acender o cigarro num relâmpago
e olhar mais uma vez:
Ninguém.
Deus é um silêncio indecente, tão-apenas,
maior que a morte, roupas (vazias)
espalhadas pela cama.
Deus somos dois. aquele silêncio
triste e satisfeito,
vago e exato
de depois do amor.
Rodrigo Madeira
no desejo insatisfeito de Deus.
manuel bandeira
me desculpa, geraldo carneiro,
entrar assim (a pontapés)
em poema alheio,
mas se deus é crupiê
do acaso, como dizes, tem
seu tanto de escroque
bem mais pleno:
deus (esse deus que
me ensinaram, ao menos)
é também cafetão de almas,
é também traficante
de tempo.
2.
Deus só não é Deus.
Deus é uma prostituta na frente do espelho. É um cão vira-lata atravessando a rua
e um adolescente se masturbando no banheiro. É um peixe morto trazido pela maré
e uma cobra na árvore da sabedoria. É um porteiro falando sozinho às três da manhã
e um menino no terminal cheirando tiner. Deus é uma senhora gorda que acredita em Deus
e uma menina que perde a virgindade. É um homem engravatado e um caminhoneiro e um operário e um mendigo. É uma árvore e um tigre medindo sua jaula, e um tigre passeando nossa alma. É uma empregada encoxada no ônibus e um ladrão baleado na esquina. É um gafanhoto de joão batista. É uma freira menstruada. Deus é um incrédulo e um vendedor de carros. É um pássaro preso depois de solto e um pássaro solto depois de preso. É um médico legista e um psiquiatra. Deus é um suicida. Deus é uma criança com fogo-selvagem e uma banhista marcada nos mamilos. Deus
é um senhor desempregado descendo a rua e uma barata subindo o corpo. É uma mãe cheia de afazeres e varizes e uma aranha seduzindo (na seda) a mosca etc.
ou
acender o cigarro num relâmpago
e olhar mais uma vez:
Ninguém.
Deus é um silêncio indecente, tão-apenas,
maior que a morte, roupas (vazias)
espalhadas pela cama.
Deus somos dois. aquele silêncio
triste e satisfeito,
vago e exato
de depois do amor.
Rodrigo Madeira
o Verão
O verão beija os namorados, entre a cidade, a floresta, o campo e o mar. O fantasma da gasolina envolve os pulmões, uma segunda pleura. Hoje cavo um bunker no domingo de tua virilha. Deixo minhas mãos pastarem como bois famintos. Temos a idade do pôr-do-sol. A quilha dos olhos já estalou. És a sereia, a única, as várias, rodeando meu naufrágio no abismo da seda.
Tu começas pelos lábios, carne sobre carne (junto à lânguida liquenografia da língua). Os motores lacônicos que elaboram pétalas e cãimbras, que pronunciam pássaros. Oficina de silêncios. Os lábios são o fruto que se colhe com os lábios, a carta (a carne) náutica para as arrebentações das pernas, as vazantes dos olhos, os cais dos seios.
A luz desta lua de cloro atravessa a escuridão de minhas mãos. Gaivotas da eletricidade grasnam, como guitarras distorcidas, sobre a mancha de porra. O corpo jazz na relva. Árvore de ossos, vento. Esta macieira é o único livro que li na vida. É impossível, eu sei, e é isso que me faz seguir adiante: escrevo teu nome com as quatro letras do amor.
Tuas coxas cheiram a terra molhada. No pescoço és uma égua, haste doente. São despenhadeiros teus mamilos. Folheio o alcorão de teus cabelos. E ao folhear-te, folheio-me. Existo também como quem autentica a própria morte no cartório das veias. A vida é enorme, minha amiga. A vida nos acontece à queima-roupa.
Subirei todas as escadas de tua nudez. Sonhar, floração de tesouras. Os óculos no chão. Meu coração é um cavalo escoiceando a caixa torácica. Uma ave que bate contra o vidro. Deus existe por alguns segundos: é a palavra de silêncio, o grafite de néctar no muro das costas. A cama é um bosque onde o perfume lança âncoras de hera. A usina do suor, a adega da saliva. Separar as pernas é como abrir a caixinha de música de tuas súplicas.
Boceta de pandora. Uma fogueira no centro do corpo, do quarto, da galáxia. Eu sei, sou um cego e um analfabeto. Meu esqueleto é um relâmpago. Tateio o braile do* desassombro.
