sábado, 23 de abril de 2016

DEVORAÇÃO” DE FRUTAS

HISTÓRIAS DE UM PIRAIENSE:



(Lauro Volaco)

Ao imaginar escrever este meu texto, pensei em várias cenas da minha infância, numa terra onde muitas coisas eram extremamente fartas, que até pareciam ilimitadas. Mas agora, quando de fato fui escrever, veio uma curiosidade que resolvi investigar, para ser mais autêntico o título que escolhi. Resolvi ver o que significa “devorar”: a) comer muito com avidez e rapidamente; b) consumir depressa; c) tragar, engolir, sumir dentro de si; d) destruir (não deixando restos); e) cobiçar; f) ralar; g) conquistar, absorver; h) afligir; i) percorrer rapidamente; j) ler avidamente; k) sofrer a custo. Pode parecer que sou metido à besta, pois de tantos significados para esta palavra, feita por pessoas brilhantes que conhecem nossa língua portuguesa, nenhuma traduzia o que eu queria lhe transmitir. Assim, sem querer dar uma de professor e para que ela transmita o que eu quero, vou traduzir como “dever de uma oração”. E com muita calma vou explicar por quê: quando era época de frutas em nossa casa e também na chácara, a quantidade era tanta, que o procedimento muitas vezes era de encher um saco e ir para baixo de um caquizeiro muito frondoso que havia no meio de nosso quinta. Lá era onde o tio Rubem montava sua rede de balanço. Então íamos descascando com muita calma cada uma daquelas frutas e as comendo ou chupando conforme o tipo, sem pressa e sem pensar em quantidade a ser consumida. Três coisas eram limitantes: uma era o tamanho do nosso estômago, outra era a preguiça de descascar depois de muitas delas terem sido consumidas, e a terceira era o horário que nosso tio tinha que parar de se embalar para ir trabalhar. As conversas eram intermináveis, onde cada um de nós podia livremente expor seus pensamentos, suas ideias, suas dificuldades, mas, principalmente, repartir nossas alegrias. Ali, meu tio tinha a mesma idade que nós, num processo de total empatia. Tinha momentos que ele percebia o nosso cansaço de descascar uma laranja, por exemplo, e ele fazia isto e nos oferecia, de forma incansável. Era admirável ver sua habilidade e capricho, pois nunca feria a laranja com um corte mais profundo e nunca deixava de tirar toda a casca em uma única peça. Se tivesse um paquímetro, podia medira a largura e espessura da casca retirada: eram idênticas. Nosso cardápio era variado naquelas reuniões familiares na sombra do caquizeiro. As mais consumidas eram a laranja, a mimosa, a tangerina, a mexerica (não tínhamos poncã). Mas também tinham a sua vez as peras e caquis, que eram colhidos e postos no saco; melancia era trazida gelada e cortada em fatias, para serem repartidas ilimitadamente; as frutas mais delicadas vinham em cacho, como as ameixas e nectarinas; outras vinhamem cestos menores, como os figos.
Mas o que eu quero transmitir com o meu próprio conceito de “devoração”, está relacionado com o prazer proporcionado pela fartura destes alimentos, o agradecimento aos céus por podermos conviver naquela harmonia familiar e num ambiente de extrema beleza, sentados no chão de terra. SEM PRESSA!



SALVE OGUM SALVE JORGE



Bate tambor
Na mais pura emoção
Canta Ogã
Roda Yaô
O dono da minha cabeça é Xangô
Mas Ogum é quem manda no meu coração
Raiou a madrugada
É hora da tua alvorada
Salve Ogum
Defensor dos indefesos
Salve vencedor de demandas
Salve grande e destemido guerreiro
Salve Ogum Mejê
Salve Orixá da alegria
Salve Ogum Beira-Mar
Salve Povo Malê
Salve Ogum-Matinata
Salve Poderoso Senhor da Terra
Salve Filho de Ododua
Salve, a quem hoje chamam de Jorge
Salve defensor da lei e da ordem
De ti vem minha força e coragem
Salve ó poderoso Imolé
Salve tua coroa de luz
Salve tua sabedoria
Teu cavalo
Tua lança
Salve a nossa fé!
Ogum ieé !!

José Luiz Santos‎ . Rio de Janeiro. in Vidraguas
- por JL Semeador de Poesias, em 23/04/2009 –



MEU SERTÃO! "DONDE" TUDO É MAIS BONITO!!


Mote e glosa:Assis Coimbra. (Engatinhante na arte da vida e do cordel)

Não esqueço do vaqueiro na chapada
Que ao cantar ecoava no infinito,
Entoando um aboio bem bonito
Pra depois reunir toda boiada.
Nunca esqueço que cedo na alvorada
No frechal do casebre sempre eu via
Saltitando e cantando a Cotovia,
Anunciando o prenúncio da jornada.
A lembrança em meu peito fez morada
E RECORDA O PASSADO TODO DIA.

Contato para trabalho!

Emails: assis.coimbra@gmail.com / assis_coimbra@yahoo.com






invejo a fé
dos que bradam
que não passará

não passará
o golpe
não passarão
machistas
fascistas
não passarão

não há de passar
o tempo,
inimigo primeiro
de todos nós?

os que atravancam
caminhos
desejamos que passem?

estupradores
torturadores
passam de fininho
na malha fina
da história

a polícia passa
à força
todo dia
sobre a nossa
humanidade

o ódio
passa
na TV

e o grito
para
na garganta



 Fabiana Turci
Na minha juventude, Praça Rui Barbosa era sinônimo de intenso labor (fui office-boy). Como sabemos, o labor que nos prende a alguns desígnios, nos liberta de outros.
A Santos Andrade era desejo, quase utopia (Universidade, Teatro , cafés, a inteligência das psicólogas....).
Depois, a Santos Andrade foi parte de meu cotidiano, então, aprendi que seu rebaixado, seu côncavo, era resultado de ali haver o primeiro lixão de Curitiba.
Amanhã, com todo o respeito ao que desejei e desejo, cito Rui Barbosa:
"De tanto ver prosperar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver prosperar a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a envergonhar-se de ser honesto".




