domingo, 10 de abril de 2016

PQ ÀS VEZES É SÓ ISSO



Vc descobrir onde comprar castanhas de Belém do Pará ou açúcar mascavo do jeito que vc gosta. Ou descobrir um bar que vc tem prazer em sentar sozinho num fim de tarde e beber uma cerveja. Ou onde tem o melhor churrasco grego da cidade com a pimenta mais bagaceira e mais forte. Ou qual é o melhor horário pra vc ir no cinema sozinho e que vc pode sentar em uma poltrona sem ninguém por perto comentando o filme. A loja de discos que o cara te atende com um puta sorriso no rosto (pq evidentemente ele sabe que vc vai comprar muitos discos) e já começa a baixar da prateleira o que ele sabe que vc gosta (ou seja, todos aqueles discos de rock sulista de uns caras cabeludos e mal encarados ou aqueles de blues de uns negões desdentados). Ou a loja de gibís que o cara te atende te dizendo o que chegou no último mês. Ou simplesmente o fato de vc saber que no fim do ano depois de todo o trabalho que vc teve, há uma chance (por mais remota que seja) de vc simplesmente entrar em um avião e ir parar num lugar distante. Aquele lugar que vc simplesmente admirava em cartões postais ou revistas de turismo. Ou simplesmente fazer uma viagem de volta para dentro de si mesmo e entender satisfeito que vc jamais conseguiria trair tudo aquilo que vc leu, ouviu e viveu desesperadamente quando jovem. Pq ficar velho às vezes é só isso. Encontrar a sua pátria. Se manter leal. E sábio. Com aquela cara de estúpido que vai enganar meio mundo. E eu espero que engane mesmo. Eu acho que é bem melhor assim, principalmente se vc prefere não se explicar tanto.

Mario Bortolotto
tensos meus olhos encaram
o desejo de partir e ir morrer
de rir de minha comédia privada
a cada dia a vida dá uma descarga
se eu pudesse rir sem chorar
se eu pudesse ser sem estar
ora se eu pudesse a posse a pose
um close up um up um enfarto
mas nada é puro acaso se
eu faço o que faço eu largo
da minha mão não saem traços
se tenho engulho da vida a vida

é cara e o conhaque barato

William Teca
"Ao deslizar da pena"
Tudo é o mais
Que possa ser
Concebido como
Tudo. Sempre mais
Do que o que posso
Conceber. Mas
Só o poema faz
Tudo mesmo ser
Tudo e possível,
Até mesmo lógico!
Será que podes ver
As assanhadas asas
Dessas libélulas
Que agora saltam
Alegres da folha anêmica,
Para o tudo-ou-nada,

Ao deslizar da pena?

Adriano Nunes

AUSENTE IMAGEM

O que não digo
materializa-se no poema
como ausente imagem
de uma fita de cinema.
A palavra omitida faz-se verdadeira
abandonando a solidão onde se escondera
erigindo viadutos sobre impossível tráfego
entre o sonho e a ausência, o diálogo.
Descobrir em meio ao deserto
o frescor de um olho d' água
e dele servir-se para além da sede
É a coragem do poema: instrumento
que circuncisa pálpebras fechadas
ampliando olhares em descobertas. . .

José Luiz Sousa Santos‎ 


- por JL Semeador de Poesias, na manhã de sábado, 29/11/2014, revisitado na madrugada de 10/04/2016 –

são saruê


festa no sertão é bala
bola no buraco é búlica
cabral não descobriu a pólvora
por detrás da coisa pública
a chama do lampião na palha
fogueira sempre quero acesa
linguagem meu fuzil navalha
explosão como feijão na mesa

Artur Gomes


http://fulinaimicas.blogspot.com.br/2016/…/sao-sarue_44.html

A MAIS BELA MISSÃO!


Assis Coimbra (Engatinhante na arte da vida de fazer rir)

A missão do Palhaço está na graça
Estampada na face da criança.
Na ternura que trás a Esperança
Ao infortúnio que "mora" lá na praça.
Tá no riso sincero e sem pirraça
Do verdugo que jamais irá matar.
Na alegria que faz arrebatar,
Toda angustia que causava só rancor.
Tá na paz do Arco-íris multicor

QUE O ENCANTO SÓ FAZ APASCENTAR!

Contato para trabalho!


Emails: assis.coimbra@gmail.com / assis_coimbra@yahoo.com

Lendas do Edifício Mal-Assombrado, da Rua José Loureiro, em Curitiba


Anos atrás, quando Curitiba ainda se chamava Vila Nossa Senhora da Luz, havia na Europa uma bruxa chamada Hildi, que costumava fazer rituais de magia negra, com crianças, em troca de dinheiro. Um certo dia os inquisidores pegaram esta feiticeira e, como castigo, colocaram a bruxa num navio que viria para o Brasil. Quando chegou em terras tupiniquins, Hildi desembargou em Paranaguá. Mas temendo ser desmascarada, a mulher decidiu vir para a Vila Nossa Senhora da Luz. Com o dinheiro que ela ganhou, na Europa com magia, comprou uma casa onde, atualmente, fica um edifício na Rua José Loureiro em frente à Praça Carlos Gomes. Lá ela passou a fazer feitiçaria pesada, que incluía mortes de crianças, em troca de alta quantia de dinheiro. Além disto, Hildi fez um pacto com o demônio para ficar rica. Porém em troca ela teria que matar quinze menores, com esta intenção, dentro de sua própria residência.
Um dia Gertudres, uma senhora que teve a filha desaparecida, descobriu que Hildi matou sua criança em um ritual. Assim, esta mãe furiosa, entrou com uma espingarda na casa da bruxa e matou a mulher. Quando a feiticeira chegou ao Inferno cobrou o pacto de Satanás, porém ele disse que Hildi ficaria rica só depois que matasse mais quatorze crianças no local em que era a sua casa. Desta forma, o lugar em que Hildi morreu passou a ser amaldiçoado. Anos depois foi inaugurado um prédio naquele local, onde sete crianças caíram em quedas misteriosas. Reza a lenda que é o espírito de Hildi que faz com que os menores morram para que o pacto seja cumprido. Nos anos noventa, uma jovem com problemas neurológicos e com características mediúnicas dizia que alma de uma feiticeira assombrava o prédio. Desta forma, meses depois ela teve uma crise nervosa e se jogou do prédio. Portanto, se você têm filhos pequenos nunca leve estas crianças a este misterioso prédio da Rua José Loureiro, em frente à Praça Carlos Gomes, em Curitiba.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda da Cigana da Paleta Mexicana