Quase de manhã, o barco fundeia com as luzes apagadas. Nós morreremos, minha amiga, soterrados pelo cheiro feroz do jasmim.
Rodrigo Madeira
Tu começas pelos lábios, carne sobre carne (junto à lânguida liquenografia da língua). Os motores lacônicos que elaboram pétalas e cãimbras, que pronunciam pássaros. Oficina de silêncios. Os lábios são o fruto que se colhe com os lábios, a carta (a carne) náutica para as arrebentações das pernas, as vazantes dos olhos, os cais dos seios.
A luz desta lua de cloro atravessa a escuridão de minhas mãos. Gaivotas da eletricidade grasnam, como guitarras distorcidas, sobre a mancha de porra. O corpo jazz na relva. Árvore de ossos, vento. Esta macieira é o único livro que li na vida. É impossível, eu sei, e é isso que me faz seguir adiante: escrevo teu nome com as quatro letras do amor.
Tuas coxas cheiram a terra molhada. No pescoço és uma égua, haste doente. São despenhadeiros teus mamilos. Folheio o alcorão de teus cabelos. E ao folhear-te, folheio-me. Existo também como quem autentica a própria morte no cartório das veias. A vida é enorme, minha amiga. A vida nos acontece à queima-roupa.
Subirei todas as escadas de tua nudez. Sonhar, floração de tesouras. Os óculos no chão. Meu coração é um cavalo escoiceando a caixa torácica. Uma ave que bate contra o vidro. Deus existe por alguns segundos: é a palavra de silêncio, o grafite de néctar no muro das costas. A cama é um bosque onde o perfume lança âncoras de hera. A usina do suor, a adega da saliva. Separar as pernas é como abrir a caixinha de música de tuas súplicas.
Boceta de pandora. Uma fogueira no centro do corpo, do quarto, da galáxia. Eu sei, sou um cego e um analfabeto. Meu esqueleto é um relâmpago. Tateio o braile do* desassombro.
Quase de manhã, o barco fundeia com as luzes apagadas. Nós morreremos, minha amiga, soterrados pelo cheiro feroz do jasmim.
Rodrigo Madeira
Há um nódulo na quinta-feira. Dizer adeus faz caírem meus cabelos. A verdade é uma lâmpada falha num quarto cheio de moscas, mas a esperança, sobre as águas da febre, tem a pertinácia da cortiça. O tédio é a pior forma de tristeza.
Eis que algo no sol fratura o que somos sob o sol. O dia mija luz nas coisas e fere e fede e ilumina um jardim de absurdos: borboletas com caules, gerânios asmáticos, orquídeas menstruadas, margaridas que suam, lírios que sangram, girassóis cujas corolas são ânus. O sol brilha também sob minha pele.
O ronco dos carros é quase uma fuga de bach. Beatífico, anuncia a metástase de um silêncio. Quando o pôr-do-sol vazar feito um vagaroso sangramento de nariz, haverá um segundo para nos olharmos, e no aço dos ossos florescerão pátinas e tétano, e na medula correrá a seiva elétrica das plantas que não existem. Com um estetoscópio de marfim, ausculto a parada cardíaca das pedras. Meço a pressão arterial e a solidão da chuva.
Entardeceu. Deito-me sobre as pastagens tauríferas, verde como o escolar de van gogh. E deixo o vento definir meu nome. Quando levanto, é meio-dia: há uma praia caminhada de ninfas que tatuam o sol sobre a pele, e elas sorriem como o mar, puxando, puxando...
À noite, quando se morre mais de uma vez, a alma (esta ficção) faz guarida como um abajur no escuro. Todas as chaves perderam seus dentes, e não importa. Significar algo é brutal como empalhar uma criança. Estou alegre como quem anda descalço. Estou alegre como quem sobe o telhado. Ouço o sermão das nuvens. Ou me sento à mesa, corto um pedaço do peixe e já não digo nada (a boca cheia de silêncios): quais frutos velhos, as palavras estão abertas sobre a terra. Jogo longe minha flauta. Maré, por exemplo, cognoscível apenas pelo cheiro. As árvores, através dos vôos das aves, conversam entre si na distância imensa. Respirar é minha única religião.
Rodrigo Madeira
Eis que algo no sol fratura o que somos sob o sol. O dia mija luz nas coisas e fere e fede e ilumina um jardim de absurdos: borboletas com caules, gerânios asmáticos, orquídeas menstruadas, margaridas que suam, lírios que sangram, girassóis cujas corolas são ânus. O sol brilha também sob minha pele.
