sábado, 28 de maio de 2016

CAFÉ C/ POESIA...77


De repente vi quebrar
em meu peito um cristal
um coração enroscado
numa serpente!..
Minha alma chora
por ser tão vazia pela
incerteza e presteza,
num grito oco noite a fora!..
Meu ser chora e se irrita
e rompe os laços rosa
dos negros cabelos
da moça tímida e bonita!..

____Nillo Sergio.


Poera do balcão.

A Crueldade Contra a Violação do Corpo de uma Mulher no RJ


Ontem uma notícia horrível espalhou-se pelo Brasil: uma jovem, ainda menor de idade, foi violentada por 30 homens e ainda teve suas imagens expostas em redes sociais. Isto mostra a crueldade e falta de empatia do ser humano. A pobre da garota era dependente química, mãe solteira e moradora de rua, fatores que tornaram a vítima, uma presa fácil. Porém, devemos lembrar que o estupro coletivo acontece com pessoas de todas as classes sociais.
Em janeiro de 2013, uma senhora moradora de Curitiba, também foi vítima de estupro grupal a mando do ex-marido. Esta mulher foi violentada por seis homens, que foram pagos pelo seu ex-companheiro, que não admitia a separação. O problema é que o caso foi esquecido logo pela sociedade. Pois, se procurarmos em sites de buscas, encontraremos poucas informações sobre ele.
No final dos anos 90, uma professora da Região Metropolitana de Curitiba foi estuprada pelos próprios alunos que estavam inconformados com suas notas no boletim. Hoje, esta moça sofre de depressão, tentou suicídio e não leciona mais. Infelizmente, este foi mais um caso esquecido pela mídia.
Portanto, precisamos ensinar às pessoas que os seres humanos não são objetos e, também, não são inferiores por causa de sua profissão, gênero, ou, classe social.

Luciana do Rocio Mallon

Tem gente...

Tem gente...
Tem gente que tem o costume de vazar pelos cantos.
No começo vaza calada. Aos poucos. Aos pingos.
Mas se pega gosto principia o derrame.
Escorre quando fala. Escorre quando anda.
Não tem mais braço nem cabelo que sgeure.
Parece que vicia em ficar transbordada.
Mas tem gente que quando transborda é pra dentro.
E corre o risco de ficar represada. E represa você sabe.
Se aumenta muito arrebenta.
Mas se a pessoa ensaia um jeito de derramar pra fora.
Aí vai fazendo leito. Vai abrindo seu caminho na terra.
E a terra parece que se abre pra ela passar. Às vezes não.


- Viviane Mosé, em "Pensamento chão – poemas em prosa e verso". Rio de Janeiro: Editora Record, 2007.

O Olho do Museu do Olho Chora



O Museu do Olho vai expor
Com todas as suas feridas
E sem nenhum pudor
As obras apreendidas

Na operação Lava Jato
Isto é deprimente de fato
O olho deste museu
Sentiu todo o breu

Por isto derrama uma gota de tristeza
Pois ele não queria mostrar obras apreendidas
Embora tenham valor e muita beleza
Elas carregam, na alma, mil feridas.

Luciana do Rocio Mallon

Para o nosso Sempre

______*
Memória e rio
têm algo em comum:
não param de correr
a cercar suas margens
plantinhas
que estão a seu lado
guardam sempre
vivos tons
Ambos
jamais deixam de abrir
os cofres a ti
[e ao teu pensamento]
__________*
Eliana Mora, maio/2016


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Sonhei que Deus - todo pequeno gesto de amor-
não frequentava igrejas, livros ou estátuas.
Apenas corações...
Só corações.

sergio vaz

terça-feira, 24 de maio de 2016


VOTOS E ARMAS


.
Dentre todos os meus direitos
O que mais prezo é o respeito
Pelas escolhas que livremente fiz
Eu não escolhi ser brasileiro
Mas escolhi não ser estrangeiro
Nas fronteiras políticas do meu País.
.
Optei por um projeto político
Que atende aos meus íntimos
Anseios por justiça social
Encarnado pela esquerda
Que tem levantado a bandeira
De um Brasil menos desigual.
.
Não apoio a corrupção
Por isso quero a ampliação
Das operações da Justiça
Mas que sejam com imparcialidade
Sem nenhuma seletividade
E sem artimanhas ilícitas.
.
Não admito que criminosos torpes
Se mancomunem em baixos golpes
Transformando a Democracia em blefe
Quero que a Justiça se faça presente
Punindo os golpistas exemplarmente
E devolvendo o poder a Dilma Rousseff.
.
Só assim guardarei as minhas armas
E me submeterei às regras claras
Que mantêm o País em harmonia
Caso contrário integrarei exércitos
Para expulsar os golpistas pérfidos
E trazer de volta a Democracia.
.
Eduardo de Paula Barreto

24/05/2016

domingo, 15 de maio de 2016

TRANSPOSIÇÃO URGENTE!


Cordel em linguagem matuta.

Mote e glosa: Assis Coimbra. ( Engatinhante na arte da vida e do cordel )

Eitha povo sofredô
Qui vivi cas mãos inchada,
Pelos cabo das inxada
Seu arado semeadô.
E mermo sentido Dô
Ele suporta eaguenta.
Mais desdi o tri de setenta
Qui o Brasil comemorô,
O sertão sempri xorô,
SÊCA BRABA E VIOLENTA!
*
Sô cabôco do sertão
Do nordesti brasilêro
Já sufri nuitho janêro
Por fartá àgua nu Chão.
Tumei "água" di cacimbão
Muitho grossa i lamacenta.
Mais quando u Brasil foi penta
A nação toda vibrô.
Mas sempre u sertão xorô
SÊCA BRABA E VIOLENTA!

