sábado, 13 de setembro de 2014
● jardim das agulhas
de pinheiro ●
● sob a chuva dessas
noites ●
● entre barcos
destroçados ●
● aguas vivas peixes
voadores ●
● não ha estrelas nem
do mar ●
● so mastros
arruinados ●
● jardim das agulhas
de pinheiro ●
● de porto em porto
perdidos ●
● nesse murmurar de
vento ●
● não adianta
acariciar as armas ●
● vencidas nem os
remos podres ●
● nem as linhas de
sombra ●
● jardim das agulhas
de pinheiro ●
● assim o sol se
desfazendo ●
● entre verdes
amarelos ●
● silencio q se
esmigalha ●
● na mesma noite essa
noite ●
● q meu ulisses me
deixou ●
● jardim das agulhas
de pinheiro ●
● onde esperamos os
mortos ●
● entre flores secas e
esterco ●
● não adianta mais as
ancoras ●
● não ha nenhum fio de
lã ●
● não ha um sonho
enfim ●
● jardim das agulhas
de pinheiro ●
● sempre aberto com
cheiro de sal ●
● esse cheiro do nosso
sangue ●
● aqui sabemos sempre
o q vira ●
● aqui sabemos q
ulisses não vira ●
● aqui as fontes se
fartaram ●
● jardim das agulhas
de pinheiro ●
● onde inventaremos
nosso ulisses ●
● aventuras entre
terras e mares ●
● uma volta um desejo
a loucura ●
● de quem busca a si
mesmo ●
● não encontra e não
sabe ●
Alberto Lins Caldas
Sapocidio
A dama ameaça o rei.
A chuva prende os
soldados.
Concentro no alcool,
eu sei,
E a música liberta
condenados.
Daqui parto para outro
mundo
Portal dos portais,
suado balcão:
Olhos de um prisma
profundo
A luz flerta com o
som.
Vim para beber a
semana
O caldo de vida com os
amigos
É sagrada essa lida
profana
Prazer é servir aos
sentidos
O melhor da carne
humana,
Aos olhos: inocentes,
não: proibidos.
Julio Almada, Poemas
Mal_Ditos
Parte arrancada
O ódio bebo de dentro
pra fora.
O medo bebo de fora
pra dentro.
De noite não é o olho
que chora:
É o estouro da represa
do tempo.
meus monstros ainda os
vejo;
Eles ainda me apagam
sempre;
Mas agora só olho o
presente,
me achando de novo no
espelho.
nunca deixei de ser
muitos:
aqueles muitos que eu
não era:
os espanco onde antes
houvera:
morte sem vida sem
primavera:
delirios e pesadelos
abruptos.
E renasço da flor de
meus lutos.
Julio Almada, Do livro
poemas Mal_Ditos
1.
Abre a boca pássaro cego
qualquer pensamento é uma pérola
engole-o todo
e afunda-te no rio.
2.
Gostei de ir contigo beber cerveja em cima da árvore.
Dessa vez caí, e depois fodemos no descampado.
As tuas calças descidas e a minha cara contra a grade
metálica.
Onde está. O limite que torna doloroso o prazer.
Ou o contrário. Pergunto.
Quero que me desenhes um coração pequeno no braço.
Dizes: quero comer-te.
Mordes e às vezes deixas marcas sobre a pele dos meus
ombros.
Penso: quero desenhar todos os animais da Terra.
Enquanto caminhamos recolho todas as penas que encontro.
As penas transbordam os meus bolsos e as gavetas do meu
quarto.
Um gato esconde-se debaixo de um carro.
Outro gato salta de um contentor de lixo e corre.
Toco a tua mão.
Quero ser o centro de cada estação.
Uma árvore de calendário.
A penugem das raposas.
3.
Tentei voltar ao repouso donde a vida
me separou.
Tentei.
Mas aqui o coração existe, aqui a terra beija,
aqui os animais.