O ronco dos carros é quase uma fuga de bach. Beatífico, anuncia a metástase de um silêncio. Quando o pôr-do-sol vazar feito um vagaroso sangramento de nariz, haverá um segundo para nos olharmos, e no aço dos ossos florescerão pátinas e tétano, e na medula correrá a seiva elétrica das plantas que não existem. Com um estetoscópio de marfim, ausculto a parada cardíaca das pedras. Meço a pressão arterial e a solidão da chuva.
Entardeceu. Deito-me sobre as pastagens tauríferas, verde como o escolar de van gogh. E deixo o vento definir meu nome. Quando levanto, é meio-dia: há uma praia caminhada de ninfas que tatuam o sol sobre a pele, e elas sorriem como o mar, puxando, puxando...
À noite, quando se morre mais de uma vez, a alma (esta ficção) faz guarida como um abajur no escuro. Todas as chaves perderam seus dentes, e não importa. Significar algo é brutal como empalhar uma criança. Estou alegre como quem anda descalço. Estou alegre como quem sobe o telhado. Ouço o sermão das nuvens. Ou me sento à mesa, corto um pedaço do peixe e já não digo nada (a boca cheia de silêncios): quais frutos velhos, as palavras estão abertas sobre a terra. Jogo longe minha flauta. Maré, por exemplo, cognoscível apenas pelo cheiro. As árvores, através dos vôos das aves, conversam entre si na distância imensa. Respirar é minha única religião.
Rodrigo Madeira
Ábaco
Jardins metálicos polinizados
A pólvora por abelhas
Mecânicas e borboletas
Metafóricas
Exalam a fúria
Dos dias em flor.
A cidade pela cinza
e o carbono
se sabe sodoma
somos a soma
séculos inscrustrados
no marco zero
das metrópolis
pólis sem teto
abrigados nas praças
indiferentes à óleo e raças
consomem-se fontes
fontes consomomem
caridades
a cinza e o carbono
o sal da sopa
caixas de leite
sopa e fé
catedrais chamam fiéis
humanos contam nos dedos
orgasmos lucros saldos
extratos benesses divinas
imbecis pacifistas
imbecis bélicos
pela cinza e carbono
nos pulmões e nos ares
contas do ábaco espaço
a trajetória da imbecilidade
digo, civilização.
Carlos Souza
A pólvora por abelhas
Mecânicas e borboletas
Metafóricas
Exalam a fúria
Dos dias em flor.
A cidade pela cinza
e o carbono
se sabe sodoma
somos a soma
séculos inscrustrados
no marco zero
das metrópolis
pólis sem teto
abrigados nas praças
indiferentes à óleo e raças
consomem-se fontes
fontes consomomem
caridades
a cinza e o carbono
o sal da sopa
caixas de leite
sopa e fé
catedrais chamam fiéis
humanos contam nos dedos
orgasmos lucros saldos
extratos benesses divinas
imbecis pacifistas
imbecis bélicos
pela cinza e carbono
nos pulmões e nos ares
contas do ábaco espaço
a trajetória da imbecilidade
digo, civilização.
Carlos Souza
Urbe
Jardins metálicos polinizados
A pólvora por abelhas
Mecânicas e borboletas
Metafóricas
Exalam a fúria
Dos dias em flor.
Carlos Souza
A pólvora por abelhas
Mecânicas e borboletas
Metafóricas
Exalam a fúria
Dos dias em flor.
Carlos Souza
Uma Criança
Ele dorme o sono dos ladrilhos, cimentos, petis paves;
recosta a cabeça no tredo chão
respira ratos de shoppings centers
cagadas de lan-houses, lojas,games,grifes
e etecetras modernosas;
tem o carinho das lesmas e dos cuspes
recosta sua cabeça nas pegadas do fórceps cidadão
e aspira a apnéia do abandono.
Ele tem o sono do chão e dorme
sonha as vitrines da pústula bancária
e seu acordar é um banquete sem pesos nem medidas
rarefeito no self-service dos mensurados
lacaios de deus, jesus, maomé, lula, bill gates etc etc.
Contudo,
ele sonha !
com a moeda, com o tênis, o cobertor, o crack, a cola e
com o pai e a puta que lhe pariu!