Sandro cordeiro 


Amanhã, como sempre, me alimentarei de meus poemas e encherei meu coração da esperança daqueles que acreditam na honestidade, na luta, nos sonhos. Levarei tudo isso estampado no rosto, no riso dos lábios, no brilho dos olhos, e darei à mão àqueles irmãos de sonho, àqueles que vão às ruas com olhar além, àqueles que sabem que um país se faz com respeito ao voto, mesmo que os eleitos tenham sido decepção, mesmo que as urnas tenham ido de encontro ao seu desejo.
A liberdade de dizer o que se pensa, a liberdade de se amar quem se deseja, a liberdade de ser quem se gostaria de ser, a liberdade de gritar, de cantar, de dialogar e de brigar com quem pensa diferente, a liberdade que sempre deve ser defendida por quem se entende gente. A liberdade que só o respeito à Democracia promove.
Não ficarei calado, não recuarei; meu pensamento é minha força motriz; meu desejo de liberdade é o que me mantém vivo. E o sonho. Sempre ele.
E este momento que suscitou o ódio de muitos, a indiferença de outros, o murismo de alguns, o silêncio de tantos foi luz: serviu para saber quem caminha ao meu lado e quem estende olhares para outros horizontes.



 Caio Riter
Essa pavana é para uma defunta
infanta, bem-amada, ungida e santa,
e que foi encerrada num profundo
sepulcro recoberto pelos ramos
de salgueiros silvestres para nunca
ser retirada desse leito estranho
em que repousa ouvindo essa pavana
recomeçada sempre sem descanso,
sem consolo, através dos desenganos,
dos reveses e obstáculos da vida,
das ventanias que se insurgem contra
a chama inapagada, a eterna chama
que anima esta defunta infanta ungida
e bem-amada e para sempre santa.

(Jorge de Lima .do Livro de Sonetos.Alagoas. )

HOMENAGEM AO POETA JORGE DE LIMA(nascido em 23 de abril de 1893 e morto em 15 de novembro de 1953)


PARA UM MENDIGO TABAGISTA

Ontem eu caminhava pela rua e fui abordado por um mendigo que, com muita educação, pediu-me um cigarro.
Dei todo o maço e comprei outro, chegando em casa chateado, muito chateado, e nasceu esse poema:




Perdão.
Perdão por todas as ausências que te causei,
As refeições que subtraí, os sorrisos teus
Que arranquei, as esperanças que fiz mortas.
Perdão por ter te arrancado do útero
Quando tão bem dormias o sono do anônimo,
Desconhecedor do que te faltaria, subtraído.
Perdão pelo céu sombrio e as nuvens pesadas,
As mãos sempre estendidas e o olhar triste,
Ornado de humilhação e medo, de assombro
Diante do que perto viceja, mas inalcançável.
Perdão pelos teus dias que se repetem, frios,
Burocraticamente sem novidades, os mesmos,
Como se marcados na ausência de calendários.
Perdão pela dureza das calçadas e bancos,
Improvisadas e ocasionais camas estendidas
Sobre olhares de recriminação e preconceito.
Perdão pelo que te aflige e descaracteriza,
Reduzindo a este espetro errante e sujo
Perambulando caminhos descoloridos,
Em manhãs sem sol e sem viço,
Aguardando a noite e a milenar solidão,
Feita com a indiferença dos passantes,
Como se não existisses humano,
Mas parte da paisagem que te oprime
E envergonha, envergonhando-me
Diante de ti sem quase nada,
Sorrindo agradecido por um simples cigarro.
Perdão, meu irmão, perdão.
Francisco Costa

Rio, 22/04/2016.

sábado, 16 de abril de 2016

Carpe Diem


Fluxo anêmico dos carros
(de luxo)
Sol selado
de adesivos Mc Donald’s.
Arabescos eróticos
na fumaça cinza
da panificadora ao lado.
Semente masculina
perfumada
amaciando o tecido
da minha pele.
Água calêndula no ralo
revela
a forma exata
do rosto estrangeiro
e o sexo formigueiro
de prostituta de Veneza.
Espie pela fresta do Zeppelin
dos sonhos...
Meu mundo:
Sem Florais de Bach
Feng Shui
Mantras.
Músculos da alma
– expostos –
Cicatrizes mortas,
lâmina que corta
escaras
revela
o mármore de carrara
- Vivo -

Bárbara Lia in A última chuva
Bárbara Lia

No sonho as coisas são aprimoradas. Não encontrei nenhuma imagem que lembre as duas borboletas com as quais sonhei. Não vi ainda em lugar algum. Vibrantes, as asas grandes ovaladas em tons marrom e amarelo... Elas estavam em um lugar diante de uma grande janela de vidro, abri a janela e elas voaram em direção ao azul claríssimo... Acordei com aquela sensação de sonho que traz boas novas...


OS POETAS ANTONIO THADEU WOJCIECHOWSKI, MARCOS PRADO E SERGIO VIRALOBOS, ENTRAM FINALMENTE NO ÚLTIMO CICLO DO INFERNO. COMPOSTO DE 4 GIROS: CAÍNA, DOS TRAIDORES DE FAMILIARES; ANTENORA, DOS TRAIDORES DA PÁTRIA; TOLOMÉIA, DOS TRAIDORES DE AMIGOS; E JUDECA, DOS TRAIDORES DE SEUS BENFEITORES.