Elsa Oliveira
O LOUCO
ilumina-me. pirata
desenfreado do luar. alegre esfumada figura que sobrevoa o puzzle das linhas do
horizonte. de um azul terno morrem os poetas, com o ventre a rebentar de
cometas e uma lua branca sempre a fugir pelas pernas de tanto extenuar o
sangue. mas a luz convexa da pauta acende-se nos neurónios lupanares do louco,
navegante do etéreo e do olho interno que dói. os corvos serpenteiam borboletas
de chuva sobre a tua cabeça, mas tu não sentes, porque tens um chapéu feito do
amanhã da aranha dos sonhos, e não vês, porque as gotas são espelhos ancestrais
a luzir os segredos da vida, e no ar há um xadrez por inventar, e no silêncio
trilhos de espadas que dançam no esgar dos que deixaste para trás. agora segues
pela beleza até entonteceres a hipocrisia biliosa do mundo, de casaco rasgado e
a alma rota de estrelas até ao fundo do caleidoscópio. oh louco. se és louco,
ilumina-me... ilumina-me... ilumina-me.
Elsa Oliveira
INFUSÃO
Elsa Oliveira
orquídeas mergulham no
breu esverdeado do meu sonho. o verde líquido das suas folhas deambula névoas
na pura respiração do segredo. esfumam-se as pétalas terríveis e ternas,
diluem-se os doces dedos de leite, penetrando o sopro aquoso do lago. suspensos
nadas negros de ternura nos escombros oníricos do ser mais puro.
oblíquos impossíveis,
folhas lâmina rasgando suave e inequivocamente o ar do poema. escondem-se raras
auroras guardadas na espera a que o papel obriga. querem voar, como os pássaros
penumbrosos e soberbos no dorso da manhã. mas os sonhos são desenhos a tinta da
china sobre uma folha de nevoeiro.
as folhas cortam a luz
e o real, ladeiam com amores aguçados as gotas lânguidas do medo. os sonhos
devem tocar-se com dedais. brumas cantam o silêncio de tempos imemoriais, lugares
perdidos do etéreo e do assombro.
onde me posso perder?
dá-me o teu ombro-esfera de brisa e de sombra, a pérola do teu sussuro. o
repouso da lua é aqui, entre o mínimo e o imenso, ninho da onda suspensa, reino
do deslumbre na tua constelação de inefáveis.
está tudo quieto.
escuta. vê com os olhos nus e a alma aberta a nobreza do mundo. sente as suas
mais subtis flutuações, o devir da quietude. o real absorve-te as pupilas no
seu caudal de aguarela - todo o ser é infuso.
Elsa Oliveira....Portugal
E AGORA?
deixe seu sonho solto
sob a luz do sol
não há nada de novo,
então vê se se enxerga
a imaginação tem razão
e a fé não é tão cega
as aparências não
enganam seres de escol
o carbono 14 é uma
piada sem graça
contada por palhaços
tristes da ciência
que fingem ignorar sua
própria consciência
e mercadejam fórmulas:
farsa e trapaça
explosões nucleares
mudam equações
qualquer cientista
mixuruca sabe disso
e o Mahabharata está
cheio de alusões
às civilizações –
apogeu e sumiço
guerras atômicas,
vimanas, no horizonte
nêutrons em colisão
com nitrogênio (átomos
divididos em dois
destruindo nossa fonte
de medição) e a fúria
plásmica dos cátodos?
eu, sozinho e
encolhido, estendo os meus braços
a você, meu amigo, a
você, minha amiga,
há um sinal indicando
o fim de todo o enigma -
“pai nosso que estais
no céu” – e une nossos laços
nada mais ofereço ou
peço em meu cansaço
o sonho está apenas
realizando a vida
decodificando a
memória esquecida
meu berço perdido em
algum lugar do espaço
antonio thadeu
wojciechowski
cybercultural
Samantha Beduschi Santana
the brain-dead hypnotized by information,
only able of rolling eyes through a surface,
clicking on windows that open,
just a matter on cyberspace,
just a matter of time
for their eyes to un-open
no knowledge that amplifies
the real being…
no love of sharing
no purpose in truly decomposing their mind,
texting blanks, living lies:
an arrow without a serpent,
a bow without its tongue
dripping poison of an un-life
the image lies on the weakness
of scrolling bars,
plagues of a lit screen,
they don’t let your body fly
they don’t let you slide your soul
to any side
but to misery
the fortress created with invisible bars:
just eyes and hands in torture
and a field of everything but
a whole screen of nothing.