Ele como eu tem a pele do concreto
e contraiu a lepra da boa vontadade;
toda escrotice desfila,
ululante poça vomitada do novo mundo.
Ele dorme e minha mão não o afaga...
(talvez é digno)
o lúcifer da esperança o consola
por entre as pocilgas estouvadas
seu acordar é fenda lôbrega dos high-tecs.
Sim,
ele dorme
na masmorra do futuro
reboco da própria espécie!
- Bom sono amiguinho,
Pequeno Príncipe da sordícia
Tullio Stefano
recosta a cabeça no tredo chão
respira ratos de shoppings centers
cagadas de lan-houses, lojas,games,grifes
e etecetras modernosas;
tem o carinho das lesmas e dos cuspes
recosta sua cabeça nas pegadas do fórceps cidadão
e aspira a apnéia do abandono.
Ele tem o sono do chão e dorme
sonha as vitrines da pústula bancária
e seu acordar é um banquete sem pesos nem medidas
rarefeito no self-service dos mensurados
lacaios de deus, jesus, maomé, lula, bill gates etc etc.
Contudo,
ele sonha !
com a moeda, com o tênis, o cobertor, o crack, a cola e
com o pai e a puta que lhe pariu!
Ele como eu tem a pele do concreto
e contraiu a lepra da boa vontadade;
toda escrotice desfila,
ululante poça vomitada do novo mundo.
Ele dorme e minha mão não o afaga...
(talvez é digno)
o lúcifer da esperança o consola
por entre as pocilgas estouvadas
seu acordar é fenda lôbrega dos high-tecs.
Sim,
ele dorme
na masmorra do futuro
reboco da própria espécie!
- Bom sono amiguinho,
Pequeno Príncipe da sordícia
Tullio Stefano
Diálogo em Solilóquio
Ó Ego:
- Por que tu me Falas,
Quando meus Ouvidos não te Ouvem?
Falo, porque tu pensas não ouvir,
Mas..., a informação te chega.
Ó Consciência:
- Por que te manténs Amorfa,
Quando a Inconsciência te Informa?
Não, eu não me mantenho disforme,
Apenas aberta em constante mutação.
Ó par de Olhos:
- Por que não Enxergas,
O que a Mente te Mostra?
Enxergo o que à minha frente se coloca,
Mas, de outra visão..., também desfrutas.
Ó Emoção:
- Por que teimas em ser Vencedora,
Quando a Razão não pode ser Derrotada?
Porque sou instinto, e instinto não morre,
A razão pode ser perdida, não a emoção.
Se tu ego, me falas,
E por ti me informo,
Se tu consciência, te manténs aberta,
E por tua causa, mutante sou,
Se tu olhos, enxergas,
E doutra visão adquiro conhecimento,
Se tu emoção, és comigo congênita,
E tu razão, és comigo vivente,
Sou um Ser em perfeição,
Um humano em evolução.
Mas nada disso me afeta,
Sou feliz..., por ser Poeta.
Creio então, continuar esta vida,
Da maneira que vivo até agora,
Consciente, interajo com meu ego,
Faço dele meu parceiro fiel.
Se, inconsciente separo-me do eu,
Com inteligência formada,
Deixo-me levar sem esforço,
Sentindo a verdade buscada.
Faço-me, pois, de forma presente,
Dualizo e dialogo com o ego,
Permitindo-me ouvi-lo,
Para poder ouvido ser.
Tirando de meus olhos,
A venda não existente,
Enxergo à clareza de sonho,
O que a mente já conhece.
E se consigo tais intentos,
Liberta à emoção,
E livre..., a razão,
Vivo com integralidade.
Mostro ao que vim,
Faço o que me propus,
Atinjo meus objetivos,
Item-a-item, como expus.
Vivo com amor e em Paz,
Sem guerras e sem rivais.
E incentivo com o exemplo,
Que o mesmo, façam os iguais.
Mas nada disso me afeta,
Sou feliz..., por ser Poeta.
Ao pensar em meus iguais,
Sei, não estou sozinho,
E o diálogo monológico,
Não mais mono e menos lógico,
Antes, de singular solilóquio,
Se estabelece em plural..., partícipes.
E assim, percebo que a evolução,
Faz parte de todo o Ser,
De Darwiniana nada tem,
Ela sim é impar, em fato e ação,
Cresce sempre a cada novo viver,
E o Humano das espécies, é o bem.
Mas nada disso me afeta,
Sou feliz..., por ser Poeta.