(...)
“Isto é Caína- presídio dos detentos de maiores sentenças,
os traidores do próprio sangue –em louvor a quem lhe deu o nome.”
Passamos a outro Giro caminhando sobre as águas espessas .
“Estes, aos inimigos de seu país, disseram: Invadam! Tomem!”
Prosseguíamos lentamente quando nos deparamos com uma cena dantesca:
uma cabeça mordendo outra cabeça com ganas de quem morreu de fome.
-Meu Deus! O que é isso? Acaso vejo a própria besta?
VOCÊ SUPORTA ME VER REPASSAR A DOR QUE ME LEVOU À LOUCURA?
Indagou, limpando a boca na cabeleira do crânio de miolos à fresca.
SOU CONDE UGOLINO, QUEM DEVORO E NÃO VALE MAIS QUE UM CURA,
ATIROU A MIM E MEUS FILHOS SEM PÃO NEM ÁGUA NA MASMORRA.
NÃO CHOREI, PETRIFICADO: ELES SIM, NA CELA ESCURA.
“EM SEUS OLHOS, PAI, NÃO VEJO QUEM NOS SOCORRA”.
BALBUCIOU O CAÇULA. NADA RESPONDI POR UM DIA E UMA NOITE INTEIRA.
O DESESPERO , MAIS QUE A FOME, DEIXAVA-NOS À FEIÇÃO DE BORRA.
“PAI, COMA A NOSSA CARNE PARA QUE RETORNEMOS À FONTE PRIMEIRA.
SEGUREI AS LÁGRIMAS COM O SILENCIO QUE INVADIU NOSSO CATRE,
EU ERA UMA AMPULHETA SENTINDO A VIDA DE MEUS FILHOS ESCAPANDO COMO AREIA
PEDI A MORTE, MAS ELA NÃO QUIS QUE FOSSE ANTES O MEU ABATE.
AO QUARTO DIA O PRIMOGÊNITO MORREU, PEDINDO:
“NÃO DEIXE NOSSAS VIDAS À MERCÊ DESSE ARREMATE!”
VI TAL VOCÊ ME VÊ AGORA, MEUS QUATRO FILHOS, DO QUINTO
AO SEXTO DIA, UM A UM IREM TOMBANDO
SOFRI MUITO ATÉ FICAR CEGO.CHAMAVA POR ELES, NADA OUVINDO.
POR FIM, MEU CORPO AO JEJUM CEDEU O MANDO.
Ugolino , fechou a conversa, arreganhou a dentuça
E cravou-a na nuca do algoz, estraçalhando.
(...)
Dante Alighieri em livre-adaptação de Antonio Thadeu Wojciechowski, Marcos Prado e Sergio Viralobos.

...
Bárbara Lia


Até me arrepia ouvir a frase que aponta a possível situação: Eduardo Cunha Presidente do Brasil. Quiçá ao descer o véu do tempo, quando a História fluir como sempre flui a verdade em conta-gotas... Quiçá a gente descubra quem este megalomano tem no bolso...

MUITOS E POUCOS

Muitos os homens-trânsito
poucos os homens-sinal.
Muitos os homens-busca
poucos os homens-seta.
Muitos os homens-olhar
pouco os homens-estrela.
Muitos os homens-rebanho
poucos os homens-zagal.
Muitos os homens-barco
poucos os homens-bússula.
Muitos os homens-viagem
pouco os homens-caminho.

*


SILVEIRA, Oliveira. In: Obra Reunida. Org. Ronald Augusto. Porto Alegre: Instituto Estadual Do Livro: CORAG, 2012. p.208.

Lenda de Prímula, a Flor Que Cura a TPM


Reza a lenda que depois de Adão comentar com Papai do Céu que a sugestão de comer o fruto proibido foi de Eva, Deus falou o seguinte para ela:
- Como castigo, além de ser expulsa do Paraíso, você sangrará uma vez por mês.
Então, naquele mesmo instante, uma lágrima escorreu dos olhos de Eva, caiu na terra e transformou-se numa semente. Desta sementinha, nasceu uma planta chamada prímula. Por isto a cultura popular diz que o chá desta flor tem o poder de amenizar os sintomas da tensão pré-menstrual.

Luciana do Rocio Mallon

O CERCO

Estamos todos cercados;
e o silêncio do sonho
é nossa arma sagrada:
as pistolas e as línguas de aço
dos inimigos brilham ao sol,
e eles gritam tanto
sobre as velhas colinas,
atrás das cegas estantes,
que sabemos de tudo;
e calados ficamos,
amamos e permanecemos.


Alberto da Cunha Melo

Encalhado


Encalhado
na retina da saudade,
um esboço obstinado
levita nas noites acordadas
emprestando sonhos,
nuvens de água levada...
ecos dançando
numa colina de estrelas.
Encalhado
na folhagem do tempo
um poema
envolto em adornos de ternura,
aninha-se no ventre das horas
murmurando o nome
que os lábios não deixam esquecer.
Encalhado
no silêncio do poente
um amor proibido
desfia fragrâncias de sedução...
emprestando a boca
sem gosto de beijo.
Encalhado
nas rugas que uma lágrima remendou
descuida-se o sorriso
que ao degredo se condenou.

Ana Andrade

Lendas Sobre Cerziduras Sobrenaturais


Durante a Pré-História, numa caverna, morava uma adolescente chamada Yani. Ela tinha fama de possuir dons sobrenaturais e gostava de costurar roupas com peles de animais.
Um certo dia, esta jovem estava na caverna com sua família, onde hoje pertence a uma  região da Itália. Quando, de repente, pessoas trouxeram homens feridos para dentro dela. A mãe de Yani passou um tipo de líquido nas feridas abertas destes pacientes. A adolescente tentou ajudar aos feridos, mas sua família não deixou por causa de sua pouca idade. Então naquele instante, para se distrair, a menina passou a costurar uma peça, de pele de animal, na outra. Porém sua mãe notou que, naquele mesmo instante, as feridas e os ossos quebrados dos pacientes começaram a se curar sem nenhuma explicação. A mulher contou sobre o fenômeno para toda a tribo. Deste jeito, surgiu uma técnica chamada cerzidura, que consiste em costurar uma peça na outra para curar um doente só com a força da mente.
Muitos anos se passaram e na Idade Antiga, Yani reencarnou numa vila da Itália com o nome de Isabela, ainda com o dom de costurar. Uma vez sua avó, Gioconda, torceu a perna e foi se deitar com dor. Isabela, ainda uma menina de cinco anos, ficou preocupada. Por isto chegou perto da idosa com uma agulha, fio e dois paninhos. Então disse à anciã:
- Vó, farei uma brincadeira que ajudará a senhora em sua dor. Farei de conta que estes dois tecidos soltos são partes da sua carne, por dentro, que estão doendo. Por isto, quando eu costurar uma na outra, seu mal-estar vai passar. Cada vez que Isabela costurava, a dor da velhinha desparecia aos poucos. Finalmente, quando os dois tecidos estavam amarrados, Gioconda não sentia mais dor. Desta maneira a idosa espalhou a novidade às pessoas. Por isto, criaturas de todo o mundo passaram a se consultar com Isabella em busca das cerziduras mágicas.
Quando a garota completou quinze anos, ela fugiu para a montanha das estregas, que era um grupo de mulheres místicas da Itália, para aprender mais sobre Magia. Mesmo assim Isabela, uma vez por mês visitava os seus parentes e atendia aos doentes na casa de sua família.
Reza a lenda que se você for mulher e descendente de italiano, também pode realizar cerziduras curativas em pessoas doentes. Porém para isto você precisa de: uma agulha que nunca foi usada, dois panos virgens e brancos. Antes do ritual, você deve limpar o local, acender um incenso, rezar a oração de sua preferência e conversar com o paciente para verificar o que ele realmente quer. Depois se concentre na dor do enfermo, na vontade de curar e costure as duas partes fazendo uma oração.