Direitos autorais protegidos, pela lei 9.610 de 19/02/1998


 assis.coimbra

People & Arts


Somos paisagens
Somos viagens.
Beduíno, viajas por meus desertos.
Amazônica, navego por tua mata densa.
Turismo;
Percorro de bicicleta tuas estradas
Cavalgo vagas em teus mares
Povôo de sonhos tuas montanhas
Floresto teus caminhos de pedras.
Peregrinações:
Vais a pé, sou Aparecida
Vais de trem, sou Machu Pichu
Vais sofrer, sou Compostela
Vais vencer, sou Varanasi.
Transformações:
Era Batel, virei Barcelona
Eras Sampa, viraste Amsterdam.
Éramos pouco
Viajamos por nós
Crescemos.
Geografias:
Rios, montes, cascatas
No meu corpo.
Pedras, arvores, muralhas
No teu corpo.
Somos juntos
Um Planeta.

‎maria lorenci

Lenda do Crisântemo Lilás da Rede Social


Neste último Dia das Mães, uma rede social lançou um “emotion” em forma de crisântemo lilás significando gratidão. Porém muitas pessoas não sabem que por trás desta figura existe um causo popular.
Reza a lenda, que muito antes de Cristo, existia na China uma moça chamada Li que não conseguia engravidar. Um certo dia, no jardim de sua casa onde só havia grama, esta moça rezou para a deusa Guan Yin e disse:
- Por favor, deusa Guan Yin me dê uma filha!
A entidade apareceu e disse:
- Eu enviarei um neném, mas ele será portador de necessidades especiais.
A moça comentou:
- Não tem problemas, pois eu amarei a criança mesmo assim.
A deusa falou:
- A semente foi lançada, pois você já está grávida.
Naquele momento, a jovem derramou uma lágrima na grama. Então esta gota de choro transformou-se num crisântemo lilás. Com o passar dos meses da gestação, o número destas flores aumentava no seu jardim. Depois de nove meses, Li deu à luz a uma menina que recebeu o nome de Chun, que significa primavera da gratidão.
Com o passar do tempo, Li percebeu que sua filha era muda. Porém, a menina gostava de brincar no jardim e usava o crisântemo lilás para se expressar. Por exemplo: quando estava triste, ela arrancava as pétalas desta flor. Mas quando se sentia grata, a menina dava um crisântemo para uma criatura que tinha feito o bem para a sua pessoa.
Um certo dia, Li faleceu e Chun partiu para conhecer o mundo, espalhando sementes de crisântemo lilás. Uma vez, esta moça sentiu fome e pediu comida, através de gestos, para uma idosa solteira que sonhava em ter um marido. A anciã deu um prato de comida para Chun. Desta maneira, como agradecimento, a jovem ofereceu uma muda de crisântemo lilás para a velhinha. Quando a anciã plantou a flor na terra, esta planta transformou-se num lindo homem que virou seu esposo.
Deste jeito, Chun começou a espalhar a gratidão pelo mundo através do crisântemo roxo. Toda a vez que alguém lhe fazia um favor, ela oferecia uma flor lilás, que tinha o poder de transformar o sonho da pessoa em realidade.
Por causa desta história toda, o crisântemo lilás é considerado a flor da gratidão e da maternidade.

Luciana do Rocio Mallon

Natgeo


Sou paisagem
Nem sempre sou.
A mesma, nem sempre.
Sou noturna Nova Iorque
E a Quinta da Regaleira
Píncaros e profundezas
Sob um luar causticante.
Sou o Negev
E as corredeiras do Nhundiaquara
Calor e frio
Ao sol delirante.
E sou o Largo e Guaratuba
Lar, aconchego, verdade...

‎maria lorenci

Trigrammation- refazer a linguagem é reinventar a vida

o teatro
como
jogos de Fala pulsivos

a dramaturgia
como
símbolos de imflexões da Voz

a cena
como
motor de Deslocamentos

evocação
e invocação

- não se trata de entendimento
trata-se de produção e experienciação de Intensidades

(é preciso furar a dinâmica neurótico-histérica do sujeito?dos afetos...

inconsciente                                 e                                  pulsão

                                                        {...chega de verdade



Roberto Alvim
Eu sou aquele que por aí anda sem saber
O que será de si se um dia tiver que parar
Porque minha vida é isto mesmo, é buscar
Os muitos de mim deste só que julgo ser.
Sou também o que vai passando sem se ver,
Quem não é visto p’los demais a procurar
O nada que é tudo e p’lo qual posso matar,
Mas só eu, sem que tal se logre perceber.
É uma demanda que me leva a nenhures,
Mas que vou fazendo até ao dia derradeiro
Pois sei que estou por aí perdido, algures,
Esse que entre tantos é o eu verdadeiro,
Oculto ou visível, conforme os áugures,
Que nunca m'indicam o trilho por inteiro.
Luís Corredoura 

As cartas que nunca mando

E nessa loucura de sentir
Já não sei se é nó ou se é laço
Mas sei que é em você que me refaço
Junto todos os meus pedaços
E me ponho inteira
Só pra você me quebrar depois...
Laisa Pessoa
O terrível lugar que fala deflagra e permite que a lágrima
seja vertida por si para si
estar nesse lugar, ser este lugar.
e vi o corpo diante de mim: a única chance.
perfurá-lo, penetrá-lo, destroça-lo.
e seus fluídos jorraram de meus lábios.
agora olho.
vejo.

Don Correa
Lá em baixo nas cidades a floresta
árvores
plantas
limo o pântano aqui
em cima
em você dentro carne  e terra
dos ossos singrando um corpo inteiro de oceano
nas ondas livros de sangue
pela paisagemcorpo em montanhas
lagos
vales
 mão

Roberto Alvim

sábado, 14 de maio de 2016

A MÍDIA NÃO DEIXOU MAIS!