REVISITAÇÃO
José Paulo Paes
Cidade, por que me
persegues?
Com os dedos sangrando
já não cavei em teu
chão
os sete palmos
regulamentares
para enterrar meus
mortos?
Não ficamos quites
desde então?
Por que insistes
em acender toda noite
as luzes de tuas
vitrinas
com as mercadorias do
sonho
a tão bom preço?
Não é mais tempo de
comprar.
Logo será tempo de
viajar
para não se sabe onde.
Sabe-se apenas que é
preciso ir
de mãos vazias.
Em vão alongas tuas
ruas
como nos dias de
infância,
com a feérica promessa
de uma aventura a cada
esquina.
Já não as tive todas?
Em vão os conhecidos
me saúdam
do outro lado do
vidro,
desse umbral onde a
voz
se detém interdita
entre o que é e o que
foi.
Cidade, por que me
persegues?
Ainda que eu pegasse
o mesmo velho trem,
ele não me levaria
a ti, que não és mais.
As cidades, sabemos,
são no tempo, não no
espaço,
e delas nos perdemos
a cada longo
esquecimento
de nós mesmos.
Se já não és e nem eu
posso
ser mais em ti, então
que ao menos
através do vidro
através do sonho
um menino e sua cidade
saibam-se afinal
intemporais,
absolutos.
De A Meu Esmo (1995)
O PEIXE E A ESPINHA
Afonso Henriques Neto
engole o peixe com a
espinha
e tocarás a guelra de
Deus
aprende todas as palavras
antes de reduzi-las a
Uma
ser infinitas palavras
não precisar de
Nenhuma
De Restos &
Estrelas & Fraturas (1975)
"Alta, alta e negra, de urna quase gigantesca altura,
torso direito e forte, retesada na espinha dorsal como rígido sabre de guerra;
colo erguido de ave pernalta, aprumado, gargalado e toroso; longos braços
roliços, vigorosos, caídos, como extensas garras de falcão, ao amplo dos
quadris abundantes e de linhas serenas, esculturais, de soberana estátua de
mármore, — semelhas bem uma noturna e carnívora planta bárbara, ardente e
venenosa da Núbia."
(Cruz e Souza)
NOSTALGIA DO CÉU
Ei-lo que sonha, triste e só. . . Que estranho augúrio
A alma te agita, Arcanjo Negro? Que magia,
Que sortilégio, à dura abóbada sombria,
No Orco, te prende o chamejante olhar sulfúreo?
Que encantamento cabalístico assedia
Tua cabeça? Em que palácio, em que tugúrio,
À evocação de Grande Mago, no perjúrio
Presa ficou tua infernal figura esguia?
Nada de mais. . . Lembra Satã a imensa Queda
No boqueirão da Eterna Sombra que lhe veda,
Eternamente, eternamente, ver os céus. ..
Punge-o a saudade, a nostalgia, a funda mágoa
De estar (Satã já tem os olhos rasos d'água!)
Longe da Luz, longe do Azul, longe de Deus!
(Rezas do Diabo, pág. 1-1.)
VENCESLAU DE QUEIRÓS
(1865-1921)
PEDRA REJEITADA
Sofrimento que passei
na masmorra do Parnaso.
Amarguras que me deu
aquele palácio de Antipas.
Angústia de quem tem presas
as mãos em doze correntes.
Os meus pés foram apertados
em sete sapatos de bronze.
Quanto sofreram meus pés
na sala do mar de bronze.
Estive às portas da morte
no forte de Maquerunte.
Séculos e séculos fui Tântalo
na casa dos copos de ouro.