Luciana do Rocio Mallon

Meus [nossos] Caros Amigos


o beijo dos amaldiçoados
a dança da maçã
o dom da auto destruição
por que nomeamos nossas cinzas?
no hálito da noite
no relógio morte em nossos seios
inventamos uma paixão ultraviolenta
sem face
sem olhos
isenta da lucidez ácida dos fantasmas dos dias
algo que trucida nossa ilusão imortal
o vicio de criar coisas sem nome
pelo simples prazer de matá-las depois

por que nomeamos nossas cicatrizes ou almejamos a infinitazação do finito?

‎Diego Martins‎ 

A Coxinha e o Pão Com Mortadela Se Beijam na Padaria do Amor


O amor possui uma padaria
Onde há doces e salgados
Lá tem uma leve e suave magia
Que deixa todos apaixonados

Uma coxinha embrulhada no papel verde e amarelo
Olhou para um tradicional pão com mortadela
Assim nasceu um sentimento puro e singelo
Naquela tarde preguiçosa, lânguida e bela!

O pão com mortadela olhou para a coxinha saborosa
Deste jeito o seu coração bateu com melodia
No ar surgiu uma música maravilhosa
Repleto de ritmo, fantasia e poesia

A coxinha beijou o pão com mortadela
Na manifestação que dividiu o país
Toda a paixão é válida quando é bela
E faz do casal uma só alma feliz

O amor é mais forte do que qualquer ideologia
Somente o espírito sabe emanar empatia
O amor possui uma padaria cheia de ternura
Onde até o amargo tem gosto de doçura.
Luciana do Rocio Mallon

domingo, 10 de abril de 2016

PQ ÀS VEZES É SÓ ISSO



Vc descobrir onde comprar castanhas de Belém do Pará ou açúcar mascavo do jeito que vc gosta. Ou descobrir um bar que vc tem prazer em sentar sozinho num fim de tarde e beber uma cerveja. Ou onde tem o melhor churrasco grego da cidade com a pimenta mais bagaceira e mais forte. Ou qual é o melhor horário pra vc ir no cinema sozinho e que vc pode sentar em uma poltrona sem ninguém por perto comentando o filme. A loja de discos que o cara te atende com um puta sorriso no rosto (pq evidentemente ele sabe que vc vai comprar muitos discos) e já começa a baixar da prateleira o que ele sabe que vc gosta (ou seja, todos aqueles discos de rock sulista de uns caras cabeludos e mal encarados ou aqueles de blues de uns negões desdentados). Ou a loja de gibís que o cara te atende te dizendo o que chegou no último mês. Ou simplesmente o fato de vc saber que no fim do ano depois de todo o trabalho que vc teve, há uma chance (por mais remota que seja) de vc simplesmente entrar em um avião e ir parar num lugar distante. Aquele lugar que vc simplesmente admirava em cartões postais ou revistas de turismo. Ou simplesmente fazer uma viagem de volta para dentro de si mesmo e entender satisfeito que vc jamais conseguiria trair tudo aquilo que vc leu, ouviu e viveu desesperadamente quando jovem. Pq ficar velho às vezes é só isso. Encontrar a sua pátria. Se manter leal. E sábio. Com aquela cara de estúpido que vai enganar meio mundo. E eu espero que engane mesmo. Eu acho que é bem melhor assim, principalmente se vc prefere não se explicar tanto.

Mario Bortolotto
tensos meus olhos encaram
o desejo de partir e ir morrer
de rir de minha comédia privada
a cada dia a vida dá uma descarga
se eu pudesse rir sem chorar
se eu pudesse ser sem estar
ora se eu pudesse a posse a pose
um close up um up um enfarto
mas nada é puro acaso se
eu faço o que faço eu largo
da minha mão não saem traços
se tenho engulho da vida a vida

é cara e o conhaque barato

William Teca
"Ao deslizar da pena"
Tudo é o mais
Que possa ser
Concebido como
Tudo. Sempre mais
Do que o que posso
Conceber. Mas
Só o poema faz
Tudo mesmo ser
Tudo e possível,
Até mesmo lógico!
Será que podes ver
As assanhadas asas
Dessas libélulas
Que agora saltam
Alegres da folha anêmica,
Para o tudo-ou-nada,

Ao deslizar da pena?

Adriano Nunes

AUSENTE IMAGEM

O que não digo
materializa-se no poema
como ausente imagem
de uma fita de cinema.
A palavra omitida faz-se verdadeira
abandonando a solidão onde se escondera
erigindo viadutos sobre impossível tráfego
entre o sonho e a ausência, o diálogo.
Descobrir em meio ao deserto
o frescor de um olho d' água
e dele servir-se para além da sede
É a coragem do poema: instrumento
que circuncisa pálpebras fechadas
ampliando olhares em descobertas. . .

José Luiz Sousa Santos‎ 


- por JL Semeador de Poesias, na manhã de sábado, 29/11/2014, revisitado na madrugada de 10/04/2016 –

são saruê


festa no sertão é bala
bola no buraco é búlica
cabral não descobriu a pólvora
por detrás da coisa pública
a chama do lampião na palha
fogueira sempre quero acesa
linguagem meu fuzil navalha
explosão como feijão na mesa

Artur Gomes


http://fulinaimicas.blogspot.com.br/2016/…/sao-sarue_44.html

A MAIS BELA MISSÃO!