Há cem anos existia uma cigana chamada Hibisco, que gostava de cozinhar e de tocar violão. Na culinária, ela sempre estava inventando receitas novas. Porém, como seu clã não aceitava que uma mulher tocasse violão, ela pegava este instrumento que pertencia ao seu falecido pai, às escondidas, e treinava no meio do mato.
Um certo dia, sua avó disse:
- Sei que você gosta de tocar violão, mesmo que isto não seja um instrumento considerado ideal para mulheres. Mesmo assim, para o seu bem, procuro fingir que não vejo nada. Por isto, estou entregando-lhe um presente precioso que está nesta caixinha de madeira e que só deve ser tocado em caso de emergência.
Hibisco abriu a caixa e ficou encantada ao ver que dentro tinha uma paleta de prata.
Uma vez esta caravana de ciganos entrou no México e montou acampamento. Assim Hibisco resolveu dar uma volta no novo local e avistou uma placa, numa loja de doces, falando sobre um concurso de guloseimas que oferecia prêmios em dinheiro para receitas originais. A garota resolveu se inscrever porque era boa na cozinha e os ciganos estavam precisando de algum auxílio financeiro. Deste jeito, naquela noite, a menina tentou inventar alguma receita, mas nada estava dando certo. Depois de muitas tentativas ela resolveu tocar violão com a ajuda da paleta misteriosa. Porém, no meio da primeira música, algo mágico aconteceu: da paleta de prata surgiram paletas feitas de madeira; frutas como morango, framboesa e amora começaram a flutuar no ar e o hibisco seco passou a voar como pássaro. Depois todos estes ingredientes foram para a panela e se misturaram. Após isto o creme que se formou foi para as formas de picolés junto com as paletas de madeira e tudo ficou geladinho. Então a cigana percebeu que uma nova receita tinha surgido e batizou o novo confeito de Paleta Mexicana. Desta maneira, a sua nova receita de sorvete ganhou o concurso. Por ter ganhado o prêmio, ela foi liberada pelo seu clã para tocar violão à vontade.

Luciana do Rocio Mallon

sábado, 9 de abril de 2016

Lenda de Aurea, a Cigana da Estátua de Ouro


Na Idade Média, existia uma cigana chamada Aurea, que era responsável por esconder os tesouros da caravana dentro de sua roupa, já que era muito magra. Para não chamar a atenção dos saqueadores, a carroça dela era feia e sem pintura, diferente das carruagens dos outros ciganos.
Um dia, quando Aura era criança, sua avó explicou:
- Sua missão é guardar o ouro do clã dentro de suas vestes. Mas se um dia algum ladrão roubar este tesouro de dentro de você, uma maldição cairá em seu corpo.
Os anos se passaram, a avó desta moça morreu e ela continuou a guardar as joias do seu povo dentro de suas roupas.
Num dia frio de inverno, no meio da estrada, um grupo de saqueadores atacou esta caravana. Então revistaram a todos e descobriram que Aurea escondia um tesouro dentro de suas vestes. Como a donzela não queria entregar a preciosidade, os ladrões mataram a pobre, jogaram seu corpo para dentro de um bosque, roubaram as joias e saíram correndo. Mais da metade daquele clã morreu no assalto.
Porém, o corpo de Aurea transformou-se numa estátua de ouro que ficou abandonada no meio do mato.
O tempo passou e algumas pessoas vieram morar perto daquele local, dentre eles uma menina chamada Valore. Um certo dia, os pais desta garota perderam o emprego e a situação financeira deles ficou muito ruim. Assim a garota teve a seguinte ideia:
- Tomara que chova e faça um arco-íris depois para que eu encontre o pote de ouro. Deste jeito resolverei os problemas econômicos da minha família.
Numa manhã abafada choveu muito. Mas depois veio o Sol e surgiu um arco-íris. Desta maneira, Valore saiu pela floresta em busca do seu objeto de desejo. Apesar do esforço ela não achou pote de ouro nenhum. Porém, de repente, ela tropeçou em algo e quando olhou para baixo, reparou que se tratava de uma estátua de ouro em forma de cigana.
Como um raio, a imagem transformou-se numa mulher e disse-lhe:
- Obrigada!
- Sou Aurea!
- Você me libertou!
- Em troca darei um pote de ouro para você.
Reza a lenda que a cigana Aura é uma entidade muito bondosa que atende pessoas com problemas financeiros, trazendo-lhes emprego e dinheiro. Ela veste um vestido dourado, várias joias em seu corpo e seu incenso preferido tem o nome de “chama dinheiro”.

Luciana do Rocio Mallon

Julieta, Romeu e o Milagre da Multiplicação do Voto


- Romeu, um pastor votou no meu lugar!
- Ele abandonou as ovelhas e o gado para votar?
- Não foi um pastor de animais.
- Entendo, então foi obra do cachorro pastor alemão. Estes animais vivem querendo imitar os humanos.
- Romeu, foi um pastor evangélico e o pior é que tudo foi gravado!
- Julieta,  mesmo assim, ele pode falar que foi o milagre da multiplicação dos votos. Mas é bom tomarmos alguma providência.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda Sobre a Timidez dos Curitibanos e o Deus Stribog


Moro aqui em Curitiba e uma das características dos curitibanos é não trocar cumprimentos pela manhã, ou seja, eles não dão o tão famoso “bom dia” quando vê algum conhecido na rua.
Quando morei em outras cidades e dizia ter vindo da Capital do Paraná, muitas pessoas me perguntavam:
- É verdade que em Curitiba as pessoas não se cumprimentam, principalmente, pela manhã?
- Existe alguma razão para isto?
Como sou curiosa e tenho interesse por lendas, logo tratei de pesquisar este fenômeno e descobri que este fato tem uma relação com o deus Stribog, da mitologia eslava. Pois na capital do Paraná há muitos descendentes vindos do Leste Europeu.
Reza a lenda que Stribog era um senhor idoso que era deus dos ventos, tinha duas asas e morava numa ilha. Ás vezes, ele gostava de sobrevoar a Terra e observar o povo. Então este senhor notou que quando alguém dava “bom dia” pela manhã, no mesmo segundo, pegava tanto as energias positivas quanto as negativas da pessoa a qual ele cumprimentou. Se a energia ruim era forte, a criatura passava o dia inteiro de mau humor e triste. Por isto, Stribog resolveu proibir os cumprimentos matutinos em sua ilha e, por coincidência, a produtividade do povo aumentou.
Portanto, se você é de fora e achou estranho algum curitibano não responder ao seu “bom dia”, lembre-se: ele só está seguindo, mesmo que inconsciente, o conselho do deus Stribog.