Assis Coimbra:(Engatinhante na arte da vida e do cordel)

Quando eu morei no sertão
Vi gente passando fome,
Bem no meio da caatinga
Onde até "palma" se come.
Eu vi Carcará faminto,
Isso é verdade não minto
Piando de tanta sede!
Vi seca rachar o chão,
E gente morrer sem pão

ONDE A MORTALHA ERA A REDE.
*
Eu vi tanta inanição
Levar "anjins" todo dia
Vi cachorro bem "magrin"
Sem pegar uma cotia!
Vi gente com dor de dente,
Chorando em minha frente
Pois médico ali não tinha!
Vi menino do "buchão",
Chorando porque seu pão

ERA UM TIQUIN DE FARINHA!
*
A fome lá era triste
Calango virava caça,
E água quase não tinha
Só um "poquin" na cabaça!
O pai ficava num canto,
E a mãe chorava tanto
Pois comida ali jamais!
Ai chegou um presidente
Pra ajudar tão pobre gente

E A MÍDIA NÃO DEIXOU MAIS!
assis.coimbra

"Draco dormiens nunquam titilandus"


Deixe que durma
Que espalhe braços e pernas
Pelo colchão, sem limites.
Deixe que respire
Que sua garganta faça
Os mesmos barulhos de sempre.
Deixe que ela ocupe
Enfim, todos os espaços:
A cozinha, o banheiro, o canil.
Não se importe com as chaves
As roupas, os sabonetes
A ração do gato, as bananas na fruteira.
Deixe as chaves do carro
O dinheiro no cofre
Os cartões de credito
Saia vestido de coragem
Bata o pó das sandálias
Seja livre enfim.
Permita que o Dragão acorde
Se espreguice e te acolha
O Mariscal nos espera...

‪‎maria lorenci

SONETO DA TUA VINDA ANTECIPADA


Chegaste antecipado de mistérios
tendo na face, amorfo, o meu segredo.
Na argila do teu beijo adolescente
trazes canções molhadas de esperanças
sobrepairando lábios e hemisférios
onde se oculta, informe, o teu degredo.
Te vejo aproximado e intransparente,
te sinto inatingido de lembranças.
Por onde andaste, ó ave de granito,
plantando os pensamentos? Onde a veste
a seduzir-te chamas, branco e espaços?
Meus olhos te investiram de infinito
guardando, intato, o amor que não trouxeste
na tarde prematura dos teus braços.


ZILA MAMEDE(1928-1985) poeta paraibana, formou-se em biblioteconomia, trabalhou no Instituto Nacional do Livro, em Brasília.Foi diretora da biblioteca da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde viveu a maior parte de sua vida e onde o mar a levou para sempre. Publicou : Rosa de Pedra (1953), Salinas (1958), O Arado (1959), Exercício da Palavra (1975), A Herança (1984) e Navegos (Poesia reunida 1953-1978).ZILA MAMEDE está na 75ª postagem da série AS MULHERES POETAS...


Se quiser ler mais, clique no link http://www.rubensjardim.com/blog.php?idb=47440

Testamentos

  .
Não deixes que o meu olho morra
entre os teus vestidos...
Ainda havia muita
juventude em mim.
Naquele tempo as minhas pernas
não tremiam sobre a ponte....
Eu ouvi o som dos teus sapatos
que se arrastavam sobre o piso de barro....
...e acordo as cigarras
para que cantem o teu cântico,,,
Tu te afastas

e não ouves o meu coração que escurece...

Celso de Alencar, de 2003

O DIA DE HOJE É CINZA


O dia de hoje é cinza.
Assim se tingiram
os céus da cidade
que ontem festejou
com fogos de artifício
artifícios discursivos
– o que há para comemorar?
Indiferente à perplexidade
ante os duros golpes
dos tempos, segue
a luta.
A luta da mulher
que acorda de madrugada
para cruzar a cidade
e garantir seu lugar
à sombra dos patrões,
e depois levar para casa
a comida pouca,
que cozerá com seu cansaço
para alimentar o crescimento
das crianças.
A luta de quem mora
longe – inda que perto de nós –,
onde o estado de
exceção é regra,
e o Estado, uma exceção.
A luta das pessoas
que são governadas,
das que são despojadas
de palavras,
das que não sabem
quanto custa o dólar,
mas contam cada centavo
do trigo.
Há muito foi exilada
a esperança.
Ouço gritos, que ainda
parecem longínquos,
pedindo cárcere de quem
luta por mais do que circo
e pão.
Agora, parece que vão banir
o vermelho das ruas
– quem sangra,
que fique em casa!
O dia de hoje é cinza.

Teófilo Tostes

– São Paulo, 12 de maio de 2016

 (publicado em https://teofilotostes.wordpress.com/…/o-dia-de-hoje-e-cinza/).

domingo, 8 de maio de 2016

Perdoem-me meus filhos.
Mas é chegada a hora
E preciso confessar-vos
Sou vossa mãe e nunca tive medo de sê-la.
Porém, há medos que nos assolam e amedrontam nossas almas.
Amei-vos em demasia como todas as mães. E amar provoca medos. E estes sim nos fazem parecer loucas. Assumo, tomei muitas atitudes por medo.
Tomei? Ainda... talvez...
Digo-vos que a idade parece trazer-me juízo.
E juízo não é garantia de não errar.
Penso, às vezes, que sei o que é melhor para vós.
Vejam só que pretensão!
Sempre houve, e sempre haverá, respostas que não encontrarei.
Não me atrai o vulgar, muito menos para vós.
É... a idade nos prega peças. O que é bom é que não nos deixa no automático.
E assim poderemos fugir do estúpido senso comum
Creio que o simples seja a chave para a felicidade possível.
E para finalizar... o pior de tudo: Amo-vos, do jeitinho que sois.
Só por serem quem sois. E ponto final.
Mãe, eis aí os vossos filhos.
Filhos eis aí as vossas mães.