Passei por negros tormentos
na casa do altar dos perfumes.
Conheci de perto o Inferno
naquela casa fatal.
Suplícios que me infligiram
na câmara de Faraó.
Minha alma foi posta a ferros
na casa dos sete véus.
Torturas que padeci
na casa dos Macabeus.
Fui tratado como louco
na casa dos pavões brancos:
a minha inocência foi posta
numa camisa de força.
Felizmente fiquei livre
da sala da inquisição.
E hoje nem quero pensar
naquela Bastilha horrorosa
levantada por Herodes
com pedra de cornalina
e com uma vinha de ouro
pendurada em cima da porta.
(Sosígenes Costa)
EU
EU
Gritei irado.
O ódio reprimido.
Um urro angustiado.
Descobri o conflito interior.
Encontrei meus medos.
Redescobri os defeitos.
Tudo que jogo no outro.
SOU EU!!!
Não tem jeito
João Bello
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
PASSIO
A cegueira da paixão,
Aquela inconsequente e
suicida,
De entrega absoluta, de
irresponsável senso...
Temo que as frestas de
minha visão estejam destrancadas
E agora, de olhos
abertos,
Eu não consiga mais
mergulhar nesse abismo sem fundo, de tantos perfumes e sensações devastadoras.
Já quebrei todos os meus
ossos
E chorei todos os rios
de desilusão.
A cegueira se dissipou e
me atracou no cais,
Onde os pés se fincam
firmes
E a razão é meu império
de conforto.
Meu coração sente falta
da deriva do desejo,
Do desconforto da
espera,
Do alvoroço do encontro.
***
Meu coração jovial sabia
ter cor na guerra.
FOGO-FÁTUO
As paredes me assombram
com o eco de tuas palavras,
O chão está coberto da
areia dos teus sapatos
E eu tenho medo e
preguiça de varrer o que restou de ti.
Os lençóis me iludem com
o teu cheiro natural,
E a cama nunca foi tão
grande e insone.
Meu corpo está marcado
por teus beijos e carícias,
Arrepio-me quando me
toco ao relembrar nosso ritual de amor.
***
O relógio se cansa para
calcular o tempo que nos separa,
É preferível contemplar
as estrelas
A medir florestas e
desertos que nos distanciam.
Ainda assim, é tudo tão
vivo de presente,
É tudo tão doce e
palpável
Que esse futuro adiado
me anima,
Esse destino de degredo
não me desola.
Eu me cubro de
esperanças,
Aceito viver de
lembranças
E me acorrento aos
fantasmas que restaram de ti.
Hérlon Fernandes
Gomes (10/06/1981) é natural de Brejo Santo, Ceará
OLHARES, RELÂMPAGOS, AÇOITES
Eu posso imaginar a umidade do teu
perfume nu sobre a cama e a maciez da tua pele leitosa a iluminar a penumbra.
Eu desconfio que teu gozo acontece de
olhos fechados, enquanto sorris de êxtase para o mundo.
Suponho que, nesse prazer, existe um
silêncio de tua presença a dizer tanto de ti mais que se me descrevesses teus
sentidos.
Ensaio meus dedos no ar, como a
acariciar tua nuca e espalhar o feitiço dos teus cabelos negros pela
madrugada...
Ah, se teus olhos pousassem nos meus,
um pouco além do que um relâmpago de açoite, eu me instalaria para sempre em
ti, penetrando teu insondável íntimo, e te roubaria para a terra da liberdade,
onde pecado é ter medo de ser feliz.
***
Não haverá canto do teu corpo que eu
não desvende com meus beijos;
Não transcorrerá segundo vago entre
nós que eu não preencha de doçura, de quenturas, eternidades e explosões de
encanto.
ENCANTO DO MAR
É quando dois olhos se
seduzem
E se dizem coisas que
não caberiam às palavras.
É quando o mar pertence
a dois
E o sol nos ilumina, nos
doura e nos enfeitiça.