Luciana do Rocio Mallon

CIDADANIA


Cidadania é um dever do povo.
Só é cidadão
quem conquista o seu lugar
na perseverante luta
do sonho de uma nação.
É também obrigação:
a de ajudar a construir
a claridão na consciência
de quem merece o poder.
Força gloriosa que faz
um homem ser para outro homem,
caminho do mesmo chão,
luz solidária e canção.

© THIAGO DE MELLO


In De uma vez por todas, 1996

Giz rendado


O que a onda diz
ao cão sentado
babando moluscos
e saudades?
Como rasgar a onda
sem cicatrizar em azul?
Beber a ardência seminal
de amantes afogados
como quem engole
segredos guardados
entre debruns
de ondas
em seu giz rendado

Bárbara Lia

 in Tem um pássaro cantando dentro de mim (2011)

Página 06

MADRUGADA CAMPONESA


Madrugada camponesa,
faz escuro ainda no chão,
mas é preciso plantar.
A noite já foi mais noite
a manhã já vai chegar.
Não vale mais a canção
feita de medo e arremedo
para enganar solidão
Agora vale a verdade
cantada simples e sempre
agora vale a alegria
que se constrói dia a dia
feita de canto e de pão.
Breve há de ser
sinto no ar
tempo de trigo maduro
vai ser tempo de ceifar
Já se levantam prodígios
chuva azul no milharal,
estala em flor o feijão
um leite novo minando
no meu longe seringal.
Madrugada da esperança
já é quase tempo de amor
colho um sol que arde no chão,
lavro a luz dentro da cana
minha alma no seu pendão.
Madrugada Camponesa
faz escuro (já nem tanto)
vale a pena trabalhar
faz escuro, mas eu canto
porque a manhã vai chegar.

© THIAGO DE MELLO


In Faz escuro mas eu canto, 1965

Poema de mi instinto y de mi verso


Yo soy el pulsador del Mundo.
Mi verso es como un mancebo
deslumbrado de sol.
Por eso, me siento alegre
y toda la música de la Creación
rompe como una orquesta en mi pecho.
Cuando se desplome la noche
ya no podré perderme,
porque entonces me salvará mi instinto.
Subiré como Zarathustra a la montaña
a la hora que el mediodía
luce su rubí, abierto como una llaga
sobre su frente limpia y diáfana.
Me agarraré a las crenchas del Infinito
teniendo entre mis dientes

la pulpa ruda de mi Verso.

Juan Antonio Corretjer. Porto Rico

sábado, 2 de abril de 2016

Lendas do Dia Primeiro de Abril, Dia da Mentira


Desde o começo do século XVI o ano novo era comemorado no dia 25 de março com a chegada da primavera. Durante este dia até o dia primeiro de abril, existiam bailes no reinado de Carlos IX na França, mas este período de festas terminava no dia primeiro de abril. Pois reza a lenda que neste dia, se abria um portal e o demônio mais zombeteiro tinha permissão para andar pela Terra pregando peças através de mentiras. Segundo a tradição, as pessoas deveriam colocar máscaras em primeiro de abril para não serem alvos de brincadeiras deste diabo, que só partia no dia dois de abril.
No baile do Dia da Mentira todas as pessoas tinham que usar máscaras. Reza a lenda que o diabo zombeteiro também participava desta festa e escolhia uma moça para dançar. Porém se suspeitassem que alguma donzela dançou com o demônio zombeteiro, ninguém poderia se casar com ela porque senão teria azar.
O misterioso é que no dia primeiro de abril aumentavam as mortes por problemas de coração. Por isto, dizem que o diabo zombeteiro costumava mentir para as pessoas idosas e com saúde mais frágil que alguém da sua família tinha falecido.
Em 1562, o papa Gregório XIII colocou um novo calendário para o mundo cristão em que o ano novo caia no dia primeiro de janeiro. Mas, alguns franceses não aceitaram a ideia e os mais jovens começaram a chamar estes conservadores de bobos de abril. Então os moços passaram a convidar os mais tradicionais para bailes inexistentes. Assim por causa destes fatos surgiu a lenda de que primeiro de abril é o dia da mentira.
No Brasil, a tradição do Dia da Mentira surgiu em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um jornal inaugurado em 1º de abril de 1828, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, chamando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como endereço um lugar que nunca existiu.
Como dizem que o demônio zombeteiro fica solto no Dia Primeiro de Abril, as pessoas mais supersticiosas colocam alho na frente da porta junto com um pote de água benta e abrem a bíblia na varanda na parte onde diz que o diabo é o rei da mentira, localizada em João 8:44.  Reza a lenda que a casa onde as pessoas fazem isto, o demônio zombeteiro não entra no Dia da Mentira.
Luciana do Rocio Mallon