Deisi Perin

para Jorge Barbosa Filho ou vulgo "badalhoca bitch".


gozar dez vezes eu não consigo mais, creio que meu tempo com as putas também passou - eu não gosto delas e elas não gostam de mim; nesse ínterim, a poesia segue. e, mais cedo ou mais tarde, viramos mercenários, seja por ter que dar aula nas uniesquinas puquianas, para ninfetas intelectualoides, ou fazer o eterno freela, pra ganhar o dindin da cerveja. a coisa ainda fica pior, porque poesia é algo que ninguém lê, ninguém partilha e, por si, ninguém consome. a questão é: você pode ser um fodido tomando uísque ou conhaque vagabundo. eu, preferi ser putinha. mas, ainda não deu pra comprar caviar.


William Teca 
Se você não me encontra
me encontro...
...sem você.
Se não te encontro
me encontro...
perdido

Gilmar Chiapetti

Mesmo morto

Mesmo morto
morres mais um pouco
mesmo torto
entorpeces melhor a cada tombo
mesmo insone
relutas nas guerras com morfeu
e desabas em inconstância e inconsciência torpe.
exagerando fugas sem dar adeus
enquanto a mente dorme
adormecidamente constrói seus sonhos
porém a dor não lhe escapa
(dormente mente e a dor não lhe escapa )
e no pensamento incessante
o isolamento egoísta da morfologia
o faz lembrar que ainda a vida sobrevive
e que existe o mar e o amar constante
e alguém existindo realmente em algum lugar
não muito distante.
Dyane Silva.16 epopéia.

A gota


Desposara a esperança
e agora , já viúva,
Lembrara do tempo
de infância
brincando na chuva.

Descalça , co demônios fala.
Sabe que não se dissolve
em água
quem a cotidiana
aridez humana
fez reter tanta mágoa.

Perdera de vez
sob intransigente rudez
sua inexprimível doçura.

Ricardo Pozzo.16 epopéia

Lenda do Cachorro e o Manequim da Loja de Motos


Nos anos 80, em Paranaguá, havia um mecânico e motoqueiro apelidado de Zé que morava com sua esposa chamada Rose e seu cachorro de estimação Rex. Este rapaz vivia participando de competições de moto, onde ganhava muitos prêmios.
Um certo dia, ocorreu um acidente na Rodovia da Praias e Zé faleceu. No velório do rapaz, seu cão ficou ao lado do caixão ao tempo todo. Porém o corpo do moço foi levado, através de avião, para ser enterrado no Nordeste, onde seus familiares moravam.
Rose ficou triste, vendeu a casa e resolveu mudar-se para Curitiba, onde moravam seus pais. Porém na hora da mudança ela procurou por Rex, mas não achou o animal. Então foi embora sozinha. Alguns dias depois, o novo proprietário da casa demoliu o imóvel e viu um cachorro dentro do terreno. Este homem, mal humorado, chutou o bicho para fora e colocou uma cerca elétrica. Desta forma, o cachorro caminhou até Curitiba com o objetivo de encontrar a sua dona. Quando chegou à capital do Paraná, ele avistou, na Rua João Negrão uma loja de motos, onde tinha um manequim com roupas de motoqueiro iguais as que seu dono usava. Desta forma o animal passou a ficar ao lado do boneco, todos os dias. Assim os funcionários da loja começaram a dar água e comida ao bicho. Uma vez um funcionário do estabelecimento, viu o manequim acariciando o cachorro. Mas, quando chegou perto, notou que o boneco estava imóvel. O proprietário do local afirmou que teve a impressão de ver o manequim conversando com o bicho algumas vezes.
O tempo passou e um belo dia Rose estava passando pelo local até que reconheceu seu cão e gritou:
- Rex!
O bicho veio ao encontro da mulher.
O dono da loja perguntou:
- Este cachorro é seu?
A moça respondeu:
- Sim!
- Não sei como ele veio parar aqui. Pois o Rex se perdeu de mim quando saí de Paranaguá depois que perdi meu marido que era motociclista. Inclusive ele usava roupas semelhantes ao do manequim deste estabelecimento.
O proprietário comentou:
- Seu cachorro não larga deste manequim.
Após tudo isto, Rose levou Rex para sua nova casa. Porém, o cachorro voltou à loja ficar ao lado do manequim.
Este cão morreu em meados dos anos 90. Porém surgiu a Lenda do Cachorro e o Manequim da Loja de Motos.

Luciana do Rocio Mallon

sábado, 7 de maio de 2016

TORMENTOS, AGRURAS...


Mote e glosa:Assis Coimbra.(Engatinhante na arte da vida e do cordel)
Divago na imensidão
Submerso em meus tormentos.
E perdido em pensamentos
"Trafego na escuridão".
E assim, vou vagando em vão
Em meio as brumas escuras,
Tal e qual as criaturas
Perdido em divagações!
Então, sou elo em multidões...
SOFRENDO MUITAS AGRURAS!
Contato para trabalho!

Emails: assis.coimbra@gmail.com / assis_coimbra@yahoo.com Fone e whatsApp : (11}9.4213. 7976

Lenda do Vendedor de Cravos


Na cidade de Curitiba, havia um rapaz apelidado de Tito, que era parecido com o ator Cauã. Um certo dia, sua avó faleceu e deixou, a ele, como herança uma plantação de cravos na cidade de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Numa carta, que acompanhava o testamento, havia uma parte assim:
“- Tito, fique com a minha plantação de cravos. Mas não demita Maria, a minha empregada. Pois ela já é idosa e nem sabe escrever direito.”
Desta forma o rapaz foi cuidar das flores e montou uma pequena loja para vender estas plantas. Assim ele pediu para que Maria, a empregada, postasse uma foto sua com cravos no site de vendas OLX, com a seguinte frase:
“ – Eis, cravo! “
Porém a funcionária escreveu:
“- Escravo!”
A partir daquele dia, surgiu uma enorme confusão. Pois apareceram sadomasoquistas e até pessoas dos Direitos Humanos comentando o post. O interessante foi que até um sheik árabe tentou oferecer cinquenta camelos em troca do rapaz.
Após Tito esclarecer toda esta balbúrdia, aconteceu um outro fenômeno estranho:
Uma senhora pálida e maltrapilha veio comprar cravos e comentou com o rapaz:
- Estes cravos são para o meu túmulo, já que nunca ninguém colocou flores nele.
Depois de falar estas palavras, a idosa ofereceu um dinheiro velho ao moço, que comentou:
- Minha doce anciã, este dinheiro é cruzeiro, que não existe mais. Hoje as pessoas usam uma moeda chamada real. Porém, mesmo assim, darei de graça estas flores para a senhora.
No Dia de Finados, ele foi ao cemitério levar cravos para o túmulo da sua avó. Mas notou que ao lado dela estava enterrada uma velhinha muito parecida com a mesma anciã que desejava comprar seus cravos com cruzeiros. Porém o mais interessante é que as mesmas flores ainda estavam no seu túmulo.
Luciana do Rocio Mallon