E quando o beijo
acontece,
Essas bocas sabem que já
foram unidas
Em desejos e vidas
esquecidas de eras longínquas.
***
Eu me deixo
pertencer-te,
Eu te entrego todo o meu
corpo para que seja teu
Nesse tempo breve e
abençoado pela eternidade.
Não quero dormir, teu
conforto é melhor que o sono.
Quero me perder em
promessas impossíveis
Enquanto meus dedos
percorrem os caracóis dos teus cabelos.
***
Eu ficarei sem ti...
Mas as estações me
trarão toda essa vida quente com o mar
E em breve seremos nós,
como agora, novamente sob o sol.
Hérlon
Fernandes Gomes (10/06/1981) é natural de Brejo Santo, uma pacata cidade do sul
cearense, da conhecida região do Cariri, um berço de cultura do estado.Começou
a escrever seus poemas na adolescência, publicando os primeiros textos em jornais
da região e periódicos do curso de Direito da Universidade Regional do Cariri,
de onde obteve o diploma de bacharel, sendo inscrito na Ordem dos Advogados do
Brasil, Subseção Crato. Paralelamente à carreira jurídica, o autor é amante da literatura,
especialmente da poesia, de quem se diz “apenas um instrumento usado para
transportar ao papel as emoções que podem nascer de todos os homens.”Em
2008, publicou seu primeiro livro, intitulado GEMINIANOS – POEMAS DE
DESCOBERTA, de carga confessional, passional, em que o autor disseca,
principalmente, os estágios de gozo e sofrimento do amor. Nesse mesmo ano,
começa a
escrever um blog, intitulado ARQUEOLOGIA DA ALMA (http://arqueologiadaalma.blogspot.com.br/),
espaço dedicado a dar vazão à arte que lhe mina. LÚMEN – ENTRE OS MATIZES DA
ALMA E DO CORAÇÃO é seu segundo livro publicado. Ao longo dos 150 poemas que
compõem a obra, dividida em oito partes temáticas, o autor nos convida a refletir
sobre os horrores de um mundo caótico, povoado pelo terror de guerras reais e
do ego, do artificialismo do ser; mas, sobretudo, nos alerta para que não
percamos nossa imorredoura capacidade de se apaixonar, de amar e de ter
esperanças, sempre.
prestidigitadores...
a linha da minha mão é torta
diz a cartomante
em sonho
o grande pássaro voa
e o mágico faz desaparecer
canções de amor na cartola
Jussara Salazar
E a lua ontem, quem viu?
Eu, com trilha sonora dos sabiás da Tiradentes.
Mais tagarelas que eu esss pássaros da praça da matriz.
No silêncio da madrugada, então...
Andar só, na madrugada, é a sensação de que levarei uma
facada a qualquer hora.
Preciso vencer essa sensação de ameaça, ai posso pensar em
fotografar.
Gosto, até agora.
A madrugada é sincera.
Encontrei Tiagão, visse, Cabuquinho Finno?
Comi um croassã, iansã, ali na excelência, onde pra mim o
sonho acabou. Morei no Eldorado e no Brasilino Moura, dois clássicos edificios
da região, Conheço essa região na madrugada há mais de 30.
Lina Faria
Meu cachorro, Tchekhov, com seu latido anunciava, visita
indesejada. Deixei meu computador ligado, cigarro no cinzeiro, nem havia
acendido ainda. Fui atendê-lo, era cobrador, mais um.! Demorei um bocado de
tempo, é sempre difícil argumentar com massa muscular. Quando entro no meu
escritório, vejo meu cachorro, sentado com duas patas no teclado, o cigarro
aceso na boca, dando baforadas, ao me ver, levou um susto, saiu em disparada,
corria como seu eu houvesse falado em banho. Para minha surpresa, olhei para
tela do computador, estava escrito o titulo:
”Vida de cão” escrito em português, não em russo. Fiquei
curioso pra saber o que ele pensava, seria fecundo para um escritor saber o que
passa na cabecinha de um cachorro vira-lata, que come ração barata, e as vezes
um ossinho aos domingos, por algumas vezes tentei deixá-lo só, mas ele nunca
mais voltou a escrever, penso que sofreu um bloqueio literário.
