domingo, 26 de julho de 2009

Quark

Noturno colar de estrelas

No corpo das cores.

Clara cantiga criança

No rastro das flores cadentes.

Poesia pulsando no éter,

No cinturão das galáxias,

A música das esferas.

Angustia da minha espera

Num gigante espaço

Curvando-me entre sóis

Em gota azul, fisgada em anzol

Na calmaria das ondas do oceano cósmico.

Perdido em seu átomo, um sonhador

Embevecido em chuvas quânticas

De partículas fractais,

Onde as águas naufragam em feixes de luz.

Angela Gomes Brochier

Largo da Desorden

Íntima Fração

( Para Rubens da Cunha )

surdos meus pés

gritam a distância

disfarçada

curvos

adjetivados

pela hora tardia

das estranhas noites

contam espinhos

obscenos

turvos

semeiam

e colhem a palavra


Andrea Motta

Ao Sabor do Pensamento

O olhar cego começa um poema

desenha a trama.

Com mãos impolutas

despeja desejos

cria amores

e abandonos

em estranhos jogos

de memória

cogita

sangra

sonha interminavelmente

derrama sobre o papel

armadilhas inequívocas

do pensamento

Sorri

vertiginosamente

sorri até a exaustão

um sorriso marginal.

Etéreo

tece ilusões

e finda o poema.

Andrea Motta

sábado, 25 de julho de 2009

et le poëte soûl engueulait l´univers.
Arthur Rimbaud

Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Vínculos contrários á ousadia
Segredos empenhados em ti fenecem
Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Imagem aérea do que não se conhece
Frascário ingênuo que se adia
Meus cabelos desgrenhados estabelecem
Vínculos contrários à ousadia

Ricardo Pozzo

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Frida Kahlo

Roseana

só os animais são eternos.

jorge luis borges



refaço estória e ritual, com licença:

eu o sepulto também

aqui, no torrão raso

da página,

sob a palavra “asa”

em lugar de terra.



foi ana rosa que contou. história simples de passarinho. como os passarinhos.


desceu uma tarde em seu quintal um periquito. auriverde.

não!

cárdeo-cardíaco, sob o sol das quatro. na sombra,

musgo apodrecido.



inquieto, ágil, como de resto as aves

diminutas, por regra. um cavalo.



mas ficou logo escarrado: que era dócil, doméstico de ontem, solto, fugido.

não era espanto estar próximo, não se alarmava, não voou para longe,

para o: exato.


ficou ali, na imortalidade. relapso. fato estúpido.

livre, no instante, era um não ser

solitário.

como um cão.


notou (a rosa) que ele deslumbrava, transcendido de horizontes,

bem-assombrado. e ana também. deslumbrava.


mas

em contrário – mulher forte e firme, acostumada à voragem da vida –, o passarinho era um coração pequeno, nada mais. para aquela alegria, súbita e vertigem,

a musculatura frágil e

desusada.


peixe morto.



– deve ter voado o dia todo, coitado. não aguentou – ela disse.


também me arrepio.

de já haver conhecido periquitos alucinados.


é verdade, morreu de exaustão. de inadvertido, inexperiente.

no entanto, que sou incorrigível

e desconcertado, por isso eu acho:

morreu de vida.



(cavalo, cão, peixe e

pássaro.)


morreu

de eternidade.



***

depois, e foi só, ana o enterrou (com umas mãos de terra

e folhas secas) no quintal da casa.

Rodrigo Madeira

Retrato de Katya

Ex Machina

e o meu anjo da guarda quedou-se de mãos postas

no desejo insatisfeito de Deus.

manuel bandeira


me desculpa, geraldo carneiro,

entrar assim (a pontapés)

em poema alheio,


mas se deus é crupiê

do acaso, como dizes, tem

seu tanto de escroque

bem mais pleno:


deus (esse deus que

me ensinaram, ao menos)

é também cafetão de almas,

é também traficante

de tempo.



2.

Deus só não é Deus.


Deus é uma prostituta na frente do espelho. É um cão vira-lata atravessando a rua

e um adolescente se masturbando no banheiro. É um peixe morto trazido pela maré

e uma cobra na árvore da sabedoria. É um porteiro falando sozinho às três da manhã

e um menino no terminal cheirando tiner. Deus é uma senhora gorda que acredita em Deus

e uma menina que perde a virgindade. É um homem engravatado e um caminhoneiro e um operário e um mendigo. É uma árvore e um tigre medindo sua jaula, e um tigre passeando nossa alma. É uma empregada encoxada no ônibus e um ladrão baleado na esquina. É um gafanhoto de joão batista. É uma freira menstruada. Deus é um incrédulo e um vendedor de carros. É um pássaro preso depois de solto e um pássaro solto depois de preso. É um médico legista e um psiquiatra. Deus é um suicida. Deus é uma criança com fogo-selvagem e uma banhista marcada nos mamilos. Deus

é um senhor desempregado descendo a rua e uma barata subindo o corpo. É uma mãe cheia de afazeres e varizes e uma aranha seduzindo (na seda) a mosca etc.


ou

acender o cigarro num relâmpago

e olhar mais uma vez:

Ninguém.