Assis Coimbra (Engatinhante na arte da vida de fazer rir)

A missão do Palhaço está na graça
Estampada na face da criança.
Na ternura que trás a Esperança
Ao infortúnio que "mora" lá na praça.
Tá no riso sincero e sem pirraça
Do verdugo que jamais irá matar.
Na alegria que faz arrebatar,
Toda angustia que causava só rancor.
Tá na paz do Arco-íris multicor

QUE O ENCANTO SÓ FAZ APASCENTAR!

Contato para trabalho!


Emails: assis.coimbra@gmail.com / assis_coimbra@yahoo.com

Lendas do Edifício Mal-Assombrado, da Rua José Loureiro, em Curitiba


Anos atrás, quando Curitiba ainda se chamava Vila Nossa Senhora da Luz, havia na Europa uma bruxa chamada Hildi, que costumava fazer rituais de magia negra, com crianças, em troca de dinheiro. Um certo dia os inquisidores pegaram esta feiticeira e, como castigo, colocaram a bruxa num navio que viria para o Brasil. Quando chegou em terras tupiniquins, Hildi desembargou em Paranaguá. Mas temendo ser desmascarada, a mulher decidiu vir para a Vila Nossa Senhora da Luz. Com o dinheiro que ela ganhou, na Europa com magia, comprou uma casa onde, atualmente, fica um edifício na Rua José Loureiro em frente à Praça Carlos Gomes. Lá ela passou a fazer feitiçaria pesada, que incluía mortes de crianças, em troca de alta quantia de dinheiro. Além disto, Hildi fez um pacto com o demônio para ficar rica. Porém em troca ela teria que matar quinze menores, com esta intenção, dentro de sua própria residência.
Um dia Gertudres, uma senhora que teve a filha desaparecida, descobriu que Hildi matou sua criança em um ritual. Assim, esta mãe furiosa, entrou com uma espingarda na casa da bruxa e matou a mulher. Quando a feiticeira chegou ao Inferno cobrou o pacto de Satanás, porém ele disse que Hildi ficaria rica só depois que matasse mais quatorze crianças no local em que era a sua casa. Desta forma, o lugar em que Hildi morreu passou a ser amaldiçoado. Anos depois foi inaugurado um prédio naquele local, onde sete crianças caíram em quedas misteriosas. Reza a lenda que é o espírito de Hildi que faz com que os menores morram para que o pacto seja cumprido. Nos anos noventa, uma jovem com problemas neurológicos e com características mediúnicas dizia que alma de uma feiticeira assombrava o prédio. Desta forma, meses depois ela teve uma crise nervosa e se jogou do prédio. Portanto, se você têm filhos pequenos nunca leve estas crianças a este misterioso prédio da Rua José Loureiro, em frente à Praça Carlos Gomes, em Curitiba.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda da Cigana da Paleta Mexicana


Há cem anos existia uma cigana chamada Hibisco, que gostava de cozinhar e de tocar violão. Na culinária, ela sempre estava inventando receitas novas. Porém, como seu clã não aceitava que uma mulher tocasse violão, ela pegava este instrumento que pertencia ao seu falecido pai, às escondidas, e treinava no meio do mato.
Um certo dia, sua avó disse:
- Sei que você gosta de tocar violão, mesmo que isto não seja um instrumento considerado ideal para mulheres. Mesmo assim, para o seu bem, procuro fingir que não vejo nada. Por isto, estou entregando-lhe um presente precioso que está nesta caixinha de madeira e que só deve ser tocado em caso de emergência.
Hibisco abriu a caixa e ficou encantada ao ver que dentro tinha uma paleta de prata.
Uma vez esta caravana de ciganos entrou no México e montou acampamento. Assim Hibisco resolveu dar uma volta no novo local e avistou uma placa, numa loja de doces, falando sobre um concurso de guloseimas que oferecia prêmios em dinheiro para receitas originais. A garota resolveu se inscrever porque era boa na cozinha e os ciganos estavam precisando de algum auxílio financeiro. Deste jeito, naquela noite, a menina tentou inventar alguma receita, mas nada estava dando certo. Depois de muitas tentativas ela resolveu tocar violão com a ajuda da paleta misteriosa. Porém, no meio da primeira música, algo mágico aconteceu: da paleta de prata surgiram paletas feitas de madeira; frutas como morango, framboesa e amora começaram a flutuar no ar e o hibisco seco passou a voar como pássaro. Depois todos estes ingredientes foram para a panela e se misturaram. Após isto o creme que se formou foi para as formas de picolés junto com as paletas de madeira e tudo ficou geladinho. Então a cigana percebeu que uma nova receita tinha surgido e batizou o novo confeito de Paleta Mexicana. Desta maneira, a sua nova receita de sorvete ganhou o concurso. Por ter ganhado o prêmio, ela foi liberada pelo seu clã para tocar violão à vontade.

Luciana do Rocio Mallon

sábado, 9 de abril de 2016

Lenda de Aurea, a Cigana da Estátua de Ouro


Na Idade Média, existia uma cigana chamada Aurea, que era responsável por esconder os tesouros da caravana dentro de sua roupa, já que era muito magra. Para não chamar a atenção dos saqueadores, a carroça dela era feia e sem pintura, diferente das carruagens dos outros ciganos.
Um dia, quando Aura era criança, sua avó explicou:
- Sua missão é guardar o ouro do clã dentro de suas vestes. Mas se um dia algum ladrão roubar este tesouro de dentro de você, uma maldição cairá em seu corpo.
Os anos se passaram, a avó desta moça morreu e ela continuou a guardar as joias do seu povo dentro de suas roupas.
Num dia frio de inverno, no meio da estrada, um grupo de saqueadores atacou esta caravana. Então revistaram a todos e descobriram que Aurea escondia um tesouro dentro de suas vestes. Como a donzela não queria entregar a preciosidade, os ladrões mataram a pobre, jogaram seu corpo para dentro de um bosque, roubaram as joias e saíram correndo. Mais da metade daquele clã morreu no assalto.
Porém, o corpo de Aurea transformou-se numa estátua de ouro que ficou abandonada no meio do mato.
O tempo passou e algumas pessoas vieram morar perto daquele local, dentre eles uma menina chamada Valore. Um certo dia, os pais desta garota perderam o emprego e a situação financeira deles ficou muito ruim. Assim a garota teve a seguinte ideia:
- Tomara que chova e faça um arco-íris depois para que eu encontre o pote de ouro. Deste jeito resolverei os problemas econômicos da minha família.
Numa manhã abafada choveu muito. Mas depois veio o Sol e surgiu um arco-íris. Desta maneira, Valore saiu pela floresta em busca do seu objeto de desejo. Apesar do esforço ela não achou pote de ouro nenhum. Porém, de repente, ela tropeçou em algo e quando olhou para baixo, reparou que se tratava de uma estátua de ouro em forma de cigana.
Como um raio, a imagem transformou-se numa mulher e disse-lhe:
- Obrigada!
- Sou Aurea!
- Você me libertou!
- Em troca darei um pote de ouro para você.
Reza a lenda que a cigana Aura é uma entidade muito bondosa que atende pessoas com problemas financeiros, trazendo-lhes emprego e dinheiro. Ela veste um vestido dourado, várias joias em seu corpo e seu incenso preferido tem o nome de “chama dinheiro”.