domingo, 1 de maio de 2016

Foto do perfil


--Preciso falar com você!
--Fala amorzinho!
--Então, estava limpando seu carro e encontrei um envelope de preservativo debaixo do banco. O que significa isso?
--Significa que não se pode ser generoso, o Gustavo na hora do almoço me pediu o carro emprestado alegando que sua mãe estava doente e precisava leva-la ao medico, Patife!! O envelope estava aberto?
--Estava sim, amor. Mas não fique nervoso.
--Mas como não poderia ficar, isso é foda!! Agora vou mandar o carro pra lavar, sei lá o que esse abusado andou fazendo nele.
--Calma amor! Não fique assim, tire a camisa que vou fazer uma massagem pra relaxar.
--Está bem.
--Amor que arranhão é esse no seu ombro?
--Não te falei, a gata da vizinha entrou no nosso forro, fui tira-la e não é que peguei nas patas traseiras, com as dianteiras ela me arranhou, não gosto desse bicho, amor.
--Nossa, ficou feio, vou passar uma pomada, senão pode inflamar, você tem outro aranhão nas costas.
--Esse nem vi quando ela fez, esse bicho é arisco mesmo, benzinho.
--Verdade, temos que ver por onde ela esta entrando no nosso forro, amor.
--Sim, vou chamar alguém pra consertar isso.
--Amor, o que é isso no seu pescoço. Parece uma...
--Uma picada, amor. Abri a janela do carro indo para escritório, não sei que diabo de inseto era aquele, pensei até que fosse uma abelha me ferrando, fiquei com o pescoço dolorido todo o dia. Não falei nada para não te preocupar.
--Está inchado demais, vou pesquisar na internet, ouvir dizer que gelo é bom, espera amor.
--Sim, amada.
--O que é isso, seu safado, canalha, ordinário! Quem é essa mulher que curtiu sua foto de perfil do face, nunca vi ela antes, e tem cara de quem esta procurando um homem, de sirigaita. Nossos amigos vão pensar o que de mim? Não acredito você compartilhou uma publicação dela!!!!
--Calma, amor, nem conheço, na verdade nem sei de quem está falando, mas se for uma de cabelos loiros, pinta no canto dos lábios, sou cliente dela, tem um salãozinho lá que corto meu cabelo. E se é o que eu penso, compartilhei por uma boa causa, publicação de proteção aos gatinhos abandonados, amor. Não chore!
-- Então, você tira essa foto do perfil e coloca uma nossa.
--É claro, meu amor, vou colocar aquela que estamos nos beijando!
JDamasio Rascunho


Amigo capitalista


-Ola, Damásio, quanto tempo!
-Verdade, Ricardo, creio que mais de vinte anos.
-E daí, conte as novas, lembra a ultima vez que nos falamos foi naquele hotel cinco estrelas em foz do Iguaçu.
-Claro que sim, ministrava palestra de técnicas em vendas e você de motivação. Sai daquele ramo, hoje tento ser escritor.
--Que bacana, eu também publiquei alguns livros de auto-ajuda, os seus são voltados a área comercial? Bom mercado!
--Não, escrevo contos, tento fazer literatura.
--Literatura? Mas isso dá dinheiro.
--Dá satisfação, faço o que gosto, amigo. E também continuo com palestras.
--Está certo, suas dicas de técnicas vendas são ótimas. Isso tem mercado!
-Palestras voluntarias de incentivo à leitura, amigo!
--Sei... Está certo, e onde está morando?
--Estou morando no boqueirão, numa casinha simpática de madeira, terminei a pouco a varanda que circunda a casa, pega o nascer e pôr-do-sol.
---- Sim, lamento, quero dizer, entendo. Eu comprei um apartamento de cobertura no batel. Mas não tenho ficado muito nele, senão ia convidá-lo para tomar um uísque. A vida da lucros para quem sabe investir nela. Muito trabalho, ando numa correria. Agora, ministro palestras para executivos no Brasil todo. Falando nisso, deixa eu correr, tenho um contrato grande pra fechar, e passar na concessionária, carro novo! Falando nisso o meu está logo ali, quer uma carona pra algum lugar.
-Obrigado, querido. Mas não tenho pressa, vou caminhando, vou até a floricultura, tenho que pegar umas mudas de fores da nova estação para o meu jardim. Abraços.
-Então, valeu! Desejo melhoras, quero dizer, felicidades.
- Melhoras para quem e para quê? Tchau amigo.

Esse encontro tem mais de dez anos, nunca mais o vi, não sei se meu amigo capitalista enfartou ou se continua vivendo infeliz sem saber.