Deus é um silêncio indecente, tão-apenas,

maior que a morte, roupas (vazias)

espalhadas pela cama.

Deus somos dois. aquele silêncio

triste e satisfeito,

vago e exato


de depois do amor.

Rodrigo Madeira

All its Furniture


A Flat in the Pauper's Barracks with All its Furniture

o Verão

O verão beija os namorados, entre a cidade, a floresta, o campo e o mar. O fantasma da gasolina envolve os pulmões, uma segunda pleura. Hoje cavo um bunker no domingo de tua virilha. Deixo minhas mãos pastarem como bois famintos. Temos a idade do pôr-do-sol. A quilha dos olhos já estalou. És a sereia, a única, as várias, rodeando meu naufrágio no abismo da seda.

Tu começas pelos lábios, carne sobre carne (junto à lânguida liquenografia da língua). Os motores lacônicos que elaboram pétalas e cãimbras, que pronunciam pássaros. Oficina de silêncios. Os lábios são o fruto que se colhe com os lábios, a carta (a carne) náutica para as arrebentações das pernas, as vazantes dos olhos, os cais dos seios.

A luz desta lua de cloro atravessa a escuridão de minhas mãos. Gaivotas da eletricidade grasnam, como guitarras distorcidas, sobre a mancha de porra. O corpo jazz na relva. Árvore de ossos, vento. Esta macieira é o único livro que li na vida. É impossível, eu sei, e é isso que me faz seguir adiante: escrevo teu nome com as quatro letras do amor.

Tuas coxas cheiram a terra molhada. No pescoço és uma égua, haste doente. São despenhadeiros teus mamilos. Folheio o alcorão de teus cabelos. E ao folhear-te, folheio-me. Existo também como quem autentica a própria morte no cartório das veias. A vida é enorme, minha amiga. A vida nos acontece à queima-roupa.

Subirei todas as escadas de tua nudez. Sonhar, floração de tesouras. Os óculos no chão. Meu coração é um cavalo escoiceando a caixa torácica. Uma ave que bate contra o vidro. Deus existe por alguns segundos: é a palavra de silêncio, o grafite de néctar no muro das costas. A cama é um bosque onde o perfume lança âncoras de hera. A usina do suor, a adega da saliva. Separar as pernas é como abrir a caixinha de música de tuas súplicas.

Boceta de pandora. Uma fogueira no centro do corpo, do quarto, da galáxia. Eu sei, sou um cego e um analfabeto. Meu esqueleto é um relâmpago. Tateio o braile do* desassombro.

Quase de manhã, o barco fundeia com as luzes apagadas. Nós morreremos, minha amiga, soterrados pelo cheiro feroz do jasmim.

Rodrigo Madeira

Dens of Death

Há um nódulo na quinta-feira. Dizer adeus faz caírem meus cabelos. A verdade é uma lâmpada falha num quarto cheio de moscas, mas a esperança, sobre as águas da febre, tem a pertinácia da cortiça. O tédio é a pior forma de tristeza.

Eis que algo no sol fratura o que somos sob o sol. O dia mija luz nas coisas e fere e fede e ilumina um jardim de absurdos: borboletas com caules, gerânios asmáticos, orquídeas menstruadas, margaridas que suam, lírios que sangram, girassóis cujas corolas são ânus. O sol brilha também sob minha pele.

O ronco dos carros é quase uma fuga de bach. Beatífico, anuncia a metástase de um silêncio. Quando o pôr-do-sol vazar feito um vagaroso sangramento de nariz, haverá um segundo para nos olharmos, e no aço dos ossos florescerão pátinas e tétano, e na medula correrá a seiva elétrica das plantas que não existem. Com um estetoscópio de marfim, ausculto a parada cardíaca das pedras. Meço a pressão arterial e a solidão da chuva.

Entardeceu. Deito-me sobre as pastagens tauríferas, verde como o escolar de van gogh. E deixo o vento definir meu nome. Quando levanto, é meio-dia: há uma praia caminhada de ninfas que tatuam o sol sobre a pele, e elas sorriem como o mar, puxando, puxando...