JDamasio
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Não Há Brinquedo De Menina ou Menino, o Que Existe é Brinquedo
Mamãe, por favor, não tenha medo
Porque não existe brinquedo
Específico para menino, ou, para menina
Mesmo que seja comprado na Casa China
Todo o brinquedo é uma estrela leve e fina
No espírito do céu de uma criança
Que cresce a cada vez que avança!
Deixe o menino peralta e sapeca
Brincar com uma simples boneca
Isso não faz o trem, à controle remoto, sair do trilho
Porque homem também consegue gerar um filho
Assim no futuro ele cuidará do bebê com facilidade
Pois na sua infância preparou-se para esta realidade!
Deixe a menina brincar com o carrinho de madeira
Porque mulheres também precisam dirigir
Uma dama no volante fica segura e faceira
Como a mágica curativa de um elixir!
Mamãe, por favor, não tenha medo
Porque não existe brinquedo
Específico para menino, ou, para menina
Todo o brinquedo é um instrumento que ensina.
Luciana do Rocio Mallon
FLORES VOTIVAS
Eu
não tenho
medo da morte.
Eu tenho medo quando uma coisa cai
e quebra
como porcelana,
seja uma velha amizade,
um novo amor
ou o sentido – fortuito – dos orbes.
Aí vem o vazio,
pior que a morte,
que não cola mais os cacos espalhados no chão.
Eu
não tenho
medo da morte.
Eu tenho medo da ode
inconclusa, da carta interrompida,
do beijo suspenso,
seja este poema – que em si nunca estará completo –
seja a vida, esta obra sempre aberta...
Por que o medo então,
se tudo é acidental
e acidentado? Por que não assumir de vez
que este medo – que me paralisa no trabalho, na fila do
banco, no amor –
não é, no fundo, no fundo, o medo da própria morte?
Talvez seja
para não dar o braço a torcer
a esta velha desmancha-prazeres
que corta os brotos
antes das flores, ou, quando não,
colhe as flores antes dos frutos
– e as oferece ao Nada.
Olw
OFFICINA
sinto saudades da oficina de pedra do meu pai
do atelier de barro do meu avô
da roda d'água que movia a serra que parecia
cantar
do fole, de atiçar o fogo de forjar ponteiras
do pó, que encobriria tudo e corroeria pulmões
do chorume da terra e do ruído áspero
do metal contra a pedra
rostos e corpos que surgiam do barro que parecia
chorar
da erva doce que nascia no mato entre cascalhos
e flores
e lá no fundo o rio
vagaroso e barrento - primeira lição de poesia
nydia bonetti
MAIS UM BLUES
um blues na cabeça
um aperto no peito
e uma sede animal
este é meu destino
vagar pelas ruas
sem rumo
sem rima
sem metro
só pra ver se te vejo
num bar
num beco
ou na sombra
das cortinas
de tua janela
olw
Inspirado num poema de William Teca.
MESES ÍMPARES DE UM ANO PAR
meses ímpares
de um ano par
que passou
dói lembrar
aqueles dias
em seguida
trinta e um dias
cravados
no ímpar
na overdose dos doze
esses são
os meses não
meses contados
no osso do soco
de um ano par
que passou
Ricardo Corona
no fuera en verdad.
Ricardo Chacal
o corpo diz sim
a cabeça diz não
a cabeça, pois sim
o corpo, pois não
.
chacal - 07-09-14. hoje..