JD

O ENTERRO DO LOBO BRANCO

"Em poucos segundos minha garganta terá os músculos relaxados a respiração se tornará ruidosa e tomará o ritmo vagaroso dos animais agonizantes a presença dissimulada do estertor da morte meu coração não mais se repartirá entre ventrículo direito e ventrículo esquerdo a aorta não possuirá privilégio sobre as artérias menores meu membro conhecerá a lucidez das coisas flácidas e sem vida minha carapaça romperá com o mesmo vigor que se despedaçam as carapaças dos caranguejos azuis minhas pernas se quebrarão e sem ossos tomarão a forma de nadadeiras e eu poderei experimentar a letargia de mergulhar nas águas das cidades litorâneas enquanto cavalos marinhos copulam ao lado do meu corpo morto" 

Marcia Barbieri

Receita de pobre


Quando meu amigo empresário, começou a chorar sua miséria, resolvi passar uma das minhas receitas de pobre, que ele não conhecia: Mingau de Alho. Ingredientes - 1 1/2 L de água - 3 xícaras (chá) rasa de farinha de milho - 3 dentes de alho (amassados) - 1 sachê de caldo de galinha - Quando tinha pé de galinha era melhor. 1/4 colher (sopa) óleo de soja - cheiro verde à gosto, de tudo que tiver no quintal. Modo de Preparo. Doure o alho no azeite e derreta o caldo de galinha.Cubra com a água fria. Coloque a farinha de milho na água morna, mexendo sempre até que se torne um mingau bem mole. Deixar ferver (importante: não deixe o mingau ficar duro).Salpique com cheiro verde. Sirva quente. Bon appetit!

JDamasio

Lenda do Carneiro Sobrenatural da Vila São Paulo


Reza a lenda que o local onde é, hoje, a Vila São Paulo localizada no bairro Uberaba na cidade de Curitiba, era uma fazenda na época do Brasil-Colônia. Lá moravam a família do proprietário e seus empregados. Entre estes serviçais existia um menino chamado Pedro, que sonhava em ser padre, tinha como santo preferido São Paulo e sonhava em ter um carneiro por causa desta parte da missa:
“ - Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo...”
Toda a vez que Pedro escutava esta frase, ele imaginava um carneiro com asas.
Um certo dia, este garoto foi para a capela do sítio e orou:
- São Paulo, amanhã é meu aniversário e o meu sonho é ganhar um anjo em forma de cordeiro.
Na madrugada seguinte, Pedro escutou da janela do seu quarto, o seguinte barulho:
- Mé!
- Mé!
- Mé!
Quando o menino abriu a porta, viu que era um filhote de carneiro, ficou feliz e agradeceu ao santo.
Tempos depois, a geada negra matou quase tudo e o Brasil passou a enfrentar uma séria crise financeira. Sem opções de alimentos Zélia, a mãe de Pedro, resolveu cozinhar o carneiro e fazer um cobertor de lã sem que o filho descobrisse. Quando o garoto voltou da roça, viu o corpo de seu animal de estimação na mesa da cozinha, se assustou e foi chorar no seu quarto.
Naquela noite fria, Zélia cobriu o menino com o cobertor de cordeiro, que voltou à vida e abraçou o seu amigo. Deste jeito, o garoto abriu os olhos e ficou feliz com o seu aninal de volta. Porém, sempre quando chegava as seis da manhã o cordeiro voltava a ser cobertor.
Mas, nas noites quentes de Lua Cheia, este cobertor virava um carneiro e corria pela fazenda.
Reza a lenda que este sítio virou a Vila São Paulo, a antiga capela transformou-se numa igreja chamada São Paulo Apóstolo e o fantasma do carneiro anda pelo bairro até hoje. Por isto, é possível escutar, nesta vila, nas noites de Lua Cheia, o seguinte barulho:
- Mé !
- Mé !
- Mé!
Luciana do Rocio Mallon.


sexta-feira, 29 de abril de 2016

O URUBU


corpo do delito é
a expressão usada
para casos de
infração em que há
no local marcas do evento
infracional
fazendo do corpo
um lugar e de delito
um adjetivo o exame
consiste em ver e ser
visto (festas também
consistem disso)
deitada numa maca com
quatro médicos ao meu redor
conversando ao mesmo tempo
sobre mucosas a greve
a falta de copos descartáveis
e decidindo diante de minhas pernas
abertas se depois do
expediente iam todos pro bar
o doutor do instituto
de medicina legal escreveu seu laudo
sem olhar pra minha cara
e falando no celular
eu e o doutor temos um corpo
e pelo menos outra coisa em comum:
adoramos telefonar e ir pro bar
o doutor é uma pessoa
lida com mortos e mulheres vivas
(que ele chama de peças)
com coisas.

poema-pancada da Adelaide Ivánova, no livro "O Martelo".

PESCA ESPORTIVA?




NO CONDOMÍNIO EM QUE MORO, TEM UM LAGO NATURAL QUE FOI MANTIDO PELOS CONSTRUTORES, PARA DELEITE DOS FUTUROS CONDÔMINOS.
O SÍNDICO, NUMA DAS PRIMEIRAS REUNIÕES, DETERMINOU QUE A PESCA SERIA DAQUELE TIPO QUE FISGA O PEIXE E O DEVOLVE AO LAGO IMEDIATAMENTE. "PESCA ESPORTIVA", SEGUNDO ELE.
SEMANA PASSADA, ESTAVA EU, SOZINHO NO LAGO PESCANDO... DE REPENTE, UM PUXÃO NA LINHA!...
ERA UMA TILÁPIA DE MAIS OU MENOS UM QUILO.
LEMBREI QUE O JANTAR ESTAVA MEIO FRACO NAQUELA NOITE...
DEVOLVER? JAMAIS! OLHEI PRUM LADO E PRO OUTRO, COMO NÃO VI NINGUÉM, METI O PEIXE NO BOLSO FOLGADO DA MINHA CALÇA DE CAMINHAR...
- E AÍ SEU HORÁCIO!? PURO LAZER! TÁ DEVOLVENDO OS BICHINHOS NÉ?
ERA O SÍNDICO, PARA MEU MAIS PURO AZAR.
- CLARO! - RESPONDI, TENTANDO SEGURAR A TILÁPIA SE DEBATENDO NO BOLSO DA MINHA CALÇA.
QUANDO PERCEBI QUE NÃO CONSEGUIRIA ACALMAR O BICHO, PUXEI-O RAPIDAMENTE DO BOLSO E DISSE:
- TAVA SÓ ESPERANDO ALGUÉM APARECER PARA TIRAR UMA FOTO COM MEU CELULAR DESSE QUE PESQUEI AGORA.
FOTO TIRADA, JOGUEI DE VOLTA NO LAGO (COM O CORAÇÃO PARTIDO) O MEU SUCULENTO JANTAR.

