entra a noite
entra e entra a noite carregada pelo vento que carrega
mortos errantes
entra a noite que congela e quebra os pés dos que tentam
fugir
a noite que cobre a cidade
a noite do desassossego das árvores de poncã
a noite dos casacos que nunca mais deixarão de ser a outra
camada de pele sobre a pele
entra a noite
e há sempre as noites que não voltam mais e as noites para
as quais estamos eternamente retornando... e elas nunca coincidem umas com as
outras
são excessivamente noite estas noites em que
os mortos andam no cérebro dos vivos
entra a noite
e esta noite existe para estes homens que ela agora abraça
no ar, o cheiro do frio
e neste ar criado agora mesmo tudo é diverso de ontem,
embora totalmente conhecido por nós
Luiz Felipe Leprevost
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