Fábula da Princesa Ace de Leve


Era uma vez, num reino distante, uma princesa chamada Ace de Leve que morava com sua madrasta má, a rainha Lascívia.
A princesa Ace de Leve não sonhava em achar um príncipe encantado. Por isto, ela escutava comentários de pessoas ignorantes como:
- Por que você não namora?
- Quando você vai casar?
- Por que você não pega ninguém nos bailes?
Mas a donzela tinha personalidade própria e por isto não dava bola para estas criaturas sem noção.
Um certo dia, a madrasta perguntou ao seu espelho mágico:
- Espelho, espelho meu!
- Existe alguém que come mais bolo do que eu ?
O objeto respondeu:
- Sim!
- O nome dela é Ace de Leve!
Então ela ordenou seu capataz chamado Eros arrancar o coração da princesa e trazer o órgão ao palácio. Mas o empregado ficou com pena da moça e entregou uma almofada de coração com as cores: preta, roxa, cinza e branca para a madrasta. A rainha ficou com ódio e mandou uma moça chamada Sensualidade oferecer lixos para Ace de Leve, como: filmes adultos e funk para ver se a princesa morria. Porém Ace de Leve ficou tão indignada que fugiu para a floresta encantada onde moravam sete anões, com os nomes de: Demi, Romântico, Arromântico, Gray-A, Binário, Não-Binário e Pan. Com estes amigos a donzela se sentia à vontade e livre.
O problema foi que Lascívia descobriu onde Ace de Leve estava. Por isto mandou uma mulher chamada Vênus dar uma maçã envenenada para a donzela, que comeu e desmaiou.
Porém, algumas horas depois, um príncipe que carregava um bolo na sua carruagem, avistou a moça adormecida. Por isto, ele chegou perto e exclamou:
- Despertarei esta donzela com um beijo!
Desta maneira Ace de Leve sentiu o cheiro do bolo, despertou e disse:
- Sou Ace não preciso de beijos para acordar, pois desperto só com o cheiro de doces.
Deste jeito, a moça deixou o príncipe para trás, voltou a viver com os sete anões e foram felizes para sempre.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda do Baile do Dia da Mentira, Primeiro de Abril


Na França do século XVI existia o Baile do Dia Primeiro de Abril, onde todos usavam máscaras. Reza a lenda que neste dia se abria um portal e o demônio mais zombeteiro, do Inferno, saia para debochar das pessoas na Terra através de piadas e mentiras. Também existia o boato de que até o diabo debochado usava máscara neste baile e escolhia uma moça solteira para dançar. Porém se alguém desconfiasse que uma donzela bailou com este demônio, ninguém poderia se casar com ela porque traria azar.
Naquele tempo na França, morava Desiree, uma mulher solteira de 45 anos, que pretendia ir ao baile. Antes da festa ela disse a sua irmã:
- Arranjarei um noivo nesta festa nem que seja o diabo zombeteiro do dia primeiro de abril.
Quando chegou a noite do evento, as pessoas estavam de máscaras. Todas as mulheres dançavam com seu par menos Desiree. De repente, chegou um homem mascarado de bom porte que pediu para dançar com ela. Os dois estavam bailando no salão quando, de repente, o salto da moça puxou a capa do rapaz, que revelou um rabo escondido. Depois o chapéu do homem caiu e todos notaram os chifres em sua cabeça. Depois disto tudo o moço correu e fugiu do local. O problema é que Desiree ficou amaldiçoada, pois ninguém se casaria com ela.
Um certo dia, a donzela caiu em desespero e fez o famoso ritual do espelho onde ela invocou o demônio que dançou com sua pessoa no baile. Deste jeito este diabo apareceu e puxou a moça para dentro do espelho.
Porém quando sua irmã chegou ao quarto notou que havia algo estranho no espelho. Algumas vezes antes de dormir, ela via chamas infernais dentro deste objeto. Então a mulher resolveu vender a casa junto com o espelho dentro. Porém, o casal que comprou a residência passou a ver coisas estranhas no espelho como uma mulher no meio de chamas. Assim, os proprietários tentaram vender este objeto, mas não conseguiram. Reza a lenda que esta casa foi abandonada, porém o espelho continua intacto com a alma de Desiree dentro. Porém, todo o Dia Primeiro de abril, se abre um portal e o espírito desta moça vem passear na Terra junto com o demônio zombeteiro do Dia da Mentira.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda do Rei Guloso e a Lebre Disciplinadora da Páscoa


Num reino distante havia um rei apelidado de Gulosinho, que vivia comendo chocolates sem parar.
Uma vez, faltando três dias para o Natal, este monarca deixou uma caixa de bombons aberta em cima da mesa do seu quarto e foi até a suíte. De repente, uma faxineira magra e desnutrida entrou no aposento para fazer a limpeza. Porém, ao ver a caixa de bombos aberta toda cheia de chocolates, a empregada não resistiu e comeu um. De repente, o rei pegou a moça no fragrante e mandou a pobre para o calabouço.
Mas, no Reino do Beleléu, o Coelhinho da Páscoa e a Lebre Disciplinadora, que é uma criatura que castiga no domingo pascoal as pessoas que foram más o ano todo, estavam vendo tudo.
Quando chegou a Páscoa do ano seguinte, a Lebre Disciplinadora apareceu à meia noite pascoal, com três caixas de bombons de péssima qualidade, amarrou Gulosinho com cordas e disse-lhe:
- Como você foi um homem mau, farei a sua pessoa engolir três caixas de bombons de procedimento duvidoso, de uma só vez, após isto darei a loção de laxante da bruxa.
Desta maneira, a lebre fez o rei engolir todo o chocolate e ainda tomar purgante no final. Sem falar que ela soltou a empregada depois. Mesmo assim disse a ela:
- Agora, por favor, não coma nada que não for seu.
Reza a lenda que a Lebre Disciplinadora não costuma castigar só crianças no domingo de Páscoa, mas adultos ruins também.

Luciana do Rocio Mallon




GOSTO PELO ROSA



Finitude
do que

pensa –

chuva
fina que

me olha –

falso
sol de

qualquer
um

Jorge Lucio de Campos


In: Prática do azul (Lumme, 2009).