É..., acho que estou desperto,
Minha emoção está viva,
A razão..., sendo moldada,
Capto imagens atemporais,
Que olhos comuns não vêem,
Vivo de uma maneira informal,
Transmito em poesia,
A informação que me chega.
Dela..., o verso, faço em fruto,
Não me preocupo em ser ouvido,
Se, de boas palavras desfruto,
Delas não me sou comedido.
Mas..., por estar desperto,
Olho à volta, no dia-a-dia,
Noto a platéia vazia,
O "Diálogo" acaba,
O "dia" "logo" acaba,
Sinto que estou só,
A poesia..., solo de um louco,
A poesia..., diálogo em solilóquio.
Mas nada disso me afeta,
Sou feliz..., por ser Poeta.
Olinto Simões
- Por que tu me Falas,
Quando meus Ouvidos não te Ouvem?
Falo, porque tu pensas não ouvir,
Mas..., a informação te chega.
Ó Consciência:
- Por que te manténs Amorfa,
Quando a Inconsciência te Informa?
Não, eu não me mantenho disforme,
Apenas aberta em constante mutação.
Ó par de Olhos:
- Por que não Enxergas,
O que a Mente te Mostra?
Enxergo o que à minha frente se coloca,
Mas, de outra visão..., também desfrutas.
Ó Emoção:
- Por que teimas em ser Vencedora,
Quando a Razão não pode ser Derrotada?
Porque sou instinto, e instinto não morre,
A razão pode ser perdida, não a emoção.
Se tu ego, me falas,
E por ti me informo,
Se tu consciência, te manténs aberta,
E por tua causa, mutante sou,
Se tu olhos, enxergas,
E doutra visão adquiro conhecimento,
Se tu emoção, és comigo congênita,
E tu razão, és comigo vivente,
Sou um Ser em perfeição,
Um humano em evolução.
Mas nada disso me afeta,
Sou feliz..., por ser Poeta.
Creio então, continuar esta vida,
Da maneira que vivo até agora,
Consciente, interajo com meu ego,
Faço dele meu parceiro fiel.
Se, inconsciente separo-me do eu,
Com inteligência formada,
Deixo-me levar sem esforço,
Sentindo a verdade buscada.
Faço-me, pois, de forma presente,
Dualizo e dialogo com o ego,
Permitindo-me ouvi-lo,
Para poder ouvido ser.
Tirando de meus olhos,
A venda não existente,
Enxergo à clareza de sonho,
O que a mente já conhece.
E se consigo tais intentos,
Liberta à emoção,
E livre..., a razão,
Vivo com integralidade.
Mostro ao que vim,
Faço o que me propus,
Atinjo meus objetivos,
Item-a-item, como expus.
Vivo com amor e em Paz,
Sem guerras e sem rivais.
E incentivo com o exemplo,
Que o mesmo, façam os iguais.
Mas nada disso me afeta,
Sou feliz..., por ser Poeta.
Ao pensar em meus iguais,
Sei, não estou sozinho,
E o diálogo monológico,
Não mais mono e menos lógico,
Antes, de singular solilóquio,
Se estabelece em plural..., partícipes.
E assim, percebo que a evolução,
Faz parte de todo o Ser,
De Darwiniana nada tem,
Ela sim é impar, em fato e ação,
Cresce sempre a cada novo viver,
E o Humano das espécies, é o bem.
Mas nada disso me afeta,
Sou feliz..., por ser Poeta.
É..., acho que estou desperto,
Minha emoção está viva,
A razão..., sendo moldada,
Capto imagens atemporais,
Que olhos comuns não vêem,
Vivo de uma maneira informal,
Transmito em poesia,
A informação que me chega.
Dela..., o verso, faço em fruto,
Não me preocupo em ser ouvido,
Se, de boas palavras desfruto,
Delas não me sou comedido.
Mas..., por estar desperto,
Olho à volta, no dia-a-dia,
Noto a platéia vazia,
O "Diálogo" acaba,
O "dia" "logo" acaba,
Sinto que estou só,
A poesia..., solo de um louco,
A poesia..., diálogo em solilóquio.
Mas nada disso me afeta,
Sou feliz..., por ser Poeta.