Luciana do Rocio Mallon

Julieta, Romeu e o Milagre da Multiplicação do Voto


- Romeu, um pastor votou no meu lugar!
- Ele abandonou as ovelhas e o gado para votar?
- Não foi um pastor de animais.
- Entendo, então foi obra do cachorro pastor alemão. Estes animais vivem querendo imitar os humanos.
- Romeu, foi um pastor evangélico e o pior é que tudo foi gravado!
- Julieta,  mesmo assim, ele pode falar que foi o milagre da multiplicação dos votos. Mas é bom tomarmos alguma providência.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda Sobre a Timidez dos Curitibanos e o Deus Stribog


Moro aqui em Curitiba e uma das características dos curitibanos é não trocar cumprimentos pela manhã, ou seja, eles não dão o tão famoso “bom dia” quando vê algum conhecido na rua.
Quando morei em outras cidades e dizia ter vindo da Capital do Paraná, muitas pessoas me perguntavam:
- É verdade que em Curitiba as pessoas não se cumprimentam, principalmente, pela manhã?
- Existe alguma razão para isto?
Como sou curiosa e tenho interesse por lendas, logo tratei de pesquisar este fenômeno e descobri que este fato tem uma relação com o deus Stribog, da mitologia eslava. Pois na capital do Paraná há muitos descendentes vindos do Leste Europeu.
Reza a lenda que Stribog era um senhor idoso que era deus dos ventos, tinha duas asas e morava numa ilha. Ás vezes, ele gostava de sobrevoar a Terra e observar o povo. Então este senhor notou que quando alguém dava “bom dia” pela manhã, no mesmo segundo, pegava tanto as energias positivas quanto as negativas da pessoa a qual ele cumprimentou. Se a energia ruim era forte, a criatura passava o dia inteiro de mau humor e triste. Por isto, Stribog resolveu proibir os cumprimentos matutinos em sua ilha e, por coincidência, a produtividade do povo aumentou.
Portanto, se você é de fora e achou estranho algum curitibano não responder ao seu “bom dia”, lembre-se: ele só está seguindo, mesmo que inconsciente, o conselho do deus Stribog.

Luciana do Rocio Mallon

CIDADANIA


Cidadania é um dever do povo.
Só é cidadão
quem conquista o seu lugar
na perseverante luta
do sonho de uma nação.
É também obrigação:
a de ajudar a construir
a claridão na consciência
de quem merece o poder.
Força gloriosa que faz
um homem ser para outro homem,
caminho do mesmo chão,
luz solidária e canção.

© THIAGO DE MELLO


In De uma vez por todas, 1996

Giz rendado


O que a onda diz
ao cão sentado
babando moluscos
e saudades?
Como rasgar a onda
sem cicatrizar em azul?
Beber a ardência seminal
de amantes afogados
como quem engole
segredos guardados
entre debruns
de ondas
em seu giz rendado

Bárbara Lia

 in Tem um pássaro cantando dentro de mim (2011)

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MADRUGADA CAMPONESA


Madrugada camponesa,
faz escuro ainda no chão,
mas é preciso plantar.
A noite já foi mais noite
a manhã já vai chegar.
Não vale mais a canção
feita de medo e arremedo
para enganar solidão
Agora vale a verdade
cantada simples e sempre
agora vale a alegria
que se constrói dia a dia
feita de canto e de pão.
Breve há de ser
sinto no ar
tempo de trigo maduro
vai ser tempo de ceifar
Já se levantam prodígios
chuva azul no milharal,
estala em flor o feijão
um leite novo minando
no meu longe seringal.
Madrugada da esperança
já é quase tempo de amor
colho um sol que arde no chão,
lavro a luz dentro da cana
minha alma no seu pendão.
Madrugada Camponesa
faz escuro (já nem tanto)
vale a pena trabalhar
faz escuro, mas eu canto
porque a manhã vai chegar.

© THIAGO DE MELLO


In Faz escuro mas eu canto, 1965

Poema de mi instinto y de mi verso


Yo soy el pulsador del Mundo.
Mi verso es como un mancebo
deslumbrado de sol.
Por eso, me siento alegre
y toda la música de la Creación
rompe como una orquesta en mi pecho.
Cuando se desplome la noche
ya no podré perderme,
porque entonces me salvará mi instinto.
Subiré como Zarathustra a la montaña
a la hora que el mediodía
luce su rubí, abierto como una llaga
sobre su frente limpia y diáfana.
Me agarraré a las crenchas del Infinito
teniendo entre mis dientes

la pulpa ruda de mi Verso.