Lenda da Segunda-Feira Molhada, um Dia Após a Páscoa


Há 2000 anos antes de Cristo, no continente europeu, existia a Deusa Ostera que era responsável pela Primavera e colheitas fartas. Reza a lenda que esta donzela não poderia tomar banho porque se tivesse algum contato com a água seus poderes poderiam acabar. O animal de estimação de Ostera era um coelho.
Naquele tempo os humanos tinham uma festa, chamada Páscoa, para celebrar o início da Primavera e desejar sorte na colheita. Então eles faziam um evento em adoração à deusa Ostera para que ela expulsasse os maus espíritos, que podiam invadir esta estação, e para garantir fartura.
O problema é que esta deusa era muito criticada por ter uma certa idade, ainda ser virgem e não querer casar. Um dia, outro deus se apaixonou por esta moça. Assim ele tentou de tudo para conquista-la. Depois de muitas investidas, o rapaz ficou com ódio e sabendo do ponto fraco do seu objeto de conquista, jogou água em Ostera enquanto ela estava dormindo bem um dia após a comemoração da Páscoa. A jovem ao acordar toda molhada olhou para o moço e se apaixonou por ele, pois a água tinha o poder de quebrar o encantamento. A camareira da deusa ao acompanhar tudo, desceu para a Terra e espalhou o boato que seria necessário que os rapazes jogassem água nas moças, um dia após a comemoração da Páscoa, para que nenhuma delas morresse virgem. Por isto, até hoje esta tradição existe no Leste Europeu e chama-se Segunda-Feira Molhada. Pois um dia após a Páscoa os homens jogam baldes de águas perfumadas nas mulheres solteiras.
Na época em que eu trabalhava, no comércio de Curitiba, havia uma cliente chamada Mari, que tinha 45 anos, era donzela e já tinha perdido as esperanças de se casar. Porém, aos 46 anos de idade, esta senhora viajou na época de Páscoa para o Leste Europeu, levou um balde da água da comemoração da Segunda-Feira Molhada e acabou se casando com o mesmo homem que fez esta brincadeira com ela.
Luciana do Rocio Mallon


Um Calculador de Improbabilidades

Quanto Ódio
quanto ódio
diz
quanto ódio
não sabes
tens
dentro de ti
o deferente tapete da palavra
a rede bélica
os rasgos secundários
TUDO
engendra
articula
atavia
a sala da tua fala


Ana Hatherly, 

haicai do dia 2 de abril



moro, me solte
a elite, o psdb e a globo
é que estão dando o golpe


antonio thadeu wojciechowski

Jujubas, Céu Cinzento e Chão Escuro



O asfalto estava gelado e cinzento
Bem quando um pó entrou em sua íris
Ele olhou para o céu fechado e rabugento
Procurando um alegre arco-íris

Mas derrubou o pacote de jujubas coloridas
Das suas mãos fortes, calejadas e macias
Por culpa da mente e alma distraídas
O chão virou um arco-íris de poesias

As vezes procuramos no céu
O que já possuímos aqui na terra
As cores não deixam a alma ao léu
Quando a procura é doce e sincera.

Luciana do Rocio Mallon

segunda-feira, 28 de março de 2016

MERGULHO
Cansada de voos rasos
melhor o mundo profundo
qual lasca de abismos,
primata, profano...
superficial demais
dizem meus olhos,
arte sem pausa e final,
prega meu deus
enquanto isso, na alça
do tempo, o mundo
poeira, na queima do
dia total e moderna
é a idade do silêncio
que sem nós, me desata
:
a cova é livre,
e a vida é só de subidas
Carmen Silvia Presotto – Vidráguas!
SÍMBOLOS DE DESEJO
eu olhei a mão de Neruda,
escrever na areia um poema
para as ondas levarem aos peixes
a frágil passagem da vida
em palavras que desaparecem
eu bebi o licor de ameixa
o chá de gengibre de Picasso/
doente onde a alegria negra
era o insumo do fogo curando/
o corpo agarrado ao inferno de Dante...
eu senti o desespero de Hemingway/
ao disparar aquela bala em riste
com a solidão silenciosa das idades
fomos os primeiros à cumprir o tempo
na loucura distante/
das fugas sem fôlego dos poentes...
nós podemos ainda perscutar o sonho
de Woodstock/
voar com o vento nos cabelos
das luas ultrapassar todos os limites/
as constelações resvalando no capô
de nossas almas bólidos no abismo
de um poema com várias asas de Rimbaud...

Adilson Alchuiy.
das retinas
há uma flor de maio
de janeiro a dezembro
no outono daquele olhar
cláudia Gonçalves
Peço ao tempo,
tempo!
E o tempo...
sempre, sem tempo
não tem o tempo,
que o tempo quer!

Ana Andrade

Aos Pobres de Espírito

Aos Pobres de Espírito
só os tolos, meu
imaginam que um poeta
seja ateu
toda poesia é eterna e infinita
e ao menos em seus versos
o poeta acredita
como então este papo furado
sobre Vinicius de Moraes
que até ao esqueleto dele se irrita?
ateu confesso conversa mole
de quem não se inspira
com a fé do poeta não se bole
diz que é ateu por sarro de mentira:
"agradeço, Jesus, mas nem precisava
tamanho sacrifício, porque hoje é sábado"...
bastou saber que eu sabia que ia amar
e me lançar voando sobre este precipício
que é saber que vou amar e até viver depois de morrer
e vou sofrer até voltar a amar
Evoé, Vinícius, os tolos não sabem o que questionar
e do poeta ignoram a fé forte no Pai Criador deste ofício
que faz fé no amor e voa para além de existir somente o amor
como o que se deve ter e dar para conceber e conceder.
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abstrato é
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27/03/2016 - Edson Felizardo – SP

LIDAS DIÁRIAS NA CHÁCARA

(Lauro Volaco)