À noite, quando se morre mais de uma vez, a alma (esta ficção) faz guarida como um abajur no escuro. Todas as chaves perderam seus dentes, e não importa. Significar algo é brutal como empalhar uma criança. Estou alegre como quem anda descalço. Estou alegre como quem sobe o telhado. Ouço o sermão das nuvens. Ou me sento à mesa, corto um pedaço do peixe e já não digo nada (a boca cheia de silêncios): quais frutos velhos, as palavras estão abertas sobre a terra. Jogo longe minha flauta. Maré, por exemplo, cognoscível apenas pelo cheiro. As árvores, através dos vôos das aves, conversam entre si na distância imensa. Respirar é minha única religião.

Rodrigo Madeira

Imigrantes Italianos



Italian Immigrants at Ellis Island,New york Public Library,1905

Ábaco

Jardins metálicos polinizados
A pólvora por abelhas
Mecânicas e borboletas
Metafóricas
Exalam a fúria
Dos dias em flor.



A cidade pela cinza
e o carbono
se sabe sodoma
somos a soma
séculos inscrustrados
no marco zero
das metrópolis
pólis sem teto
abrigados nas praças
indiferentes à óleo e raças
consomem-se fontes
fontes consomomem
caridades
a cinza e o carbono
o sal da sopa
caixas de leite
sopa e fé
catedrais chamam fiéis
humanos contam nos dedos
orgasmos lucros saldos
extratos benesses divinas
imbecis pacifistas
imbecis bélicos
pela cinza e carbono
nos pulmões e nos ares
contas do ábaco espaço
a trajetória da imbecilidade
digo, civilização.

Carlos Souza

Jovem Imigrante Russa


Ellis Island .Ca.1905

Urbe

Jardins metálicos polinizados
A pólvora por abelhas
Mecânicas e borboletas
Metafóricas
Exalam a fúria
Dos dias em flor.

Carlos Souza

Uma Criança

Ele dorme o sono dos ladrilhos, cimentos, petis paves;

recosta a cabeça no tredo chão

respira ratos de shoppings centers

cagadas de lan-houses, lojas,games,grifes

e etecetras modernosas;

tem o carinho das lesmas e dos cuspes

recosta sua cabeça nas pegadas do fórceps cidadão

e aspira a apnéia do abandono.


Ele tem o sono do chão e dorme

sonha as vitrines da pústula bancária

e seu acordar é um banquete sem pesos nem medidas

rarefeito no self-service dos mensurados

lacaios de deus, jesus, maomé, lula, bill gates etc etc.

Contudo,

ele sonha !

com a moeda, com o tênis, o cobertor, o crack, a cola e

com o pai e a puta que lhe pariu!


Ele como eu tem a pele do concreto

e contraiu a lepra da boa vontadade;

toda escrotice desfila,

ululante poça vomitada do novo mundo.


Ele dorme e minha mão não o afaga...

(talvez é digno)

o lúcifer da esperança o consola

por entre as pocilgas estouvadas

seu acordar é fenda lôbrega dos high-tecs.


Sim,

ele dorme

na masmorra do futuro

reboco da própria espécie!


- Bom sono amiguinho,

Pequeno Príncipe da sordícia

Tullio Stefano

Diálogo em Solilóquio

Ó Ego:

- Por que tu me Falas,

Quando meus Ouvidos não te Ouvem?


Falo, porque tu pensas não ouvir,

Mas..., a informação te chega.


Ó Consciência:

- Por que te manténs Amorfa,

Quando a Inconsciência te Informa?


Não, eu não me mantenho disforme,

Apenas aberta em constante mutação.


Ó par de Olhos:

- Por que não Enxergas,

O que a Mente te Mostra?



Enxergo o que à minha frente se coloca,

Mas, de outra visão..., também desfrutas.


Ó Emoção:

- Por que teimas em ser Vencedora,

Quando a Razão não pode ser Derrotada?


Porque sou instinto, e instinto não morre,

A razão pode ser perdida, não a emoção.


Se tu ego, me falas,

E por ti me informo,

Se tu consciência, te manténs aberta,

E por tua causa, mutante sou,

Se tu olhos, enxergas,

E doutra visão adquiro conhecimento,

Se tu emoção, és comigo congênita,

E tu razão, és comigo vivente,

Sou um Ser em perfeição,

Um humano em evolução.


Mas nada disso me afeta,

Sou feliz..., por ser Poeta.


Creio então, continuar esta vida,

Da maneira que vivo até agora,

Consciente, interajo com meu ego,

Faço dele meu parceiro fiel.