Juan Antonio Corretjer. Porto Rico

sábado, 2 de abril de 2016

Lendas do Dia Primeiro de Abril, Dia da Mentira


Desde o começo do século XVI o ano novo era comemorado no dia 25 de março com a chegada da primavera. Durante este dia até o dia primeiro de abril, existiam bailes no reinado de Carlos IX na França, mas este período de festas terminava no dia primeiro de abril. Pois reza a lenda que neste dia, se abria um portal e o demônio mais zombeteiro tinha permissão para andar pela Terra pregando peças através de mentiras. Segundo a tradição, as pessoas deveriam colocar máscaras em primeiro de abril para não serem alvos de brincadeiras deste diabo, que só partia no dia dois de abril.
No baile do Dia da Mentira todas as pessoas tinham que usar máscaras. Reza a lenda que o diabo zombeteiro também participava desta festa e escolhia uma moça para dançar. Porém se suspeitassem que alguma donzela dançou com o demônio zombeteiro, ninguém poderia se casar com ela porque senão teria azar.
O misterioso é que no dia primeiro de abril aumentavam as mortes por problemas de coração. Por isto, dizem que o diabo zombeteiro costumava mentir para as pessoas idosas e com saúde mais frágil que alguém da sua família tinha falecido.
Em 1562, o papa Gregório XIII colocou um novo calendário para o mundo cristão em que o ano novo caia no dia primeiro de janeiro. Mas, alguns franceses não aceitaram a ideia e os mais jovens começaram a chamar estes conservadores de bobos de abril. Então os moços passaram a convidar os mais tradicionais para bailes inexistentes. Assim por causa destes fatos surgiu a lenda de que primeiro de abril é o dia da mentira.
No Brasil, a tradição do Dia da Mentira surgiu em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um jornal inaugurado em 1º de abril de 1828, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, chamando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como endereço um lugar que nunca existiu.
Como dizem que o demônio zombeteiro fica solto no Dia Primeiro de Abril, as pessoas mais supersticiosas colocam alho na frente da porta junto com um pote de água benta e abrem a bíblia na varanda na parte onde diz que o diabo é o rei da mentira, localizada em João 8:44.  Reza a lenda que a casa onde as pessoas fazem isto, o demônio zombeteiro não entra no Dia da Mentira.
Luciana do Rocio Mallon


Fábula da Princesa Ace de Leve


Era uma vez, num reino distante, uma princesa chamada Ace de Leve que morava com sua madrasta má, a rainha Lascívia.
A princesa Ace de Leve não sonhava em achar um príncipe encantado. Por isto, ela escutava comentários de pessoas ignorantes como:
- Por que você não namora?
- Quando você vai casar?
- Por que você não pega ninguém nos bailes?
Mas a donzela tinha personalidade própria e por isto não dava bola para estas criaturas sem noção.
Um certo dia, a madrasta perguntou ao seu espelho mágico:
- Espelho, espelho meu!
- Existe alguém que come mais bolo do que eu ?
O objeto respondeu:
- Sim!
- O nome dela é Ace de Leve!
Então ela ordenou seu capataz chamado Eros arrancar o coração da princesa e trazer o órgão ao palácio. Mas o empregado ficou com pena da moça e entregou uma almofada de coração com as cores: preta, roxa, cinza e branca para a madrasta. A rainha ficou com ódio e mandou uma moça chamada Sensualidade oferecer lixos para Ace de Leve, como: filmes adultos e funk para ver se a princesa morria. Porém Ace de Leve ficou tão indignada que fugiu para a floresta encantada onde moravam sete anões, com os nomes de: Demi, Romântico, Arromântico, Gray-A, Binário, Não-Binário e Pan. Com estes amigos a donzela se sentia à vontade e livre.
O problema foi que Lascívia descobriu onde Ace de Leve estava. Por isto mandou uma mulher chamada Vênus dar uma maçã envenenada para a donzela, que comeu e desmaiou.
Porém, algumas horas depois, um príncipe que carregava um bolo na sua carruagem, avistou a moça adormecida. Por isto, ele chegou perto e exclamou:
- Despertarei esta donzela com um beijo!
Desta maneira Ace de Leve sentiu o cheiro do bolo, despertou e disse:
- Sou Ace não preciso de beijos para acordar, pois desperto só com o cheiro de doces.
Deste jeito, a moça deixou o príncipe para trás, voltou a viver com os sete anões e foram felizes para sempre.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda do Baile do Dia da Mentira, Primeiro de Abril


Na França do século XVI existia o Baile do Dia Primeiro de Abril, onde todos usavam máscaras. Reza a lenda que neste dia se abria um portal e o demônio mais zombeteiro, do Inferno, saia para debochar das pessoas na Terra através de piadas e mentiras. Também existia o boato de que até o diabo debochado usava máscara neste baile e escolhia uma moça solteira para dançar. Porém se alguém desconfiasse que uma donzela bailou com este demônio, ninguém poderia se casar com ela porque traria azar.
Naquele tempo na França, morava Desiree, uma mulher solteira de 45 anos, que pretendia ir ao baile. Antes da festa ela disse a sua irmã:
- Arranjarei um noivo nesta festa nem que seja o diabo zombeteiro do dia primeiro de abril.
Quando chegou a noite do evento, as pessoas estavam de máscaras. Todas as mulheres dançavam com seu par menos Desiree. De repente, chegou um homem mascarado de bom porte que pediu para dançar com ela. Os dois estavam bailando no salão quando, de repente, o salto da moça puxou a capa do rapaz, que revelou um rabo escondido. Depois o chapéu do homem caiu e todos notaram os chifres em sua cabeça. Depois disto tudo o moço correu e fugiu do local. O problema é que Desiree ficou amaldiçoada, pois ninguém se casaria com ela.
Um certo dia, a donzela caiu em desespero e fez o famoso ritual do espelho onde ela invocou o demônio que dançou com sua pessoa no baile. Deste jeito este diabo apareceu e puxou a moça para dentro do espelho.
Porém quando sua irmã chegou ao quarto notou que havia algo estranho no espelho. Algumas vezes antes de dormir, ela via chamas infernais dentro deste objeto. Então a mulher resolveu vender a casa junto com o espelho dentro. Porém, o casal que comprou a residência passou a ver coisas estranhas no espelho como uma mulher no meio de chamas. Assim, os proprietários tentaram vender este objeto, mas não conseguiram. Reza a lenda que esta casa foi abandonada, porém o espelho continua intacto com a alma de Desiree dentro. Porém, todo o Dia Primeiro de abril, se abre um portal e o espírito desta moça vem passear na Terra junto com o demônio zombeteiro do Dia da Mentira.