EITA SÍNDICO FILHO DA PUTA!
Horacio De Almeida Lima

quinta-feira, 28 de abril de 2016

AMARGA DOR DA SAUDADE!.


Mote e glosa:Assis Coimbra.(Engatinhante na arte da vida e do cordel )
Amarga dor da saudade
Por favor saia de mim,
Bata asas, vá se embora
Voando igual Passarim.
E quando encontrar "Ritinha"
Pergunte se está sozinha,
Pois vivo na solidão!
E diga pra ela saber,
Que jamais outra vai ser...
A MUSA DO MEU SERTÃO!
Contatos para trabalhos.

Emails: assis.coimbra@gmail.com / assis_coimbra@yahoo.com

Todo dia o FACE me pergunta..., "No que estou pensando". Resolvi responder:


- Sou escritor e como tal me pronuncio. Faço da Parafrase minha arma consciente pra atingir o inconsciente de quem ainda amorfo, usa cores, tentando com embalagem, dar forma ao que sempre foi..., etérico.
- Hoje, ainda com o troar de todos os sons urbanos de ontem, em meus ouvidos, penso que tenho um pouco a contribuir com a confusão existente, ou quiçá, conseguirei aumentá-la..., consubstancialmente.
Meu pensamento voa com o éter fulgurante, sem que seja na Poesia Lupiciniana, para encontrar outra forma de literatura, a prosa, que de diálogo em diálogo, expressa coisas que 'muitos' com elas não ficam prosas, justamente porque..., gostam de prozas.
A viagem no tempo e no espaço me leva a uma 'Re-pública'..., a Grega, institucionalizada por Platão, na verdade, 'Aristocles', que estudando incansavelmente, colocava sobre os largos ombros, a responsabilidade dos conhecimentos, sobre Politeia.
Caminhando sobre pegadas Sócratinianas - Plato - começou a dialogar com Gláucon e Adimanto. Das muitas perguntas e plurais respostas, chegaram à conclusão, que o "ato de governar" é se colocar a serviço do governado, prezando que há caminhos tortuosos, para isso, em que "a justiça é superior à injustiça", contudo, para atingir tal estágio de sabedoria, "é preferível sofrer a injustiça", ao invés de "praticá-la".
Ele e os demais entenderam, que no lugar que houvesse justiça, ali estaria à felicidade.
Na sequência percebeu ele - Platão - pelos debates advindos das questões não clarificadas, os meios que estipulam e asseguram a existência de alguma substância fisiológica e anímica, que se adequaria a uma cidade bem ordenada, com público fiel e sempre permanente, que se re-novaria em sequitários de alguma Regentia, pois, haveria assim, o poder exercido por alguém em nome de outrem, e que em tal função usaria do libre verbo, para 'Regere' o comando e exercer o 'Poder' desde que fosse, ligado ao 'Rei'.
ó que..., passou o tempo e o espaço é outro, não o da Obra de Platão, que recebeu a classe quatro, como parte bibliográfica naquela literatura. Esse ponto trata da Educação Filosófica dos Governantes que deverão 'Instalar' e 'Preservar' a 'Ordem' na existência Politeica.
A 'Ordem Justa' aparece na questão mais crucial do tema – "Re-pública" – preconizando que a justiça é melhor que a injustiça, mas, abrindo espaço para a discussão se..., "O Homem Injusto Terá Vida Mais Regalada Que O Justo".
Definindo a questão, o embate e findando o encalorado debate que se prolongou sobre a ordem justa, chegam os Sábios, a resposta conclusiva:
- "A justiça é preferível à corrupção".
A República - de Platão - tem argumentação dialética. Pensamento dialético é caracterizado por "Apreender A Realidade À Luz De Posições Contraditórias", que ao final, passam a ser conhecidas e compreendidas..., uma, como a "Verdadeira", e a outra, como "Falsa".
Paralelamente a tudo isso, surge então, uma alusão à imagem da – "Lindíssima" – "Alegoria Da Caverna", que correspondente ao confronto do Ser encavernado, que num repente, descobre do lado de fora, a luz, o sol, a claridade e tenta mostrar aos que dentro da caverna – "Ignorância" – permanecem, que lá, só tem as trevas e a escuridão, afinal..., é uma caverna.
Eu e a dialética que apresento aqui, damos uma ideia de confronto com todo e qualquer tipo de empirismo. Não sei se sou dialético ascendente ou descendente, e isso também não me importa, já que tal questão abriria possibilidade da tentativa de "Corrupção" da minha ideia, devido à incorporação dela em uma situação empírica.
Na caverna..., estamos, mas..., "Há Luz" !
- Resta saber..., onde !
17 de Março de 2016

Olinto Simões.