.
peguei o mote desse poema do eduardo galeano:
"a igreja diz: o corpo é uma culpa.
a ciência diz: o corpo é uma máquina.
a publicidade diz: o corpo é um negócio.
o corpo diz: eu sou uma festa".
a mídia é uma mulher histérica
a mídia é uma mulher histérica, barraqueira, que se faz de
doida. se voce quer interná-la, ela grita por liberdade de expressão e coloca seu
nome na boca do sapo. ignorá-la é impossível diante do barulho que ela faz. ela
é do mal, só faz o que as grandes marcas, que a bancam, querem.
essa história da Petrobrás às vésperas da eleição, foi
cantada alguns meses atrás. repliquei aqui um post sobre o assunto que dizia da
obsessão do grande capital pelo pré-sal. é muito óleo pra ficar em mãos
alheias. por menos, invadiram o Iraque. então essas empresas iam investir
pesado nessas eleições para tirar o PT do governo e colocar alguém que
privatizasse de vez a Petrobrás.
Aécio meteu o nariz onde não devia e foi descartado. Marina
tinha um bom perfil e com o acidente(?) que matou Eduardo Campos, se tornou a
protoganista surpresa dessa eleição. ela já se declarou aberta a tudo e a
todos. é fiel ao neoliberalismo e sua seita evangélica. a mídia cabe fazer o de
sempre. bater sino, tocar tambor e desacreditar Dilma, seus aliados e a
Petrobrás. dinheiro não falta. a mídia gargalha e quer mais.
por mais que voce pare de ler jornais e ver televisão, a mídia pauta
a tudo e a todos nas redes sociais, nas conversas de botequim, na vida. se
ignorá-la é impossível, que nos sirva de balizamento. já que as informações
para se criar um juízo crítico, são sempre distorcidas por ela, não votar em
quem ela (as grandes marcas) apóia. votar em candidatos e partidos que ela
ataca.
(ou será que esse mundo não tem mais jeito mesmo, que tanto
faz votar num como noutro e que o melhor que se tem a fazer mesmo é inventar do
zero outro mundo dentro desse e acreditar que esse em que vivemos agora, não
passa de uma obra de ficção).
Ricardo Chacal
Bucólica
MANHÃ parece que nasceu do teu riso,
do teu riso de pássaro ou de fonte.
Vibram na tua voz trilhos d'água fresca,
d'água que escorre por entre avances e samambaias.
E as tuas mãos são duas borboletas brancas
voando sobre papoulas e tinhorões,
voando no luz de manhã...
- Ronald de Carvalho, no livro “Epigramas Irônicos e
Sentimentais”, 1922.
Os bastidores do crime
Luz para Curitiba!!! Terra onde viveu Guairacá; passou o
Cabeza de Vaca a caminho das Cataratas do Iguaçu; foi visitada por
Saint'Hilaire; por quem morreu o Barão do Serro Azul (assassinado)... Por onde
caminham tantos anônimos pela Rua das Flores, pelos parques, praças..., sem
falar dos ônibus lotados...
Luzes, para os que se envenenam com drogas a luz do dia; e,
para alguns que, usufruindo dogmas, para auxílio moradia, ou, outros
benefícios, sem "teto/tento" (senso?), não se veem como avestruzes.
Luzes para os grandes condomínios de luxo que ocupam as
áreas nobres e, aos cinemas apenas em shoppings. Na periferia já tem funk
ostentação.
Luz para os ótimos espaços culturais ainda acessíveis. Mas,
não fechemos os olhos para os
que fecharam: Cines Hitz e Luz, Casa Andrade Muricy, Casa
João Turim, a Feira do Poeta...
Luz para todos nozes, piás e gurias da terra dos pinheirais!
Todos fazemos algo acontecer de bom ou não a cada momento e, não somos tão
insignificantes, formamos um todo.
Luz para os Escritibas na rua , escritores que se uniram e
saíram para a rua vender seus livros!
Luz para quem construiu uma praça com as mãos, no centro da
cidade, para todos e ciclistas.
Luz para os meus pinheiros, plantados em vasos reciclados,
na varanda do apto alugado, onde ainda tremulam bandeiras que foram facilmente
encontradas durante a copa.
Os brotos verdes já estão surgindo nos vasos não sei se verei, mas virarão árvores
Luz para Curitiba e nozes dos pinheirais
A.G (08/09/2014)
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