Olinto Simões
Estrada
(a um amigo)
Foi quando então
Ele desapareceu entre as estrelas
Ficando aqui dentro de nós
Todas as marcas de seu trabalho
E a dor é apenas uma etapa
Do grande aprendizado
O sofrimento
É o que nos dá polidez
E a alma dos que ficam continua
Porque essa era a sua luta
Manter-se aqui
Para quando estivesse lá
Permanecesse aceso
Em todas as mentes que buscam
O fim da estrada
E o começo da glória
Foi quando então
Ele desapareceu entre as estrelas
Alessandro Jucá
Foi quando então
Ele desapareceu entre as estrelas
Ficando aqui dentro de nós
Todas as marcas de seu trabalho
E a dor é apenas uma etapa
Do grande aprendizado
O sofrimento
É o que nos dá polidez
E a alma dos que ficam continua
Porque essa era a sua luta
Manter-se aqui
Para quando estivesse lá
Permanecesse aceso
Em todas as mentes que buscam
O fim da estrada
E o começo da glória
Foi quando então
Ele desapareceu entre as estrelas
Alessandro Jucá
Inferno Astral
Ah, esse mundo distante!
Onde a arte é semente de tudo
Onde a flor reascende a poesia
E a vida é movida de amor
Sim, esse mundo esquecido
Que ascende o sonho da alma
E a dor revivida no tempo
Confundiu-se com o próprio temor
Mas se agora no inferno dos astros
Eu pressinto os dias de outrora
Com a luz que guiava meus passos
Vou embora!
Sim, eu volto...
Em um belo dia de agora
Alessandro Jucá
Onde a arte é semente de tudo
Onde a flor reascende a poesia
E a vida é movida de amor
Sim, esse mundo esquecido
Que ascende o sonho da alma
E a dor revivida no tempo
Confundiu-se com o próprio temor
Mas se agora no inferno dos astros
Eu pressinto os dias de outrora
Com a luz que guiava meus passos
Vou embora!
Sim, eu volto...
Em um belo dia de agora
Alessandro Jucá
O Céu Olha pro Chão
O céu olha pro chão
É como se a estrela mais antiga
me olhasse intensa lá do alto
e nesse mesmo espaço, a vida
fitasse seus olhares no asfalto
o que pro céu talvez seja guarida
para mim talvez um cadafalso
e as coisas que eu via no cinema
me acenam suas cores da montanha
enquanto rezas recitadas em novenas
me envolvem em suas teias de aranha
o que pro céu resolve um teorema
para mim as chaves são estranhas
A origem do universo me fascina
E arte, criação que me alimenta
A beleza que atrai minha retina
Não se explica, se entende nem comenta
o que pro céu talvez seja uma sina
Para mim talvez o que se inventa
E assim eu sou feito de metade
Parte céu que me olha do infinito
Parte “chão” que sou eu, humanidade
Coração entre o mal e o bendito
O que pro céu talvez seja vaidade
Para mim talvez o mais bonito
Alessandro Jucá
É como se a estrela mais antiga
me olhasse intensa lá do alto
e nesse mesmo espaço, a vida
fitasse seus olhares no asfalto
o que pro céu talvez seja guarida
para mim talvez um cadafalso
e as coisas que eu via no cinema
me acenam suas cores da montanha
enquanto rezas recitadas em novenas
me envolvem em suas teias de aranha
o que pro céu resolve um teorema
para mim as chaves são estranhas
A origem do universo me fascina
E arte, criação que me alimenta
A beleza que atrai minha retina
Não se explica, se entende nem comenta
o que pro céu talvez seja uma sina
Para mim talvez o que se inventa
E assim eu sou feito de metade
Parte céu que me olha do infinito
Parte “chão” que sou eu, humanidade
Coração entre o mal e o bendito
O que pro céu talvez seja vaidade
Para mim talvez o mais bonito
Alessandro Jucá
Luto
Não se pode rir
enquanto bocas banguelas
mastigam os próprios dentes,
dentes cariados de século XXI
e cariados de deus.
Não podemos rir
enquanto o arroto
é a fartura da carne tecnofágica.
Não se pode dançar
enquanto párias rodopiam o desabrigo
e a pança dos caçadores
está farta com suas presas
os fetos sem orvalho.
Não se pode cantar o som da plenitude
enquanto o oxigênio
é um metro cúbico de cofres.
Não se pode dormir
enquanto o raio do sol
é o especto da morte.
Não se pode andar
enquanto o extrato rude
da história fere tuas mãos
e as veias cozem o cadáver.
Mas,
quem sabe nem tudo está perdido...