Num momento em que grandes discussões são entabuladas sobre o que os pais modernos podem ou não solicitar aos seus filhos, sem querer realizar um julgamento, pois não é este meu papel, quero contar para vocês o que nós fazíamos de útil em nossa infância. Vale ressaltar que tínhamos um caseiro e que uma grande gama de serviços do dia a dia, era feita por ele, mas acredito que por medida didática, nosso pai instituiu várias atividades para que nós as realizássemos. Eram medidas que ele estudou a viabilidade técnica, econômica e educativa, estabelecendo as rotinas, sem querer saber se eram do nosso gosto ou não. O argumento que desconhecíamos, mas ele não, deveria ser o seguinte: vocês quiseram ter esta área, que era uma dádiva para nós e nossos amigos, agora repartam os cuidados para manutenção comigo. Mas isto que acabei de falar é uma inferência minha, pois nunca nos foi dita.
Uma atividade diária e que era repetida no período da manhã e no final da tarde era recolher todos os ovos dos cinco galinheiros. Isto deveria ser feito com uma série de cuidados, para evitar atropelos e muita agitação das muitas galinhas e dos poucos galos. A quantidade de ovos era enorme e, dentre aquelas aves, as que paravam de botar eram as primeiras a encontrar o caminho da panela, pois a questão era produtividade, sem protecionismo.
Outra atividade, mais divertimento que obrigação, era irmos todos os dias, no início da manhã, ver nosso pai a ordenhar a vaca e nos dar o leite para bebermos, ainda quente e tirado na hora. Enquanto aquilo acontecia, íamos buscar o milho com palha e sabugo, para alimentar a vaca. O bezerro tinha hora certa para mamar: antes da ordenha para soltar o leite, e depois de tirada a quantidade suficiente para o nosso uso, pois o restante pertencia a ele.
Colher frutas quando amadureciam, com todo o cuidado para não bater umas contra as outras e levar para casa para serem comidas ou transformadas em doces caseiros, os quais eram armazenados em caixetas de madeira ou vidros de compota. Todo o trabalho de descascar, com a vigilância muito próxima de nossa mãe, era feita por nó, e todos os restos, dados para os porcos, o que possibilitava a perda zero e eliminação de resíduos. Em algumas frutas, esse trabalho era muito penoso, como os figos verdes, que soltavam uma espécie de leite ácido, tinham que ser descascados com lâmina de barbear, bem fininha para não ferir a fruta, que iria se transformar em belíssimas e gostosas compotas. As nossas mãos ficavam ardendo e dava a impressão que havia sido queimadas com aquele líquido, agressivo à nossa pele. Os excessos das frutas produzidas abundantemente em nosso pomar, depois de termos usado tudo o que queríamos, eram doados para os alunos da Escola Rural, a todos os vizinhos, a quem as pedisse, e ainda sobravam muitas, com as quais alimentávamos os porcos criados no mangueirão e nos chiqueiros de engorda. Havia épocas que até os porcos recusavam comer, principalmente peras, pois a quantidade era tão grande, que até eles enjoavam.
Certo dia, eu, metido como era, resolvi realizar um trabalho que não estava no planejamento de meu PA para que o fizesse. Vocês conhecem um tipo de foice pequena e em arco, usada para cortar grama/capim para dar aos animais? Nela havia um serrilhado para ajudar na hora do corte, que ficava do meio para a ponta da ferramenta, com a qual. Armado, juntei um maço de capim e passei o instrumento, esquecendo-me que o meu dedo mínimo estava na linha de corte. O sulco foi tão profundo que deu para ver o osso na hora em que foi lavado o ferimento. Mas o difícil mesmo foi ter que procurar os pais para tratar daquele corte e ainda dizer que estava desobedecendo a uma ordem recebida. Daquela vez, acredito que por dó da dor que senti, não fui castigado nem levei uma surra. Mas até hoje tenho uma redução da flexibilidade e força no dedo ferido na ocasião Dura forma de aprendizado, mas muito eficaz, pois nunca mais fiz isso ate hoje.


HISTÓRIAS DE UM PIRAIENSE.

TANQUE DA CHÁCARA


( Lauro Volaco)

A água sempre exerceu uma forte atração em mim. Assim, rios, riachos, mar, lagoas, piscina e outras tantas formas que a contém me fascinam. Acordar e ver uma névoa fina sobre a água me transporta a situações de muita paz e harmonia. Mas o que eu gosto mesmo é do contato físico com ela, que me envolva, me embrulhe, me toque, me acaricie. Pescar bem cedinho, num dia mais frio e com a água bem quente fazendo o contraste e formando aquele vapor, faz com que a vontade de pescar vire secundária, para dar lugar ao prazer daquela imagem.
Mas vamos falar de um filete de água que corre nos fundos de nossa chácara, com água absolutamente pura que nasce bem próxima de onde foi construído o nosso tanque, menos de trezentos metros do “olho de água”. No início da minha infância, nem íamos muito até este filete de água, pois não tinha a menor graça, não nos proporcionava nenhum tipo de entretenimento. Por outro lado, tinha o tanque do Fanchin, que era um lugar onde nós éramos atraídos mais que um imã num pedaço de ferro. Meu pai e meu tio Rubem, percebendo que ali havia um potencial de aproveitamento e divertimento, resolveram construir um pequeno tanque. Melhor dizendo: um pequeníssimo tanque. Não seria tão bom quanto ter uma piscina, mas seria muito melhor que nada. Além do mais, nos manteria em nosso território. O lugar escolhido foi estratégico, pois precisou fazer pouca remoção de terra praticamente sem descaracterizar o terreno, todo cheio de árvores, samambaias e arbustos. Além do mais, quando uma construção como estas é feita com pá, enxada, carrinho de mão e baldes para transportar os materiais removidos, a canseira e o trabalho são enormes. Outro fator levado em consideração é que no local escolhido não havia rochas, o que seria um complicador para a construção. Uma coisa que foi muito sábia, foi termos participado de todo o trabalho, pois ele passou a ter um valor inestimável para nós. Ficamos sabendo muito bem o que é construir alguma coisa, mesmo que pequena. Depois, cuidávamos daquele tanque, com o carinho de um pai com seu filho. Foi projetado para que a água pudesse sempre estar limpa, mesmo durante o uso enquanto nadávamos. Para isto foi feito uma barragem de contenção, que tinha na parte bem inferior e no meio do tanque, um furo com um tampão de madeira, para que ele pudesse ser esgotado e feito uma limpeza fina de folhas, galhos e mesmo barro. Na parte superior desta pequena barragem, ficava o vertedouro, para que a água não transbordasse de forma desuniforme e provocasse erosão. O fundo foi revestido com lajotas de pedra e também uma das laterais do tanque. A outra parede foi mantida naturalmente de terra, pois ela era muito compacta e foi deixada sem revestir visando reduzir custos (“fazer mais com menos”. De tempos em tempos, drenávamos toda a água e fazíamos uma limpeza geral, deixando aquele nosso tanque limpíssimo, para receber o novo volume de água, que não tinha custo algum. O que tinha de ruim é que demorava vários dias até que enchesse novamente, pois o volume de água era muito pequeno. A água era muito gelada, pois entre a nascente e o tanque, não recebia calor do sol, de tanta vegetação que recobria todo este trecho do filete de água.
Aquele pequenino tanque era para nós, uma fonte inesgotável de prazer, pois podíamos reunir nossos amigos para grandes brincadeiras. Era tão pequeno, que para que pudéssemos saltar do barranco, precisava que ninguém estivesse na linha de salto, para evitar embutir um pescoço no ombro da vítima. Pequeno espaço, grandes divertimentos para uma criançada que podia brincar na água sabendo de sua qualidade e com mínimo risco.