Lendas da Estátua Chamada Namoradeira


Namoradeira é o apelido daquelas esculturas, originárias de Minas Gerais, que só possuem cabeça, braço, ombro e busto. Elas são, geralmente, colocadas nas sacadas das casas.
Reza a lenda que no final da escravatura existia, no interior de Minas Gerais, um sítio chamado Fazenda do Urubu. Lá morava sinhá Iaiá que deixou todos os seus escravos livres para trabalharem onde escolhessem. Porém ela tinha uma mucama muito fiel e sonhadora chamada Ritinha que vivia reclamando que não tinha um namorado. Então Iaiá inventou um pretendente imaginário para esta empregada. Mas para concluir seu plano, Iaiá mentiu para a mucama, que um caixeiro viajante achou a moça muito bonita, se apaixonou por ela e pediu sua permissão para fazer a corte através de cartas. Desta maneira Iaiá escrevia cartas para Ritinha fingindo ser um homem apaixonado e que dizia esperar a amada, numa tarde, toda linda debruçada na janela.
Por isto, todas as tardes, Ritinha ia para a janela, colocava a mão no queixo e ficava sonhando com o pretendente. Um certo dia, Iaiá percebeu que a mucama estava há mais de 24 horas, na mesma, posição na janela. Assim esta senhora encostou a mão na empregada e notou que seu coração tinha parado. Desta maneira, médicos examinaram a donzela e concluíram que a pobre tinha morrido.
Na mesma noite, Ritinha apareceu para Iaiá num sonho:
- Patroa, por favor, mande fazer uma imagem da minha pessoa e depois coloque a estátua na janela. Pois só assim minha alma terá paz. Afinal preciso esperar meu namorado.
No dia seguinte Iaiá levou uma foto da mucama e pediu para que um escultor fizesse uma imagem grande do busto dela. Depois que a estátua ficou pronta, ela colocou a imagem debruçada na janela.
Deste jeito várias pessoas, que passavam em frente à casa da fazenda, acharam a escultura bonita. Por isto resolveram encomendar obras parecidas e apelidaram este tipo de estátua de namoradeira.
Reza a lenda que a Fazenda do Urubu foi destruída. Porém a imagem de Ritinha continua intacta lá.
Há uma superstição que diz que não é aconselhável uma moça solteira ter uma estátua destas em sua casa, pois ela impede que sua dona consiga um namorado por carregar a alma sofrida de Ritinha.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda da Bruxa da Fralda


Como sou professora, várias mães me escrevem mensagens pedindo histórias infantis para que seus filhos deixem de usar objetos como: chupetas e fraldas. Já escrevi a Lenda da Bruxa da Chupeta, agora pesquisei a Lenda da Feiticeira da Fralda:
Reza a lenda que a criança que usa a fralda, com mais de dois anos de idade, corre o risco de ser perseguida por uma criatura muito má chamada Bruxa da Fralda. Esta feiticeira castiga os pequenos com pragas como: assaduras e bumbum de pato. Pois as crianças grandes que insistem em usar fraldas, ficam andando como patos e por isto podem sofrer deboche dos coleguinhas de escola e dos vizinhos.
Mas é possível alguém se livrar das pragas desta feiticeira ruim. Basta a pessoa concordar em nunca mais usar a fralda e utilizar o vaso sanitário, do banheiro, toda a vez que ficar com vontade de fazer xixi e cocô. Também não pode se esquecer de doar as fraldas, que ainda estão no pacote, para algum orfanato. Assim não há perigo da Bruxa da Fralda atacar.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda da Menina do Piano do Uberaba


Nos anos 70, num bairro chamado Uberaba localizado na cidade de Curitiba, havia uma comunidade protestante cristã que ficava atrás do conjunto habitacional chamado Jardim Centauro. As famílias destes religiosos costumavam dar aulas de Música para todas as pessoas deste bairro. Nesta comunidade havia uma menina que tinha o apelido de Laço de Fita, pois ela sempre usava laços em suas roupas e nos seus cabelos. Ela era loira, com os olhos claros e costumava tirar músicas ao piano de ouvido. Por isto seu passatempo era a Música e sempre que podia tocava o piano que existia, dentro da capela, desta comunidade religiosa.
Um certo dia, Laço de Fita estava tocando piano no templo. Quando, de repente, desmaiou e sua cabeça caiu no teclado. De repente, sua vizinha entrou, tocou na garota e percebeu que ela estava morta.
Dona Cida, morava no Jardim Centauro, e sempre que podia parava em frente àquela comunidade protestante para escutar o som do piano que vinha da capela. Um certo dia, ela ficou curiosa em saber quem tocava tão bem o instrumento. Deste jeito, ela entrou no templo e viu uma criança tocando. No final da música, a senhora aplaudiu e disse:
- Você toca muito bem!
- Parabéns!
- Qual é o seu nome?
A pequena disse:
- Laço de Fita!
Então, a mulher olhou para sua sacola, pegou um bombom e afirmou:
- Este chocolate é para você.
Mas, quando olhou à frente, a menina não estava mais naquele local.
Assim ela saiu da capela, viu uma moça e perguntou:
- Jovem, por acaso, você viu uma menina chamada Laço de Fita que estava tocando piano há uns cinco minutos aqui?
A moça respondeu:
- Eu conheci uma criança com este apelido, porém faz um mês que ela faleceu.
Viviane também morava no Jardim Centauro e estudava piano com uma professora, nesta mesma comunidade religiosa. Um certo dia, ela estava triste porque não conseguia acertar as lições de Música. Desta maneira, Vivi entrou na capela e começou a chorar. De repente surgiu uma menina que perguntou:
- Por que está chorando?
A jovem respondeu:
- Porque não consigo aprender piano.
A garota comentou:
- Meu nome é Laço de Fita e quero ser sua amiga.
- Por favor, sente-se ao piano deste templo, mostre-me as partituras porque talvez eu possa ensina-la.
Deste jeito, a garota ensinou as lições para Vivi, que chegou a sua aula de piano executando todas as partituras perfeitamente. Depois da aula a moça viu um retrato na mesa de sua professora e comentou:
- Esta menina da foto me ajudou nas tarefas de Música, na capela, hoje.
Porém, a professora falou:
- Isto é impossível porque esta criança já faleceu.
Reza a lenda que Laço de Fita até hoje toca piano na capela, desta comunidade religiosa, localizada no bairro Uberaba.

Luciana do Rocio Mallon

SOMBRAS!


Cabisbaixa caminhava
Com sombras ela lutava
Não iria se entregar.
Caminhava lentamente
Como a pensar ..Que faria
Para sombras abandonar.
Solitária ..Enfrentava
Sabia que não podia
Com mais ninguém a contar
Repentinamente..Parou!
Desenhou um sorriso
Para aliviar o amargor.
Ergueu a cabeça ..Firme
Um grito de liberdade
Como animal reagia
Agora já não teria
As sombras para atormentar.
Marilene Azevedo.