Luciana do Rocio Mallon

Lenda do Rei Guloso e a Lebre Disciplinadora da Páscoa


Num reino distante havia um rei apelidado de Gulosinho, que vivia comendo chocolates sem parar.
Uma vez, faltando três dias para o Natal, este monarca deixou uma caixa de bombons aberta em cima da mesa do seu quarto e foi até a suíte. De repente, uma faxineira magra e desnutrida entrou no aposento para fazer a limpeza. Porém, ao ver a caixa de bombos aberta toda cheia de chocolates, a empregada não resistiu e comeu um. De repente, o rei pegou a moça no fragrante e mandou a pobre para o calabouço.
Mas, no Reino do Beleléu, o Coelhinho da Páscoa e a Lebre Disciplinadora, que é uma criatura que castiga no domingo pascoal as pessoas que foram más o ano todo, estavam vendo tudo.
Quando chegou a Páscoa do ano seguinte, a Lebre Disciplinadora apareceu à meia noite pascoal, com três caixas de bombons de péssima qualidade, amarrou Gulosinho com cordas e disse-lhe:
- Como você foi um homem mau, farei a sua pessoa engolir três caixas de bombons de procedimento duvidoso, de uma só vez, após isto darei a loção de laxante da bruxa.
Desta maneira, a lebre fez o rei engolir todo o chocolate e ainda tomar purgante no final. Sem falar que ela soltou a empregada depois. Mesmo assim disse a ela:
- Agora, por favor, não coma nada que não for seu.
Reza a lenda que a Lebre Disciplinadora não costuma castigar só crianças no domingo de Páscoa, mas adultos ruins também.

Luciana do Rocio Mallon




GOSTO PELO ROSA



Finitude
do que

pensa –

chuva
fina que

me olha –

falso
sol de

qualquer
um

Jorge Lucio de Campos


In: Prática do azul (Lumme, 2009).

Lenda da Segunda-Feira Molhada, um Dia Após a Páscoa


Há 2000 anos antes de Cristo, no continente europeu, existia a Deusa Ostera que era responsável pela Primavera e colheitas fartas. Reza a lenda que esta donzela não poderia tomar banho porque se tivesse algum contato com a água seus poderes poderiam acabar. O animal de estimação de Ostera era um coelho.
Naquele tempo os humanos tinham uma festa, chamada Páscoa, para celebrar o início da Primavera e desejar sorte na colheita. Então eles faziam um evento em adoração à deusa Ostera para que ela expulsasse os maus espíritos, que podiam invadir esta estação, e para garantir fartura.
O problema é que esta deusa era muito criticada por ter uma certa idade, ainda ser virgem e não querer casar. Um dia, outro deus se apaixonou por esta moça. Assim ele tentou de tudo para conquista-la. Depois de muitas investidas, o rapaz ficou com ódio e sabendo do ponto fraco do seu objeto de conquista, jogou água em Ostera enquanto ela estava dormindo bem um dia após a comemoração da Páscoa. A jovem ao acordar toda molhada olhou para o moço e se apaixonou por ele, pois a água tinha o poder de quebrar o encantamento. A camareira da deusa ao acompanhar tudo, desceu para a Terra e espalhou o boato que seria necessário que os rapazes jogassem água nas moças, um dia após a comemoração da Páscoa, para que nenhuma delas morresse virgem. Por isto, até hoje esta tradição existe no Leste Europeu e chama-se Segunda-Feira Molhada. Pois um dia após a Páscoa os homens jogam baldes de águas perfumadas nas mulheres solteiras.
Na época em que eu trabalhava, no comércio de Curitiba, havia uma cliente chamada Mari, que tinha 45 anos, era donzela e já tinha perdido as esperanças de se casar. Porém, aos 46 anos de idade, esta senhora viajou na época de Páscoa para o Leste Europeu, levou um balde da água da comemoração da Segunda-Feira Molhada e acabou se casando com o mesmo homem que fez esta brincadeira com ela.
Luciana do Rocio Mallon


Um Calculador de Improbabilidades

Quanto Ódio
quanto ódio
diz
quanto ódio
não sabes
tens
dentro de ti
o deferente tapete da palavra
a rede bélica
os rasgos secundários
TUDO
engendra
articula
atavia
a sala da tua fala


Ana Hatherly, 

haicai do dia 2 de abril



moro, me solte
a elite, o psdb e a globo
é que estão dando o golpe


antonio thadeu wojciechowski

Jujubas, Céu Cinzento e Chão Escuro



O asfalto estava gelado e cinzento
Bem quando um pó entrou em sua íris
Ele olhou para o céu fechado e rabugento
Procurando um alegre arco-íris

Mas derrubou o pacote de jujubas coloridas
Das suas mãos fortes, calejadas e macias
Por culpa da mente e alma distraídas
O chão virou um arco-íris de poesias

As vezes procuramos no céu
O que já possuímos aqui na terra
As cores não deixam a alma ao léu
Quando a procura é doce e sincera.

Luciana do Rocio Mallon

segunda-feira, 28 de março de 2016

MERGULHO
Cansada de voos rasos
melhor o mundo profundo
qual lasca de abismos,
primata, profano...
superficial demais
dizem meus olhos,
arte sem pausa e final,
prega meu deus
enquanto isso, na alça
do tempo, o mundo
poeira, na queima do
dia total e moderna
é a idade do silêncio
que sem nós, me desata
:
a cova é livre,
e a vida é só de subidas
Carmen Silvia Presotto – Vidráguas!
SÍMBOLOS DE DESEJO
eu olhei a mão de Neruda,
escrever na areia um poema
para as ondas levarem aos peixes
a frágil passagem da vida
em palavras que desaparecem
eu bebi o licor de ameixa
o chá de gengibre de Picasso/
doente onde a alegria negra
era o insumo do fogo curando/
o corpo agarrado ao inferno de Dante...
eu senti o desespero de Hemingway/
ao disparar aquela bala em riste
com a solidão silenciosa das idades
fomos os primeiros à cumprir o tempo
na loucura distante/
das fugas sem fôlego dos poentes...
nós podemos ainda perscutar o sonho
de Woodstock/
voar com o vento nos cabelos
das luas ultrapassar todos os limites/
as constelações resvalando no capô
de nossas almas bólidos no abismo
de um poema com várias asas de Rimbaud...

Adilson Alchuiy.