Vamos riam!
eufóricos vassalos
Sim!!! Podem rir
enquanto os dentes atrofiam teus intestinos
no pasto do apátrida.
Sorria! Até quando tua fome
for teu intestino e tua moléstia
mais um cofre da tortura.
Dance! Dance!
enquanto a forca do futuro
não te enforca no cadafalso do presente.
Vamos! Exulte eufórico tua grife,
tua droga, teu PC e as sondas falantes
presas na tua cintura;
até saberes que és um mendigo
da tua vida, um álibe para o abate
no fantástico matadouro Homo Sapiens.
Vamos!
nosso pasto
é a nossa raça
espécie de verme vermicida
destroço das matemáticas
um cálculo
do aquém
Tullio Stefano
enquanto bocas banguelas
mastigam os próprios dentes,
dentes cariados de século XXI
e cariados de deus.
Não podemos rir
enquanto o arroto
é a fartura da carne tecnofágica.
Não se pode dançar
enquanto párias rodopiam o desabrigo
e a pança dos caçadores
está farta com suas presas
os fetos sem orvalho.
Não se pode cantar o som da plenitude
enquanto o oxigênio
é um metro cúbico de cofres.
Não se pode dormir
enquanto o raio do sol
é o especto da morte.
Não se pode andar
enquanto o extrato rude
da história fere tuas mãos
e as veias cozem o cadáver.
Mas,
quem sabe nem tudo está perdido...
Vamos riam!
eufóricos vassalos
Sim!!! Podem rir
enquanto os dentes atrofiam teus intestinos
no pasto do apátrida.
Sorria! Até quando tua fome
for teu intestino e tua moléstia
mais um cofre da tortura.
Dance! Dance!
enquanto a forca do futuro
não te enforca no cadafalso do presente.
Vamos! Exulte eufórico tua grife,
tua droga, teu PC e as sondas falantes
presas na tua cintura;
até saberes que és um mendigo
da tua vida, um álibe para o abate
no fantástico matadouro Homo Sapiens.
Vamos!
nosso pasto
é a nossa raça
espécie de verme vermicida
destroço das matemáticas
um cálculo
do aquém
Tullio Stefano
terça-feira, 21 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Dois Poemas do Poeta Czeslaw Milosz
DESCRIÇÃO HONESTA DE SI MESMO JUNTO A UM COPO DE WHISKY NO AEROPORTO, DIGAMOS EM MINNEAPOLIS
Meus ouvidos ouvem cada vez menos das con-versas, meus olhos vão ficando mais fracos, mas não se fartaram.
Vejo suas pernas em minissaias, em calças com-pridas ou tecidos voláteis,
Observo uma a uma, suas bundas e coxas, pen-sativo, acalentado por sonhos pornô.
Velho depravado, é a cova que te espera, não os jogos e folguedos da juventude
------------------------ ------------------------------
Não é verdade, faço apenas o que sempre fiz, compondo cenas dessa terra sob as ordens de uma imaginação erótica.
Não desejo a estas criaturas, desejo tudo, e elas são como o signo de uma convivência extática.
Não é minha culpa se somos feitos assim, metade contemplação desinteressada, e metade apetite.
Se após a morte eu chegar ao Céu, lá deve ser como aqui, só que me terei desfeito da obtu-sidade dos sentidos e do peso dos ossos.
Tornado puro olhar, sorverei ainda as propor-ções do corpo humano, a cor da íris, uma rua de Paris em junho de manhãzinha, toda a in-compreensível, a incompreensível multidão das coisas visíveis
--
T.S.
Meus ouvidos ouvem cada vez menos das con-versas, meus olhos vão ficando mais fracos, mas não se fartaram.
Vejo suas pernas em minissaias, em calças com-pridas ou tecidos voláteis,
Observo uma a uma, suas bundas e coxas, pen-sativo, acalentado por sonhos pornô.
Velho depravado, é a cova que te espera, não os jogos e folguedos da juventude
------------------------ ------------------------------
Não é verdade, faço apenas o que sempre fiz, compondo cenas dessa terra sob as ordens de uma imaginação erótica.
Não desejo a estas criaturas, desejo tudo, e elas são como o signo de uma convivência extática.
Não é minha culpa se somos feitos assim, metade contemplação desinteressada, e metade apetite.
Se após a morte eu chegar ao Céu, lá deve ser como aqui, só que me terei desfeito da obtu-sidade dos sentidos e do peso dos ossos.