Grandes e boas lembranças que meu pai e meu tio nos proporcionaram de forma tão simples.
“Dame el ocaso en una copa!”
Velhas estradas bifurcadas
Lentas aparições de fantoches
Nas alamedas do nada
Bárbara Lia in A flor dentro da árvore
Prêmio com um poema denso - holocausto dos livres:
Holocausto dos Livres
Hitlers sonâmbulos jogam vôlei com a lua
Afugentam pássaros, queimam ciprestes
Enquanto pequeninas Franks registram -
No escuro - o belo impregnado de pólvora:
Açucenas atiradas no cais do amanhã
Árias flutuando no esperma dos anjos
A paz silvestre de um beija-flor avelã
A sugar a rosa divina em voo distraído
Franks esmagadas no ar do ódio inócuo
Enquanto mil Hitlers de oco cego ego
Brilham ácidos no altar da prepotência
As pequeninas meninas – Annes
Franks modernas vestidas de lilás -
Escrevem trancadas em armários
Meio a ratos e candelabros de fogo
Uma arca flutuando acima de suas auras
Um graal tecido entre as tranças loiras
Escrevem contra o tempo, suam crisântemos
A ampulheta do escárnio acelerando o fim
O mundo compactua - cego contumaz -
O holocausto da beleza em andamento
Hitlers sádicos a queimar os lírios da paz
A raptar a lua para iluminar seu bacanal

Bárbara Lia


Prêmio Cataratas de Contos e Poesias (2012) - 2º Lugar
Aquele momento em que
A Ia aparece aqui em casa e
São Paulo e Curitiba formam
Uma terceira cidade sem nome.
Ali onde brincamos de escrever nossos nomes
Nas árvores que acabaram de nascer:
Meu amor, somos os novos bregas dessa
Terra de ninguém.
Caímos de sono
No quintal das nossas risadas.
Dormimos decretando cores
À jovem população sem rosto.
Ah, qual cachorro irá lamber
Nossa cara quando o sol surgir
Vazio no horizonte?
A cidade sem nome
Só costuma receber você e vocês.
Todos nós gritamos "feliz ano novo"
Quando beijamos a boca da multidão
Olhando com os nossos olhos
Ouvindo com os nossos
Tímpanos
Pensando o que pensamos
Na semana que vem.

Alexandre França

No futuro do passado presente


Não sabia o quanto a amava, inventava desculpas para rejeita-la, ela se manisfestava, gritava! Ajudei a sufocar esse grito de liberdade, remorso. Eu era inocente, acreditava na justiça, na mídia e nas vozes das ruas, a decepção foi um golpe! Pensava que a ditadura imposta só vestia uniformes militares e não togas. Agora, silenciosa , adormece abraçada ao Estado de direito, nos becos, nos cantos escuros da sociedade. Reencontro-a em livros de historia, saudosa e amada democracia brasileira.
Curitiba, 15 de novembro de 2050. "Autor desconhecido"

JDamasio

sábado, 26 de março de 2016

Tocando Frente


E as marcas deixadas na areia nos seguem como os discípulos seguiam o mestre. Por ele recordamos o passado mas, depois dele, aprendemos, ao olhar para a cruz, a levantar a cabeça e seguir com o olhar voltado para a eternidade. 

Feliz páscoa amigos, amigas, família.

ANTIBUDISMO


Que me perdoem
os de bem com a vida
mas para fazer poesia
a dor é fundamental...
É fundamental
uma dor de corno,
uma ressaca brava,
uma angústia kierkegaardiana,
uma vontade súbita de se atirar no mar...
Só a dor transfigura
o asco, o travo, o amargo da boca
em pétala, em cântico, em salmodias...
Se tudo é dor,
e toda a dor vem do desejo,
eu quero todo o desejo que existir neste mundo.

Otto Leopoldo Winck

O ENTERRO DO LOBO BRANCO

"Era urgente sair de perto daquele corpo silenciado morto a cajadadas seus olhos não mais seguiam a órbita certa dos gozos intensos agora eu também era um cadáver e você uma carcaça verde atrás do véu eu podia ver os engenheiros do holocausto sabia que um dia as cores tomariam conta dos seus ossos mas eu ainda tento ainda vasculho o abismo dos seus orifícios sim eu nunca me contentei com a maciez das suas mucosas eu ia além gostava das pedras escondidas nos seus rins nas suas vesículas no seu baço gostava de me embrenhar no seu intestino delgado escutar o seu grito de desespero enquanto meus membros radiografavam a sua angústia e os seus dias cinzentos você escondia um hospício atrás dessa pele habitável" 

Márcia Barbieri

Um Homem Com uma Enxada na Mão e um Walkman no Ouvido



Um homem com uma enxada nos braços
É um herói sem medo de trabalho
Faz do esforço e da competência eternos laços
Em seu espírito forte como o carvalho!

Ele pega na grossa enxada de madeira
Para tirar o mato cruel e nocivo
Sua alma é uma luz verdadeira
Que matem o seu corpo vivo!

Ele escreve com a enxada poemas na paisagem
Que beijam a grama numa declaração de amor
Para ele, a vida não é apenas uma passagem
Porém, uma missão, repleta de esplendor

Ele tem um fone no seu ouvido direito
Que toca sua canção preferida com beleza
Porém, não tem nada no ouvido esquerdo
Pois, com ele, este homem ouve a natureza!

A natureza e sua banda preferida entram na mente
Deste jeito o homem trabalha com mais alegria
Com a sua enxada, ele é um poeta viril e inocente
Que consegue, na lavoura, a sua principal energia.

Luciana do Rocio Mallon
Otto Leopoldo Winck


Aos gritos de "bandido bom é bandido morto", Jesus, a quem seus seguidores chamam de Cristo, foi executado ontem. Para não haver tumultos, as autoridades montaram uma guarda em torno de sua sepultura.