Se, inconsciente separo-me do eu,

Com inteligência formada,

Deixo-me levar sem esforço,

Sentindo a verdade buscada.

Faço-me, pois, de forma presente,

Dualizo e dialogo com o ego,

Permitindo-me ouvi-lo,

Para poder ouvido ser.


Tirando de meus olhos,

A venda não existente,

Enxergo à clareza de sonho,

O que a mente já conhece.


E se consigo tais intentos,

Liberta à emoção,

E livre..., a razão,

Vivo com integralidade.


Mostro ao que vim,

Faço o que me propus,

Atinjo meus objetivos,

Item-a-item, como expus.


Vivo com amor e em Paz,

Sem guerras e sem rivais.

E incentivo com o exemplo,

Que o mesmo, façam os iguais.


Mas nada disso me afeta,

Sou feliz..., por ser Poeta.


Ao pensar em meus iguais,

Sei, não estou sozinho,

E o diálogo monológico,

Não mais mono e menos lógico,

Antes, de singular solilóquio,

Se estabelece em plural..., partícipes.


E assim, percebo que a evolução,

Faz parte de todo o Ser,

De Darwiniana nada tem,

Ela sim é impar, em fato e ação,

Cresce sempre a cada novo viver,

E o Humano das espécies, é o bem.


Mas nada disso me afeta,

Sou feliz..., por ser Poeta.


É..., acho que estou desperto,

Minha emoção está viva,

A razão..., sendo moldada,

Capto imagens atemporais,

Que olhos comuns não vêem,

Vivo de uma maneira informal,

Transmito em poesia,

A informação que me chega.

Dela..., o verso, faço em fruto,

Não me preocupo em ser ouvido,

Se, de boas palavras desfruto,

Delas não me sou comedido.


Mas..., por estar desperto,

Olho à volta, no dia-a-dia,

Noto a platéia vazia,

O "Diálogo" acaba,

O "dia" "logo" acaba,

Sinto que estou só,

A poesia..., solo de um louco,

A poesia..., diálogo em solilóquio.


Mas nada disso me afeta,

Sou feliz..., por ser Poeta.

Olinto Simões

Estrada

(a um amigo)

Foi quando então

Ele desapareceu entre as estrelas

Ficando aqui dentro de nós

Todas as marcas de seu trabalho

E a dor é apenas uma etapa

Do grande aprendizado

O sofrimento

É o que nos dá polidez

E a alma dos que ficam continua

Porque essa era a sua luta

Manter-se aqui

Para quando estivesse lá

Permanecesse aceso

Em todas as mentes que buscam

O fim da estrada

E o começo da glória

Foi quando então

Ele desapareceu entre as estrelas

Alessandro Jucá

Jornaleiros

Inferno Astral

Ah, esse mundo distante!

Onde a arte é semente de tudo

Onde a flor reascende a poesia

E a vida é movida de amor

Sim, esse mundo esquecido

Que ascende o sonho da alma

E a dor revivida no tempo

Confundiu-se com o próprio temor

Mas se agora no inferno dos astros

Eu pressinto os dias de outrora

Com a luz que guiava meus passos

Vou embora!

Sim, eu volto...

Em um belo dia de agora

Alessandro Jucá

Menina na Tecelagem

O Céu Olha pro Chão

O céu olha pro chão

É como se a estrela mais antiga

me olhasse intensa lá do alto

e nesse mesmo espaço, a vida

fitasse seus olhares no asfalto

o que pro céu talvez seja guarida

para mim talvez um cadafalso

e as coisas que eu via no cinema

me acenam suas cores da montanha

enquanto rezas recitadas em novenas

me envolvem em suas teias de aranha

o que pro céu resolve um teorema

para mim as chaves são estranhas

A origem do universo me fascina

E arte, criação que me alimenta

A beleza que atrai minha retina

Não se explica, se entende nem comenta

o que pro céu talvez seja uma sina

Para mim talvez o que se inventa

E assim eu sou feito de metade

Parte céu que me olha do infinito

Parte “chão” que sou eu, humanidade

Coração entre o mal e o bendito

O que pro céu talvez seja vaidade

Para mim talvez o mais bonito

Alessandro Jucá

Meninos Trabalhando na Mina

Luto

Não se pode rir
enquanto bocas banguelas
mastigam os próprios dentes,
dentes cariados de século XXI
e cariados de deus.

Não podemos rir
enquanto o arroto
é a fartura da carne tecnofágica.

Não se pode dançar
enquanto párias rodopiam o desabrigo
e a pança dos caçadores
está farta com suas presas
os fetos sem orvalho.

Não se pode cantar o som da plenitude
enquanto o oxigênio
é um metro cúbico de cofres.