Tornado puro olhar, sorverei ainda as propor-ções do corpo humano, a cor da íris, uma rua de Paris em junho de manhãzinha, toda a in-compreensível, a incompreensível multidão das coisas visíveis
--
T.S.
domingo, 19 de julho de 2009
Desinfância
Aqui a infância faleceu
enterrara o primeiro brinquedo
junto da foto de mamãe.
que jamais conheceu
cresceu
tornou-se um brinquedo
nas mãos de Deus
A vida seu padrasto
e sua mãe
em cada mulher que amou.
Wilson Roberto Nogueira
enterrara o primeiro brinquedo
junto da foto de mamãe.
que jamais conheceu
cresceu
tornou-se um brinquedo
nas mãos de Deus
A vida seu padrasto
e sua mãe
em cada mulher que amou.
Wilson Roberto Nogueira
sábado, 18 de julho de 2009
A Morte da Poesia
“A poesia está morta
Mas juro que não fui eu...”
Zeca Baleiro jura que não foi ele.
Mas quem matou a poesia?
Será que foi o lirismo desvairado
dos poetas de plantão?
Ou a mente fria dos lunáticos
da televisão?
Que poesia? Que morte?
Por favor diz-me a verdade...
Que a realidade atrás da porta
É uma poesia morta...
Que a virgem do pedestal quase morta
lava o sexo com água mineral
E que o bobo da corte
Cobriu com um jornal do mês passado
O sexo exposto
Do rei posto...
Mas quem matou a poesia?
Nonato Nogueira
18 de julho de 2009
Jornal do Leitor- O Povo
CONHEÇA O GRUPO EDUCAÇÃO PARA O PENSAR
Para fazer parte da lista de discussão, envie um e-mail para:
educacaoparaopensar -subscribe@ yahoogrupos. com.br
Acesse:
http://nonatonoguei ra.blogspot. com/
http://filosofiapar acriancas. blig.ig.com. br
http://historia- ceara.vilabol. uol.com.br/ GovernadoresdoCe ara.html
Mas juro que não fui eu...”
Zeca Baleiro jura que não foi ele.
Mas quem matou a poesia?
Será que foi o lirismo desvairado
dos poetas de plantão?
Ou a mente fria dos lunáticos
da televisão?
Que poesia? Que morte?
Por favor diz-me a verdade...
Que a realidade atrás da porta
É uma poesia morta...
Que a virgem do pedestal quase morta
lava o sexo com água mineral
E que o bobo da corte
Cobriu com um jornal do mês passado
O sexo exposto
Do rei posto...
Mas quem matou a poesia?
Nonato Nogueira
18 de julho de 2009
Jornal do Leitor- O Povo
CONHEÇA O GRUPO EDUCAÇÃO PARA O PENSAR
Para fazer parte da lista de discussão, envie um e-mail para:
educacaoparaopensar -subscribe@ yahoogrupos. com.br
Acesse:
http://nonatonoguei ra.blogspot. com/
http://filosofiapar acriancas. blig.ig.com. br
http://historia- ceara.vilabol. uol.com.br/ GovernadoresdoCe ara.html
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Arte
Quantas vezes partir
para ser inteiro?
Quantas vezes
ser inteiro
para partir?
Um homem parte
é partido
parte-se
Para encontrar sua outra parte?
Parti tantas vezes
outras me parti nalguma parte
Nesta parte que busca a parte
da parte da outra parte da parte
que parte
se parte
reparte
Asas nascem inteiras
Arte
Hamilton Faria
em Encântaros
para ser inteiro?
Quantas vezes
ser inteiro
para partir?
Um homem parte
é partido
parte-se
Para encontrar sua outra parte?
Parti tantas vezes
outras me parti nalguma parte
Nesta parte que busca a parte
da parte da outra parte da parte
que parte
se parte
reparte
Asas nascem inteiras
Arte
Hamilton Faria
em Encântaros
Véu
A Helena Kolody
persigo a utopia desejável mundo transparente
mas se pego as asas do dia e vôo sou real
mais real que o véu que me separa do fogo e da lágrima
Céus de todas as Eras o limite é o sonho
Hamilton Faria
persigo a utopia desejável mundo transparente
mas se pego as asas do dia e vôo sou real
mais real que o véu que me separa do fogo e da lágrima
Céus de todas as Eras o limite é o sonho
Hamilton Faria
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+by+Dave+McKean,+2000.jpg)