VALSA DOS APAIXONADOS


A orquestra começou a valsa,
E os dois foram dançar.
Ela ainda meia sem graça,
Demorou um pouco pra se soltar.
E ele, vez em quando e outra,
Olhava fundo em seu lindo olhar.
Mas ela não abria a boca,
Mas sua vontade era de beijar.
E a valsa seguia em frente,
Deixando mais quente,
Os dois a flertar.
E eis que tudo de repente,
Os viram toda a gente,
Beijando sem parar.

Elciomoraes

QUE NASCEU PRA BRINCAR DE PENSAMENTOS"!

Mote e glosa:Assis Coimbra.(Engatinhante na arte da vida e do cordel)

Agressores no mundo que deixaram
Na inocência as marcas das agressões.
Peço aqui em meus versos soluções
Pra que paguem mazelas que deixaram.
E pra aquelas que os filhos espancaram
Punições por bater em seus rebentos.
E que mudem cruéis temperamentos,
Pra livrarem a infância da má sorte.
Pois criança na vida é só "pixote"
QUE NASCEU PRA BRINCAR DE PENSAMENTOS"!



Emails: assis.coimbra@gmail.com / assis_coimbra@yahoo.com

sexta-feira, 25 de março de 2016

As Bruxas de Bruxelas



No dia vinte e dois de março
Bruxelas sofreu um atentando
Que derreteu até o mais puro aço
Deixando um meigo anjo calado

As bruxas de Bruxelas
Foram soltas neste dia
Quebrando fortes janelas
E causando muita agonia

Bombas explodiram no aeroporto
E também, no metrô, cheio de gente
Sempre há uma mensagem num corpo morto
Para uma alma desesperada e carente!

As bruxas de Bruxelas
Viraram bombas de terror
Que ameaçaram ruelas
Causando dor e pavor!

As brabas bruxas de Bruxelas
Viraram homens-bombas terroristas
Deixando marcas tristes e amarelas
Nos sangues que caíram nas pistas.

Luciana do Rocio Mallon
Águas de maio de 68 nosso sangue
Barricadas e Bastilha nosso sangue
DNA de Guevara e Cohn-Bendict -
Nosso sangue - DNA de Graciliano,
Pagu, Oswald. Sangue Tupiniquim
Sangue dos meninos mortos pelo AI-5
Marcha ao ritmo de “Grândola Vila Morena”
Desliza ao som de “A las barricadas”
“Há de ser outro dia”
“Caminhando contra o vento,
sem lenço, sem documento”
E este vinagre nas mãos é tão inofensivo...
O sangue dentro - este é o estopim e o grito -
Este ninguém tira de nós, ninguém tira de mim...

Bárbara Lia
Vinagre: uma antologia de poetas neobarracos

Edições V de Vândalo, 2013

Golpe.
Quem nunca sofreu um...
As manobras traicoeiras.
A esperteza que você engole com a chuva.
Só no Brasil o golpe não passará.
Não passarão!
(golpe
gol.pe
sm (gr kólaphos, pelo lat vulg) 1 Ferimento ou pancada com instrumento cortante ou contundente. 2 Corte, incisão. 3 Desgraça, infortúnio. 4 Ímpeto, chofre. 5 Crise. 6 Disposição decisiva que se toma em qualquer negócio. 7 Lance. 8 Gole, trago. 9 Esperteza. 10 gír Manobra traiçoeira. etc.)



O Grito do Sangue Tupiniquim - Bárbara Lia

Lenda da Maria do Plástico Roxo de Curitiba


Nos anos 60 e 70, em Curitiba, havia uma senhora que se vestia enrolada em plásticos de quatro cores: roxo, branco, preto e cinza. Esta anciã vendia artesanato no Centro da cidade e sempre estava muito maquiada.
Naquela época, existia uma menina chamada Tereza que ficava admirando esta figura e prestava atenção em seus discursos moralistas como:
- O mal do mundo é o sexo. Pois a depravação trará uma doença que acabará com a humanidade.
- A sociedade me despreza porque eu tenho mais de 40 anos de idade e ainda sou donzela.
- Tem pessoas que nunca serão livres porque sempre serão escravas dos prazeres da carne.
Sempre quando Tereza fazia bagunça, sua madrasta fazia a seguinte ameaça:
- Se você não se comportar, levarei você para a Maria do Plástico Roxo!
Um certo dia, Tereza viu que esta moça do plástico colorido estava vendendo uma boneca artesanal muito bonita. Assim , a garota perdeu o medo, chegou perto e perguntou-lhe:
- Quanto custa esta boneca?
A moça respondeu:
- Vinte cruzeiros.
A menina disse:
- Vou comprar.
- Mas qual é o seu nome?
A vendedora respondeu:
- Chamo-me Maria Ivone, mas meu apelido é Maria do Plástico Roxo. Até hoje não entendo o porquê as pessoas me chamam com este apelido, sendo que também me visto com outras cores: branco, preto e cinza.
Após estas palavras, a garota levou o brinquedo para casa.
Um mês depois, assaltantes entraram atirando na casa de Tereza e alguns tiros pegaram seus parentes. Mas ela escapou porque, naquele momento ela estava dormindo agarrada com a boneca, e uma das balas entrou dentro daquele brinquedo.
Algum tempo depois, Tereza aproximou-se da Maria do Plástico Roxo e falou:
- A boneca que comprei de você salvou a minha vida.
Desta maneira, a vendedora comentou:
- Quem socorreu você foi o espírito que estava dentro do brinquedo. Eu sei porque converso com fantasmas todos os dias.
Esta misteriosa dama de plástico desapareceu nos anos 80. Algumas pessoas falaram que era voltou para sua cidade natal, que ficava no interior, para morar sozinha. Pois ela não tinha parentes e nem marido. Afinal ela não deixava que nenhuma pessoa tocasse seu corpo.
Por coincidência, hoje, as cores preferidas desta senhora formam a bandeira da assexualidade: roxo, branco, cinza e preto. Para quem não sabe, a assexualidade é a orientação das pessoas que não sentem atração sexual, assim, como a personagem principal deste texto.

Luciana do Rocio Mallon