Não se pode dormir
enquanto o raio do sol
é o especto da morte.

Não se pode andar
enquanto o extrato rude
da história fere tuas mãos
e as veias cozem o cadáver.

Mas,
quem sabe nem tudo está perdido...

Vamos riam!
eufóricos vassalos
Sim!!! Podem rir

enquanto os dentes atrofiam teus intestinos
no pasto do apátrida.
Sorria! Até quando tua fome
for teu intestino e tua moléstia
mais um cofre da tortura.

Dance! Dance!
enquanto a forca do futuro
não te enforca no cadafalso do presente.
Vamos! Exulte eufórico tua grife,
tua droga, teu PC e as sondas falantes
presas na tua cintura;
até saberes que és um mendigo
da tua vida, um álibe para o abate
no fantástico matadouro Homo Sapiens.

Vamos!
nosso pasto
é a nossa raça
espécie de verme vermicida
destroço das matemáticas
um cálculo
do aquém

Tullio Stefano

terça-feira, 21 de julho de 2009

Atmosfera escaldante...
Olha, olha a água mineral
água mineral
água mineral
e vc vai ficar legal!!!

Deisi Perin

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dois Poemas do Poeta Czeslaw Milosz

DESCRIÇÃO HONESTA DE SI MESMO JUNTO A UM COPO DE WHISKY NO AEROPORTO, DIGAMOS EM MINNEAPOLIS

Meus ouvidos ouvem cada vez menos das con-versas, meus olhos vão ficando mais fracos, mas não se fartaram.

Vejo suas pernas em minissaias, em calças com-pridas ou tecidos voláteis,

Observo uma a uma, suas bundas e coxas, pen-sativo, acalentado por sonhos pornô.

Velho depravado, é a cova que te espera, não os jogos e folguedos da juventude





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Não é verdade, faço apenas o que sempre fiz, compondo cenas dessa terra sob as ordens de uma imaginação erótica.

Não desejo a estas criaturas, desejo tudo, e elas são como o signo de uma convivência extática.

Não é minha culpa se somos feitos assim, metade contemplação desinteressada, e metade apetite.

Se após a morte eu chegar ao Céu, lá deve ser como aqui, só que me terei desfeito da obtu-sidade dos sentidos e do peso dos ossos.

Tornado puro olhar, sorverei ainda as propor-ções do corpo humano, a cor da íris, uma rua de Paris em junho de manhãzinha, toda a in-compreensível, a incompreensível multidão das coisas visíveis
--
T.S.

domingo, 19 de julho de 2009

Silhueta

Desinfância

Aqui a infância faleceu
enterrara o primeiro brinquedo
junto da foto de mamãe.
que jamais conheceu
cresceu
tornou-se um brinquedo
nas mãos de Deus
A vida seu padrasto
e sua mãe
em cada mulher que amou.

Wilson Roberto Nogueira

sábado, 18 de julho de 2009

presa

A Morte da Poesia

“A poesia está morta
Mas juro que não fui eu...”
Zeca Baleiro jura que não foi ele.
Mas quem matou a poesia?
Será que foi o lirismo desvairado
dos poetas de plantão?
Ou a mente fria dos lunáticos
da televisão?
Que poesia? Que morte?
Por favor diz-me a verdade...
Que a realidade atrás da porta
É uma poesia morta...
Que a virgem do pedestal quase morta
lava o sexo com água mineral
E que o bobo da corte
Cobriu com um jornal do mês passado
O sexo exposto
Do rei posto...
Mas quem matou a poesia?

Nonato Nogueira
18 de julho de 2009
Jornal do Leitor- O Povo

CONHEÇA O GRUPO EDUCAÇÃO PARA O PENSAR
Para fazer parte da lista de discussão, envie um e-mail para:
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http://historia- ceara.vilabol. uol.com.br/ GovernadoresdoCe ara.html

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Death (the particle Tarot )

Arte

Quantas vezes partir
para ser inteiro?
Quantas vezes
ser inteiro
para partir?

Um homem parte
é partido
parte-se

Para encontrar sua outra parte?

Parti tantas vezes
outras me parti nalguma parte

Nesta parte que busca a parte
da parte da outra parte da parte

que parte
se parte
reparte

Asas nascem inteiras

Arte


Hamilton Faria
em Encântaros

O Máscara

Véu

A Helena Kolody

persigo a utopia desejável mundo transparente
mas se pego as asas do dia e vôo sou real
mais real que o véu que me separa do fogo e da lágrima

Céus de todas as Eras o limite é o sonho


Hamilton Faria

Le Coucher de Sappho